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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lula e FHC - Quando um operário supera um "letrado"

Fecha-se o ciclo em que o vencedor foi Lula

Enviado por luisnassif,
seg, 01/11/2010 - 13:40

É das mais instigantes a entrevista de André Singer ao Valor, sobre o novo momento político. Ele identifica uma mudança estrutural, com o realinhamento das bases sociais, a classe média indo maciçamente para o PSDB e as bases populares para o PT, movimento que deverá perdurar por décadas, segundo Singer.

Não sei até que ponto a classe média um dia chegou a ser PT. Talvez Singer tenha se influenciado pelo ambiente em que freqüenta, de classe média mais intelectualizada. Havia, de fato, em São Paulo uma classe média e classe alta intelectualizada com pendores de esquerda. Mas nunca chegou a ser numericamente expressiva.

Mesmo assim, esses setores migraram para um anti-petismo radical. No mapa das eleições, via-se Serra com 70% dos votos de bairros tão díspares como Vila Maria e Higienópolis.

Não se pode dizer que a classe média tenha sido beneficiada por sucessivos governos, desde FHC. Foi penalizada com tributação excessiva, deterioração dos serviços públicos, estagnação do mercado de trabalho até alguns anos atrás.

Mas a explicação mais satisfatória para essa radicalização [feita pela classe média] é a resistência à ascensão das novas classes sociais, como bem pontua Singer e como bem colocou Lula em sua coletiva de ontem.

É como se todos os preconceitos e intolerâncias saíssem do armário no qual foram guardados das diretas para cá. Perdeu-se o pudor em relação ao preconceito contra nordestinos, negros e pobres e às minorias em geral, esse "povinho que está invadindo as lojas, com as transferências sociais, as universidades, com o Prouni e as cotas.

Esse sentimento foi alimentado nos últimos anos por comentaristas de televisão, pela velha mídia, como que querendo parar o rumo das águas com uma peneira. E se constituiu na última boia para políticos que perderam a batalha da sua geração, especialmente Fernando Henrique Cardoso e José Serra.


Diferença de modelo

O ciclo que se encerra agora começou com a resistência democrática dos anos 70, acentuou-se nos anos 80 com as diretas e com o movimento de reerguimento da sociedade civil.

Singer lembra outro dado para mostrar a relevância dos anos 80: o intenso movimento social, a eclosão de greves e outros sinais de vitalidade da sociedade civil, que permitiram a aprovação de uma constituição moderna e inclusiva.

No rastro dessa movimentação, nascem o PSDB e o PT com projetos até certo ponto semelhantes, com bandeiras sociais, propostas modernizantes, um de centro-esquerda, outro de esquerda.

Com o governo FHC as diferenças começam a aparecer. Internamente, no PSDB, assumem o comando os mercadistas, em detrimento do grupo mais desenvovimentista.

FHC demonstra total incapacidade ou sensibilidade para entender processos de construção nacional. Mas não apenas ele. Mesmo entre desenvolvimentistas havia ampla insensibilidade em relação aos processos de construção social, a criação de redes sociais e econômicas entre setores da sociedade, pequenas empresas, cadeias produtivas, movimentos sociais.


É aí que se dá a diferença fundamental de modelo.

No século 19, os Estados Unidos lograram criar uma sociedade de consumo de massas – no mesmo processo ensaiado agora no Brasil. Mas, ao aumento da massa consumidora correspondeu também uma febre de criação de organizações sociais, de voluntariado, de participação ativa dos cidadãos na vida dos seus municípios e das suas comunidades, independentemente da disputa partidária.

O PSDB ignorou solenemente esse fenômeno. Em meu livro "Os Cabeças de Planilha" publico longa entrevista com FHC, apontando esses diversos fatores que estavam no cerne das mudanças que o país experimentaria nos anos seguintes, como as políticas sociais, o papel das micro empresas.

Suas respostas às questões foram desoladoras. O único modelo de país que entendia era o de grandes empresas, sob orientação de novos empreendedores (os banqueiros de investimentos) modernizando a economia e trazendo atrás de si, automaticamente, os novos agentes econômicos, a nova organização social.

Era um míope escondendo a falta de visão atrás de citações supostamente eruditas.

Lula compreendeu perfeitamente os novos tempos. Entendeu que não se construiria um grande país sem povo. Enquanto Palocci, Dirceu e Meirelles tratavam de acalmar mercado e grandes empresas, Rossetto, Patrus e as secretarias sociais colocam em marcha políticas sociais que mudariam a face do país.

E aí se entra em um campo dos mais relevantes: a tecnologia social, a compreensão sobre o universo de dificuldades da agricultura familiar, dos miseráveis.

É nesse momento que ficaram claras as diferenças entre o projeto do PSDB e do PT. Nem que desfraldasse bandeiras de promoção social o PSDB conseguiria implementá-las pela falta de base social.

Nesses anos todos, esse know-how era apenas dos movimentos de base da Igreja Católica, do MST e outras organizações que trabalhavam o mundo rural, da ampla gama de movimentos sociais que se abrigaram debaixo do guarda-chuva do PT.

Essa tecnologia social é um dos ativos mais preciosos do país e de qualquer sociedade em desenvolvimento. É ela que permite modelos que avançam além do mero assistencialismo. De nada adiantariam os financiamentos para o programa do biodiesel, os apoios fiscais e creditícios, se na ponta não houvesse especialistas para organizar os pequenos agricultores.

De nada adiantariam as verbas orçamentárias se o Bolsa Família não trouxesse modelos de coordenação e implementação. Aliás, com uma falta de dogmatismo tal que incorporou um elemento caro aos liberais: o direito do pobre escolher no que gastar o dinheiro.


Os derrotados

Os anos 80 e 90 foram riquíssimos para o aparecimento de novos conceitos, novas ideias. As sementes plantadas no período foram se transformando em plantas, crescendo, criando possibilidades para os novos transformadores trabalharem em cima de possibilidades nunca antes imaginadas.

FHC foi incapaz de entender o momento, Lula entendeu. Essa a diferença.

Muito se fala sobre o papel do estadista, o que leva pessoas a identificar os caminhos acertados e criar as condições políticas adequadas.

Nos últimos três anos tivemos possibilidade de acompanhar ao vivo e em cores esse processo. Não se pende que o Lula que assumiu o governo em 2002 tivesse o mesmo grau de conhecimento do Lula que deixa o governo consagrado.

O estadista é fundamentalmente um intuitivo. Trabalha em cima das circunstâncias. Mas não basta saber se equilibrar. Tem que possuir a intuição sobre os processos básicos, os princípios que constroem civilizações.
Provavelmente Lula não tinha idéia dos desdobramentos econômicos dos seus programas sociais. O que o movia era a solidariedade com seu povo, algo inimaginável para o internacionalismo frio e distante de FHC.

Tinha claro, sim, a maneira como o potencial das pessoas é desperdiçado quando não lhes são oferecidas condições básicas para evoluir. Ele é o exemplo máximo. Seu complexo permanente com a falta de oportunidades de se instruir formalmente se transformou no principal aríete de sua conduta. A cada dia precisava provar a si e a terceiros que conseguiria recuperar o tempo perdido quando teve que trocar a possibilidade de aprimoramento no estudo pela luta incessante pela sobrevivência.

Foi essa confiança no homem, no seu potencial, foi por se ver em cada miserável do país, que Lula avançou nas políticas sociais. E à medida que avançava ia se dando conta de que o verdadeiro desenvolvimento só seria possível com a inclusão e a promoção social.
FHC e Lula começaram juntos a caminhada, cada qual ao seu estilo Chega-se agora ao final do ciclo com Lula se consagrando como um dos grandes estadistas da história. E FHC explorando o lado obscuro das transformações: os conflitos, os preconceitos inerentes a essas grandes mudanças
Agora, o grande desafio não é a mais quem conquistará o poder. Nesse ciclo, a vitória é do modelo Lula. O desafio será quem conduzirá a oposição.

De um lado, tem-se um jovem senador que conseguiu definir um modelo de gestão para seu Estado, propor a discussão em torno de pontos programáticos e de formas de governar o país. Do outro, o eixo FHC-Serra promovendo o preconceito, o discurso negativo, o racha [e que ainda continuam com a mídia nativa, o PIG, sob seus controles e fazendo o jogo sujo para eles...].

Não serão nem FHC nem Serra os protagonistas dos novos tempos. Será a nova geração, de Aécio Neves, Eduardo Campos, Cabral.

Fonte:

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Carta aberta a Fernando Henrique Cardoso

Carta aberta a Fernando Henrique Cardoso

O artigo é de Theotonio dos Santos.
Professor Emérito da Universidade
Federal Fluminense, Presidente da
Cátedra da UNESCO e da
Universidade das Nações Unidas sobre
economia global e desenvolvimentos sustentável.
Professor visitante nacional sênior da
Universidade Federal do Rio de Janeiro. 
(é que dá umas 40 páginas e não dá para citar aqui)

O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999. Outro mito é que seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Um governo que elevou a dívida pública do Brasil de 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal?
Theotonio dos Santos, na Carta Maior

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).

Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

1- O primeiro mito:

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… 

Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização. O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?
[quem quiser entender melhor este "outro mito incrível" do parágrafo acima, há um ótimo livro, bastante esclarecedor que é "Cabeças de Planilha" escrito por Luis Nassif, clique aqui e leia um pouco do livro cedido pelo próprio Nassif]
Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999. [Não deixe de ler o livro do Nassif para saber o porquê deles terem mantido nesse valor, vão adorar quando descobrirem o motivo]


2 - O segundo Mito: 

Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo… te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.


3 - O terceiro Mito:  

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição uns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.

Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já ocupado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizavam e ainda inviabilizam a competitividade de qualquer empresa.

Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criaram para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.

Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.

Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço
thdossantos@terra.com.br

(*) Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 



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sábado, 4 de setembro de 2010

A hipocrisia dos principais governos ocidentais

Horror na íntegra

Renato Pompeu
03/07/2010-11:35h

A hipocrisia dos principais governos ocidentais está bem documentada no livro Diplomacia Suja – As conturbadas aventuras de um embaixador beberrão, mulherengo e caçador de ditadores que, sem um pingo de arrependimento, se viu encalacrado na linha de frente da Guerra contra o Terror, do ex-embaixador britânico no Uzbequistão (2002-2004), Craig Murray.

Ele retrata como ficou malvisto pelo seu governo e pelo dos Estados Unidos por ter atacado o governo do presidente Islam Karimov, que mantém milhares de presos políticos e assassinou e torturou centenas – até fervendo-os vivos. Acontece que Karimov, para a Grã-Bretanha e os EUA, é intocável, por ser um aliado na Guerra contra o Terror.

Nessa guerra, ao contrário do que Murray ingenuamente acreditou, não são considerados inimigos os governos que aterrorizam seus cidadãos, desde que ajudem a garantir o petróleo e a geopolítica dos principais países ocidentais. Não se pode exigir dos aliados que respeitem os direitos humanos, Murray aprendeu.A versão original de seu livro saiu com o título de Assassínio em Samarcanda na Grã-Bretanha, devidamente censurada pelas autoridades.

A edição da Companhia das Letras é uma tradução da edição americana, muito mais completa na descrição dos horrores do Uzbequistão. Esse país, na era soviética, era famoso como um dos principais centros de estudos islâmicos do mundo, rivalizando com o Cairo. Agora, é famoso pelas torturas e por suas mulheres de minissaia. Além de descrever repressão, torturas e assassínios, e a hipocrisia do Ocidente diante dessas mazelas, Murray também conta suas aventuras amorosas e até seu orgulho de ser um bom copo.

DIPLOMACIA SUJA
Craig Murray
Companhia das Letras,
472 págs., R$ 58

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Morre o locutor do Reporter ESSO.

Edson Almeida estava internado desde 1º de maio com problemas renais. Corpo dele foi sepultado nesta terça-feira, em Paulista (PE).

O radialista Edson Almeida morreu, na segunda-feira (26), aos 86 anos, no Hospital Português, no Recife, onde estava internado desde 1º maio, com problemas renais. Segundo informações do hospital, ele estava em uma unidade de terapia intensiva (UTI).

Na década de 1960, Almeida ficou conhecido como o locutor do programa Repórter Esso no rádio e na televisão. Ele deixou o radialismo, se formou em medicina veterinária e em agronomia e atuou como professor de parasitologia na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde se aposentou em 1985.


O corpo dele foi sepultado na manhã desta terça-feira (27), no Cemitério Morada da Paz, em Paulista (PE).


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sexta-feira, 23 de julho de 2010

A casa em que Lula nasceu

A casa de taipa onde o Presidente Lula  nasceu, na cidade de Caetés (20 km de Garanhuns), virou ponto turístico da região. Segundo moradores da localidade, seguidamente aparecem curiosos para fotografar o local















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domingo, 18 de julho de 2010

Rio de janeiro em 1936 - A Cidade do Explendor

Observem o quanto são limpas as calçadas. O quanto estão conservadas as praças, bancos... 

Ela está parecendo até uma cidade do interior até um cidade do interior, poucas pessoas e tranquila.


O poder de criação tecnológica impulsionada pela guerra

O bombardeiro orbital nazista


As V2s caindo sobre Londres eram só o começo. Se os nazistas tivessem se agüentado, bombardeiros voando a Mach 22 devastariam os Estados Unidos do espaço. Assustador? O conceito não é totalmente insano. Esta é a história do Silbervogel de Eugen Sänger.

A Alemanha Nazista pode ter perdido a guerra, mas certamente não por falta de gênios em engenharia. O montante de armas avançadas e conceitos tecnológicos que surgiram durante os 12 anos do Reich de Mil Anos continua a impressionar até hoje. Peças de artilharia de 800 mm? Sim! O mais avançado caça a jato do mundo, míssil de cruzeiro e míssil balístico sub-orbital? Sim, sim e sim!

Por outro lado, veja o que os EUA fizeram: focaram a maior parte de seus esforços em uma única arma avançada, avançando bem além doestágio de conceito. Mas a audácia das armas conceituais alemãs ainda fascina, tal como seus imbatíveis carros de corrida da década de 1930. E a mais viável delas eventualmente se tornou um notável produto, o fogueteSaturno V do projeto Apollo.

O conceito mais impressionante foi o Silbervogel (“Pássaro Prateado”) de Eugen Sänger. Foi um estudo de desenho comissionado pelo Ministério do Ar para resolver um problema apontado por Hermann Göring: o mais poderoso futuro inimigo da Alemanha era protegido pela mãe de todos os obstáculos: o Oceano Atlântico. O Ministério lançou uma iniciativa com o nome Amerika Bomber e colocou todo o gênio criativo alemão para trabalhar.

A maioria dos conceitos apresentados ao Ministério eram de bombardeiros convencionais ampliados, mas não o pássaro de Sänger. Ele era membro de uma sociedade de projetistas de foguetes chamada Verein für Raumschiffahrt – assim como a maioria dos que mais tarde foram parar na NASA e construir os foguetes americanos – e seus olhos estavam no espaço sub-orbital, como expresso em seu livro de 1933 “Raketenflugtechnik” (“Tecnologia de Voo de Foguetes”). Ao trabalhar para o Ministério, ele expandiu o livro em 1944, com o título Raketenantrieb für Fernbomber(“Propulsão de Foguetes para Bombardeiros de Longo Alcance”).

O Silbervogel era um avião a foguete com um corpo de ascensão. E se contarmos o número de bem-sucedidos aviões a foguete e corpos de ascensão construídos nos 70 anos seguintes, você pode imaginar onde isso vai parar.

As absolutamente audaciosas missões seriam lançadas da própria Alemanha. Encaixado na cabeceira de um trilho de 3 quilômetros, o Silbervogel aceleraria até 1.900 km/h em um trenó propulsionado por um conjunto motores de foguete. Uma vez no ar, dispararia seus próprios foguetes e queimaria as 90 toneladas de combustível que preenchiam a maior parte de sua fuselagem esguia e prateada para atingir Mach 30 a uma altitude de 150 quilômetros.

O lançamento seria a parte fácil.

A parte difícil era lá em cima, em sub-órbita. Em seu caminho para Nova Iorque, a aeronave começaria a cair. Contudo, seu corpo foi desenhado para gerar sustentação. A ideia era que ao atingir-se as camadas mais densas da estratosfera, o Silbervogel quicaria de volta para o espaço, como uma pedra lançada na superfície de uma lagoa. Numa série de quicadas gradualmente mais fracas, atingiria facilmente o continente norte-americano, despejando sua carga de quatro toneladas – preferencialmente nuclear – no alvo escolhido, e então planaria para pousar numa área do Pacífico controlada pelo Japão.

Embora superficialmente viável, houve um pequeno erro de cálculo nos últimos estudos do trabalho de Sänger: o fluxo de calor gerado teria sido significativamente maior do que o estipulado em seu livro, essencialmente resultando em seu glorioso pássaro queimando até virar cinzas no primeiro salto estratosférico; um Ícaro ao contrário.

O projeto foi cancelado após a Alemanha ver-se em apuros com um inimigo bem mais próximo que a distante América: a União Soviética. E enquanto as armas soviéticas estavam longe de estar no mesmo patamar dos protótipos alemães, Stalin acreditava que a quantidade era uma qualidade em si.

O líder soviético mais tarde aprenderia sobre o Silbervogel em documentos capturados do centro espacial alemão em Peenemünde, e lançou uma fracassada campanha para recrutar Sänger para trabalhar na União Soviética. Ao invés disso, o conceito Silbervogel foi parar na Força Aérea Americana. No começo dos anos 1960, a Boeing desenvolveu o X-20 Dyna-Soar, um corpo de ascensão similar ao Silbervogel, que seria lançado ao espaço em um foguete Titan III. Em 1963, foi cancelado como seu primo alemão, sendo vítima do processo que alocou todas as atividades espaciais humanas para a NASA, que conduzia projetos bem diferentes na época. Mas quase uma década depois, o sonho de Sänger de uma aeronave aerodinâmica de reentrada se realizou na forma do Ônibus Espacial, ativo até hoje.

Quanto a Sänger, ele viveu na França por alguns anos após a guerra, e então retornou para sua nativa Alemanha para trabalhar em ramjets evelas solares até sua morte em 1964. Não era um homem para deixar uma guerra perdida acabar com sua imaginação.


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Quem tem engenheiros pode estar no século 21 mesmo estando na década de 30. É curioso ver como os EUA copiaram conceitos de engenheiros alemães e os utilizam até hoje, mais de 50 anos depois, como se pode ver no recente voo do X51A:

NASA testa nova versão de avião hipersônico

Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/05/2010

Avião hipersônico faz demonstração histórica

O X-51A Waverider fez o primeiro de uma série de quatro voos para testar um motor hipersônico. Esse novo tipo de motor é projetado para surfar em sua própria onda de choque, acelerando até seis vezes a velocidade do som.[Imagem: U.S. Air Force]





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sexta-feira, 11 de junho de 2010

A crise EUA-IRÃ é mais econômica que nuclear... tem mais a ver com Petróleo que urânio

Os lucros ocidentais estão protegidos:
O Conselho de Segurança é um eficiente escritório de negócios 

Janio Freitas - Folha de SP
via Blog Leituras Favre

A RESOLUÇÃO aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, com novas sanções ao comércio internacional do Irã, teve o cuidado óbvio de não impor restrição alguma aos negócios com petróleo iraniano.



É sempre bom recordar como eles agem... parece até uma reprise de novela

Embora esteja entre os maiores exportadores mundiais, o Irã processa a maior parte do seu petróleo em refinarias estrangeiras, como sempre pertencentes a Estados Unidos, Inglaterra e França.

Os altos lucros ocidentais estão protegidos: o Conselho de Segurança é um eficiente escritório de negócios internacionais. E a maioria dos impasses e conflitos também não precisa de outra razão de ser, acrescida da frequente contribuição dos fundamentalismos religiosos e étnicos.

Aproveite e reveja uma pequena parte da História entre EUA-IRà

Ainda não há estimativa conhecida dos efeitos que a resolução poderá ter sobre as crescentes exportações brasileiras para o Irã. Os negócios em andamento da Petrobras, altos em valor e em perspectivas, devem entrar na cláusula do petróleo, mas sem certeza disso.

As multinacionais que se valem do petróleo iraniano têm força política bastante para questionar investimentos que, mesmo na área petrolífera, associam-se ao crescimento econômico do Irã.
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Para EUA, transação do setor energético pode violar resolução aprovada pelo Conselho da ONU 

Patrícia Campos Mello,
CORRESPONDENTE
WASHINGTON
O Estado de S.Paulo 
Via Blog Luis Nassif

O governo americano afirmou ontem que "não seria uma boa ideia" o Brasil vender etanol ao Irã. "Eu não sei detalhes específicos sobre a iniciativa, mas (vender etanol ao Irã) seria muito arriscado, uma vez que a sanção aprovada pelo Conselho de Segurança reconhece que há uma ligação potencial entre o setor de energia do Irã e atividades de proliferação", disse um alto funcionário da Casa Branca.

Questionado se os EUA iriam desencorajar empresas brasileiras de venderem etanol aos iranianos, o funcionário afirmou: "Qualquer iniciativa que burle as sanções prejudica nosso objetivo, então não é uma boa ideia." A possibilidade de o Brasil suprir parte das necessidades de combustível do Irã com etanol brasileiro foi levantada pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, em visita a Teerã em abril. Ele afirmou que o Irã está interessado em comprar etanol brasileiro por causa dos problemas que enfrenta para comprar gasolina diante dos bloqueios comerciais que sofre.

Funcionários da Casa Branca convocaram uma entrevista com alguns jornalistas para discutir a posição dos EUA em relação às sanções aprovadas ontem e ao acordo de troca de combustível mediado pelo Brasil e pela Turquia. Um deles reduziu a importância das divergências de Washington e Brasília, apesar do voto do Brasil contra as sanções. "Nós temos divergências táticas, mas os mesmos objetivos, nem a Turquia nem o Brasil querem ver armas nucleares no Irã", disse o funcionário.


Enquanto isso...

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FHC sofre do “surto de ego colonizado”

por Altamiro Borges
Via Blog Vi o Mundo

Em artigo publicado no jornal Zero Hora deste domingo (6), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou que padece da grave doença do “ego colonizado”. Recalcado, ele voltou à carga contra a política externa do atual governo e – para desgraça do candidato tucano José Serra – insistiu em fazer comparações entre as duas administrações. Atirando em Lula, FHC afirmou que a sua “demagogia presidencial não passa de surto de ego deslumbrado”. A cara está doente!

O motivo de mais esta recaída é a recente negociação entre Brasil-Turquia-Irã. O invejoso critica a “celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro”. Ele não entende “porquê de tanto barulho”. Citando algumas vitórias da diplomacia no passado, que o seu triste reinado procurou enterrar junto com a “era Vargas”, FHC tenta se apresentar como um intransigente defensor dos “interesses nacionais e da “paz mundial”.

Aproveite e assista sobre os sete anos das relações internacionais no Governo LULA e tire suas próprias conclusões



“Alinhamento automático” com os EUA

O ex-presidente só não explica porque o Itamaraty, durante a sua gestão, acelerou as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), tratado que tornaria o país uma colônia ianque. Nem porque os embaixadores críticos da sua política de “alinhamento automático com os EUA”, como o atual ministro Samuel Pinheiro Guimarães, foram afastados de seus cargos no Itamaraty. Ou porque seu ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, tirava os sapatinhos nos aeroportos estadunidenses. Ou porque aceitou entregar a base de Alcântara (MA) para o “império do mal”.

Para dar uma descontraída... criada de fatos reais da "Era FHC"



Como mostra o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira, no premiado e indispensável livro “As relações perigosas: Brasil-Estados Unidos”, o triste reinado de FHC foi um dos piores da história da diplomacia nacional. O autor relata casos grotescos de subserviência, como o da assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), que colocava o Brasil como apêndice dos EUA em casos de guerra; o da demissão do embaixador José Maurício Bustani da OPAQ; e até o caso dos “sapatos de Celso Lafer”, como detalhes humilhantes para o Itamaraty.

Repetição da retórica imperial

FHC não tolera o enorme prestigio da política externa do governo Lula. Mas como a mentalidade colonizada é pegajosa, ele repete sempre a mesma retórica imperial dos EUA. Até o blogueiro Josias de Souza, da FSP (Folha Serra Presidente), constatou que FHC reproduziu os argumentos centrais de Hillary Clinton para atacar o acordo Brasil-Turquia-Irã. Para o ex-presidente capacho dos EUA, o acordo não teria qualquer credibilidade. “É isso que o governo americano alega para recusar a intermediação obtida”, afirma servilmente. Ele ainda vai cortar o pulso de inveja!

O ódio da oposição neoliberal-conservadora a atual política externa contamina da cria ao criador. Não é para menos que o candidato José Serra atira no Mercosul e na Bolívia. Ele quer ficar bem na foto com a direita ianque e nativa. Numa entrevista pouco antes do acordo Brasil-Irã, o tucano afirmou que nunca se reuniria com o presidente iraniano. Deve ter mordido a língua na sequência como a repercussão do acordo.

Os tucanos realmente padecem do “surto do ego colonizado”.



Fontes do Post:
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terça-feira, 1 de junho de 2010

Um conservador do DEMo em defesa da "América do Sul"... coisa rara!

O velhinho Cláudio Lembo, DEM-SP, continua dando lições nos tucanos. O vale-tudo de José Serra não encontra respaldo entre os conservadores mais lúcidos.
 Por A.L.Mirri
Diálogo na América do Sul deve servir de exemplo diplomático

Claudio Lembo
Portal Terra

Os países desta América do Sul sempre foram desconsiderados no jogo político internacional. Alinhavam-se automaticamente a países centrais e abandonavam suas posições e interesses.

O fenômeno refletia a presença dominante de descendentes de europeus nos espaços privilegiados da administração pública. Entre os países hispanofalantes, os descendentes de espanhóis e os “criollos” eram dominantes.

Toda a política girava em torno de suas pessoas e, por elas, era dirigida. As nações indígenas eram marginalizadas e, quando possível, exterminadas. Ficavam submersas em zonas miseráveis e exploradas sem limites.

Por toda a América do Sul, as lutas populares foram intensas e dominadas por meio da força. Quando necessário, governos lançavam-se em guerras contra Estados vizinhos, na busca de um derivativo.

Com os conflitos exteriores, o nacionalismo tornava-se uma força incontrolável, mas frágil em termos de busca de soluções para as questões efetivas que atormentavam as populações.

Este mesmo nacionalismo frágil incentivou, muitas vezes, ódio contra o vizinho, mesmo que este se preserva em absoluta passividade. Ódios artificiais foram criados.

Argentinos e chilenos se enfrentaram. Peruanos e chilenos terçaram armas. Bolivianos e paraguaios combateram. Paraguaios e brasileiros lutaram. São algumas recordações melancólicas do passado desta América do Sul.

Alguns destes conflitos foram incentivados por poderosos interesses econômicos de empresas mineradoras ou transportadoras de produtos primários.

Outras vezes, os governos dos países desenvolvidos agiam mediante boicotes e violação de trados internacionais. Sempre mediante o uso da força ou da ameaça de seu uso contra os povos sul americanos.

As chancelarias europeias e muitos governantes do hemisfério norte procuravam na busca de efetiva dominação, lançar países contra países, tornando a América do Sul área de instabilidade.

Com a instabilidade surgia a insegurança e com esta a ausência de investimentos duradouros. Tudo era extrativismo de produtos primários com a utilização dos povos locais até a inanição.

Ditaduras perversas subjugavam as sociedades e vedavam qualquer espaço de participação as cadeias se encontravam repletas de adversários dos regimes ditatoriais.

Estes, por seu turno, obedeciam fielmente às diretrizes dos que contavam com interesses econômicos a serem protegidos contra os riscos da nacionalização das riquezas.

Surgiram os movimentos de democratização. Tardios, é verdade. Somente no passado Século XX, após regimes de extrema violência contra os direitos humanos, a situação começou a se alterar.

Com a queda das ditaduras, os povos sul americanos puderam dialogar sem preconceitos ou tolas concepções guerreiras ao estilo europeu. Os estrategistas já não examinavam cenários de futuros combates.

Os exércitos deixaram de se municiar prevendo futuros embates militares. Tratados comerciais substituíram acordos bélicos. As armas atômicas foram abandonadas, em acordo que honra a argentinos e brasileiros.

Pequenas rusgas comerciais são resolvidas em mesa de negociação, apesar de aparências enganadoras de profundo conflito. Os governantes da América do Sul apreenderam, com seus povos, a dialogar.

Este ambiente pode servir de exemplo para outras regiões. Os povos devem utilizar a diplomacia para afastar polêmicas profundas ou conflitos desnecessários.

A indústria da guerra é nefasta. A utilização da confrontação bélica, entre povos com os mesmos problemas e as mesmas origens, é no mínimo doentia.

Os países sul americanos devem continuar a operar reuniões continuas de seus lideres em organismos criados, neste espaço geográfico, com este objetivo. Nada de agressões verbais.

Estas não levam a nada. Só causaram transtornos no passado. Serviram àqueles que desejam dominar a América do Sul. Seu progresso, no entanto, exige união e ausência de quaisquer agressões.

Nosso sangue é comum.


Fonte do Post:

sábado, 29 de maio de 2010

Brasil rejeita versão de que Obama orientou o acordo com o Irã

Na realidade os EUA nunca quiseram fazer acordo com o Irã. Os EUA tentaram "melar" o acordo negociado pelo trio Brasil - Irã - Turquia, sob a coordenação do Brasil, e não conseguiram .
Como tudo indica que o mundo está mais propenso em aceitar o acordo, os Americanos querem, agora, inverter o jogo se posicionando - com a ajuda do PIG, nacional e mundial - como se fosse o real responsável pelas negociações e o acordo.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta quinta-feira (27) com rigidez às insinuações de que ele e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyiq Erdogan, foram orientados pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para negociar o acordo de paz com o Irã.

 Do Vermelho via
Vi o Mundo
Lula afirmou que eles não receberam “procuração” alguma para buscar o acordo. “Não temos procuração nem queremos ter procuração para tratar da questão nuclear”, disse o presidente, durante a primeira visita de Erdogan ao Brasil.

O presidente confirmou que ele e Erdogan receberam uma carta de Obama, semanas antes de ser fechado o acordo nuclear no Irã. Na correspondência, Obama faz apenas uma série de sugestões sobre um eventual acordo.

Segundo Lula, é necessário estar com “a cabeça aberta” para haver um acordo e chegar a um consenso. “Com truculência a gente não resolve nem os problemas da casa da gente e entre a família. Nós demos um sinal e espero que a agência tenha sabedoria de entender o momento político e o gesto do Irã e a posição do Brasil”.

Em seguida, o presidente sinalizou que a reação das grandes potências à proposta ocorreu porque não esperavam que o Brasil e a Turquia fechassem um acordo. “Nós fizemos o que eles estão tentando há muitos anos e não conseguiram. As pessoas precisam aprender que a política do século 21 precisa ter mais transparência e diálogo”.

Lula afirmou ainda que é preciso que as pessoas decidam pelo diálogo ou pelo confronto. “Agora é preciso que as pessoas digam claramente se querem construir a possibilidade de paz ou se querem construir a possibilidade de conflito”.



O presidente evitou comentar sobre as eventuais sanções, propostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, a expectativa é que os membros permanentes do conselho e a Agência Internacional de Energia Atômica analisem a proposta e evitem as punições. “Vamos aguardar o que a agência e os países têm a dizer”.

Os comentários na imprensa que tentam atribuir a Obama os conselhos do acordo com Irã são apenas tentativas inúteis de diminuir o papel do Brasil e do presidente Lula nas negociações. Isto fica claro com as declarações feitas ontem (27) pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: “Os EUA e o Brasil têm sérias divergências sobre o programa nuclear iraniano”.

De fato. Enquanto o Brasil enxerga a energia nuclear como uma importante ferramenta para o desenvolvimento da paz – através da medicina – os EUA insistem em enxergá-la como uma arma de guerra.

A opinião pública acompanha atenta os desdobramentos desse episódio e tem a expectativa de que o Brasil continue atuando para evitar as sanções contra o Irã.

Da Redação, com Agência Brasil

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domingo, 23 de maio de 2010

TV PERNAMBUCO RADICALIZA CONCEITO DE TV PÚBLICA

Em Pernambuco escreve-se hoje uma página inédita da história da TV brasileira. Pela primeira vez no Brasil uma TV pública está sendo reconstruída de baixo para cima. Trata-se da TV Pernambuco entregue pelo governador Eduardo Campos ao movimento social, comprometido com a democratização da comunicação.

Laurindo Lalo Leal Filho

Atenção historiadores da TV brasileira: em Pernambuco escreve-se hoje uma página inédita dessa história. Pela primeira vez no Brasil uma TV pública está sendo reconstruída de baixo para cima. Trata-se da TV Pernambuco, criada pelo governo do Estado em 1984, tendo tornado-se durante os governos pós-ditadura de Miguel Arraes (1987-1990 e 1995-1999) um importante veículo de informação e entretenimento regional, com significativa audiência. Abandonada na gestão Jarbas Vasconcelos (1999-2006), foi entregue em março deste ano pelo governador Eduardo Campos ao movimento social, comprometido com a democratização da comunicação, para conduzi-la.

Na tarde da quarta-feira, 19/5, cerca de 150 pessoas participaram de um encontro organizado pela nova direção da emissora para discutir a sua forma de gestão. Produtores, artistas, professores, estudantes, jornalistas e telespectadores em geral, reunidos no auditório do Porto Digital, no Recife Antigo, puderam dar livremente as suas opiniões de como a TV Pernambuco deve se organizar para se tornar efetivamente pública.

Dois encontros anteriores discutiram as finalidades de uma televisão pública e as novas tecnologias. O resultado desses debates será sintetizado em documento a ser entregue ao governador, no começo de junho, como proposta da sociedade para a reconstrução da TV. Nessa tarefa, a diretoria é assessorada por um grupo de trabalho composto por nomes reconhecidamente comprometidos com a comunicação democrática, como Ivan Moraes Filho e Eduardo Homem, por exemplo.

Mas a mudança já começou. O novo presidente da TV é o apresentador e produtor cultural Roger de Renor, que de burocrata não tem nada.

Brincando, mas revelando o tipo de gestão que começa a ser feita, diz que os primeiros novos departamentos por ele inaugurados foram os “do bom dia, boa tarde, boa noite; o do por favor e o do muito obrigado”. Pode haver coisa melhor, num meio marcado pelo egocentrismo e pelo autoritarismo?

Na música Macô, o falecido Chico Science pergunta ?Cadê Roger, Cadê Roger, Cadê Roger, Ô?? Se pudesse ouvir diríamos ao Chico que agora ele está na TV Pernambuco e que até há alguns meses apresentava um excelente musical na TV Brasil chamado “Som na Rural”, com estúdio móvel instalado numa antiga Rural Willys.

Mas além de pessoas como Roger e o seu competente diretor jurídico Adriano Araujo na direção da emissora, o governador colocou também dinheiro. Dois milhões e quatrocentos mil reais foram liberados para melhorar o sinal da TV, hoje precário em parte do Estado e principalmente no grande Recife. Na capital, nas regiões em que é possível sintonizá-la, a TV Pernambuco pode ser assistida no canal 46 (UHF). Até o governo Jarbas era possível ver a TV estatal em VHF, no canal 9, ao lado das grandes redes comerciais. Mas a concessão foi perdida e ocupada, rapidamente, pela Bandeirantes.

O desafio agora é afinar as propostas no sentido de que a ousadia do governo atual não seja derrotada por governos futuros. Daí a importância dos debates que estão sendo realizados no Recife. Deles deve sair um projeto capaz de garantir o financiamento constante da emissora, imune aos humores dos governos “do dia” e uma forma de gestão que permita a maior independência  possível em relação a esses mesmos governos.

Que possibilite também a criação de barreiras para conter as investidas dos setores mais conservadores da sociedade, sempre prontos a detonar tudo aquilo que não conseguem controlar de forma privada. Por isso, o conselho gestor antes de ser um controlador da empresa, deve ser o seu defensor diante das ofensivas reacionárias.

No entanto, mesmo com tudo aprovado oficialmente, a prática efetiva só será possível se a sociedade tiver clareza de que a emissora lhe pertence. Para tanto são necessários canais amplos de participação na gestão, acompanhados de um programação na qual o telespectador perceba que está recebendo um serviço público de radiodifusão de alta qualidade que, de alguma forma, contribui para melhorar a sua vida.

Os passos dados até agora vão nessa direção. E mesmo sofrendo algum percalço, já são suficientes para entrar na história da televisão brasileira. Daqui para frente servirão de modelo para qualquer outra construção participativa de um meio de comunicação de massa que vier a ser feita em nosso país.


Laurindo Lalo Leal Filho,
sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo
da ECA-USP. É autor, entre outros, de
“A TV sob controle – A resposta da sociedade
ao poder da televisão” (Summus Editorial).




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O Irã e o império decadente

Mais uma de Bresser Pereira

Há algum tempo, o establishment mundial recebeu com um misto de irritação e descrença a notícia de que o presidente Lula se dispunha a intermediar a questão do Irã.

Na semana passada a diplomacia brasileira alcançou um êxito histórico em Teerã ao lograr que o governo nacionalista islâmico do Irã aceitasse o acordo sobre a troca de urânio pouco enriquecido por urânio enriquecido a 20% nos mesmos termos que as grandes potências e a AIEA(agência atômica da ONU) haviam proposto há seis meses.

Não obstante, alegando que o acordo não assegura que o Irã não utilizará o restante do urânio em seu poder para se tornar potência nuclear, os EUA conseguiram convencer as demais grandes potências a levar ao Conselho de Segurança da ONU a proposta de novas sanções ao Irã. E adicionaram mais uma “razão”: assim, evitam que seu aliado Israel bombardeie o Irã. Significa isso que o acordo de Teerã fracassou?



As razões para ignorar o acordo bem pensado e realizado não se sustentam. A recusa dos EUA de continuar a negociação a partir dele deixou mais uma vez claro que seu objetivo principal não é evitar que o Irã tenha a bomba, mas é desestabilizar seu governo.


Desde a Revolução Islâmica de 1979, os EUA vêm procurando derrubar o governo nacionalista iraniano. Primeiro, porque o regime seria fundamentalista; depois, porque ameaçaria Israel.



Nesse sentido, suas ações não se limitaram ao “soft power” e à diplomacia, mas foram militares. Em 1981, financiaram uma guerra mortífera do Iraque de Saddam Hussein contra o Irã, que durou quase dez anos e terminou com a derrota da coligação americano-iraquiana.

Agora, depois de haver invadido e submetido seu antigo aliado, voltam-se de novo contra o regime dos aiatolás e de seu boquirroto e autoritário presidente, Mahmoud Ahmadinejad.




Mostram, assim, coerência em sua política imperial de controle político-militar do Oriente Médio. O fato de a China ter concordado em assinar o pedido de mais sanções significaria que não usará seu poder de veto no Conselho de Segurança? É possível, mas não é provável. A China assinou o pedido para, neste momento, não aumentar seu contencioso com os EUA, que já é grande.

Por isso, é bem possível que o acordo de Teerã e as reações que está provocando levem os chineses, que não têm interesse em que os EUA e a Europa aumentem ainda mais seu poder no Oriente Médio, afinal a recusar seu voto às sanções.

Os EUA são um império em decadência que tenta ser imperial em uma fase da história mundial na qual os impérios não fazem mais sentido.

Os dois últimos grandes impérios foram o britânico e o soviético. Fracassaram por diferentes razões, mas principalmente porque hoje mesmo países mais atrasados são membros plenos da ONU e não aceitam a dominação imperial.

Não obstante, os EUA insistem em terem bases militares espalhadas em todo o mundo para “legitimar” a imposição de sua vontade. Sabemos, porém, que não é com armas, mas com bons argumentos e com concessões mútuas que haverá paz entre as nações.
*LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA,
professor emérito da Fundação Getulio Vargas,
ex-ministro da Fazenda (governo Sarney),
da Administração e Reforma do Estado (1º governo FHC)
e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC). 








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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Brasil, Irã e Turquia conseguiram fechar o acordo nuclear

Uma vocação de nação independente e um compromisso com a paz

Blog Leituras Favre

O acordo assinado pelo Irã, com Brasil e Turquia, não resolve todos os problemas ligados ao programa nuclear iraniano, mas constitui um passo importante para que as negociações evoluam positivamente.

É o que qualquer pessoa sensata percebe, ao analisar o compromisso assumido pelo Irã de transferir seu urânio fracamente enriquecido para a Turquia, na quantidade exigida pelo próprio Obama meses atrás, para assegurar assim sua utilização pacífica.

A assinatura do acordo provocou diversas reações no plano internacional e também comentários de analistas aqui:
  • Para aqueles que procuravam simplesmente um pretexto para uma escalada de sanções contra o Irã e que até encorajavam um eventual ataque aéreo israelense com o pretexto da suposta fabricação de armamento atômico por parte do regime dos aiatolás, o acordo é desprezado e novas exigências são avançadas para procurar manter a tensão contra Irã. Para eles a atuação de Lula é inaceitável e só dificulta os planos agressivos que defendem para a região.
  • Para a maioria dos observadores, porem, o acordo exigirá maior esforço de negociação e talvez algumas garantias de segurança complementares, mas contribui para uma solução que afasta as sanções e privilegia um acordo entre o Grupo de Viena e o governo do Irã.

Ainda haverá novas transações e não se pode excluir um retrocesso, mas o avanço foi significativo e contou com uma participação, destacada no mundo inteiro, do presidente Lula.

Evidentemente o fato do Brasil ocupar um dos assentos, não permanentes, no Conselho de Segurança da ONU, fez que nossa diplomacia pudesse agir mais ativamente naquela região, mas indiscutivelmente que isto foi possível, essencialmente pela combinação de dois elementos chaves da política do governo Lula:
  • Em primeiro lugar sua independência e não alinhamento, mas agindo de conserto com as principais potências do planeta, e não como retórica ideológica terceiromundista.
  • Em segundo lugar, o de ter sabido colocar a ação coletiva internacional no enfrentamento da crise, superando o G8 e se implicando diretamente nas decisões econômicas coletivas (ter resolvido a questão da dívida externa, devolvido o empréstimo do FMI a FHC, aumentado sua participação nos fundos da instituição e a força da nossa economia durante a crise, foram contribuições essenciais para perceber o Brasil diferentemente aos olhos da comunidade internacional).
Esses dois elementos foram decisivos para uma percepção diferente, por parte da comunidade internacional, do papel do Brasil.

Motivações de política interna e de calculo eleitoral provocaram reações contrarias ao protagonismo brasileiro e se expressaram com posturas de provincianismo e falta de ambição, para não falar em complexo de vira-lata, na maioria dos comentaristas e políticos da oposição. Torciam para um fracasso do Brasil, com o calculo mesquinho de dividendo internos, alimentando de fato uma postura de submissão e renunciamento a uma vocação de grandeza nacional.

“É uma vitória da diplomacia brasileira, mas sobretudo da política externa do governo Lula”, afirmou com razão Dilma, em entrevista concedida nesta manhã à rádio CBN.
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 Os bastidores do acordo entre Brasil - Irã - Turquia



O acordo Brasil-Irã-Turquia
Stephen Kinzer - The guardian
Via Blog Vi o Mundo
Os acontecimentos e notícias empolgantes que chegam de Teerã, de acordo afinal firmado, que pode ter evitado crise global em torno do programa nuclear iraniano é desenvolvimento altamente positivo para todos – exceto para os que, em Washington e Telavive, estavam à procura de qualquer pretexto para isolar ou atacar o Irã.

Também marca o nascimento de uma nova força altamente promissora no cenário mundial: a parceria Brasil-Turquia.

Semana passada, o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan e o presidente Luis Inácio Lula da Silva do Brasil adotaram, em conjunto, a abordagem clássica do “um gentil, outro durão”, para aproximarem-se dos líderes iranianos. Lula anunciou que iria a Teerã, o que deu aos iranianos esperança de algum acordo. Mas era indispensável também a presença da Turquia (onde o urânio será tratado), e Erdogan fez-se de difícil.

Na 3ª-feira, Ahmet Davutoglu, o muito experiente ministro das Relações Estrangeiras da Turquia, anunciou que Erdogan não iria ao Irã, a menos que os iranianos manifestassem algum interesse em firmar algum acordo. “Não é hora para encontros trilaterais sem objetivo preciso”, disse. “Queremos resultados. Sem perspectiva de resultados, não iremos ao Irã.”

Na 6ª-feira, Erdogan endureceu ainda mais. Disse que a planejada viagem a Teerã estava cancelada, porque o Irã “não se manifestara sobre a questão”.

Poucas horas depois, a secretária Hillary Clinton telefonou ao Chanceler turco e empenhou-se em desencorajar a iniciativa dos diplomatas brasileiros e turcos. Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que a sra. Clinton ‘alertou’ o ministro turco para não confiar nos iranianos, cujo único interesse seria “fazer qualquer coisa para impedir as sanções pelo Conselho de Segurança, sem dar qualquer passo para suspender seu programa nuclear militar.”

Depois do telefonema, um pouco precipitadamente, de fato, a secretária Hillary previu publicamente que o esforço dos presidentes Lula e Erdogan fracassaria.

O que se sabe hoje é que a secretária Clinton pode não estar trabalhando corretamente pela pauta política da Casa Branca. Enquanto ela falava em Washington, funcionários turcos anunciavam aos jornalistas em Ankara, off-the-record, que haviam recebido encorajamento do próprio presidente Obama, para insistir no trabalho de mediação e continuar pressionando em busca de algum acordo. Pode ser, é claro, ‘divisão’ planejada das forças nos EUA, para cobrir todas as posições, o que implica que EUA, sim, anteviram a possibilidade de serem derrotados no front diplomático: Clinton faria a parte mais difícil e preservaria a posição do presidente como ‘mediador’ e interessado mais em acordos que em confrontos. Seja como for, já sugere alguma fragilidade na posição da secretária de Estado, ou seu isolamento, no círculo mais alto dos estrategistas de Obama para as questões mundiais cruciais.



Alguns, em Washington, tentarão ver no acordo apenas um modo para salvar as aparências e livrar o Irã de confronto direto com EUA e União Europeia. Seja como for, outros verão de outro modo. Ali Akbar Salehi, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, vê perspectiva mais positiva. Semana passada, já havia anunciado que o Irã buscava um acordo, contando com a mediação política do Brasil e da Turquia “para dar aos EUA e outros países ocidentais um modo de escaparem da situação de impasse que criaram, com tantas ameaças.”

Em todos os casos, o que se viu foi que negociadores competentes em negociações bem encaminhadas por dois líderes mundiais, destruíram a versão, difundida por Washington, de que o Irã não faria acordos e teria de ser ‘atacado’, por sanções; antes, claro, de que os EUA considerassem “todas as opções” – inclusive o ataque militar, para impedir o progresso do programa nuclear do país.

Fato é que Turquia e Brasil, embora em pontos opostos do planeta, têm muita coisa em comum. São dois países territorialmente grandes que passaram longos anos sob ditadura, mas conseguiram alterar essa história e andar pacificamente na direção da plena democracia. Os dois países têm hoje, na presidência, políticos dinâmicos e experientes, que comandaram importante processo de recuperação econômica nos seus respectivos países. Os dois países, além do mais, já emergiram como potências regionais, mas aspiram ao nível de potências como Rússia, Índia ou mesmo a China. Nem Turquia nem Brasil podem sobreviver sozinhos entre esses gigantes. Mas, juntos, formam uma parceria que tem inúmeras possibilidades de sucesso.

Brasil e Turquia são os países que mais abriram novas embaixadas pelo mundo, nos dois últimos anos. Uma vez por ano, os principais diplomatas turcos voltam a Ancara para ampla reunião de trabalho. Na reunião de 2010, ocorrida em janeiro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil Celso Amorim foi um dos principais conferencistas convidados.

Turquia e Brasil foram, por muitos anos, apoiadores ‘automáticos’ de Washington, mas agora começam a assumir o timão e determinar a própria rota. Preocupados com o que veem como violento unilateralismo norte-americano, que desestabiliza imensas regiões em todo o mundo, os dois países têm evitado todos os confrontos internacionais, ao mesmo tempo em que trabalham incansavelmente para promover acordos que visem à pacificação. Por muito feliz coincidência, os dois países são hoje membros não-permanentes do Conselho de Segurança. A posição deu-lhes os meios para intervir na questão iraniana; que os negociadores e presidentes de Turquia e Irã usaram com talento e competência excepcionais.

Durante a Guerra Fria, o Movimento dos Não-alinhados tentou converter-se numa “terceira força” na política mundial, mas fracassou, porque reunia países grandes demais, separados demais e diferentes demais. Turquia e Brasil emergem agora como a força global capaz e competente para diálogos e acordos que o Movimento dos Não-alinhados jamais antes conseguira ser.

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 A Diplomacia Brasileira e o complexo de vira-latas


No Irã, gol de placa

 Blog Escrevinhador
Na madrugada dessa segunda-feira, Brasil, Irã e Turquia conseguiram fechar o acordo nuclear. Era a última chance dada a Lula para o diálogo com o Irã. Caso contrário, começariam as sanções.

O presidente brasileiro reafirmou sua posição de prestígio internacional.

Como estamos em véspera de Copa, vou adotar o estilo Lula de metáforas futebolísticas: a política externa do governo dele, conduzida por Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, lembra o futebol jogado pelo Brasil em 58.

Até então, padecíamos do famoso complexo de vira-lata. Diante de um sueco ou de um alemão, o brasileiro gania, com sua inferioridade à flor da pele. A geração de 58 tinha um rei. Pelé. O jovem rei fez tabelinha com Didi, Zito, Gilmar, Nilton e Djalma Santos. E, assim, o complexo de vira-lata se foi.

O Brasil, na política externa, sofria de um tremendo complexo do vira-lata - especialmente sob o governo tucano. O Brasil tirava os sapatos e gania sua humildade diante dos gringos.



Como em 58, o Brasil de Lula deixou o complexo pra trás. Sem intermediação de EUA, França, ou Inglaterra, o Brasil de Lula conversou com o Irã e a Turquia. O Brasil cresceu. O Brasil calçou os sapatos e agora caminha com firmeza pelo cenário internacional.  Veja o video abaixo.



Para ódio dos apedeutas que babam de raiva (ou inveja?) na "Veja", e comparam Lula a Wagner Love. Lula está mais para Pelé. Entretanto, no acordo nuclear com o Irã nem tudo está garantido. Ao contrário da Copa, na política externa o jogo não acaba nunca. É o que mostra o texto de Flávio Aguiar, escrito para a rede Brasil Atual.

IRÃ: GOL DE PLACA DO BRASIL
Por Flávio Aguiar
Ainda no blog Escrevinhador

Já ninguém acreditava. Eram os 29 minutos da prorrogação. Logo viriam os pênaltis. Todos, é claro, batidos contra o mesmo gol, onde o goleiro Mahmoud ia tentar defender todas, nem que fosse no gogó. A capitã Hillary Clinton já convocava os batedores: Sarkozy, da França, Cameron, do Reino Unido, Merkel, da Alemanha, e os contrafeitos Putin, da Rússia e Jin Tao, da China.

Foi quando Amorim e Luis Inácio entraram tabelando na área, um lançou para o outro, que deu um chapéu em Hillary, retrucou para o um, que fez uma embaixada e botou na frente do gol: os centroavantes Ahmadinejad e Erdogan conseguiram evitar bater cabeça, e cabecearam juntos para as redes. Gol do Brasil!!!!, numa jogada que deixou tiririca a galera do contra que, dos camarotes da mídia conservadora, jurava que não ia dar certo e só falava em gafes do time brasileiro.

A turma da miopia congênita levantava tudo que era argumento possível contra a participação do Brasil na tentativa de abrir uma porta para que se resolva o impasse nuclear do Irã. Dizia ela que o Brasil não tinha nada a ver com isso, que a questão nuclear no Oriente Médio não interessava ao Brasil (!), que era uma questão menor (!!), que o Brasil não tem qualquer interesse no Irã, etc. e tal. Ficaram roendo as unhas até os cotovelos e mordendo pé de mesa.

Nem tudo são flores no Irã liderado pelo Conselho dos Aiatolás (que é onde está de fato o poder) e por Ahmadinejad, um político esperto de estilo populista que se posicionou no espaço vazio entre a política religiosa do país, o povão ainda assolado pela pobreza, a classe média emergente e o cenário internacional, onde pretende despontar como um líder de âmbito regional, mas de alcance internacional.




 

Este é o nó da questão. O Irã, com uma das maiores reservas de petróleo e gás do mundo, com reservas de urânio consideráveis, um parque industrial já significativo, 70 milhões de habitantes mais ou menos, um PIB de 336 bilhões de dólares, pode vir a se tornar uma potência emergente, desestabilizando área onde os Estados Unidos e seus aliados mantém um controle instável sobre governos – todos, não só o Irã – questionáveis do ponto de vista de uma democracia.

É claro que o campeonato não terminou. Possivelmente os governos norte-americano e israelense farão tudo para desacreditar o acordo feito entre a Turquia e o Irã, com o aval e a mediação do Brasil. É claro também que Turquia e Irã terão de se concentrar em honrá-lo. Se não fizerem, a partida será anulada. É muito possível também que os Estados Unidos queiram impor, através do Conselho de Segurança da ONU, novas sanções ao Irã. Mas já ficou mais complicado obter a carta branca pró-ativa que queriam da Rússia e da China.

De certo modo, há uma certa necessidade por parte dos “grandes” ocidentais do Conselho de Segurança, de impor sanções ao Irã. É uma demonstração de força, por parte de países cuja hegemonia, sobretudo a dos EUA, indiscutível no plano militar, vem sendo cada vez mais posta em dúvida no plano político. O que Hillary Clinton pretendia, além de conter o ímpeto do Irã, era “realinhar” o seu time, muito disperso e tomado por disputas internas, como a da França e da Alemanha em torno do euro. É verdade, ela terá razão em reclamar: a jogada do Brasil atrapalha esse esforço, não resta dúvida. Mas não custa lembrar que o assunto está na competência do Brasil, que ora tem um mandato temporário de dois anos no Conselho de Segurança da ONU.

Aos descontentes com os novos ventos na política externa brasileira, resta ainda o argumento de que tudo isso não passa de uma encenação para que Lula ganhe o prêmio Nobel da Paz. É cedo para fazer prognósticos. Mas e daí, se ganhar? Aí não haverá cotovelo nem unha que chegue.
 
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