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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A reação do Brasil à crise neoliberal de 2009 - Parte 2

Segundo Paulo Henrique Amorim em seu blog ConversaAfiada, o mundo vivia o trauma da quebra do banco Lehman Bros, nos Estados Unidos, o que precipitou uma crise só comparável à 1929.

A mídia nativa, PiG (*), por meio de seus colunistas anunciavam o fim do Brasil. Segundo ela, a crise americana e européia desabaria sobre o coitadinho do Brasil, de forma fulminante. As empresas, diante do discurso midiático, não investiam nem contratavam. Os bancos brasileiros pularam para cima de uma poça e não emprestavam, sob os olhares complacentes do Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Aí, na véspera do Natal, Lula faz seu discurso conclamando à sociedade a não parar de consumir e investir. Que o brasileiro comprasse geladeira, fogão, comprasse casa própria, não tivesse medo do futuro. No mesmo discurso, ele delineia como seria a atuação do governo em 2009 para evitar a crise. E fez esse pronunciamento memorável, assista abaixo, o da “marolinha”.

O Discurso de Lula no Natal de 2008. Fala como enfrentará a crise em 2009


No ano que se seguiu, Lula assumiu, de fato,  o Banco Central e pôs o BNDES, o BB e a Caixa para emprestar. Lula reduziu impostos e pisou no acelerador do investimento público.
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Sob pressão do presidente Lula para irrigarem o crédito no país após o congelamento do mercado na crise, os bancos públicos foram os que puxaram a expansão do crédito ocorrida no mês passado, quando as instituições financeiras privadas adotaram uma posição mais cautelosa e passaram a fazer fortes restrições à liberação de novos financiamentos.
Segundo dados do Banco Central, o volume de empréstimos oferecidos pelos bancos controlados pelo governo cresceu quase duas vezes mais do que no setor privado ao longo de outubro.
No mês passado, o tamanho das carteiras de crédito dos bancos públicos cresceu 5,2% na comparação com setembro, enquanto no mesmo período a expansão observada nas instituições privadas ficou em 1,8%.
Os bancos públicos respondem por pouco mais de um terço (35%) dos financiamentos fornecidos pelo sistema financeiro e são liderados por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES. Mesmo não tendo a maior fatia do mercado, sua atuação foi decisiva para fazer com que o volume de crédito disponível no país chegasse a um valor equivalente a 40,2% do PIB (Produto Interno Bruto), o maior nível já registrado desde o início da série estatística do BC, em 1994.

Fonte:Folha.com
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Em reunião com sindicalistas nesta quarta-feira, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) criticou o alto nível dos spreads cobrados pelos bancos públicos, segundo relato dos presentes. No mesmo encontro, representantes das principais centrais sindicais do país comemoraram a demissão do presidente do Banco do Brasil anunciada nesta tarde.
"O governo não aguenta mais negociar o spread bancário. Os presidentes dos bancos públicos pensam que o banco é deles", teria dito Dilma, de acordo com o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical. 
A ministra ainda comentou que "banco público não pode cobrar um spread desses. É para puxar desenvolvimento".
Antonio Francisco de Lima Neto deixou a presidência do Banco do Brasil nesta quarta-feira em meio a críticas sobre o nível de spread (diferença entre o que um banco paga na captação e o que empresta ao consumidor) cobrado pela instituição. Ele será substituído por Aldemir Bendine, um dos vice-presidentes da instituição. 


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A crise financeira mundial de 2008/ 2009


Esta crise foi a maior desde a crise de 1929  e infinitamente mais severa que as dos anos 90. inclusive a que FHC enfrentou. Em vez de aumentar impostos, o governo LULA surfou na marolinha. Abaixo tem algumas das ações feitas pelo governo Lula contra a crise de 2009:

  • desonerou setores industriais;
  • baixou o IPI dos carros, geladeiras e fogões, deixando de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões nos primeiros três meses do tratamento.
  • Uma mudança na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas, resolvida antes da crise, deixou cerca de R$ 5,5 bilhões na mão da sociedade.
  • Forçou seus dois bancos estatais a baixarem os juros de empréstimos ao consumidor, propiciando um maior número de empréstimos e o consequente aumento do consumo;
  • Lançou mais um plano habitacional em 2009 aquecendo ainda mais o setor da construção civil (não tem a ver com tributação, mas vale a pena citar);
  • A carga tributária caiu de 35,8% do PIB para 34,5%;
  • Em 2009 o salário mínimo teve um ganho real de 6,4% e para 2010 terá um reajuste de 8,9% passando para 507,00 Reais em fevereiro;
  • O desemprego deu um rugido, mas voltou aos níveis anteriores à crise e já criou mais de 1 milhão de novos empregos  entre janeiro e julho de 2009;
Fonte: Blog Brasil@gro, via blog
Eleição Presidencial ano 2010

Na época, Lula foi bastante criticado pela oposição e o PIG, diziam que ele estava remando contra a maré mundial, chegaram até a chamá-lo de irresponsável. Para a oposição o governo deveria reduzir gastos, inclusive os investimentos do PAC. O vídeo abaixo tem um pequeno apanhado de como se comportou a mídia nativa - ou melhor, o PIG - e a oposição. No início de 2009, criticavam  as ações do governo Lula no combate a crise e no final de 2009, com a crise afastada do Brasil graças às ações do governo Lula, eles mudam seus discursos.

Assista um pequeno arranjo que mostra como foi a postura da mídia e da oposição durante a crise de 2009.


O interessante é que quando PSDB e DEM foram governo eles agiram totalmente contrário ao que fez Lula. Na era FHC, quando chegava uma crise, eles reduziam os gastos e investimentos e aumentavam juros, tirando assim dinheiro do mercado e jogando ma bolsa de valores, ou melhor, aumentando a concentração de riqueza.
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A crise financeira internacional de 1997/1999-A era FHC
Serra era ministro do Planejamento de FHC
Entre maio de 1997 e dezembro de 1998, na era FHC, o governo remarcou, para cima, as alíquotas de sete impostos, além de passar a cobrar um novo tributo. Sempre procurando reduzir os investimentos e o consumo da população.
  • A alíquota do Imposto de Renda do andar de cima passou de 25% para 27,5%;
  • O IOF de créditos pessoais dobrou e aumentaram-se as dentadas nas aplicações;
  • O IPI das bebidas ficou 10% mais caro, e a alíquota do Cofins passou de 2% para 3%;
  • Tudo isso e mais a entrada em vigor da CPMF, que arrecadou R$ 7 bilhões em 1997;
  • A voracidade arrecadatória elevou a carga tributária de 28,6% para 31,1% do PIB;
  • O produto interno fechou 1998 com um crescimento de 0,03%;
  • a taxa de desemprego pulou de 10% para 13%;
  • Em 1999, o salário mínimo encolheu 3,5% em termos reais.
Tais medidas resultaram em o governo FHC ter que recorrer ao FMI e pedir empréstimo

Não esqueça:
primeiro, houve um empréstimo de US$ 41 bilhões, tomado ao FMI, ao Banco Mundial de ao BIS na base do Deus-nos-acuda, quando da crise da Rússia, em 1998. Em 2001, novamente o País se ajoelha desesperado no altar do FMI, e consegue mais US$ 15 bilhões. E, em 2002, mais um empréstimo de US$ 30 bilhões e, neste caso, dada à erosão da credibilidade de FHC, o FMI pediu que o empréstimo fosse avalizado pelos três principais candidatos a presidente da República de então. E FHC, constrangido, teve que aceitar essa humilhação. 

Ciro Gomes faz uma análise da "era FHC". Ele deixa claro como foi na "era FHC" e como é a "jestão" de serra em SP, ambas "jestões" neoliberais.






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Debelada a crise, pelo menos por enquanto, Lula fez justiça a quem de direito. Em seu discurso de fim de ano, agradeceu ao povo brasileiro pelo apoio e confiança depositados no governo durante a crise.

Discurso de Lula no Natal de 2009 agradecendo ao Povo por ter acreditado no governo e, atendendo aos apelos feitos por ele no discurso do Natal do ano anterior - 2008, não ter parado de consumir ajudando a fazer da crise uma "Marolinha"


PS. ESTAMOS EM 2010 E A CRISE AINDA NÃO ACABOU MUNDO À FORA... AINDA PODE VOLTAR A RONDAR O BRASIL...




Fontes:



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quando a ascensão social causa medo e perplexidade

por Luiz Carlos Azenha

Há, por toda parte, da direita à esquerda, uma certa perplexidade. Intelectuais à esquerda e à direita se debruçam sobre a campanha eleitoral com uma ponta de saudosismo em relação ao passado e desprezo pela aparente despolitização do eleitorado. O domínio do marketing, a presença do Tiririca e a influência de Lula são apontados como sinais de que a democracia brasileira está às vésperas de um naufrágio.

Em um caderno especial, “Desafios do Novo Presidente”, o Estadão exibe sua saudade de um tempo em que ainda era possível controlar o protagonismo das multidões para negociar, por cima,  uma “solução política”. Foi assim no movimento das Diretas Já! , em que o vozerio das ruas foi instrumentalizado para buscar uma democracia “de bastidores”. “Democracia à brasileira”, anuncia o Estadão, obviamente sem notar a ironia da foto que escolheu. Se tivesse escolhido uma imagem da greve dos metalúrgicos do ABC, em 1980, não seria, naturalmente, o Estadão, embora a greve tenha sido o golpe que de fato chacoalhou o regime militar.

Na Folha, um colunista identificou no Tiririca o símbolo de tudo o que há de errado com a política brasileira. Ele se esqueceu que a despolitização é herança da cidadania negada e está explícita não só nos candidatos bizarros, mas também em partidos que não resistem a prévias internas para a escolha do candidato a presidente. O dedaço, como se sabe, é um mal apenas quando praticado pelo atual presidente da República, nunca quando se dá em um apartamento de Higienópolis. Politização exige engajamento. A  amnésia do colunista se estende à campanha movida contra as tênues tentativas do governo Lula de promover a cidadania política, através das conferências nacionais e do Plano Nacional de Direitos Humanos, campanha da qual fez parte…  a Folha.

O Globo de domingo gastou uma página inteira de papel e tinta para falar em Vazio de ideias, por que a apatia e a ausência de reflexão tomaram conta da campanha eleitoral. Na página, o poeta Claufe Rodrigues prega “mudar radicalmente o sistema de representação”. Será que ele sonha com o voto censitário? O jornalista Eugenio Bucci trata como “discurso autoritário”  a propaganda eleitoral de Dilma Rousseff que dá ênfase à ascensão social (‘”pusemos” não sei quantos brasileiros na classe média’). O sociólogo Bernardo Sorj fala em “massa apática”, sustentada pela “classe média pagadora, que se preocupa com problemas como liberdade de expressão, transparência do Estado e corrupção”.

Curiosamente, as pílulas de O Globo revelam mais sobre os entrevistados do que sobre a população brasileira, os eleitores brasileiros e a conjuntura política e econômica do Brasil. Revelam desconhecimento, preguiça intelectual e a falta de reflexão que eles, os entrevistados, preferem atribuir — como sempre — “aos outros”.

Infelizmente, pouca gente tem se dedicado até agora a estudar a erupção política de milhões de brasileiros como resultado da ascensão social que eles viveram nos últimos anos. O fenômeno, em números, foi retratado mais recentemente no estudo A Nova Classe Média: o Lado Brilhante dos Pobres, da Fundação Getúlio Vargas. Do ponto de vista da ciência política, foi estudado por André Singer, em Raízes sociais e ideológicas do Lulismo.

Além da ignorância, no entanto, torcer o nariz para a atual campanha eleitoral também serve a um objetivo político: desqualificar antecipadamente os eleitos. Para além do golpismo, no entanto, está a perplexidade de classe — e aqui localizamos a esquina onde se encontram direitistas e esquerdistas (alguns, pelo menos). O Brasil é um país de extrema concentração de poder, de riqueza e de saber. E o fenômeno que vai influenciar as eleições brasileiras a longo prazo representa uma ameaça a essa sociedade, em que as “ideias” políticas, de comportamento e de consumo “vertem” dos ungidos em direção às massas.

Assistimos, em câmera lenta, a uma revolução nos papéis sociais, que vai se acelerar quando a ascensão econômica se combinar com a interiorização do conhecimento, o acesso à universidade e as tecnologias de informação.

Perplexos, os que se acreditam mantenedores de nossa ordem hierarquizada confundem sua irrelevância com a decadência definitiva da democracia brasileira. É um jeito elegante de dizer que eles sentem desprezo pelos pobres.


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domingo, 18 de julho de 2010

Os Gastos com a Aids no mundo

[A Indústria Farmacêutica agradece]
 
LONDRES (Reuters) - A Aliança Internacional HIV/AIDS alertou neste sábado que o custo anual de combate à epidemia de HIV deve alcançar os 35 bilhões de dólares em 2030 se os governos não investirem corretamente em medidas de prevenção.

Na véspera de uma conferência internacional sobre a AIDS em Viena, o grupo afirmou que o vírus da AIDS, que já infecta cerca de 33,4 milhões de pessoas no mundo, é uma "custosa bomba relógio" para famílias, governos e doadores.

"Para cada duas pessoas que recebem tratamento, cinco outras são contaminadas. A essa taxa, o gasto com HIV vai subir de 13 bilhões de dólares agora para entre 19 bilhões e 35 bilhões de dólares em um espaço de tempo de 20 anos"
Alvaro Bermejo, diretor
executivo da aliança.

A aliança reúne grupos de caridade e de combate à doença ao redor do mundo.

Bermejo afirmou que autoridades encarregadas por programas de combate à doença no mundo precisam aumentar a prevenção ao reduzirem as barreiras que impedem que grupos marginalizados --usuários de drogas, prostitutas e homossexuais-- recebam tratamento e serviços para a doença.

Se as autoridades direcionarem os recursos para aqueles grupos mais afetados elas "vão reduzir o ritmo de novas infecções e ainda vão economizar dinheiro para aumentar a escala do tratamento".

O vírus de imunodeficiência humana (HIV), causador da AIDS, é transmitido durante o sexo, pelo sangue e por agulhas e leite materno. Ele gradualmente reduz as defesas do organismo e pode levar vários anos para causar os sintomas. O vírus matou 25 milhões de pessoas desde que a pandemia começou no início da década de 1980.

Na África, região mais afetada pela doença com cerca de 67 por cento da população convivendo com o vírus, o grupo percebe uma tendência cada vez maior de criminalização de homens que fazem sexo com outros homens em países como Uganda e Malawi.

Os dados mais recentes, de 2008, mostram que o número anual de novas infecções de HIV estava em 2,7 milhões, o mesmo de 2007. Em 2001, a taxa era de 3 milhões.
 
 
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

As aquisições do Ministério da Defesa do Brasil e a transferência de tecnologia

Roberto Godoy – O Estado de S.Paulo

Estão quase prontos, pintados e começando a receber os componentes eletrônicos, os três primeiros dos 50 grandes helicópteros EC725 comprados pelo Ministério da Defesa para equipar a frota das Forças Armadas. O trio está longe do Brasil, em Marignane, na França, em um hangar da Eurocopter.O primeiro voo foi feito no dia 26 de maio.

A culpa é da pressa: Marinha, Exército e Aeronáutica querem ter ao menos uma unidade operacional, na versão básica, para treinamento de pilotos, planejadores de missão, artilheiros e pessoal de terra.

A encomenda envolve o Super Cougar, francês, capaz de transportar quase 12 toneladas de carga, armas e tropas. Um grande negócio. O contrato bate em R$ 5,2 bilhões, financiado por um consórcio europeu liderado pelo banco Societé Generale.

A transferência das tecnologias de ponta exigida pelo acordo entre governos se dará por meio da Helibras, única fabricante de helicópteros da América do Sul, associada ao Grupo Eurocopter – por sua vez, controlado pela EADS (European Aeronautic Defence and Space), um gigante do setor, que emprega 119 mil pessoas e faturou 42,8 bilhões em 2009.

A partir da quarta aeronave será incluído um índice gradativo de nacionalização que atingirá o nível de 100% na entrega do helicóptero número 15, nas linhas da Helibras em Itajubá, no sul de Minas Gerais. Isso só vai acontecer em julho de 2013. O último é assunto para 2017.

Expansão. Bem antes, em dezembro próximo, os três modelos iniciais serão trazidos de Marignane e recebidos formalmente na sede da indústria. A área está em obras. Para atender ao pedido da Defesa, a empresa está dobrando de tamanho, vai ganhar um complexo de produção de 11,5 mil metros quadrados. Fica pronto em 2012. Até lá, o quadro atual de 350 funcionários será aumentado para comportar mil vagas.

A distribuição do pacote será igual. As três Forças receberão 16 helicópteros. Os dois excedentes vão para o Palácio do Planalto, na configuração executiva, de alto luxo. As pinturas seguirão diferentes padrões; verde-escuro para o Exército, cinza-marítimo para a Marinha e camuflado para a Aeronáutica.

Não é a única variação. Os Comandos Militares definiram que, na partilha, oito dos EC725 devem ser destinados essencialmente ao emprego geral – transporte de pessoal, evacuação médica e apoio a operações de assistência humanitária.

Os outros 24, divididos em três grupos de oito, serão configurados prioritariamente para missões de combate ou de intervenção armada. O grupo naval, além de recursos para atuação tendo por base fragatas e o porta-aviões São Paulo, terá sistemas digitais para guerra antissubmarino, com dispositivo para lançamento de sensores eletrônicos de vigilância e disparo de torpedos ou mísseis.

O Exército quer seus modelos integrados com um Flir (infravermelho de visão frontal, em inglês), equipamento que usa o calor para “ver”, na tela digital e em tempo real, os alvos em imagens tridimensionais. Serve para noites escuras ou áreas de baixa visibilidade, na selva ou locais cobertos pela névoa. O alcance médio é de 26 quilômetros. Dois suportes laterais poderão receber metralhadoras 7.62 mm ou canhões leves, de 20 mm. O mesmo suporte levará disparadores de foguetes de 70 mm com 32 tubos.

A Força Aérea estuda um arranjo combinado, para ações de busca e salvamento, mas sem perda da capacidade de deslocamento armado da sua infantaria. O painel de bordo adotará um sensor de rastreamento de superfície.

A personalização será toda executada em Itajubá, tomando os primeiros protótipos como referência. Ao menos 40 engenheiros e técnicos brasileiros passarão por treinamento na França, de onde virão 20 profissionais para participar do processo. Há quatro especialistas da Helibras em Marignane. Nos próximos, meses serão 18 profissionais. O investimento do grupo supera os R$ 430 milhões.

‘Vamos desenvolver e construir um helicóptero todo brasileiro até 2020′

Eduardo Marson, presidente da
Helibras e do Conselho da EADS Brasil


O Estado de S.Paulo


Aos 47 anos, Eduardo Marson divide seu tempo entre as 52 viagens que faz a cada ano – uma por semana, duas delas internacionais todo mês – por exigência das duas presidências corporativas que ocupa, a da Helibras e a do Conselho de Administração da EADS Brasil. Bacharel em política, pós-graduado em comércio internacional, Marson falou ao Estado na sexta-feira – pouco antes de uma nova viagem.

Qual é a maior dificuldade do programa EC725?
O desafio do programa do EC725 é a grande complexidade do contrato, que está sendo administrado conjuntamente pela Helibras, Eurocopter e a Comissão Coordenadora da Aeronáutica. Implica variáveis no planejamento, organização e execução de todas as ações envolvidas – do desenvolvimento dos sistemas próprios de cada Força até o treinamento, a documentação técnica e a manutenção.

Qual é o valor do investimento?
O investimento da Helibras no programa do EC725 é de R$ 430 milhões para todo o projeto de produção das aeronaves, incluindo treinamento, ferramental, simulador de voo e intercâmbios. Mas, além desse valor, haverá o investimento das indústrias independentes, que integrarão a cadeia de fornecimento e supridores.

Quais são os planos da EADS/Eurocopter para o Brasil?
Acho que o nosso plano mais ambicioso é a Helibras, num prazo de 10 anos – até 2020 – poder desenvolver, projetar e construir um helicóptero todo brasileiro, em parceria com a Eurocopter. A criação do Centro de Engenharia da Helibras será o ponto-chave para isso. A Helibras também está se capacitando para buscar soluções para outros setores, criando novos opcionais e novas configurações para outros modelos, tais como o EC225, a versão civil do EC725. Com a nova fábrica, a Helibras pretende atender também o mercado offshore e parapúblico do Brasil. Vamos lançar uma ofensiva exportadora em países de toda a América Latina e de regiões onde a presença diplomática brasileira seja forte.

Qual é a rotina diária da condução do programa EC725?
Uma das características do trabalho é essa, a de não ter rotina. As minhas responsabilidades, tanto na presidência da Helibras quanto na presidência do Conselho de Administração da EADS Brasil, obrigam-me a um permanente deslocamento dentro do Brasil e no exterior. Toda semana passo de um a dois dias na fábrica da Helibras em Itajubá, e o resto do tempo na sede da empresa em São Paulo. Mas a minha agenda envolve compromissos também nas capitais em que mantemos escritórios, como Brasília, Rio e Curitiba, além da minha participação em reuniões, quinzenalmente, nas sedes europeias das empresas, ou onde mais a minha presença seja exigida.

A mão de obra qualificada exigida no empreendimento é encontrada no País?
Sim. Hoje o Brasil possui uma indústria aeroespacial altamente sofisticada tecnologicamente, cuja mão de obra tem condições de responder rapidamente a um estímulo representado por investimentos em projetos como o do EC725. Mas ela necessita de treinamento específico, e essa preparação está sendo ministrada por meio de uma série de programas atualmente em desenvolvimento na Eurocopter, na França, e na própria Helibras.

A rede de fornecedores já está completa?
A identificação das empresas que participarão do acordo de cooperação industrial está bastante avançada, com vários protocolos de intenção assinados em consonância com a Copac. As organizações cobrem praticamente todas as áreas – da motorização, painel de instrumentos, aviônicos, radiocomunicação, navegação e partes estruturais até os conjuntos dinâmicos.

Que conhecimento de ponta ainda precisa ser trazido de fora do País?
O Brasil não domina a mais moderna produção de materiais compostos. Mas é só uma questão de tempo – e é relativamente pouco tempo. Vamos transferir essa tecnologia.
Fonte do post:
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domingo, 11 de julho de 2010

A invasão estrageira nas terras Brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu propor alterações à Constituição para proibir a compra de terras brasileiras por estrangeiros. Preocupado com o que considera um "abuso", o presidente Lula determinou a retomada dos debates por um grupo de ministros e auxiliares sob a coordenação da Casa Civil, que elabora uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com essa finalidade. A PEC teria poder para anular títulos já registrados por estrangeiros a partir de uma data de corte a ser estabelecida.

"Não queremos que comprem terras aqui. Não precisamos de estrangeiros para produzir aqui. Essa é a política anunciada pelo presidente Lula", revelou ao Valor o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. "Temos que proibir que eles tomem conta. As terras brasileiras têm de ficar nas mãos de brasileiros, porque isso tem a ver com segurança alimentar".

O governo avalia, desde 1998, alterar as regras para restringir a aquisição de terras por estrangeiros no Brasil. A principal mudança seria equiparar a empresa nacional de capital estrangeiro ao conceito de companhia controlada por acionistas não residentes no país ou com sede no exterior. Até agora, as compras de terras têm sido feitas com base em um parecer da Advocacia-Geral da União, que dispensou autorização para a aquisição de imóveis rurais em território nacional. Até 1995, o Artigo nº 171 da Constituição, depois revogado, permitia a distinção entre os dois conceitos. Uma lei de 1971 limitava os investimentos estrangeiros a um quarto da área de cada município brasileiro e previa que pessoas da mesma nacionalidade não podiam ser donas de mais de 40% desse limite.

A preocupação de Lula tem fundamento em dados do Banco Central e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Estatísticas inéditas do cadastro rural mostram que, até 2008, havia 4,04 milhões de hectares registrados por estrangeiros. São 34.218 imóveis concentrados no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Bahia e Minas. De 2002 a 2008, o governo registrou grandes investimentos estrangeiros em terras no país - US$ 2,43 bilhões, segundo o BC. "Não sou xenófobo, mas nosso território é finito, a população cresce e demanda comida", disse Cassel.

Fonte do post:




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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nova carteira de identidade virá com chip e terá certificação digital

Certificação digital dará mais segurança a nova carteira de identidade


O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, esteve na abertura do 2º Congresso da Cidadania Digital que começou hoje (8) em Brasília, falou sobre a nova carteira de identidade que terá utilização nacional, chamada de Registro de Identidade Civil.

O documento reunirá em uma única carteira as principais informações do cidadão, o Registro Geral (RG), o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e título de eleitor, além de outras informações para evitar falsificações.

(A foto abaixo é meramente ilustrativa.) 
O novo documento digital terá foto, impressão digital, assinatura do portador do documento, um código e um número que será registrado numa central nacional, além de um chip com a impressão digital e o certificado digital.


O estado pioneiro no uso deve ser o Rio de Janeiro, que prevê a primeira emissão para julho deste ano.

A falsificação de carteiras de identidade soma 72% de golpes em bancos e instituições comerciais.

Hoje uma pessoa pode ter 27 registros, um em cada estado do país, o que facilita o grande número de fraudes. O novo documento, por ser de utilização nacional, irá diminuir esse problema. (Da Agência Brasil).



Fontes do Post:




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quarta-feira, 2 de junho de 2010

A pesquisa sobre o perfil e a renda das famílias beneficiadas pelo Bolsa Família

Bolsa Família eleva em quase 50% a renda dos extremamente pobres


Gilberto Costa Repórter da Agência Brasil

Brasília – O benefício pago pelo Programa Bolsa Família eleva a renda da população atendida em 48,7%. O dado consta do Perfil das Famílias Beneficiadas pelo Programa Bolsa Família (PBF), análise divulgada hoje (31) pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

O estudo calcula que a média nacional da renda familiar per capita (total da renda dividido pelo número de pessoas no domicílio) sem os benefícios pagos pelo programa é de R$ 48,69. Com o aporte, essa média passa para R$ 72,42, acima da linha da extrema pobreza (miséria) calculada em R$ 70.

O programa paga benefícios variáveis conforme o tamanho da família, número de crianças e adolescentes na escola. Os valores vão de R$ 22 a R$ 200. O pagamento é feito pela Caixa Econômica Federal a partir do cadastro das prefeituras municipais.

De acordo com o MDS, a renda per capita dos atendidos pelo Bolsa Família é maior nas regiões mais ricas, mas o impacto é maior nas regiões mais pobres. No Sudeste, a renda é de R$ 82,27; no Sul, a renda chega a R$ 85,07; e no Centro-Oeste, a renda fica em R$ 84,22. No Norte e no Nordeste, apesar do aporte de recursos, a média é abaixo da linha de pobreza: R$ 66,21 e R$ R$ 65,29; respectivamente.

Ainda segundo o ministério, o efeito geral do Bolsa Família foi diminuir o tamanho da população em extrema pobreza que era de 12% para um patamar de 4%. A pesquisa foi feita com base nos dados de setembro de 2009.

Cerca de 49 milhões de pessoas formam as famílias beneficiadas pelo programa, a maior parte dessas pessoas (56,17%) tem até 17 anos.

A pesquisa sobre o perfil das famílias beneficiadas ainda revela que 70% dos beneficiados vivem em área urbana, em domicílios que declaram ser próprio (61,6%), sobretudo em casas (92,6%). Nos últimos anos, esses domicílios melhoraram de condição física. De 2005 para 2009 caiu o número de residências que não tinham tratamento de água, luz, esgoto e coleta de lixo.

Atualmente nove de cada dez domicílios contam com coleta de lixo; 67,8% têm escoamento sanitário e 83,9% têm abastecimento de água por rede pública. De acordo com a secretária nacional de Renda e Cidadania, Lúcia Modesto, apesar da diversidade regional e da condição da pobreza em vários lugares, a desassistência desses serviços ainda é parecida em vários estados.

Segundo a secretária, nos últimos anos, cerca de 4 milhões de famílias deixaram de ser atendidas pelo PBF, 80% delas porque tiveram a renda elevada; o que demonstra, segundo Lúcia Modesto, que o programa “tem porta de saída”.

De acordo com a ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, até o final do ano, o Bolsa Família quer atender 12,9 milhões de famílias. Atualmente atende 12,4 milhões. O crescimento do programa irá permitir a inclusão de 48 mil famílias de moradores de rua, ribeirinhos, indígenas e de bolsões de pobreza ainda não inscritos no programa.
Edição: Lílian Beraldo

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"Dão o Peixe e ensinam a pescar"

Beneficiárias do Bolsa Família se formam em construção civil


do Blog do Planalto
via o Vi o Mundo

O fato de 77% dos 1.592 beneficiários do Bolsa Família - que se formaram,nesta terça-feira (1º/6), no curso de construção civil do programa Próximo Passo - serem mulheres encheu de orgulho o presidente Lula durante a cerimônia realizada em São Paulo.

“Vocês são ‘as caras’!”, afirmou o presidente. “Saio daqui com a imagem de felicidade que estou vendo na cara de cada uma de vocês.”

Lula destacou que a oportunidade de cada brasileiro vai chegar, graças aos avanços do País na economia e na área social, e recomendo a todos os presentes que não parassem de estudar nem “de brigar pelo que vocês acreditam”, dando como exemplo a sua própria história de vida: “Se eu tivesse desistido não teria chegado à Presidência da República”, disse.

Eu acho extraordinário que 80% das pessoas que se formaram sejam mulheres, porque o que isso significa? Significa que a companheira mulher já não se contenta mais em ficar em casa esperando o marido trabalhar e trazer o dinheirinho para casa. Significa que a mulher está conquistando sua independência. Significa que a mulher está entrando no mercado de trabalho de verdade. (…) As mulheres querem trabalhar fora, terem autonomia, independência, não querem ficar dependentes do salário do marido. Hoje as mulheres querem mais do que feijão, querem respeito!





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sábado, 8 de maio de 2010

As armadilhas da pobreza

Em entrevista à CartaCapital Bernardo Kliksberg, assessor do Pnud, fala dos efeitos perversos da desigualdade
Denise Ribeiro

Todos os anos 18 milhões de seres humanos morrem por causas relacionadas à pobreza. Dez milhões são crianças. Em 2008, o mundo comemorou sua segunda maior safra agrícola da história. Mesmo assim, 5 milhões de crianças morreram de fome por falta de acesso à comida.

Esses tipos de dados balizam os estudos do economista argentino Bernardo Kliksberg, que assessora o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e outros tantos organismos multilaterais como a Unicef e a Unesco. Criador de uma nova disciplina, a gerência social, o argentino é um dos pioneiros na disseminação do conceito de ética para o desenvolvimento, o capital social e a responsabilidade social empresarial. Autor de 47 obras, seu livro mais recente, As pessoas em Primeiro Lugar, foi escrito em parceria com Amartya

Sem, prêmio Nobel de Economia em 1998. Um dos palestrantes da conferência internacional do Instituto Ethos, que acontece em São Paulo entre a terça-feira 11 e a sexta 14, Kliksberg concedeu a seguinte entrevista a CartaCapital. Segundo ele, o círculo perverso da iniquidade só será rompido quando enxergarmos a pobreza como uma violação dos direitos humanos, contra a qual é preciso lutar diariamente.

CartaCapital: No livro Primeiro as Pessoas, em parceria com Amartya Sen, o senhor reflete sobre ética e desenvolvimento. No mundo, esses conceitos realmente já são associados?
Bernardo Kliksberg: O mundo tem gerado excepcionais avanços tecnológicos nas últimas décadas e aumentado drasticamente sua capacidade de produzir bens e serviços. Ao mesmo tempo convivemos com 3 bilhões de pobres, dos quais 1,2 bilhão são extremamente pobres e 2,6 bilhões não têm sequer banheiro. 
Uma em cada seis pessoas passa fome em um mundo que pode fornecer alimentos para uma população maior do que a atual. A crise econômica mundial agravou esses problemas. A cidadania exige modelos econômicos que incluam a todos e existe uma demanda ativa e crescente em muitos países nesse sentido. A sociedade civil está cada vez mais articulada e parte da juventude se organiza na internet rapidamente, pressionando a governança global por mudanças e pela adoção de novas regras. A ética e a economia têm de estar a serviço de políticas públicas inclusivas. Nos países nórdicos, no Canadá, e na pequena, mas muito ativa eticamente Costa Rica, está comprovado que práticas éticas fazem bem à economia, geram maior expectativa de vida e criam coesão social.

CC: Por que a América Latina é a região de maior desigualdade do planeta?
BK: O fato de a América Latina ser a região mais desigual do mundo é a chave para entender a intensidade da pobreza na região. Não é que haja pobreza e desigualdade. Há pobreza por causa dos altos níveis de desigualdade. E, sem dúvida, as políticas ortodoxas são responsáveis por aumentar ainda mais a distância entre ricos e pobres. Na Argentina, por exemplo, que foi um verdadeiro laboratório de políticas econômicas ortodoxas nos anos 90, o fosso social aumentou 225% entre os governos Alfonsín (1986) e Menem (2000). 
A pobreza triplicou, o desemprego atingiu picos históricos, a base econômica de amplos setores de pequenos e médios empresários e profissionais liberais foi destruída, 8 milhões deixaram de ser classe média para se tornarem novos pobres, o coeficiente de Gini (que mede a distribuição de renda) piorou drasticamente. A distância entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres passou de 12 vezes em 1986 para 22 vezes em 1995, 26 vezes em 2000 e 28,7 vezes em 2001. Essa política se revelou simplesmente má economia.


CC: Como o senhor analisa os atuais governos da região, que tentam implementar políticas sociais mais inclusivas para seus habitantes?
BK: Novos ventos históricos sopram na América Latina. Os cidadãos buscam, por diferentes caminhos, uma economia de rosto humano, o que têm gerado significativas mudanças geopolíticas na região. O reflexo disso é uma nova geração de políticas sociais com maior destinação de recursos, mais ativa, com melhor gestão, e buscando a participação das comunidades atendidas. Se não fosse por elas, o impacto da crise teria sido ainda maior.

Programas como o Fome Zero e o Bolsa Família, implementados no Brasil pelo presidente Lula, ganharam respeito e se transformaram em referência internacional por vários motivos. Tem a maior escala jamais conhecida em matéria de política social no continente, conseguem uma maior redistribuição progressiva de renda para os mais pobres, melhoram a sua situação e envolvem os pais nas responsabilidades relacionadas à educação e saúde para com seus filhos.

E também conseguem conectar os pobres aos serviços do Estado. Quanto mais se avance em dar pleno acesso à educação e à saúde, e em ver as comunidades a que se quer atender como sujeitos ativos, e não como beneficiários passivos, crescerá o “empoderamento” da população. Há progressos em toda a América Latina, mas é preciso redobrar os esforços. Ainda há 190 milhões de pobres nessa região tão rica potencialmente. Mais de um em cada três latinoamericanos carecem do essencial. O motor é impulsionar a participação cidadã. Quanto maior ela for, melhor qualidade terão as políticas públicas.

CC: O senhor poderia explicar um pouco melhor o seu conceito de gerência social?
BK: A ênfase está na distribuição de renda, mas na América Latina a desigualdade se dá também no acesso a ativos produtivos, tais como a terra e uma boa educação. Mais de 50% dos jovens em muitos países da região não terminam o ensino médio. Entre os jovens 20% mais pobres, apenas um entre três conseguem. Há também a desigualdade no acesso à saúde e as assimetrias em poder ingressar no mundo das tecnologias, a chamada brecha digital.

Todas essas dimensões da desigualdade interagem e se reforçam mutuamente. Existe desigualdade até no direito de formar uma família. Muitos casais jovens se abstêm de fazê-lo porque não têm garantia de habitação, de emprego ou de entrada de recursos mínimos. Todos esses fatores criam "armadilhas de pobreza", ou seja, crianças que, por nascerem na pobreza, têm problemas de saúde, enfrentam trabalho precoce, não conseguem concluir o secundário, e, portanto, estão destinadas a ficar fora da economia formal. 
Uma gestão social eficiente deve atuar sobre o conjunto de causas, somando-se políticas públicas ativas à responsabilidade social das empresas privadas e à mobilização da sociedade civil. A mídia pode dar uma grande contribuição, tornando visível o invisível (os pobres), mostrando as boas práticas sociais, divulgando experiências comparativas e elevando o nível de qualidade do debate social. Quanto mais próximos estiverem dos problemas reais da população, como a pobreza, mais êxito os meios de comunicação terão.

CC: Há uma maneira de enfrentar a desigualdade quando os mesmos problemas se repetem como um pesadelo?
BK: Enfrentar a desigualdade exige investimentos sustentados de longo prazo em áreas como saúde, educação, inclusão de jovens, abastecimento de água e outros setores que permitam aos pobres romper o círculo vicioso da pobreza. Isso pode ser feito. Note, por exemplo, como o governo do Uruguai conseguiu, com um programa em massa, que 350 mil crianças do ensino primário passassem a ter acesso ao mundo digital. Elas ganharam computador, foi instalado Wi-Fi nas suas escolas e houve investimento na formação de professores.

CC: O senhor afirma existirem seis mitos da pobreza, que impedem que ela seja combatida. Qual o mais deletério deles?
BK: Junto com as desculpas para tentar justificar a pobreza – dizendo que ela sempre esteve lá e em toda parte –, que não podem suportar o choque de realidade, o mito mais perigoso é aquele que vê o pobre como um problema alheio, um reforço à insensibilidade vigente em relação à pobreza. Eu o chamo de acostumar-se à pobreza, como se ela fizesse parte da natureza, o que leva à perda da capacidade de se indignar perante a flagrante violação dos direitos humanos que ela representa. Devemos lutar diariamente contra essa atitude.

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

A internet pode sofrer pane hoje, 5 de maio de 2010

Você sabia que no dia 5 de maio de 2010 sua internet, e de muitas pessoas ao redor do mundo, pode ficar fora do ar por algumas horas? Calma, não é o fim do mundo, apenas uma atualização de 13 backbones para que cada DNS agora tenha uma assinatura digital, dando maior certeza ao usuário de que o endereço retornado pelo backbone é realmente o que foi solicitado….

Em um primeiro momento essas assinaturas não passarão de mensagens bobas e serão utilizadas apenas para a realização dos primeiros testes em grande escala. A partir de 1º de julho, no entanto, as assinaturas passarão a ter validade real.

Explicando um pouco mais


No dia 5 maio, várias autoridades mundiais da internet (ICANN, governo estadounidense e a VeriSign) completarão a primeira fase do DNSSEC (Domain Name System Security Extensions) através de 13 backbones.

O DNSSEC foi desenvolvido para diminuir o número de ataques do tipo “homem no meio”, no qual hackers interceptam os requerimentos de abertura de uma página da web e respondiam essa mensagem com endereços falsos, o que levava o usuário até uma falsa localização.

E qual o problema com isso?

O problema é que o novo protocolo precisará carregar, além da mensagem, a assinatura do DNS. Com isso, o tamanho do pacote que será transportado vai aumentar de 512 Bytes para 2 KB.

Em alguns equipamentos de rede mais antigos (roteador, switch), qualquer mensagem maior do que o tamanho padrão é bloqueada pelas configurações padrão de fábrica, uma vez que um pacote maior do que 512 Bytes é considerado uma anomalia na rede.

O que fazer?

Para que esses pacotes de maior tamanho não sejam rejeitados, é preciso reconfigurar os roteadores a fim de que eles aceitem mensagens maiores. Mas calma, não é o seu roteador, mas sim os da empresas que prestam serviços de banda larga e são as responsáveis por “cuidar” das internet nos países.

O que vai causar a pane temporária, na realidade, é o delay entre o envio do novo pacote e a reconfiguração dos roteadores. Especialistas afirmam que, aqueles que utilizam banda larga de grandes empresas não têm muito com o que se preocupar, pois a maioria delas já está ciente do novo padrão e conta com uma equipe especializada para reconfigurar os roteadores o mais rápido possível.

Já os usuários que fazem uso dos serviços de internet de empresas pequenas podem ter um pouco de dor de cabeça, pois elas podem levar algum tempo até descobrir o motivo pelo qual a internet de seus usuários parou de funcionar.

O fato é que se no dia 5 de maio você ficar sem internet por algumas horas, não há muito com o que se preocupar. Agora que você já sabe o que vai acontecer, e porquê, não vai ser preciso congestionar as linhas de atendimento da empresa de banda larga.

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sábado, 1 de maio de 2010

A reação do Brasil à crise neoliberal de 2009

Brasil foi um dos países que melhor reagiram à crise, diz estudo alemão


O aumento do poder aquisitivo no Brasil teria ajudado a combater a crise
Marcelo Crescenti
 De Frankfurt para a BBC Brasil, em 23/04/2010


Um estudo divulgado nesta sexta-feira pela fundação alemã Bertelsmann diz que o Brasil está entre os países que reagiram de maneira mais efetiva à crise financeira internacional e elogia os programas sociais do governo Lula.

A pesquisa mostra como 14 países desenvolvidos e em desenvolvimento reagiram à crise, entre eles Brasil, Alemanha, China, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Índia e Turquia. Um grupo de especialistas analisou a rapidez e a eficiência das medidas tomadas pelos governos para estabilizar a economia de cada país.

Segundo a fundação Bertelsmann, os países em desenvolvimento reagiram melhor aos problemas financeiros do que as nações industrializadas. “Esses países aprenderam com as diversas crises pelas quais passaram nas últimas décadas”, diz o estudo.

“Os países em desenvolvimento sanearam seus orçamentos antes da crise e por isso puderam tomar medidas rápidas e eficientes para reativar a economia”, diz Sabine Donner, responsável pela pesquisa.

Em consequência disso, países como Brasil, China e Índia teriam agora uma posição melhor no mercado mundial do que antes da crise, disse Donner: “Agora são esses países que estão reavivando a economia mundial”.


Programas sociais

O estudo elogia o modo como o governo estabilizou as finanças do Estado e controlou o setor bancário durante a crise.

Além disso, a demanda interna teria ajudado o país a contornar a crise. Isso se deveria em parte às reformas e aos programas sociais do governo Lula, que teriam aumentado a renda média dos brasileiros, permitindo um aumento do mercado consumidor, diz a pesquisa.

Outro ponto positivo para o Brasil teria sido o mercado de ações regulamentado, menos afetado pelas especulações com títulos hipotecários americanos que deram origem à crise mundial.

Quanto aos países industrializados, a pesquisa mostra que a Alemanha combateu melhor os efeitos da crise do que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, que teriam reagido tarde demais.

Entre os quesitos analisados pelo estudo estão o foco dos pacotes financeiros, o tempo que levou para serem efetivados e o alcance das medidas.

Um aspecto comum a todos os pacotes contra a crise foi que “em vez de uma ação coordenada com outros países, as reações à crise foram quase todas de caráter nacional”, disse Hauke Hartmann, da fundação Bertelsmann.

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Leia mais sobre o Brasil e o Governo Lula:
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Papel do Itamaraty no mundo

A revista Monocle traz um artigo interessante sobre o papel do Itamaraty no mundo.

Com um certo exagero, diz que a diplomacia do verde-amarelo está substituindo a do vermelho-azul-e-branco. Se considerarmos que os Estados Unidos estão muito ocupados com duas guerras e meia (Iraque, Afeganistão e Paquistão) e o Brasil ampliou rapidamente sua presença diplomática e seu peso relativo no mundo (estou devendo um post para vocês sobre o papel que a Embrapa está jogando na África), quem sabe um dia… Seja como for, a Monocle decidiu vir ao Brasil, conhecer de perto o Itamaraty.

E levantou questões muitos interessantes na reportagem, que saiu na capa sob o título


“A ascensão de Brasília: afiando a política externa do Brasil”.



Ao definir o Itamaraty como “ministério do Sol”, a revista pergunta: “Uma rede de embaixadas em rápida expansão e o uso inteligente da cultura significam que o Brasil faz amigos em todo o mundo. É só a tentativa de conquistar um assento no Conselho de Segurança ou uma nação emergente tentando mudar a ordem mundial?”.

Um outro trecho que me chamou a atenção diz respeito à opinião de um analista norte-americano que diz que existem obstáculos no caminho do Itamaraty, dentre os quais a dúvida sobre o que vai acontecer depois que Lula deixar o poder, o fato de que diplomacia forte depende de economia forte e, segundo o analista, o medo dos vizinhos do Brasil de que os Estados Unidos se retirem da região.

“Eles querem multiplicar suas opções, não querem ficar sujeitos ao poder do Brasil”, diz ele.

Aqui eu acho que o analista traz um preconceito de origem: ele acha que o Brasil age em relação aos vizinhos da mesma forma que os Estados Unidos sempre agiram. Ou será que ele está certo? Quantos golpes o Brasil patrocinou na vizinhança?

Aliás, na região fronteiriça de paises como o Paraguai, a Bolívia e o Uruguai, especialmente, o ressentimento contra a penetração cultural brasileira existe.

Este tema me fascina especialmente agora, depois que fiz várias viagens à África e li vários livros sobre a presença chinesa na África, dentre os quais destaco China Into Africa, organizado por Robert Rotberg, e China Safari, de Serge Michel e Michel Beuret.

Diante das acusações de que praticam neocolonialismo em território africano (de onde a China importa hoje mais de 15% de todo o petróleo que consome), os chineses respondem com grandes obras públicas de impacto social e uma leva de mercadorias baratas que permitem a milhões de africanos, muitos dos quais dependentes da agricultura, entrarem no mercado de consumo.

Questionados por europeus e pelos Estados Unidos, especialmente pelo apoio a regimes como o do Sudão e do Zimbábue, os chineses remetem à história do colonialismo e argumentam: embora os chineses tenham chegado muito cedo à África, através do Índico, nunca estiveram aqui para ocupar território, escravizar gente ou impor sua cultura.

Independentemente de considerar se o argumento é válido ou não, trata-se da versão chinesa da “diplomacia cultural”, “entre iguais”.

Os chineses, por seu tamanho específico, podem se dar ao luxo de exercê-la na África.

Ao se projetar no mundo, o Brasil deve à vizinhança um cuidado muito especial. No curso da campanha eleitoral, os candidatos devem ter cuidado para não se deixar levar por ideias alopradas, daqueles que:
  • 1. Por paixão política, deixam de reconhecer o novo protagonismo brasileiro no mundo;
  • 2. Por paixão ideológica, deixam de reconhecer que a posição brasileira num mundo multipolar requer a finesse histórica do Itamaraty e a calibragem das relações com os Estados Unidos para usá-las em nosso favor quando for do interesse nacional;
  • 3. Por servilismo, querem saber antes o que pensa Washington;
  • 4. Por ignorância, desprezam 900 milhões de consumidores na África (leiam Africa Rising, do professor Vijay Mahajan, que mostra como grandes empresas redesenharam seus produtos para se expandir lá) ou o fato de que o centro do mundo, ainda que lentamente, se desloca para a Ásia.


Para ir ao site da Monocle, clique aqui.


Assista abaixo um balanço feito pelo Ministro das Relações Exteriores Celso Amorin dos 7 anos do Governo Lula






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domingo, 25 de abril de 2010

Um pré-balanço dos Juros no Governo Lula

Se confirmada a alta do juro na quarta-feira, será o início da terceira rodada de aperto monetário conduzida exclusivamente pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar dessa provável alta, o balanço do atual governo nos juros mostra uma redução da taxa: a Selic acumula queda de 16,25 pontos nos sete anos e três meses do governo, de 25% para os atuais 8,75%.

Quando Lula começou o governo em 1º de janeiro de 2003, a Selic estava em 25% ao ano e o Brasil ainda sofria com a crise do ano anterior. Na época, as eleições fizeram o mercado entrar em parafuso com o temor de mudança na política econômica.

Após altas nas duas últimas reuniões do BC no governo anterior, Henrique Meirelles continuou o ciclo e subiu o juro nas duas primeiras reuniões do governo Lula. A postura foi importante para reconquistar a confiança do mercado, o que permitiu iniciar a primeira sequência de queda do juro poucos meses depois, em junho. Esta sequencia de queda dos juros continuou até 2004 onde taxa ficou a 16%.

Em 2004, com a economia a todo vapor, os preços começaram a subir e o Comitê de Política Monetária (Copom) se viu obrigado a subir a Selic naquele que seria o primeiro ciclo de aperto iniciado e encerrado na gestão Meirelles. A taxa passou de 16% para 19,75%.

Quatro meses depois de terminado o ciclo, e com a taxa em 19,75%, o BC começou o mais longo período de redução da Selic da história no Brasil: foram 18 cortes seguidos em dois anos, entre os meses de setembro de 2005 e 2007. Ao todo, a taxa caiu 8,5 pontos ficando em 11,25%.

O segundo ciclo de altas foi meses antes do estouro da crise de 2008. Em quatro reuniões, o BC aumentou a Selic em 2,5 pontos entre abril e setembro para conter a velocidade da economia, subindo a taxa de 11,25% para 13,75%. Mas com a crise, a sequência foi interrompida e o juro passou a cair entre janeiro e julho de 2009 até atingir o atual patamar de 8,75% ao ano.

No jogo de forças entre aumentos e cortes da Selic no atual governo, a vantagem é da redução: já foram 32 reuniões com corte e 15 encontros com aumento desde o início de 2003.

 
Subir para cair. 
 
Nos últimos dias, o presidente do BC preparou o terreno para o aumento do juro em breve. Na quinta-feira, em entrevista ao Estado, Meirelles disse que haverá “controvérsia com aqueles que pensam que política monetária correta é aquela unidirecional: Selic boa é Selic cadente”.

Dois dias antes, Meirelles defendeu que, às vezes, é preciso subir para, depois, reduzir a taxa Selic. “Muitas vezes é importante que se suba a taxa de juro para se manter a inflação na meta e, em consequência, garantir a trajetória de longo prazo de queda dos juros.”

Além da discussão sobre a inflação, o BC também quer fazer as pazes com parte do mercado. Nos últimos meses, episódios como a possibilidade de saída de Meirelles para se candidatar a um cargo eletivo geraram ruído e críticas entre analistas. A avaliação informal no BC é que o aperto poderia reforçar a imagem de “xerife do mercado”, como a instituição sempre foi identificada pelos economistas.
 
 
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

McAfee - atualização do antivírus trava computadores mundo à fora

Usuários pensarão duas vezes antes de renovar com McAfee, diz perito em segurança

O antivírus da empresa sofreu uma atualização errada e, a partir daí, passou a considerar um arquivo do próprio sistema operacional Windows como uma ameaça
22/04/2010 | 20:05 | Gladson Angeli

Depois que uma atualização do antivírus da McAfee travou milhares de computadores em vários países, na quarta-feira (21), a empresa pode sofrer uma fuga de usuários. Segundo o perito em segurança digital, Wanderson Castilho, quem foi afetado pelo Bug vai pensar duas vezes antes de renovar o contrato com a companhia, uma das maiores no ramo de software de segurança.


O programa sofreu uma atualização errada e, a partir daí, passou a considerar um arquivo do próprio sistema operacional Windows como vírus. Ao isolar o arquivo, o antivírus acabava travando a máquina. Há informações de hospitais, escolas e até delegacias que tiveram problemas. A companhia publicou ainda na quarta-feira uma atualização que corrige o erro. De acordo com a McAfee, foram afetados apenas usuários que rodam suas máquinas com Windows XP e com a atualização Service Pack 3.

Em um comunicado, o vice-presidente executivo da McAfee, Barry McPherson, o problema afetou menos de 1% das empresas usuárias e uma fração dos usuários domésticos dos produtos como o McAfee VirusScan Plus, McAfee Internet Security Suite e McAfee Total Protection. Segundo a empresa, o software havia passado por todos os testes de qualidade. Mesmo assim, a empresa pediu desculpas pelos transtornos.

De acordo com Castilho, apesar de problemas semelhantes já terem acontecido com outras empresas, o fato não pode ser considerado comum. “É uma grande falha. É a assombração para todos os fabricantes de software”, disse. Segundo o perito, as empresas fabricantes de antivírus têm mapeados todos os arquivos operacionais. “Provavelmente foi uma série de erros que resultou neste problema”, afirmou.

Para o perito, a falha deve abalar a credibilidade da empresa junto aos usuários. “As empresas de software são fundadas em valores intangíveis e qualquer coisa pode abalar esta estrutura”, disse.


A reportagem da Gazeta do Povo tentou ouvir a McAfee no Brasil, mas não obteve resposta. 
 
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