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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Entrevista de Luis Nassif

Do blog Ze Dirceu
via blog Luis Nassif 
a pedido de Sanzio
Sanzio
Nassif,
Tenho entrado no blog meio esporadicamente, então posso ter passado batido, mas penso que você deveria postar aqui sua entrevista ao Zé Dirceu


Oposição levará anos para se refazer no país 


A conclusão é do jornalista especializado em economia Luis Nassif, em sua análise sobre a disputa presidencial deste ano e, sobretudo, da campanha suja explorada pela oposição e seu candidato derrotado José Serra (PSDB-DEM-PPS) em 2010.

Nassif e Jose Dirceu durante a entrevista
Em uma avaliação suscinta, nesta entrevista, Nassif aponta o que deve ser mudado no panorama econômico do país, em especial nas áreas de câmbio e juros. Traça, também, um perfil da mídia brasileira no decorrer dos últimos anos e do papel lamentável a que se prestam alguns jornalistas.

Para Nassif, a imprensa hoje é linha auxiliar de partidos políticos, uma realidade que pode e deve ser combatida com concorrência e, sobretudo, um marco regulatório para que direitos elementares, como o de resposta, sejam garantidos à sociedade.

Um dos blogueiros mais respeitados do país (acesse o blog do Nassif), ganhador de vários prêmios, como o de "Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita" dado pelo site Comunique-se em 2003 e 2005, Nassif também fala da força da Internet hoje em termos da liberdade de imprensa e de garantia de maior democracia.

[ Dirceu ] Nassif, gostaria que você fizesse um balanço da campanha eleitoral deste ano, em especial, do papel assumido pela oposição ao governo Lula e pelo candidato derrotado nas urnas, José Serra.

[ Nassif ] Do ponto de vista estratégico, a partir do momento em que ficou claro o projeto político e econômico do governo Lula, de somar todas as forças, solucionar os conflitos entre as classes e priorizar o desenvolvimentismo, a oposição ficou absolutamente sem discurso. E a crise de 2008 foi fundamental para isso.

Eles entraram na campanha com certa unidade em torno de questões como o aparelhamento e a redução do Estado. Um discurso do ideário neoliberal, vazio, mas tido como aglutinador das “bandeiras” da oposição. Este poderia ter sido o contraponto ao projeto do governo. Mas, a partir do momento em que José Serra assumiu a candidatura oposicionista, não se tem mais oposição, apenas impulsos. Serra tornou-se uma biruta de aeroporto. A impressão que dá é que ele hibernou no começo dos anos 90 e somente agora acordou. Ele não tem nenhuma proposta inovadora e nenhum tema. A única questão apresentada - e que não é dele, é coletiva – foi a da política do câmbio. Mas nem esta o Serra soube desenvolver.

Assassinato de reputações

Sem discurso e incapaz de se posicionar no Centro-Direita - que lhe seria o mais adequado – o tucano partiu para a única coisa eficiente feita por eles nesta disputa: a campanha pela internet. Apesar de, com ela, ter estigmatizado toda a oposição. Um grupo de franco atiradores começou a ser montado há quatro anos para isso. Na realidade, um partido de milicianos de Santa Catarina, que já tinha uma estrutura a oferecer, foi o responsável por uma das páginas mais sujas da história política brasileira, de ataques difamatórios e tentativas explícitas de assassinato de reputações.

Não é à toa que quando terminou a eleição, a grande preocupação não foi com a oposição, mas como reconstruí-la. Oposição é fundamental em qualquer governo, desde que seja legítima. O mal que o Serra fez à oposição brasileira é imensurável. Ela levará anos para se refazer.

Reforma para dar eficiência ao Estado

[ Dirceu ] A vitória da presidente eleita Dilma Rousseff ocorreu com o compromisso de que ela dará continuidade ao modelo de desenvolvimento implantado pelo governo Lula. Na sua visão, o que deve continuar e o que deve mudar já?

[ Nassif ] Nos últimos anos, tivemos mudanças importantes na ação federativa. Havia alguns insights no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, de como montar políticas ouvindo todas as partes. Com o PAC, o programa "Minha Casa, Minha Vida" e o trabalho no saneamento etc, conseguiu-se montar um modelo federativo com projetos que se aplicam independentes de questões partidárias.

Agora, precisamos de uma reforma para dar eficiência administrativa ao Estado. Se pegarmos a estrutura pública, ao longo dos últimos oito anos, vemos que houve uma reconstrução de estruturas técnicas. Por ser tudo gambiarra, elas se concentravam na Casa Civil, até para ter efetividade nas ações. Precisamos, portanto, de uma reforma moderna do Estado, à semelhança do que [Nelson] Rockefeller fez nos Estados Unidos nos anos 50. Este é o primeiro ponto.

O segundo ponto, sem dúvidas, é o Banco Central. Mudar essa ideia de termos quatro anos para reduzir a relação dívida/PIB. Até porque a equipe [econômica] para reduzir os juros vai ser atropelada pelos fatos. A minha esperança é que o discurso de que tudo será gradativo seja simplesmente tático, porque você não pode anunciar previamente o que será feito, já que a área é nervosa. Mas, reduzir mais rapidamente essa relação dívida/PIB é fundamental. A herança maldita do governo FHC para o governo Lula foi o desastre da desindustrialização; já a do Lula para o governo Dilma é a manutenção desta política cambial. Todos os avanços que tivemos foram fantásticos, mas esta questão atrasou o Brasil em quinze anos, no mínimo.

[ Dirceu ] Como você avalia a atuação do BC na era Meirelles? O que esperar do novo presidente Alexandre Tombini?

[ Nassif ] O [Henrique] Meirelles é um fanfarrão. Antes de assumir o Banco Central, em algumas palestras nos Estados Unidos, ele comentava sobre a importância do câmbio para garantir o crescimento. Depois, assumiu a presidência e uma posição de dificultar a redução dos juros. O Tombini é tecnicamente muito mais sólido. Como é seguro tecnicamente, ele se dá ao direito de ser mais flexível no sentido de não tratar dogmaticamente a política monetária. Temos que mudá-la em muitas coisas. Se deixar como está, hoje, a existência de metas de inflação e só juros para segurar eventuais descontroles, em qualquer hipótese, não tem contas públicas que resistam. Há outras ferramentas que podem ser utilizadas sem concentrar renda.

Querem manter os juros elevados com a justificativa de alta da inflação provocada, principalmente, pelos alimentos. Alimento não tem nada a ver com demanda ou excesso de demanda, que é onde a política monetária atua. Mas, há todo um coro neste sentido, para que eles possam aumentar os juros. Temos que mudar o sistema de metas de inflação e, principalmente, tem que aumentar o escopo, o número das pessoas que definem a política monetária. Não podemos concentrar isso só em dois diretores do Banco Central, como é hoje, porque isso é uma loucura.

Em dezembro de 2008, eles falavam de economia sólida. Quando se tem grandes inflexões na vida econômica do Brasil, os indicadores só aparecem dois, três, quatro meses depois. Então, o negócio estava desmanchando aqui e eles diziam “não, o mercado ainda tem confiança”. Mas os dados (que posicionavam o mercado) eram de dois meses antes.

Na realidade, essa sensibilidade para entender a economia depende de uma mudança na composição do Comitê de Política Monetária, o COPOM. É preciso ter como nos Estados Unidos, análises regionais. E incorporar industriais, sindicatos, supermercados e economistas de outras linhas também. Não para ter um embate teórico, mas visões diferentes sobre uma mesma realidade econômica. Fora isso, o Banco Central tem que recuperar instrumentos tradicionais de política monetária. Hoje é tudo jogado nas costas dos juros.

Se tem excesso de demanda, como eu posso reduzí-la? Aumentar o compulsório é uma maneira. Reduzir prazos de financiamento, outra. Usar o IOF uma terceira. Então, você não carrega nos juros. Mas como estes criaram toda uma legião de beneficiados, nós temos todo o carnaval de analistas, que conhecemos bem, fazendo o mesmo discurso: para que joguem tudo nos juros.


Banco Central: só é penalizado se errar por baixo


[ Dirceu ] Daí que o nosso Banco Central, ao contrário do que acontece nos EUA, não tem metas para emprego, para que nossa política econômica gere determinado número de empregos/ano, por exemplo.

[ Nassif ] Não tem. Com isso, acontece um negócio maluco. Se você estabelece uma meta inflacionária e erra os juros por cima, não é penalizado. Só é penalizado se errar por baixo. É o mesmo que pegar, digamos, o exemplo de um médico. Uma criança tem uma infecção e se esta não ceder, o médico é culpado. Mas, se ela ceder o médico é inocente mesmo que tenha aplicado excesso de antibióticos que irá afetar outros órgãos da criança. É isso o que acontece. Você não tem penalização para erros por cima dos juros. Com isso, neste ano, o BC saiu do controle do Meirelles. O Tombini passou a atuar mais depois que reconheceu esses erros. Inclusive, no começo do ano, quando tinha uma inflação de (preços dos) alimentos. A inflação era nitidamente decorrente da alta dos alimentos, mas todo mundo pressionava o BC querendo aumentar juros. Isso para chegar em março e ter deflação.

Então, não adianta pegar um presidente do Banco Central com maior preparo, tem que mudar o sistema de apuração de dados. Mas, a internet fará essa mudança. Qual o modelo hoje de mapeamento de juros altos? Você tem lá alguns economistas de mercado que repetem os mesmos modelos. Pega o (ex-ministro da Fazenda) Mailson da Nóbrega que, em termos teóricos, repete o mesmo bordão. O Estadão, que tem a melhor cobertura dos jornalões na parte de economia, mostra dados dogmáticos. Por que ele mostra todo um processo de desindustrialização? Porque no final, ele tem que pagar o lobby para o mercado. Colocam o Eduardo Gianetti da Fonseca que não é macroeconomista, e o Mailson para dizer que o responsável são os gastos públicos. É uma maluquice. Ouçam o Roberto Gianetti da Fonseca que conhece lei industrial.

Há economistas que repetem esses bordões, fazem um carnaval e são eles que vão para os jornalões. O mercado, mesmo não acreditando, endossa o que é dito, porque o negócio do mercado não é acertar a inflação, mas o que o BC está pensando sobre ela. Então, caímos num modelo viciado. Não adianta aprimorar este modelo. Ele, em si, é furado.

[ Dirceu ] No Brasil nunca se aplaude a redução de juros.

[ Nassif ] Nunca. É uma coisa maluca. Em 1995, os juros foram para 45% ao ano porque o Brasil estava com as contas desequilibradas. Entra o Gustavo Loyola falando o seguinte: “nós precisamos descer gradativamente, porque se precisar subir, fica parecendo recuo”. Mas que gradativamente? Não existe isso! Você tem uma crise, joga os juros lá pra cima; acaba a crise, precisa baixar.

Ele falava de um jeito que parecia que tinha ciência atrás desta informação. E, pior, ele passava à opinião pública aquela ideia. Como nós fizemos magia com vários planos econômicos que não deram certo, ele passava para a opinião pública que uma “redução gradativa” significava caminhar lenta e firmemente em direção ao futuro. O que era uma bobagem. Na verdade, significou caminhar “lenta e firmemente” em direção à maior dívida pública da história - a maior. Vejam, os [governos] militares tinham uma dívida pública, mas tinham também ativos, das indústrias que foram criadas, das ferrovias. Então, [depois deles] se pegarmos em termos líquidos, criou-se esta dívida, mas sem contrapartida de ativos. Pelo contrário, reduziam os ativos, vendiam estatais e tudo, para pagar esses juros.

[ Dirceu ] Dobraram a dívida interna ao invés de reduzi-la em US$ 100 bi. Venderam US$ 100 bi (em estatais) e essa venda pagou juros. O Gustavo Franco [na presidência do Banco Central do 1º governo FHC] pagou 27,5% de juros reais durante três anos sobre a dívida pública.

[ Nassif ] Um absurdo.

Em 2002, no ano da eleição do Lula, eu publiquei um artigo descendo o pau nos juros. O Mailson [da Nóbrega], em um artigo, na realidade baseado em trabalho da Secretaria do Tesouro, dizia que a maior razão do aumento da dívida interna foi a incorporação das dívidas dos Estados. No artigo, ele desafiava: agora quero ver criticarem a Secretaria do Tesouro! Vocês sabem o que a Secretaria do Tesouro fez naquela época? Pegou a dívida dos Estados, mas antes de incorporá-las não considerou o aumento que esse endividamento havia sofrido em decorrência dos juros do Banco Central.

O caso de São Paulo era muito interessante. São Paulo devia R$ 50 bi para a União. Começou a negociar, mas um tempo depois de começar, na data de corte (fechamento da negociação) a dívida estava em R$ 100 bi – R$ 50 bi eram juros do BC. Como demorou mais, não sei quanto tempo para fechar a negociação, fechou-a em R$ 150 bi. Aí, eles consideraram e foram incluídos R$ 100 bi como dívida estadual, e não como resultado dos juros, quando eram decorrentes de juros. E, mais, pegaram R$ 150 bi e todos os juros que incidiram sobre essa dívida para dizer que se tratava de dívida de Estado e não [decorrente de] uma política do Banco Central.

Quando li aquilo, liguei para a Secretaria de Tesouro para ver quem fez o trabalho. Demorei três dias tentando encontrar o cara (responsável) pelo trabalho. Quando encontrei ele reconheceu: “é, nós discutimos aqui, achamos que poderia dar margem para dúvidas...” Eu respondi: “que margem para dúvidas? Vocês manipularam, está errado!” As dívidas dos Estados eram sempre a dívida dos títulos da União, mas com juros muito altos. E todos os Estados estavam com dívidas. Com isso, a União chegou a cobrar 45% em certo período - nos Estados chegou a 60% ao ano. Uma loucura. Esse foi o maior crime de política econômica já cometido. Tanto que amarrou o Brasil por quantos anos? E está aí ainda.

[ Dirceu ] Estamos pagando 10,75%. É uma pancada. Somados dão mais do que o orçamento da Educação.

[ Nassif ] Agora, foram deduzindo os juros, mas a base estava lá em cima. Ainda hoje dizem: "se não fossem os juros, não teríamos segurado a inflação”. Mentira! Eu fiz um trabalho por baixo em março/abril de 1995 em que dizia que aquela inflação já era fato passado e nós precisávamos cuidar do desenvolvimento. A manutenção de juros até 1999 foi exclusivamente para consolidar um modelo político que o Fernando Henrique implantou com o Gustavo Franco. Um modelo que criou e fez uma brutal transferência de renda para que novos grupos conduzissem a reformulação da economia. Quando você pega Ignácio Rangel [economista, considerado um dos maiores analistas do processo econômico brasileiro] vê que todos esses períodos de inflação, essa jogada de mercado, permitem enriquecimento de um pessoal mais ativo que leva a um salto na economia. A ideia desses mandraques, na realidade, era política: criar grandes grupos para consolidar o poder independente do Estado. Com isso, eles jogaram o projeto deles fora – não foram mais eleitos - mas atrasaram o país durante anos.


[ Dirceu ] A respeito da crise européia, quais lições podermos tirar das medidas de socorro? O que o Brasil deve evitar neste caminho da Europa?

[ Nassif ] Um ponto em que o BC atuou quase bem – mas não foi bem de tudo – foi na regulação bancária para impedir grandes loucuras. Apesar dele próprio ter praticado uma loucura, que quase leva essas medidas abaixo, que foi permitir aquele swap reverso, aquelas operações especulativas bancadas por ele. Quando você começa a jogar o câmbio para baixo. Quem ganha? Quem tem voz política. As grandes empresas exportadoras. Para abafar essa voz política, eles criaram o swap reverso. Quando o câmbio caia ps exportadores perdiam na operação principal e ganhavam na operação financeira. Isso é loucura. Os jornais enchem o saco quando falam do subsídio, mas quando reverte o câmbio você tem toda essa quebradeira.

Fora esse pecado, o BC atuou muito em termos de regulação para impedir grandes loucuras. Agora, quando se pega o próprio FMI e aquele apoio dado em 1998 ao Brasil, você tem um jogo especulativo de grandes ganhos por parte dos grandes investidores. Esses ganhos embutem uma parte de risco e quanto maior o ganho, maior o risco. A questão é que estas operações quando entram para valer reduzem o risco e a perda dos grandes investidores, além de jogar a conta no ajuste fiscal - este pega a população de calça curta. Isso é complicado.

Quando você pega o mercado, eles dizem que a política é o que amarra o país. É o contrário, a política é um instrumento mobilizador. E ela que irá estabelecer, daqui para frente, os limites à ação deletéria dos mercados. No fundo, o próprio Fernando Henrique acabou perdendo o poder ao achar que ia montar uma estrutura em que o mercado ganhava e a população perdia.

Na Europa, o que estamos vendo é uma gambiarra. Terão que fazer a penalização dos credores, como fez a Argentina.


[ Dirceu ] Não está havendo nenhuma penalização, pelo contrário. Para salvar os bancos europeus, a Alemanha, como tinha condições, resolveu os problemas. Já tinha pactuado o modelo de baixar a participação do trabalho na renda nacional, aumentar a produtividade e não o salário, e diminuir o custo de programas sociais. Agora, eles farão o corte e, nestes países, será dos benefícios sociais. Depois o imposto aumenta para todo mundo e não só para os mais ricos. Todo mundo paga.

[ Nassif ] Vamos pegar os EUA. Não o da crise, agora, mas o modelo norte-americano das últimas décadas. Houve a entrada de uma nova indústria, uma nova economia - de serviços, informática etc.

O que aconteceu é que eles pegaram todos os setores atrasados, terceirizaram a mão-de-obra de obra, abrindo espaço para que as empresas pudessem ir para outros países. O modelo é interessante porque ficaram só com os grandes empregos. Mas quando chegaram no final do processo, aquele modelo não garantiu a empregabilidade. Sem garanti-la não existe mais mercado interno. Então, os países que ficaram com as indústrias de “menor qualidade” foram aqueles onde se formou o mercado interno. São eles os grandes vencedores da crise.

O modelo americano que levou os EUA a se tornarem o que foram, no final das contas, foi um modelo que privilegiou o mercado interno, a incorporação de novas marcas e que permitiu a criação de uma sociedade de consumo lá no século XIX e transformou o país na maior potência no mundo.

Outro ponto: a Organização para o Comércio e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) está querendo mudar os critérios da contabilidade de dívidas no Brasil. Diz que é para ser mais transparente. Mas eles não têm transparência nenhuma. Europeu querer ensinar a gente a ser transparente em termos fiscais, como quer a OCDE, é piada... O José Roberto Afonso, o pai da lei de reforma fiscal, foi para a Alemanha, há dez anos, para ver como era a contabilidade de estados e municípios lá. Voltou espantado. Nós damos de 10 a 0 em termos de transparência. No Brasil, a questão da responsabilidade fiscal sempre foi um calcanhar de Aquiles, obrigou-nos a um esforço de transparência fiscal que hoje é mais rigorosa do que em muitos outros países.

O PROER [programa de socorro a bancos do governo FHC] foi importante em si, mas aquela crise bancária que ele ajudou a passar, foi fruto da política monetária do 2º semestre de 1994. De qualquer modo, todas as crises bancárias obrigaram o Brasil a ter um sistema bancário rígido, no qual, quando estoura a crise, tem conseqüências.


A grande Imprensa - O PIG


[ Dirceu ] Mudando de assunto, o que aconteceu com a grande imprensa brasileira? O que a levou a tomar esse rumo e a tornar-se um verdadeiro partido político?

[ Nassif ] Quando você pensa em termos globais, a internet cria uma extraordinária zona de segurança para a mídia. Quem são os grupos que terão audiência? Os grandes grupos midiáticos, obviamente, e também toda uma constelação de blogs, de sites que produzirão conteúdo. Quando a velha mídia percebeu que ia entrar grandes players neste mercado, grupos de telefonia, entretenimento, tudo...

No Brasil, a imprensa é auxiliar de partido político. Na realidade, na América Latina, com a redemocratização, a imprensa se transformou no ator político mais relevante dos últimos 20 anos. Derrubava presidentes, senadores, demonizava pessoas – você é o exemplo vivo disso; o Sérgio Motta [ministro de Comunicação de FHC], o exemplo morto.

Ao longo da história do Brasil, a imprensa se comportou da mesma maneira que setores políticos. Nosso país já está em uma nova conjuntura, mas ainda preserva o poder político da etapa anterior. Então, eles (os jornalões) tentam transformar o poder político em um diferencial para impedir a competição.

Em 2005, especificamente, eles acharam que poderiam voltar aos tempos de glória do impeachment [Fernando Collor de Melo] difamando o presidente Lula. Montaram um pacto em torno do Fernando Henrique e do Serra. E achavam que poderiam eleger o Serra ou um outro presidente que através de medidas de regulamentação [da mídia] os ajudassem a fazer a travessia para o novo modelo.

Também tentaram repetir o próprio impeachment que deu certo em 1992. Qual era o modelo? Criar um escândalo por dia. Como não têm capacidade de criar um escândalo consistente, transformam algo banal em um escândalo ou inventam um. Com o tempo, esperavam uma eclosão dos caras-pintadas - estes iriam para a rua derrubar o governo. A ideia foi essa. Mas, não tiveram pique para derrubar o Lula em 2005, e em 2006 o Lula já começou a recuperar a popularidade. Com isso, perderam o rumo.

Nós tivemos uma grande sorte porque o pessoal que conduziu essa operação, talvez, seja a mais medíocre geração de diretores de redação desde que eu entrei no jornalismo. A sorte é que era um bando de amadores deslumbrados, que começaram a mostrar sua vulnerabilidade quando ficaram no poder nas redações. Começaram a querer virar intelectuais, montaram esquemas com editoras para vender livros. O Ali Kamel escreveu um livro que consideraram “um dos dez livros mais importantes da década”. Total perda do senso de ridículo.

O Diogo Mainardi e o Reinaldo Azevedo foram colocados para atuar como franco atiradores. Você os coloca ali, levanta a bola deles... E o que vimos foram coisas fantásticas. Houve até um que foi considerado o novo Carlos Lacerda. Outro escreveu que o livro do Reinaldo deveria ser adotado pelas cadeiras de ética de todas as faculdades. Na realidade, não entenderam que o Brasil é maior. Acharam que depois dos ataques desqualificadores iam intimidar a todos. Mas meia dúzia de malucos resolveram enfrentar a fera e a internet serviu para isso também.

[ Dirceu ] Concorrência neles!

[ Nassif ] É isso mesmo, porque o medo deles não é da CONFECOM (1ª Conferência Nacional de Comunicação), mas das empresas de telefonia. Se você tirar três pernas distorcidas e ilegais que sustentam esse modelo, ele desaba: a estrutura de veiculação publicitária; a manipulação de tiragem e de audiência; e a publicidade legal, os balanços de empresas.

A primeira perna: a estrutura de veiculação publicitária. Da forma como é feita, de contratos com agências de publicidade, é crime de direito econômico. Hoje, quem faz essa distribuição de verbas por agências de publicidade, os diretores de marketing, fazem parte de uma estrutura de poder. Isso é uma excrescência.

Segundo ponto: manipulação de tiragem e de audiência. O Instituto Verificador de Circulação (IVC) tem um jeito de apurar a circulação dos jornais que permite manipulação. A VEJA diz que tem 1 milhão e cem mil exemplares. Não tem. Ela tem 870 mil exemplares...


[ Dirceu ] A margem de erro de audiência de televisão é altíssimo também.

[ Nassif ] Você pega o Estadão. Dois ou três anos atrás, o Estadão teve uma queda de tiragem de 25%. No mesmo período, a Folha teve de 6% e O Globo de 5%. Qual a diferença entre os três? O Estadão estava precisando limpar o cadastro, limpou e ficou 25% a menos.

Uma vez, eu fui numa associação empresarial. Eles tinham uma revista que, segundo o IVC, vendia 50 mil exemplares por edição. Entra a nova direção, foram apurar e a revista vendia dois mil. O que eles faziam? O IVC tem como método de contagem contabilizar o que sai da gráfica e o que volta. Distribuiam 2 mil, alugavam galpões e jogavam 48 mil lá. A VEJA é impossível você esconder. O que eles fazem? Dão, doam. Distribuem. Isso traz a tiragem da VEJA para o real.

E o terceiro ponto das três pernas de que falei acima é a publicidade legal. Os balanços de empresa. Não tem a mínima lógica. Se sou uma empresa de capital aberto, eu mando ao acionista o balanço por e-mail ou ele pega o PDF no site. A troco do quê tem que publicar páginas e páginas de publicidade (como balanço oficial) na Folha, no Estadão, no Valor?

São três distorções. Fora as secretarias de Educação sobre as quais eles estão avançado de forma voraz. Já oferecem produtos da Abril para as secretarias de Educação.


[ Dirceu ] Em relação à regulação da imprensa? Qual sua avaliação a respeito do que o governo está construindo? Temos condições no país para fazermos a regulação?

[ Nassif ] Não se trata de regulação de conteúdo, mas do direito de resposta. É um absurdo, nós não temos direito de resposta. Estou há três anos tentando o meu, a minha resposta. Entrei com ação de Direito de Resposta na VEJA. A juíza disse que estava errado porque falava de internet e não de Lei de Imprensa. Não estava errada. Vai para a 2ª instância - mais um ano e meio. Na 2ª, disseram que estava certo. Volta para a mesma juíza da 1ª. Aí ela decidiu não julgar porque acabou a Lei de Imprensa.

Quando se fala em competição, temos que remover essas barreiras que citei. Já na questão do conteúdo, precisa ter o que há em outros países: conteúdo nacional; permitir o avanço da produção; restrições normais em relação à propaganda infantil e à violência. Temos que remover fatores anacrônicos.


Quem compõe o quadro de colunistas é o leitor

[ Dirceu ] Qual o papel das novas mídias, da internet, em relação à democratização? Como você enxerga o futuro nesse sentido? Quais os pontos positivos que devemos avançar em termos da rede?

[ Nassif ] Todo mundo está na mesma plataforma tecnológica. Isso já traz uma mudança monumental ao jogo político. Você tem um determinado número de colunistas no jornal. A Folha, por exemplo, tinha um grupo de jornalistas que compunham um poder político. Então, quando vinha uma manchete, era como se ela tivesse o endosso de toda uma estrutura de colunistas, dando credibilidade àquela matéria. Mesmo se alguns discordassem. Ao ir para a internet, o jogo é outro. Quem compõe o quadro de colunistas é cada leitor. Eu tenho os meus favoritos, eu quero o colunista X da Folha, o W do Estado, o blogueiro tal, o político Y. Então, ao compor o que vai ler, o próprio internauta elimina a manipulação. Essa é uma situação real.


Ninguém quer que os jornais acabem. Eles vão para a internet e sobrevivem. Mas aquele poder de manipulação e de gerar instabilidade política vai para o vinagre. Cada vez que sai uma manchete e uma denúncia pela internet, todo mundo sai correndo atrás de outras opiniões que vão se cruzando nos diversos grupos de discussão. Então, cria-se uma nova realidade. Isso tem o poder fantástico de desconstruir denúncias. Vimos isso durante a campanha, por exemplo, no caso da bolinha de papel [a auto-acusação infundada de José Serra de que fora agredido com uma pancada no Rio]. Eu fui o primeiro a colocar o vídeo do SBT no meu blog.


[ Dirceu ] Foi mortal.

[ Nassif ] Com isso, agora, mesmo que os jornalões tenham audiência, quando você (na internet) rebate um grande jornal, e faz com um argumento técnico, isso se espalha para todos os lados. Esse é um aspecto. Acabou o poder dos jornalões de desestabilizar a política.

Outro aspecto é que todo agente econômico hoje - sindicatos, corporações, uma tribo amazônica - terá que se preparar para a blogosfera. Com isso você quebra o circuito viciado da velha mídia que acaba pressionando o Congresso e a política econômica.


[ Dirceu ] O Congresso do Brasil é tremendamente desprestigiado pela imprensa, se comparado com o parlamento de outros países. Claro que temos um que vota no lugar do outro; o senador Efraim Moraes (DEM-PB), por exemplo, que manipulou todas as licitações e tem dezenas de empregados pagos pelo Senado; gente que emprega família inteira lá etc... Agora, do jeito que o Congresso é apresentado para a sociedade no Brasil, nunca teremos político no país com prestígio.

[ Nassif ] Pega-se a grande disputa política dos anos 90. Tinha-se o Congresso e a mídia dizendo-se representantes da opinião pública. Daí a mídia entender que tinha que manter o outro [Congresso] completamente de joelhos para poder impor suas condições.

Você está na competição imprensa x Congresso. Tem, também, o fato de que com as ONGs, o Congresso foi perdendo cada vez mais a legitimidade. Você chega numa ONG X, o cara tem muito mais autoridade do que o deputado. E com a internet é a mídia quem perde a legitimidade. Essa é a grande mudança.

Agora, o risco que se tem [na internet] é termos uma radicalização política e começarmos a ser bairristas. Quando teve a reunião dos blogueiros (agosto pp.) eu sugeri: “nós temos uma frente aqui em torno de alguns valores, os dois principais, o combate ao monopólio e a defesa da inclusão social e dos valores da civilização que foram atropelados. Agora, nós temos também todo um universo de divergências. O que temos pela frente, quando passar essa guerra aí, é mostrar que podemos divergir civilizadamente".

O universo da blogosfera é o universo das ideias. Então, tentar criar esse ambiente civilizatório em contraposição ao da selvageria é muito interessante. Um momento mágico. Isso está acontecendo no mundo inteiro, mas no Brasil, vem no bojo de mudanças muito mais radicais, com a inclusão de novas classes sociais, regionalização do desenvolvimento, a banda larga...


Fonte: Blog do Luis Nassif

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Educação em São Paulo... o Estado dos "jestores"...

FÁBIO TAKAHASHI
FOLHA SP


O número de professores temporários na rede estadual de São Paulo chegou neste ano a 46% do total, a maior proporção desde 2005.

Para pesquisadores, isso tem impacto direto na qualidade do ensino, já que temporários não se fixam nas escolas

No ano passado, o então governo de José Serra (PSDB), hoje candidato à Presidência, anunciou como meta diminuir a taxa para 10% em quatro anos. Àquela época, o número era 42,4%.
Os dados são da própria Secretaria da Educação. Em números absolutos, são hoje 101 mil não efetivos. Um concurso público com 10 mil vagas foi feito em março, mas os aprovados só começarão a trabalhar no ano que vem.
Pesquisadores afirmam que o contingente de temporários tem impacto direto na qualidade de ensino, uma vez que eles tendem a ter uma rotatividade maior nos colégios -os temporários só podem escolher suas escolas depois que todos os concursados já fizeram suas opções.
Os 46% de não efetivos em SP são mais que o dobro da média nacional e superior à Prefeitura de SP (7%).
“A dificuldade quando se troca de escola é que os alunos não conhecem meu jeito e ritmo e eu também não conheço o deles. Essa fase leva tempo”, diz o professor temporário de ciências Vinicius Vasconsellos, 24, que, em seis anos de rede estadual, já lecionou em nove escolas.
A Secretaria da Educação diz que trabalha para diminuir o número de não efetivos -fez dois concursos desde 2007-, mas que, “apesar dos esforços, ainda ocorrem saídas de efetivos [licenças e afastamentos], que são repostas com os temporários”.


FALTA DE INVESTIMENTO
Educadores ouvidos pela Folha afirmam que o Estado já poderia ter diminuído o contingente de temporários.
“Com um mínimo de planejamento, você sabe quantos professores vão se aposentar ou sair da rede e pode planejar concursos”, diz Ocimar Alavarse, pesquisador da Faculdade de Educação da USP e ex-membro da Secretaria da Educação na gestão Gilberto Kassab (DEM) na prefeitura da capital.
Para Alavarse, há a possibilidade de o Estado não acelerar os concursos porque conta com a continuidade da transferência de parte da rede a municípios. “Mas o processo é lento e não há garantias de que vá se efetivar.”
Para o presidente da Udemo (entidade que representa os diretores de escolas), Luiz Gonzaga Pinto, “o Estado só quer saber de economizar”.
Segundo ele, o temporário custa 15% a menos, por não ter alguns benefícios.

Colaborou RAPHAEL MARCHIORI




Fonte do Post:

domingo, 5 de setembro de 2010

Eleições 2010 - Qual será o escândalo de final de primeiro turno a ser gerado pelo PIG?



Qual será o golpe final da Globo? O que fazer a respeito?



por Luiz Carlos Azenha



Bala de prata. Há muito se especula sobre bala de prata. Qual será a “bala” atirada pelo consórcio Organizações Globo/Folha/Estadão/PSDB/DEM na véspera do primeiro turno, em 2 de outubro de 2010, para tentar mudar o quadro eleitoral? Em 2006 foram as fotos do dinheiro apreendido com os aloprados do PT, que teriam tentado comprar um dossiê contra o então candidato a governador José Serra.

Ninguém tratou do conteúdo do dossiê: as ambulâncias superfaturadas compradas durante a gestão de Serra no Ministério da Saúde. Aliás, a Globo passou a tratar aquele dossiê como “falso dossiê”, quando todas as informações oficiais mostram que o esquema das ambulâncias superfaturadas vicejou durante a administração Serra.

[Abaixo tem o vídeo que mostra Serra na entrega das Ambulâncias dos sanguessugas . No final do vídeo, mais precisamente no minuto 5:40s, dá-se para ver microfones da Globo e SBT entrevistando serra. Isso deixa claro que a mídia, o PIG, sabia que os sanguessugas tiveram origem com os tucanos de Mato Grosso e principalmente na "jestão" serra e que serra estava lá.]
http://www.youtube.com/watch?v=v-1_tplL_H4


Naquela ocasião, em 2006, as fotos “vazaram” justamente na antevéspera da eleição, para que pudessem ser publicadas na véspera, estrelando a edição do Jornal Nacional [a globo abriu mão de fazer, o tradicional, sensacionalismo com a queda do avião da GOL para dar o golpe do primeiro turno com as tais fotos]. Foi obra do delegado Edmilson Bruno, cuja conversa com os jornalistas na hora do vazamento se tornou um clássico da conjunção carnal entre fonte e mídia, com o delegado sugerindo o uso de photoshop, instruindo repórteres sobre como proceder com a divulgação das informações, contando que ia mentir para o superior hierárquico sobre a fonte do vazamento e se referindo a uma “foto da Globo” — tudo isso sob o silêncio complacente dos “profissionais” da mídia.

Para ouvir a conversa gravada, clique aqui.

Na opinião de Luís Nassif, a bala de prata deste ano terá relação com o envolvimento de Dilma Rousseff na resistência ao regime militar. Também acho que seja o mais provável, dado que conheço inúmeros casos de gente que decidiu não votar na candidata do PT depois de receber por e-mail “notícias” (obviamente falsas) sobre crimes atribuídos à candidata.

Veja abaixo o post de Luis Nassif:
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Qual a bala de prata, a reportagem que será apresentada no Jornal Nacional na quinta-feira que antecederá as eleições, visando virar o jogo eleitoral, sem tempo para a verdade ser restabelecida e divulgada?
Ontem, no Sarau, conversei muito com um dos nossos convivas. Para decifrar o enigma, ele seguiu o seguinte roteiro:
  • 1. Há tempos a velha mídia aboliu qualquer escrúpulo, qualquer limite. Então tem que ser o episódio mais ignóbil possível, aquele campeão, capaz de envergonhar a velha mídia por décadas mas fazê-la acreditar ser possível virar o jogo. Esse episódio terá que abordar fatos apenas tangenciados até agora, mas que tenham potencial de afetar a opinião pública.
  • 2. Nas pesquisas qualitativas junto ao eleitor médio, tem sobressaído a questão da militância de Dilma Rousseff na guerrilha. Aliás, por coincidência, conversei com a Bibi que me disse, algo escandalizada, que coleguinhas tinham falado que Dilma era "bandida" e "assassina". Aqui em BH, a Sofia, neta do meu primo Oscar, disse que em sua escola - em Curitiba - as coleguinhas repetem a mesma história.
As diversas pesquisas de Ibope e Datafolha devem ter chegado a essa conclusão, de que o grande tema de impacto poderá ser a militância de Dilma na guerrilha. A insistência da Folha com a ficha falsa de Dilma e, agora, com a ficha real, no Supremo Tribunal Militar, é demonstração clara desse seu objetivo. Assim como a insistência de Serra de atropelar qualquer lógica de marketing, para ficar martelando a suposta falta de limites da campanha de Dilma – em cima de um episódio que não convenceu sequer a Lúcia Hipólito.
Aliás, o ataque perpetrado por Serra contra Lúcia – através do seu blogueiro – é demonstração cabal da importância que ele está dando à versão da falta de limites, mesmo em cima de um episódio que qualquer avaliação comezinha indicaria como esgotado.
A quebra de sigilo é apenas uma peça do jogo, preparando a jogada final.
A partir daí, meu interlocutor passou a imaginar como seria montada a cena.
Provavelmente alguém seria apresentado como ex-companheiro de guerrilha, arrependido, que, em pleno Jornal Nacional, diria que Dilma participou da morte de fulano ou beltrano. Choraria na frente da câmera, como o José Serra chora. Aí a reportagem mostraria fotos da suposta vítima, entrevistaria seus pais e se criaria o impacto.
No dia seguinte, sem horário gratuito não haveria maneiras de explicar a armação em meios de comunicação de massa.
Será um desafio do jornalismo brasileiro saber quem serão os colunistas que endossarão essa ignomínia – se realmente vier a ocorrer -, quem serão aqueles que colocarão seu nome e reputação a serviço esse lixo.
Essa loucura - que, tenho certeza, ocorrerá - será a pá de cal nesse tipo de militância de Serra e de falta de limites da mídia. Marcará a ferro e fogo todos os personagens que se envolverem nessa história. Incendiará a blogosfera. Todos os jornalistas que participarem desse jogo serão estigmatizados para sempre.
Todas essas possibilidades são meras hipóteses que parte do pressuposto da falta de limites total da velha mídia.
Mas a hipótese fecha plenamente.
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Não é outro o motivo das correntes de e-mail que tem sido bombardeadas diuturnamente na rede contra Dilma: preparar o terreno para alguma ação de grande alcance, provavelmente no Jornal Nacional. Ou seja, quando a bala de prata for disparada funcionará como uma espécie de confirmação. Registro que muita gente recém-chegada ao mundo da rede devota profunda credibilidade à palavra escrita e, por não encontrar na rede fontes de desmentido, tende a acreditar que “onde há fumaça há fogo”. Estranho, portanto, que a campanha de Dilma não tenha preparado algum tipo de vacina preventiva contra as mentiras.

É óbvio que não sabemos exatamente o que vai acontecer, nem quando. Como tem sido assim na história das eleições brasileiras, tudo indica que acontecerá de novo.

O que me leva à pergunta seguinte: qual deve ser a consequência para a concessão pública de rádio ou de TV que embarcar na disseminação da mentira? Uma campanha para o cancelamento de assinaturas (das publicações das Organizações Globo), apoiada pelas centrais sindicais, pelos movimentos sociais e pela blogosfera? Uma campanha  de boicote aos anunciantes, patrocinada pelas centrais sindicais, pelos movimentos sociais e pela blogosfera? Ações coletiva na Justiça? Punição, dentro das regras já existentes, às concessões que praticarem crimes eleitorais?

Deixo a questão em aberto para que vocês reflitam e façam sugestões. Vou sugerir ao Altamiro Borges, do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé, que pense em articular algum movimento coletivo que deixe claro, desde já, que tentativas de fraude eletrônica antecipada das eleições de 2010 terão consequências práticas aos que forem patrocinadores dela.



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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Entendendo o porquê da mídia nativa, o PIG, ser golpista

Redistribuição da verba fez mídia paulistana cair no colo do PSDB/DEM




30/08/2010
do Émerson Luís,
no Nas Retinas
Via Blog Vi o Mundo




É fácil entender o esforço da mídia paulistana em defender a candidatura tucana com unhas e dentes no Estado de São Paulo. Me atenho aqui a SP, apesar da mídia carioca ter ido pelo mesmo rumo, porque o estado vive a “bolha de imprensa”. Qualquer opinião contrária ao estado tucano é amplamente abafada na mídia, fazendo com que a população se mantenha com viseiras de cavalo, quase que em catarse.

De 2003 até agora o governo Lula começou um processo de regionalização da verba publicitária gerenciada pela Secretaria de Comunicação, a Secom. Ou seja, o dinheiro que antes era destinado somente para os veículos de rádio, TV, jornal e revista das grandes capitais, principalmente São Paulo e Rio, começou a ser redistribuído para veículos do interior do país. É o processo de isonomia, como pediu Mino Carta. Em 2003 o governo federal anunciou em 270 emissoras de rádio. Em 2009 foram 2.809 rádios. Jornais, no mesmo período, saltaram de 179 para 1.883. Veja tabela abaixo. Os dados são da Secom e, portanto, públicos. Basta solicitar, como eu fiz. Clique para ampliar.


O gráfico mostra o aumento no investimento também para TV e revista. Observando a imagem abaixo, separando somente os números de investimento em jornais, pode-se notar realmente como o governo federal provocou a ira dos grandes veículos impressos. A retirada de verba foi significativa de 2007 até 2009. Enquanto a verba direcionada aos jornais do interior subia, diminuia a verba da capital. Em 2007 os jornalões das capitais receberam 6.844.417,8. Em 2008 a verba subiu um pouco, saltando para 7.776.730,2. Por fim, em 2009, a verba despencou para 3.939.348,0. No mesmo ano, os jornais do interior receberam 6.226.047,5. Veja o gráfico completo.


Imaginem vocês se o Mercadante chega ao governo do estado em São Paulo e promove a mesma isonomia do governo federal. A mídia paulista vai à bancarrota. E justamente por isso se agarraram nos calcanhares do PSDB e DEM, que é garantia de escoamento de anúncios e convênios de assinaturas de jornais para escolas. A leitura dos jornais despenca. Os números de assinantes são inflados constantemente com a distribuição gratuita de exemplares para quem nunca assinou ou já deixou de assinar. Admitir queda na circulação significa perder mais dinheiro. Os anunciantes privados não têm piedade e querem resultados.


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sábado, 21 de agosto de 2010

Uma nova ameça à liberdade de informação... novamente contra a Internet...

A ANJ pensando o futuro quer agora controlar a Internet o único espaço que vem desmascarando a grande mídia, hoje mais conhecida como PIG graças às ações dos blogs. Para quem não sabe a ANJ é a representação do PIG


A ANJ (Associação Nacional de Jornais) está negociando com sites agregadores de informação, como Google e Yahoo!, medidas que estimulem os internautas a buscar as notícias diretamente nas páginas on-line dos veículos que as produziram.
[para quem não entendeu a frase anterior: se caso a proposta for aceita quando se for buscar algo no Google por exemplo, este irá direcionar diretamente às "páginas on-line dos veículos que as produziram". Portanto, se você tiver um blog, quando alguém for buscar alguma notícia pelo google, por exemplo, qual seria a chance  de seu blog ser acessado? será que o google abriria mão de apontar o globo on line por exemplo, para que o seu blog fosse acessado?]
 O anúncio foi feito no último dia do 8º Congresso Brasileiro de Jornais, no Rio, pela presidente da entidade e diretora-superintendente do Grupo Folha, Judith Brito, em meio ao debate sobre como garantir o reconhecimento dos direitos autorais e a remuneração do conteúdo de empresas jornalísticas reproduzido por terceiros na web.

Segundo Brito, as negociações estão adiantadas com o Google News e devem ter resultados práticos até o fim deste ano. As medidas incluem a redução do tamanho dos textos exibidos nesses sites e o aperfeiçoamento dos critérios de indexação.

Também está sendo negociada a remuneração dos jornais por meio da colocação de anúncios nas páginas resultantes de buscas de notícias. Além disso, a ANJ estuda criar loja virtual para produtos digitais de associados.

"Nossa meta é buscar formas adequadas de remuneração de nossos conteúdos, para que o jornalismo de qualidade continue a desempenhar o papel que tem e sempre teve em sociedades democráticas", disse, ao abrir a mesa que discutiu "o futuro da mídia digital".
Os participantes da mesa deixaram claro que os jornais e essas empresas estão longe do entendimento completo.

O presidente da Associação Mundial de Jornais, Gavin O'Reilly, conclamou os jornais a não esquecer de que "conteúdo ainda é rei" no jornalismo. Ser capaz de ganhar com ele "é fundamental para sobreviver".

Por isso, disse, deve haver cobrança ativa do pagamento dos direitos autorais do material das empresas jornalísticas, como prevê a Declaração de Hamburgo, proposta por publishers europeus e assinada em 2009 pela ANJ.

Segundo O'Reilly, 1.600 jornais do mundo já adotaram o ACAP (sigla em inglês para Protocolo de Acesso Automático a Conteúdo), espécie de código de barra que pode ser lido por computadores de busca e distingue material passível ou não de ser reproduzido sem permissão. A intenção é levar os sites agregadores a negociar o uso de parte do conteúdo.

"Não significa sempre que precisam abrir o talão de cheques. Mas têm que pedir permissão. Se não o fizerem, vão encontrar cada vez mais conteúdo fechado", afirmou.

Os representantes do Yahoo! e do Google não confrontaram diretamente a legitimidade de cobrança de direitos autorais. Mas disseram que os jornais precisam fazer mais para conquistar um leitor que hoje tem mais opções.

"A busca relacionada à notícia visa facilitar o acesso das pessoas, não se apropriar do conteúdo. Qualquer um que não queira ser incluído pode nos procurar", disse André Izay, presidente do Yahoo! Brasil.

Rodrigo Velloso, diretor do Google para novos negócios na América Latina, afirmou: "Demonizar o Google está na moda, como já aconteceu com a Microsoft. Estamos abertos a discutir direitos autorais, mas vamos trabalhar juntos quando convier aos dois lados".

O'Reilly avaliou que o momento do acerto vai chegar e condenou o que descreveu como tática dos sites de escolher alguns veículos para negociar. "Se eles respeitam o direito autoral, vão ouvir o que as empresas estão dizendo, que precisa haver um diálogo e que não temos só que aceitar o que impõem."

Fonte:
 
Aproveite e leia sobre as armações do PIG, a grande mídia, que foram desmascarados pelos Blogs. Isso é só uma parte, existem muito mais:  

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Brasil cai duas posições em ranking global de internet

Brasil caiu duas posições em um ranking global de condições e uso da internet organizado pelo Fórum Econômico Mundial, com sede em Genebra, na Suíça.

A última edição do ranking e relatório Global Information Technology Report 2009-2010 (Relatório Global de Tecnologias da Informação) foi divulgada nesta quinta-feira e mostrou que o Brasil caiu para a 61ª colocação entre os 133 países participantes.

Apenas quatro economias da América Latina e do Caribe estão listadas entre as 50 primeiras colocadas no ranking. Barbados lidera, ocupando a 35ª posição, seguido pelo Chile (40ª posição), Porto Rico (45ª) e Costa Rica (49ª colocação).

Outro país da América do Sul que está à frente do Brasil é o Uruguai, na 57ª colocação, um dos maiores avanços entre os países da América Latina (pois ocupava a 65ª posição no ranking anterior, de 2008-2009).

Também na região, o México registrou a maior queda, saindo do 67º lugar em 2008-2009 para a 78ª colocação neste último relatório.

Entre o grupo dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil só fica à frente da Rússia (80ª posição). A China está à frente, na 37ª posição, e a Índia ocupa o 43º lugar.

Queda dos EUA

Esta é a nona edição do estudo, reunindo 133 países que representam 98% do PIB global. Neste ano, o relatório destaca a importância das tecnologias de informação como plataforma para um mundo mais sustentável em termos econômicos, ambientais e sociais após uma das piores crises das últimas décadas.

O Índice de Tecnologia de Informação avalia o nível de preparo dos países para usar as tecnologias de comunicação e informação em três áreas: no ambiente regulatório, empresarial e de infra-estrutura destas tecnologias; no preparo dos três principais grupos (indivíduos, empresas e governos) para o uso e aproveitamento destas tecnologias; e na implementação real das últimas tecnologias de comunicação e informação disponíveis.

Pela primeira vez a Suécia ocupa o primeiro lugar deste ranking, derrubando a Dinamarca, que ficou em primeiro lugar nos últimos três relatórios, mas agora caiu para o terceiro lugar. Na segunda colocação ficou Cingapura e em quarto está a Suíça.

Os Estados Unidos tiveram uma queda de duas posições, ficando na quinta colocação em 2009-2010. Países nórdicos como a Finlândia (sexto lugar) e Noruega (décimo), junto com Canadá (sétima colocação), Hong Kong (oitava) e a Holanda (nono lugar), completam os dez primeiros lugares do ranking.

"A maior capacidade da Suécia, de Cingapura e da Dinamarca de implementar as tecnologias de comunicação e informação como plataforma para desenvolver o crescimento econômico sustentável no longo prazo foi construída a partir de premissas semelhantes, relacionadas com a atenção de longa dada de governos e iniciativa privada em educação, inovação, acesso e difusão das tecnologias de comunicação e informação", disse Irene Mia, economista sênior do setor de Rede de Competitividade Global, do Fórum Econômico Mundial.

"O sucesso destes países destaca a importância de uma visão compartilhada destas tecnologias, a adoção de abordagens por todas as partes interessadas da sociedade de um país para aproveitar os avanços das tecnologias de comunicação e informação no cotidiano e como parte de uma estratégia de competitividade mais ampla" acrescentou.


Finlândia

Finlandeses passam a ter acesso a banda larga garantido por lei

A Finlândia tornou-se o primeiro país do mundo a decretar que o acesso a banda larga é um direito básico de seus cidadãos.

A partir desta quinta-feira, 1º de julho, todo finlandês terá, por lei, assegurado o direito de acessar a internet a uma velocidade mínima de 1 megabyte por segundo.

O país se comprometeu a conectar toda a população a uma velocidade de 100 megabytes por segundo até 2015.

Na Grã-Bretanha, o governo prometeu à população uma conexão de até 2 MB por segundo até 2012, mas o acesso não é garantido por lei.

A lei finlandesa obriga todas as empresas de telecomunicação do país a oferecer o serviço aos residentes.

Em entrevista à BBC, a ministra das Comunicações da Finlândia, Suvi Linden, explicou a lógica por trás da legislação:

"Nós consideramos o papel da internet na vida dos finlandeses. Serviços de internet não têm mais a função de apenas entreter".

"A Finlândia trabalhou duro para desenvolver uma sociedade informatizada e dois anos atrás percebemos que nem todos tinham acesso", ela disse.

As autoridades do país estimam que 96% da população já tenha acesso à internet.

Na Grã-Bretanha, o índice seria de 73%.

Uma pesquisa feita pela BBC no início do ano revelou que uma em cada cinco pessoas no mundo consideram o acesso à internet um direito fundamental.

(BBC)



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terça-feira, 29 de junho de 2010

A sociedade exposta em um mundo cada vez menos "privado"

Especialista vê "polícia secreta" na internet

Bancos de dados podem até prever novos casos amorosos, acredita professor

ANDREA MURTA
DE WASHINGTON
Folha de SP

Enquanto os membros do Facebook discutem as minúcias dos controles de privacidade de seus perfis, provedores de serviços on-line seguem silenciosamente construindo dossiês sobre as ações de seus usuários. Para Eben Moglen, professor de Direito na Universidade Columbia (Nova York) e diretor do Centro Legal para Software Livre, a tendência construiu uma "polícia secreta do século 21", que "tem mais dados do que agências de espionagem de regimes totalitários do passado". Moglen diz que é possível até prever quem terá um caso com quem só com base em dados do Facebook.

Folha - Somos nós que estamos nos expondo demais?
Eben Moglen - Não creio. É perfeitamente razoável pensar que o capitalismo do século 21 se baseie na descoberta de uma nova matéria-prima - a informação sobre nossas vidas privadas.

O objetivo de sites como o Google é a reorganização da publicidade para favorecer o consumo em estilo americano. Se você sabe o que as pessoas buscam, pode definir sua publicidade por isso.
E ferramentas como redes sociais [facebook, orkut, blogs, fotologs, sonico,  ...] sabem tudo sobre o consumidor.

As redes sociais espionam deliberadamente?

Sim, esse é seu negócio. A forma que encontraram de ganhar acesso à vida privada é oferecer páginas gratuitas e alguns aplicativos.
É uma péssima troca para o usuário - degenera a integridade da pessoa humana. É como viver num regime totalitário. 

Facebook diz que as pessoas querem compartilhar suas vidas e eles só facilitam.
Sim, é um ótimo argumento. É por isso que a "polícia secreta do século 21" não tortura nem executa, e sim oferece "doces". Nos ensinam a gostar disso.
Quando eu digo que o Facebook é capaz de prever com quem você terá um caso, não é modo de falar.
Em termos técnicos, o Facebook é simplesmente um grande banco de dados. Se dissermos a esse banco de dados: "me dê o log [dado arquivado] de todas as pessoas que checaram algum outro perfil mais de cem vezes hoje", teremos uma lista de pessoas obcecadas.
Mas o site está longe de ser o único - há milhares de bancos de dados na internet. 
[Para mim o maior banco de dados é o dos cartões de crédito, ali ficam registradas todas as compras que o usuário(a) fez e o que foi consumido, a partir dali dá para saber todo sobre ele(a). O que come, o que gosta de vestir, ler, assistir, as viagens ... não esqueçamos outro grande banco de dados que são os bancos]

Mas o Facebook é abertamente sobre exposição...
Toda a internet é sobre exposição. A diferença entre o que você pensa que está publicando e o que está de fato tornando público é na prática muito grande.

Praticamente todos os movimentos [entenda como movimento, cada acesso que você faz na  Internet, até mesmo as buscas feitas no Google] na rede estão arquivados em algum servidor externo, fora do controle do usuário. 
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quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Plano Nacional Banda Larga já começa a dar bons resultados - Foi preciso o governo intervir


Promoção das teles para banda larga “amarra os provedores por três anos”


O presidente da rede nacional de provedores Global Info, Magdiel da Costa Santos, informou que as teles estão oferecendo ao seus associados capacidade de acesso à banda larga por R$ 850 o Mbps, com a condição de que os contratos sejam de três anos. Atualmente, elas cobram o Mbps a R$ 1,5 mil, em média, por um prazo menor. Ou seja, quando o link de internet da Telebrás estiver disponível, os provedores estarão “amarrados” por contratos de fidelidade de longa duração. É a forma encontrada pelos monopólios privados de “concorrer” com a estatal, reativada para gerir o Plano Nacional de Banda Larga tendo como uma das funções ofertar aos pequenos e médios provedores capacidade a R$ 230 o Mbps e estes ao consumidor, por R$ 35 mensais.

“O mercado esquentou, o PNBL já começa a dar bons resultados. Recebemos oferta de duas operadoras acenando com uma redução considerável no valor do Mbps, mas elas agora querem contratos com duração de 36 meses. Normalmente nossos contratos são feitos por 12 meses, máximo de 24”, disse o presidente da Global Info. E acrescentou: “Como associação, vamos ter muita prudência em orientar nosso associado, pois imagine que alguém que hoje pague R$ 1,5 mil por Mbps receba uma oferta para reduzir para R$ 850 por 36 meses. No primeiro momento estaria legal, mas caso a Telebrás cumpra o prometido, o provedor em questão teria feito um péssimo negócio”, avaliou Santos.

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, anunciou na semana passada que no prazo máximo de 60 dias serão publicados os primeiros editais para licitação de compra dos equipamentos para a construção dos anéis Sudeste e Nordeste da rede públicas de fibras óticas.
 
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Chrome - O Sistema Operacional do Google

 Google planeja lançar sistema Chrome no final do ano


02 de junho de 2010 • 11h08 • atualizado às 11h25


O Google planeja lançar seu sistema operacional Chrome "no final do ano," disseSandar Pichai, diretor do projeto Chrome, nesta quarta-feira, para reforçar a competição contra a rival Microsoft e seu Windows.

O sistema Chrome será projetado inicialmente para funcionar em laptops, disse Pinchai a jornalistas durante a feira de computação Computex. "Seremos seletivos quanto à maneira pela qual chegaremos ao mercado porque desejamos propiciar uma ótima experiência ao usuário," disse. "Estamos pensando tanto em termos de hardware quanto de software."

O Google busca desafiar o domínio do sistema operacional Windows, que é utilizado em mais de 90% dos computadores pessoais. A Microsoft se mostrou indiferente aos esforços do Google para desenvolver um sistema operacional de fonte aberta, afirmando que os criadores de software teriam de criar outras versões dos mesmos aplicativos para diferentes marcas.

Pichai contestou a alegação, afirmando que a semelhança no núcleo básico significaria que as empresas de software não precisariam desenvolver uma nova versão para o Chrome.

"O Chrome OS é um dos poucos futuros sistemas operacionais para os quais já existem milhões de aplicativos funcionais," disse Pichai. "Não é preciso mudar o projeto do Gmail para que ele funcione com o Chrome. O Facebook não precisa criar um aplicativo novo para o Chrome", disse ele.

O software de fonte aberta permite que empresas de tecnologia como a Acer desenvolvam versões próprias do sistema utilizando um esqueleto fornecido pelo Google, atendendo suas necessidades próprias.

O sistema operacional Chrome terá como peça central um navegador para web, e todo o software, incluindo aplicativos sofisticados como os usados para edição de fotos e vídeos, será armazenado em servidores externos, a chamada computação em nuvem. "Antecipamos que uma geração de aplicativos, entre eles os jogos, funcione a partir do navegador," disse Pichai.




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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Clubes "desaparecem" em meio a boom na internet

IBGE mostra o retrato dos municípios brasileiros. Veja principais dados

Menos TV e (muito) mais internet. Menos clubes recreativos e mais universidades. Menos livrarias e mais museus e bibliotecas. Em dez anos, os municípios brasileiros tiveram mudanças consideráveis na utilização dos chamados equipamentos culturais e meios de comunicação, de acordo com a mais recente pesquisa sobre o Perfil dos Municípios Brasileiros - Gestão 2009 (Munic), do IBGE.

A análise do percentual das atividades culturais presentes nos municípios mostra crescimento de espaços públicos em detrimento dos núcleos particulares de entretenimento.

Exemplo é que, nesse período, os clubes recreativos, espécies de redutos tradicionais de classe média alta, desapareceram em boa parte do País: eram espalhados em 70,4% dos municípios mas, até o ano passado, estavam presentes em apenas 61,4%. Isso significa que nos últimos anos muitas famílias deixaram de frequentar esses espaços de lazer, esporte e cultura. Com a mudança de hábitos, muitas dessas instituições entraram em decadência e perderam terreno para outros espaços de convivência.

O período coincide com o incremento da classe média brasileira, sobretudo a partir de 2005, e a democratização do acesso à internet. No mesmo período, o acesso à TV aberta diminuiu. Antes presente em 98,3% dos municípios, a cobertura, em 2006, era de 95,2%.

Embora não aponte explicação para a tendência, que deverá ser confirmada nos próximos levantamentos, segundo o próprio IBGE, o estudo mostra crescimento de 239% do número de cidades com provedores de internet. Isso significa que a internet chegou a mais da metade dos municípios (55,6%) brasileiros nesses dez anos. Foi justamente no final dos anos 1990 que o técnico em eletrônica Carlos Fernando Carboni, de 29 anos, trocou o título do clube de onde era sócio e vizinho, em Araraquara (SP), e instalou uma conexão para internet em sua casa. O clube ainda existe, apesar de ter perdido quase metade dos sócios nos últimos dez anos, entre eles a maioria dos amigos de Carboni, que passaram a manter contato por meio de programas de mensagens instantâneas, como na época o ICQ (espécie de precursor do MSN).

“Na época a gente já deixava de lado a prática social e começava a descobrir o mundo virtual. Hoje um dos meus filhos tem mais contato com computador do que com esporte. Com sete anos, já brinca com jogos e participa do Orkut”, diz Carboni, pai também de outro garoto de dois anos. Desde que deixou o clube, juntamente com dois irmãos e os pais, ele conta que praticamente nunca mais voltou ali, embora morasse, até pouco tempo atrás, na esquina do local. No fim de semana, costuma hoje levar a família para passeios na unidade do Sesc da cidade, que não existia há dez anos – na mesma pesquisa o IBGE aponta também maior presença de centros culturais pelo País.

Clique na foto para ampliar

Outro dado apontado pelo Munic é que em dez anos houve queda de 21% do número de municípios com livrarias – eram 35,5% em 1999 e hoje elas só existem em 28%. Os dados, porém, não indicam uma possível retração do mercado editorial do País, mas apontam que outras formas de distribuição, como internet e supermercados, podem ter pulverizado as vendas de livros neste período, segundo o instituto.


Biblioteca Nacional, local - centro do Rio de Janeiro
Foto: Agência Estado Ampliar


Fato é que o crescimento de bibliotecas públicas, impulsionado por uma política de universalização por parte do governo federal, foi de exatos 22,1%. Isso significa que, hoje, 93,2% das cidades brasileiras possuem ao menos uma biblioteca. Houve expansão também no número de cidades com teatros e museus, embora estes só cheguem a 21,1% e 23,3% dos municípios, respectivamente. Já os cinemas estão hoje presentes em 9,1% dos municípios – eram 7,2% há dez anos.

Houve também aumento significativo do número de unidades de ensino superior, que praticamente dobraram entre 2001 e 2008: de 19,6% para 38,3%. A proporção, no entanto, ainda é menor do que a de clubes.

No período os brasileiros tiveram mais acesso, em suas cidades, a atividades esportivas. Em 86,7% dos municípios existem atualmente estádios ou ginásios esportivos, número que era de 65% há dez anos. A tendência, de acordo com o instituto, é que eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas ampliem o número desses espaços nos próximos anos.

Já o número de videolocadoras, presentes em 63,9% dos municípios em 1999, atingiu 82,4% em 2006 e entrou em declínio nos três anos seguintes. Hoje estão presentes em 69,6% das cidades. Segundo o relatório, o fenômeno pode ser explicado em razão da convivência com outras formas de acesso aos vídeos e filmes (televisão por assinatura e internet). A mesma reversão recente ocorre com as lojas de CDs, fitas e DVDs, segundo o estudo.

O estudo aponta que o aumento no número de equipamentos ocorreu principalmente nas áreas mais empobrecidas do País, onde muitos dos municípios não tinham nenhum ou apenas um equipamento cultural: em 1999, 21,7% encontravam-se nessa situação, reduzindo para 5,5% em 2009. Entretanto, aponta o IBGE, “são ainda as regiões mais desenvolvidas onde existe uma maior incidência de infraestrutura cultural, sendo esta incidência também mais significativa nos municípios de maior porte populacional”.

A Munic permitiu identificar, segundo o relatório, uma na infraestrutura cultural que evidencia um “forte traço audiovisual no País”.




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