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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Educação em São Paulo... o Estado dos "jestores"...

FÁBIO TAKAHASHI
FOLHA SP


O número de professores temporários na rede estadual de São Paulo chegou neste ano a 46% do total, a maior proporção desde 2005.

Para pesquisadores, isso tem impacto direto na qualidade do ensino, já que temporários não se fixam nas escolas

No ano passado, o então governo de José Serra (PSDB), hoje candidato à Presidência, anunciou como meta diminuir a taxa para 10% em quatro anos. Àquela época, o número era 42,4%.
Os dados são da própria Secretaria da Educação. Em números absolutos, são hoje 101 mil não efetivos. Um concurso público com 10 mil vagas foi feito em março, mas os aprovados só começarão a trabalhar no ano que vem.
Pesquisadores afirmam que o contingente de temporários tem impacto direto na qualidade de ensino, uma vez que eles tendem a ter uma rotatividade maior nos colégios -os temporários só podem escolher suas escolas depois que todos os concursados já fizeram suas opções.
Os 46% de não efetivos em SP são mais que o dobro da média nacional e superior à Prefeitura de SP (7%).
“A dificuldade quando se troca de escola é que os alunos não conhecem meu jeito e ritmo e eu também não conheço o deles. Essa fase leva tempo”, diz o professor temporário de ciências Vinicius Vasconsellos, 24, que, em seis anos de rede estadual, já lecionou em nove escolas.
A Secretaria da Educação diz que trabalha para diminuir o número de não efetivos -fez dois concursos desde 2007-, mas que, “apesar dos esforços, ainda ocorrem saídas de efetivos [licenças e afastamentos], que são repostas com os temporários”.


FALTA DE INVESTIMENTO
Educadores ouvidos pela Folha afirmam que o Estado já poderia ter diminuído o contingente de temporários.
“Com um mínimo de planejamento, você sabe quantos professores vão se aposentar ou sair da rede e pode planejar concursos”, diz Ocimar Alavarse, pesquisador da Faculdade de Educação da USP e ex-membro da Secretaria da Educação na gestão Gilberto Kassab (DEM) na prefeitura da capital.
Para Alavarse, há a possibilidade de o Estado não acelerar os concursos porque conta com a continuidade da transferência de parte da rede a municípios. “Mas o processo é lento e não há garantias de que vá se efetivar.”
Para o presidente da Udemo (entidade que representa os diretores de escolas), Luiz Gonzaga Pinto, “o Estado só quer saber de economizar”.
Segundo ele, o temporário custa 15% a menos, por não ter alguns benefícios.

Colaborou RAPHAEL MARCHIORI




Fonte do Post:

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Telebrás entrando em ação

Telebrás começa a preparar licitações

26 de julho de 2010

A Telebrás, estatal que o governo reativou para liderar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), foi reativada com o plano de ser a primeira empresa pública do país a fazer valer as prerrogativas garantidas pela Medida Provisória 495, que privilegia a indústria nacional nas compras públicas, mesmo que os preços sejam maiores.

A MP, editada no dia 19, alterou diversos pontos da Lei das Licitações (8.666) e criou uma margem de preferência para "produtos manufaturados e serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasileiras". Essa margem é definida pelo Executivo e não poderá exceder valor 25% superior "ao preço dos produtos manufaturados e serviços estrangeiros". Ou seja, no critério de escolha, a procedência do produto passa a ter peso maior, em vez do menor preço.

Na Telebrás, o recado para o mercado é muito claro: a empresa só vai comprar equipamentos de empresas brasileiras ou de multinacionais que produzam localmente. "Temos um limite de 120 dias para fazer nossas licitações e vamos aproveitar a medida provisória", diz Rogério Santanna, presidente da Telebrás. "Quem quiser vender para o governo terá que produzir e gerar emprego aqui."

A decisão da companhia tem tudo para mexer com os ânimos de muitos fornecedores do setor. Para reativar sua rede de fibra óptica, a Telebrás precisa comprar equipamentos de grande porte que são usados para interligar sua malha de fibra distribuída pelo país. A lista inclui máquinas para suportar e gerenciar o tráfego dos dados que passam pela rede, conhecidos como roteadores e "switches".

Os grandes fabricantes dessas máquinas, no entanto, são multinacionais que hoje não têm fábrica no país. Fornecedores como Cisco Systems, Juniper, Huawei e ZTE - que atualmente dominam a venda de infraestrutura para as operadoras de telecomunicações - têm escritórios de representação comercial e administrativa no Brasil. Na maioria dos casos, seus produtos são importados por revendas especializadas. A medida pode favorecer empresas nacionais como Padtec, Digitel e Datacom.

A Telebrás estará livre para apresentar suas licitações a partir da semana que vem, quando realiza a assembleia que aprovará seu novo estatuto social. No caixa, a empresa tem R$ 284 milhões para comprar infraestrutura. Até início de setembro, ela quer realizar as compras, que serão feitas por meio de pregão eletrônico. Em outubro, se o cronograma não mudar, a Eletrobrás , que controla a rede a ser gerida, deve estar em operação, com a venda de links de internet para provedores de acesso. "Temos a meta de alcançar cem cidades e 15 capitais até o fim do ano, começando pelas regiões Nordeste e Sudeste, e vamos cumpri-la", disse Santanna.

As primeiras licitações são apenas um ensaio do que está por vir. Conforme previsto no PNBL, o Tesouro pretende injetar R$ 1,5 bilhão na Telebrás em 2011 e repetir a dose no ano seguinte. No plano da estatal, o primeiro passo é começar a vender links de internet para provedores de acesso. Hoje, há 1,7 mil provedores no país licenciados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas o número certamente é ainda maior, já que muitos desses provedores sublocam seus links para empresas menores.

Para esses provedores - que vendem acesso à internet ao consumidor final - a Telebrás quer oferecer links a partir de um megabit por R$ 230 mensais. Com um contrato como esse, disse Santanna, um provedor consegue atender até dez clientes residenciais. Hoje, no Brasil, segundo ele, a mesma velocidade do serviço é oferecida pelas operadoras de telefonia fixa por algo entre R$ 400 e R$ 1,5 mil por megabit.

Sobre as críticas que a reativação da Telebrás tem causado, Santanna rebate. "O choro é livre. A realidade é que nós vamos tirar as teles fixas da zona de conforto que elas estão", afirma. "As operadoras não estão sendo ameaçadas pela Telebrás, mas por anos de serviços caros e malprestados aos consumidores. A preocupação delas não é com a gente, é com a vingança dos consumidores." Hoje, há 13 milhões de casas com acesso à internet em banda larga no Brasil. A meta do governo é chegar a 40 milhões de acessos até 2014.
 
Valor Econômico



Fonte:
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Brasil cai duas posições em ranking global de internet

Brasil caiu duas posições em um ranking global de condições e uso da internet organizado pelo Fórum Econômico Mundial, com sede em Genebra, na Suíça.

A última edição do ranking e relatório Global Information Technology Report 2009-2010 (Relatório Global de Tecnologias da Informação) foi divulgada nesta quinta-feira e mostrou que o Brasil caiu para a 61ª colocação entre os 133 países participantes.

Apenas quatro economias da América Latina e do Caribe estão listadas entre as 50 primeiras colocadas no ranking. Barbados lidera, ocupando a 35ª posição, seguido pelo Chile (40ª posição), Porto Rico (45ª) e Costa Rica (49ª colocação).

Outro país da América do Sul que está à frente do Brasil é o Uruguai, na 57ª colocação, um dos maiores avanços entre os países da América Latina (pois ocupava a 65ª posição no ranking anterior, de 2008-2009).

Também na região, o México registrou a maior queda, saindo do 67º lugar em 2008-2009 para a 78ª colocação neste último relatório.

Entre o grupo dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil só fica à frente da Rússia (80ª posição). A China está à frente, na 37ª posição, e a Índia ocupa o 43º lugar.

Queda dos EUA

Esta é a nona edição do estudo, reunindo 133 países que representam 98% do PIB global. Neste ano, o relatório destaca a importância das tecnologias de informação como plataforma para um mundo mais sustentável em termos econômicos, ambientais e sociais após uma das piores crises das últimas décadas.

O Índice de Tecnologia de Informação avalia o nível de preparo dos países para usar as tecnologias de comunicação e informação em três áreas: no ambiente regulatório, empresarial e de infra-estrutura destas tecnologias; no preparo dos três principais grupos (indivíduos, empresas e governos) para o uso e aproveitamento destas tecnologias; e na implementação real das últimas tecnologias de comunicação e informação disponíveis.

Pela primeira vez a Suécia ocupa o primeiro lugar deste ranking, derrubando a Dinamarca, que ficou em primeiro lugar nos últimos três relatórios, mas agora caiu para o terceiro lugar. Na segunda colocação ficou Cingapura e em quarto está a Suíça.

Os Estados Unidos tiveram uma queda de duas posições, ficando na quinta colocação em 2009-2010. Países nórdicos como a Finlândia (sexto lugar) e Noruega (décimo), junto com Canadá (sétima colocação), Hong Kong (oitava) e a Holanda (nono lugar), completam os dez primeiros lugares do ranking.

"A maior capacidade da Suécia, de Cingapura e da Dinamarca de implementar as tecnologias de comunicação e informação como plataforma para desenvolver o crescimento econômico sustentável no longo prazo foi construída a partir de premissas semelhantes, relacionadas com a atenção de longa dada de governos e iniciativa privada em educação, inovação, acesso e difusão das tecnologias de comunicação e informação", disse Irene Mia, economista sênior do setor de Rede de Competitividade Global, do Fórum Econômico Mundial.

"O sucesso destes países destaca a importância de uma visão compartilhada destas tecnologias, a adoção de abordagens por todas as partes interessadas da sociedade de um país para aproveitar os avanços das tecnologias de comunicação e informação no cotidiano e como parte de uma estratégia de competitividade mais ampla" acrescentou.


Finlândia

Finlandeses passam a ter acesso a banda larga garantido por lei

A Finlândia tornou-se o primeiro país do mundo a decretar que o acesso a banda larga é um direito básico de seus cidadãos.

A partir desta quinta-feira, 1º de julho, todo finlandês terá, por lei, assegurado o direito de acessar a internet a uma velocidade mínima de 1 megabyte por segundo.

O país se comprometeu a conectar toda a população a uma velocidade de 100 megabytes por segundo até 2015.

Na Grã-Bretanha, o governo prometeu à população uma conexão de até 2 MB por segundo até 2012, mas o acesso não é garantido por lei.

A lei finlandesa obriga todas as empresas de telecomunicação do país a oferecer o serviço aos residentes.

Em entrevista à BBC, a ministra das Comunicações da Finlândia, Suvi Linden, explicou a lógica por trás da legislação:

"Nós consideramos o papel da internet na vida dos finlandeses. Serviços de internet não têm mais a função de apenas entreter".

"A Finlândia trabalhou duro para desenvolver uma sociedade informatizada e dois anos atrás percebemos que nem todos tinham acesso", ela disse.

As autoridades do país estimam que 96% da população já tenha acesso à internet.

Na Grã-Bretanha, o índice seria de 73%.

Uma pesquisa feita pela BBC no início do ano revelou que uma em cada cinco pessoas no mundo consideram o acesso à internet um direito fundamental.

(BBC)



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quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Plano Nacional Banda Larga já começa a dar bons resultados - Foi preciso o governo intervir


Promoção das teles para banda larga “amarra os provedores por três anos”


O presidente da rede nacional de provedores Global Info, Magdiel da Costa Santos, informou que as teles estão oferecendo ao seus associados capacidade de acesso à banda larga por R$ 850 o Mbps, com a condição de que os contratos sejam de três anos. Atualmente, elas cobram o Mbps a R$ 1,5 mil, em média, por um prazo menor. Ou seja, quando o link de internet da Telebrás estiver disponível, os provedores estarão “amarrados” por contratos de fidelidade de longa duração. É a forma encontrada pelos monopólios privados de “concorrer” com a estatal, reativada para gerir o Plano Nacional de Banda Larga tendo como uma das funções ofertar aos pequenos e médios provedores capacidade a R$ 230 o Mbps e estes ao consumidor, por R$ 35 mensais.

“O mercado esquentou, o PNBL já começa a dar bons resultados. Recebemos oferta de duas operadoras acenando com uma redução considerável no valor do Mbps, mas elas agora querem contratos com duração de 36 meses. Normalmente nossos contratos são feitos por 12 meses, máximo de 24”, disse o presidente da Global Info. E acrescentou: “Como associação, vamos ter muita prudência em orientar nosso associado, pois imagine que alguém que hoje pague R$ 1,5 mil por Mbps receba uma oferta para reduzir para R$ 850 por 36 meses. No primeiro momento estaria legal, mas caso a Telebrás cumpra o prometido, o provedor em questão teria feito um péssimo negócio”, avaliou Santos.

O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, anunciou na semana passada que no prazo máximo de 60 dias serão publicados os primeiros editais para licitação de compra dos equipamentos para a construção dos anéis Sudeste e Nordeste da rede públicas de fibras óticas.
 
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Chrome - O Sistema Operacional do Google

 Google planeja lançar sistema Chrome no final do ano


02 de junho de 2010 • 11h08 • atualizado às 11h25


O Google planeja lançar seu sistema operacional Chrome "no final do ano," disseSandar Pichai, diretor do projeto Chrome, nesta quarta-feira, para reforçar a competição contra a rival Microsoft e seu Windows.

O sistema Chrome será projetado inicialmente para funcionar em laptops, disse Pinchai a jornalistas durante a feira de computação Computex. "Seremos seletivos quanto à maneira pela qual chegaremos ao mercado porque desejamos propiciar uma ótima experiência ao usuário," disse. "Estamos pensando tanto em termos de hardware quanto de software."

O Google busca desafiar o domínio do sistema operacional Windows, que é utilizado em mais de 90% dos computadores pessoais. A Microsoft se mostrou indiferente aos esforços do Google para desenvolver um sistema operacional de fonte aberta, afirmando que os criadores de software teriam de criar outras versões dos mesmos aplicativos para diferentes marcas.

Pichai contestou a alegação, afirmando que a semelhança no núcleo básico significaria que as empresas de software não precisariam desenvolver uma nova versão para o Chrome.

"O Chrome OS é um dos poucos futuros sistemas operacionais para os quais já existem milhões de aplicativos funcionais," disse Pichai. "Não é preciso mudar o projeto do Gmail para que ele funcione com o Chrome. O Facebook não precisa criar um aplicativo novo para o Chrome", disse ele.

O software de fonte aberta permite que empresas de tecnologia como a Acer desenvolvam versões próprias do sistema utilizando um esqueleto fornecido pelo Google, atendendo suas necessidades próprias.

O sistema operacional Chrome terá como peça central um navegador para web, e todo o software, incluindo aplicativos sofisticados como os usados para edição de fotos e vídeos, será armazenado em servidores externos, a chamada computação em nuvem. "Antecipamos que uma geração de aplicativos, entre eles os jogos, funcione a partir do navegador," disse Pichai.




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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Um desabafo em defesa da Telebrás

Jorge da Mota e Silva,


Preliminarmente, registro que, durante cinco anos, cinco meses e cinco dias, me impus silêncio total sobre as críticas infundadas que a mídia nacional publicou e ainda publica contra a Telebrás. Período em que tive a honra e o privilégio de presidi-la. Não ocuparei espaço para relatar o que foi feito durante a minha gestão. Tenho certeza de que serei lembrado pelo que não deixei que fizessem: fechá-la. Lutei quase solitariamente, tive apenas o apoio da diretoria, dos conselhos de Administração, Fiscal e de empregados dedicados.

Só agora, quando deixo a presidência, dou esse grito sufocado por tanto tempo, para repor o verdadeiro papel que teve a empresa ao longo desses 38 anos de existência. A grande transformação das telecomunicações brasileiras deu-se após a sua criação em 1972. As redes de fibras óticas, a criação da Embratel, o uso dos satélites, as transmissões a cores pelas televisões, a modernização do sistema, integrando o Brasil de norte a sul, de leste a oeste, foram conquistas, sim, do monopólio estatal. Muitos de boa ou má fé teimam em dar como exemplo de anacronismo a estagnação da telefonia fixa, fruto de políticas adotadas pelos governos, que para manter o famigerado superávit primário impôs restrições aos investimentos, mesmo que houvesse recursos próprios das empresas estatais.

Mas eis que surgem novamente, com as garras aguçadas, os cavaleiros do apocalipse. Os gênios que criaram o atual modelo das telecomunicações, que um brilhante jornalista classifica de privataria. Não a privatização em si, mas o formato. Quem não se lembra da célebre frase estamos no limite da irresponsabilidade, em conversa gravada entre o então presidente do BNDES e um diretor do Fundo Previ (naquela época já se grampeavam as conversas telefônicas)?

O grande argumento da privataria era a busca da livre concorrência para o setor. A abertura para o capital privado, o melhor para o Estado, os exemplos de outros países etc. Hoje, os arautos do modelo da privatização, quase todos a serviço das teles, como lobistas, consultores ou empregados diretos, ganhando polpudos pro labores, querem mais incentivos do governo para levar aos brasileiros o que já deveriam ter feito ao longo desses 12 anos de gordas tarifas e perdão de obrigações assumidas nos contratos de concessão que não cumpriram. Querem sempre mais. Não bastou a distribuição que receberam, em 1998, de ativos da Telebrás da ordem de R$ 31 bilhões e, mais adiante, quase R$ 8 bilhões em compensações tributárias. Agora querem também ditar as políticas públicas de telecomunicações.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está apenas corrigindo distorções que são flagrantes no atual modelo das telecomunicações, estendendo o braço do Estado a milhões de brasileiros ávidos em participar das conquistas da tecnologia, através do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), a preços compatíveis com as suas condições econômicas.

Não é possível falar de modernização das telecomunicações no Brasil sem desfraudar a bandeira da Telebrás. Tanto é assim que, até hoje, após 12 anos, a Anatel acha imprescindível ao seu funcionamento a permanência de técnicos cedidos pela Telebrás, de reconhecida competência, que prestam relevantes serviços àquela agência reguladora.
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É importante destacar que todo o arcabouço jurídico e legal que criou a Telebrás permanece inalterado. A lei que a criou, em 1972, continua em vigor. Obedece também à legislação que regula as sociedades anônimas, seu estatuto e regimento, possuindo mais de 2 milhões de acionistas, com papéis negociados na Bovespa. Não está incluída no Programa de Desestatização, sob a responsabilidade do Ministério do Planejamento. Ficou todos esses anos sem operacionalidade, fruto do modelo que deixou para a viúva apenas os ossos da privatização, representados pelo passivo judicial das ações nas áreas dos direitos civil, tributário e trabalhista.

Não seria justo terminar sem prestar a minha homenagem ao melhor dirigente que, durante 12 anos, presidiu a empresa e fez o seu logotipo ser reconhecido e respeitado internacionalmente, nas bolsas de valores de Nova York e Frankfurt. José Antônio de Alencastro e Silva será sempre lembrado pelos que reverenciam a honradez e o cumprimento do dever. Prestou grandes serviços ao Brasil, exemplo de dedicação e competência deixado na história das telecomunicações brasileiras.

Começa agora um novo tempo com o Programa Nacional de Banda Larga. A palavra chave é concorrência. Não ao monopólio privado. Essa, a minha delação. O prêmio é a volta da Telebrás.
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segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Plano de Banda Larga e os fabricantes nacionais


Telebras – Tentando desfazer um dos principais equivocos das privatizações.




Fabricantes nacionais formalizam consórcio

Danilo Fariello, de Brasília
Do Valor
10/05/2010

Um grupo de no mínimo oito fabricantes nacionais de equipamentos de tecnologia vai se associar em consórcio para concorrer aos editais que a Telebrás abrirá até o fim do ano para implantar novas redes de banda larga. O Grupo de Empresas Nacionais de Tecnologia (Gente) será oficializado assim que for divulgado o primeiro edital. Por enquanto, ele é composto por Padtec, Trópico, Icatel, AsGa, Gigacom, Datacom, Parks e Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD).

As empresas do grupo querem ganhar musculatura para concorrer com os asiáticos no mercado internacional. Os chineses são, atualmente, os principais fornecedores desse tipo de equipamento no mundo e no Brasil.

“O mundo todo tem projetos de expansão da banda larga e queremos seguir exemplos como o da Embraer para competir no exterior”, diz Raul Antônio Del Fiol, diretor-presidente da Trópico. Os participantes do consórcio têm condições de fornecer 100% dos produtos necessários para as redes, diz o executivo. “Surgimos com a primeira onda de redes feita pela Telebrás, mas, após a privatização do setor, as operadoras usaram poucos produtos nacionais. Agora, na terceira onda, as empresas que sobreviveram têm uma ótima oportunidade.”

Segundo Roque Versolato, presidente da Gigacom, os cerca de 2,5 mil funcionários que as oito empresas reúnem hoje poderá ser triplicado ao longo do Plano Nacional de Banda Larga, que tem prazo até 2014. Para Jorge Salomão, presidente da Padtec, a receita das empresas do grupo, de R$ 1,2 bilhão atualmente, pode triplicar com o projeto. O Brasil é um dos poucos países capazes de construir integralmente essas redes com tecnologia nacional, diz José Lopes, presidente da Datacom.

O grupo Gente reuniu-se com a ministra Erenice Guerra, chefe da Casa Civil, na sexta-feira, em Brasília. Um dos focos do governo, com o Plano Nacional de Banda Larga, é estabelecer uma política nacional de equipamentos tecnológicos. A ideia é usar o poder de compra governamental, via Telebrás, para fomentar a indústria nacional, com o chamado direito de preferência ao produto com tecnologia brasileira. O modelo prevê desconto de 100% do IPI incidente sobre os equipamentos nacionais. Além disso, o BNDES terá uma linha de crédito estimada em R$ 6,5 bilhões para financiar a aquisição de equipamentos com tecnologia nacional.

O governo federal oferece uma série de incentivos tributários e de crédito para as empresas do setor, estabelecidos pela Lei de Informática e pelo Processo Produtivo Básico (PPB), que prevê estímulos à produção nacional. Mesmo assim, o governo estima que, das redes construídas pelas operadoras de redes fixas após o processo de privatização, iniciado em 1998, apenas uma fatia entre 2% e 4% dos equipamentos instalados tenha sido fabricada no país.”
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sábado, 8 de maio de 2010

A privatização da Telebrás - segundo Virgílio Freire

Texto de dezembro de 2009 - Vi o Mundo


Basta! Está na hora do Brasil retomar o que entregou à Telefonica


No final da década de 1990, sob a influência de Margareth Thatcher, Ronald Reagan, e Wall Street, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu privatizar tudo que pudesse, e na sua lista o item mais importante eram as Telecomunicações. Por dar a máxima importância ao assunto, colocou seu melhor amigo e principal colaborador, Sergio Motta, no Ministério das Comunicações, com a principal missão de privatizar a Telebrás. A idéia corrente na época era de que o Estado não tinha condições de investir nem de ser um bom administrador de empresas. Este conceito se mostrou falso na última década.

Antes de prosseguirmos, é importante , muito importante, destruir um mito. O de que a antiga Telebrás e suas subsidiárias eram incompetentes, ineficientes, lentas, burocráticas, e incapazes de prestar os serviços de telecomunicações necessários exigidos por uma sociedade moderna. Mostrarei porque isto não é verdade.

A Telebrás tinha sede em Brasília, e atuava através de subsidiárias, uma em cada Estado brasileiro. Estas operadoras, todas, sem exceção, tinham lucros consideráveis todos os anos . Os balanços anuais da Telebrás e de suas subsidiárias estão nos arquivos dos jornais, da Anatel, do Ministério das Comunicações, e confirmam isso. Com estes lucros, a Telebrás e suas empresas poderiam facilmente investir, implantar novos sistemas e instalar milhões de telefones para os brasileiros. Os recursos, na época, eram da ordem de Bilhões de dólares, nada inferiores aos valores que as operadoras privadas “investem” atualmente (voltarei a este tema mais adiante).

Durante os governos militares, entre 1964 e 1974, nestes vinte anos a Telebrás teve grande autonomia de ação, pois os generais e militares que governavam o Brasil viam as Telecomunicações como um Setor Estratégico para o Desenvolvimento e a Defesa. Quando entrei na Telesp, subsidiária da Telebrás em São Paulo, em 1973, não havia necessidade de “concurso público”, a empresa admitia seus funcionários através de um Departamento de Recursos Humanos, como qualquer outra organização, com base em testes, entrevistas, comparação entre candidatos, etc. Nosso orçamento era administrado pela própria Telesp, e pela holding, a Telebrás, e inteiramente gasto e aplicado dentro do sistema de Telecomunicações.

Quando entrei para a Telesp, o Brasil todo tinha 3 sistemas de Micro Ondas – um ligando o Rio a São Paulo, outro ligando São Paulo a Campinas e um terceiro ligando o Rio a Brasília.

Os militares criaram um fundo para que o sistema de telecomunicações pudesse se expandir, e se manter financeiramente robusto. Era uma taxa, cobrada em todas as contas telefônicas, chamada FNT, ou Fundo Nacional de Telecomunicações. Por lei, este dinheiro, que era de Bilhões de dólares, deveria TODO ser aplicado na expansão, ampliação, manutenção e operação das Telecomunicações do Brasil.

Estes recursos foram aplicados de forma ética e profissional por um grupo de jovens profissionais vindos da universidade na década de 60, e orientados por engenheiros militares – homens sem quaisquer orientação ideológica mesmo naquela época da Guerra Fria – engenheiros, acima de tudo, gente com pós graduação na França, nos Estados Unidos, etc. Entre os anos de 1968 e 1978 o Brasil passou de apenas 3 ligações de micro ondas, para uma rede de torres com alturas de até 100 metros , cobrindo desde Manaus até Porto Alegre, de Corumbá a Natal. Dezenas de milhares de quilômetros de microondas, interligando o país. Implantou-se a Discagem Direta a Distancia, que hoje é considerada corriqueira, mas antes da Telebrás para se falar com outra cidade tinha de ser através da telefonista.

A Embratel, encarregada dos troncos de longa distância, mandou seus engenheiros se especializar no Japão, Estados Unidos, França, Itália. Assim, os recursos do Fundo Nacional de Telecomunicações foram usados da forma prevista em lei, e eficientemente.

Ocorre que nos últimos governos militares, ou seja, dos Generais Ernesto Geisel, João Figueiredo, e posteriormente já sob a presidência de José Sarney, que somam 16 anos (note bem, 16 anos) a Telebrás viveu sob uma série de limitações e restrições. Foi a época da Hiperinflação, em que em apenas um dia a moeda brasileira perdia mais de 1 ou 2% de seu valor. Em um anos a inflação era de mais de 1.000%.

O ministro todo-poderoso na época dos militares era o hoje deputado Antonio Delfim Netto. O Brasil havia contraído pesadas dívidas com bancos estrangeiros, e havia uma enorme pressão do Governo Americano, do FMI, do Banco Mundial, para que esta dívida fosse paga dentro do prazo. E não conseguíamos. Todos os anos renegociávamos a dívida. Deixávamos de pagar, atrasávamos os pagamentos. Delfim, então criou um “Fundão”. Ilegal, mas na época nada que os militares e seus amigos resolvessem era ilegal.

Delfim determinou que os recursos de todos os Fundos setoriais, como era o caso do Fundo de Telecomunicações, fossem diretamente depositados no Fundão, e que não fossem mais aplicados nos setores respectivos. Então, a partir da década de 1980, a Telebrás foi forçada a renunciar aos enormes recursos do FNT, e colocá-los no Fundão. Mas a coisa fica ainda pior. Delfim criou um organismo chamado Secretaria de Controle das Estatais (SEST). A função desta Secretaria era administrar as estatais. Literalmente.

Então, também a partir dos anos 80, a Telebrás todos os anos elaborava seu orçamento de investimentos e de gastos em operação para o ano seguinte, e seu Presidente era forçado a ir negociar estes números com a SEST. Nesta última, quem mandava eram os jovens economistas discípulos de Delfim Netto, preocupados apenas em pagar a famosa Divida Externa, e sem nenhuma sensibilidade para um conceito mais amplo e estratégico de desenvolvimento da infra-estrutura do país, em estradas, transportes, ferrovias (sucatearam toda a rede ferroviária do Brasil) e telecomunicações.

Então, a SEST analisava os planos da Telebrás apenas do ponto econômico, e ainda assim com a estreita visão de verificar o quanto a Telebrás poderia contribuir para a redução da Divida Externa – não comprando equipamentos importados, não gastando em pessoal, etc. O nível de controle central e de opressão da Telebrás pela SEST chegava ao ponto de que qualquer reajuste de salários tinha de ser aprovado pela SEST, qualquer aumento no número de funcionários da Telebrás tinha de também ter sua aprovação, os gastos com operação, com pessoal, com equipamentos, os investimentos em novos sistemas, tudo tinha de ser aprovado pela SEST.

Pense um pouco no martírio que é para uma empresa de alta tecnologia, que tem de atuar em um mercado ágil e em contínua mudança, ter de solicitar à SEST aprovação para aumentar o numero de funcionários de 50.356 para 51.896, por exemplo – não estou exagerando, estes fatos ocorreram. Nós executivos da Telebrás estávamos constantemente frustrados pela camisa de força da SEST, e impedidos de reagir contra ela – até porque o Presidente da Telebrás era um General (muito íntegro, respeitado por todos, mas nenhum General descumpre uma ordem superior).

E ainda fica pior. Uma vez aprovado pela SEST quanto a Telebrás podia investir, era necessária a aprovação do Congresso Nacional. Me permitam insistir – a Telebrás, em determinado ano, lucrava 4 Bilhões de dólares. Propunha à SEST investir em novos sistema s 2 Bilhões de dólares, por exemplo, a fim de atender à demanda telefônica, que não era atendida. A SEST fazia seus cálculos cabalísticos e informava à Telebrás que só poderia investir um bilhão de dólares.

O restante iria para ao pagamento da dívida externa. A Telebrás obediente mente investia apenas o autorizado, e a demanda ficava não-atendida, as pessoas frustradas, revoltadas, porque devido a esta limitação artificial de recursos e ao fato de não dispor mais do dinheiro do FNT, os prazos para receber uma linha telefônica nova eram de 2, 3 anos. Repetindo: A Telebrás tinha dinheiro e não a deixavam gastar. O sistema telefônico estagnava, e a culpa era atribuída erroneamente à nossa empresa de Telecomunicações.

O orçamento de investimentos já drasticamente reduzido pela SEST era então submetido ao Congresso, que fazia novos cortes. E enquanto o Congresso não aprovasse, a Telebrás não podia investir sequer o que a SEST havia autorizado.

Essas eram as condições de governança da Telebrás. Apesar de seu porte, de ser lucrativa, de ter um mercado ávido, de possuir recursos financeiros e humanos, era impedida de trabalhar como uma empresa, e forçada a funcionar como uma repartição publica.
Os governos civis mantiveram o Fundão, mantiveram o controle da SEST, e a Telebrás continuou engessada, para frustração do público e dos profissionais que nela atuavam, e que queriam atender as necessidades em Telecom do Brasil.

Criou-se então, propositalmente ou não, a imagem de que “O Estado Não Sabe Administrar”. Pelo visto acima, não era uma questão de ser ou não administrada pelo Estado e sim de ter liberdade de funcionar como uma Empresa. Na mesma época, a Petrobras era dispensada destes controles, ou se os havia, ela os ignorava, e continuou se expandindo, no Brasil e no exterior. Prosseguiu nas pesquisas de extração no mar, assinou parcerias com outros países, etc.

Já a Telebrás foi ficando cada vez mais desmoralizada, por se submeter aos cortes e à perda de seu Fundo de Expansão.

Era a década de 80, e a moda eram as privatizações na Inglaterra feitas por Margareth Thatcher, era a implantação do “ Modelo Competitivo” nos Estados Unidos. Ambas as idéias se mostraram inadequadas, e ambiciosas demais. Margareth Thatcher vendeu as ferrovias, as estradas, as telecomunicações, tudo. Ainda durante seu governo houve pelo menos 4 grandes acidentes ferroviários conseqüência de má administração nas ferrovias privatizadas. Já nos Estados Unidos, a filosofia ultra-capitalista do FCC, a Anatel americana, era de que se fossem vendidas licenças para que outras empresas concorressem com as telefônicas do Grupo ATT, também chamado Grupo Bell, a concorrência seria benéfica para o consumidor. Venderam então licenças para operar sistemas de telefonia fixa, celulares, de longa distancia. A concorrência nunca decolou.

Após mais de vinte anos, as novas operadoras não haviam conseguido mais do que 10% do mercado. Simplesmente porque a ideia é inviável. Imagine-se que o governo deseje implantar “concorrência” no sistema de fornecimento de energia elétrica. Venda uma licença para operar a distribuição de eletricidade. A empresa ganhadora da licença teria de fincar milhões de postes, lançar milhões de quilômetros de fios, para poder chegar na sua casa. Evidentemente seria impossível investir tudo isso e ainda ser lucrativa.

O mesmo ocorre em telecomunicações, com raras exceções. É impossível a real competição, porque já existe uma operadora com uma rede imensa de cabos e fios, de sistemas, e quem quiser concorrer vai ter de investir bilhões de dólares, com retorno duvidoso. Por isso a competição não funcionou nos Estados Unidos, nem na Europa, e nem no Brasil.

Aqui, então, surfando na ideologia mundialmente aceita na época de que o Estado é mau administrador e de que “a competição é sempre benéfica para o consumidor” , o governo de Fernando Henrique Cardoso decidiu fazer o que a Inglaterra havia feito – vender a operadora estatal de Telecom e abrir licenças para competidores. Com a venda dos ativos estatais, o governo recebia dinheiro para terminar de pagar a Divida Externa, e com a venda de licenças para outros concorrerem no mercado de Telecom, também recebia polpudos recursos para aplicar onde quisesse. E teoricamente quem comprasse a Telebrás iria usar de seu próprio dinheiro para investir e melhorar as telecomunicações no Brasil.

Vendeu-se então a Telebrás, dividida em quatro partes – a Embratel, que tinha todo o sistema de longa distancia e de transmissão de dados, e a telefonia fixa local agrupou-se em três empresas: uma em São Paulo, a Telesp, outra cobrindo o Sul e o Oeste, e uma terceira cobrindo o Nordeste desde o Espírito Santo até o Amapá.

No caso de São Paulo, venceu o leilão a Telefonica de España. Grandes esperanças, grandes comemorações. Mas logo uma nova realidade desabou sobre a Telesp. Chegaram os espanhóis, inicialmente colocaram um espanhol “grudado” a cada gerente brasileiro. Em seguida demitiram os brasileiros. Hoje não existe na atual Telefonica, ex-Telesp, ninguém com mais de 10 anos de casa. Toda a memória profissional da empresa foi perdida.

Implantaram desde o inicio a famosa “Mesa de Compras”, uma instituição de caráter financeiro extremamente prejudicial à própria Telefonica, mas o sistema vinha sendo usado em Espana, porque não no Brasil? Consiste do seguinte: a empresa faz uma concorrência, como é normal. Convida-se cerca de 5 a dez participantes. Uma analise de preços é feita, bem como uma analise técnica. Escolhe-se o vencedor, com o menor preço e a melhor proposta técnica.

Normalmente o processo de compra terminaria aí, com a assinatura do contrato e implantação do sistema. Mas na Telefonica é diferente.

O processo vai para a mesa de compras, onde os executivos são remunerados em função dos descontos que conseguem. Chamam a empresa vencedora, e comunicam (sim, não negociam, comunicam) que se o vencedor não der um desconto de, por exemplo, 20%, nada feito, o contrato não será assinado. A empresa escolhida preparou a sua proposta com base em dados de custos, de mercado, prevendo certo nível de compras, certo numero de homens-hora de profissionais, etc.

É obrigada a aceitar a redução imposta pela Telefonica, assina o contrato, o espanhol da mesa de compras fica mais rico com um enorme bônus, e o usuário brasileiro é o único prejudicado. A fim de conseguir implantar o sistema pelo novo preço, agora drasticamente reduzido, o fornecedor tem de fazer cortes.

Reduz a qualidade do material, a qualidade da Mão de obra, reduz a confiabilidade dos sistemas, enfim, adapta sua proposta ao que vai receber. E assim a Telefonica foi ao longo destes últimos dez anos expandindo as telecomunicações no Estado de São Paulo, da forma mais barata possível, e com baixíssima qualidade e confiabilidade.

Mas pelo menos os espanhóis investiram, trouxeram dinheiro da Espanha, verdade? Infelizmente não. A Telefonica de Espana não enviou de Madri um único peso ou um único Euro para investir no Brasil. Todo o investimento feito aqui pela Telefonica foi feito usando receitas obtidas aqui mesmo. Ou seja, quem pagou os investimentos – mal feitos – da Telefonica foi o consumidor brasileiro. E os bancos brasileiros, principalmente o BNDES.

Veja bem, vendemos a Telesp aos espanhóis, estes usaram nosso dinheiro para investir, obter lucros enormes que mandam para a Espanha. Além disso criaram um enorme desemprego no setor – a privatização da Telebrás colocou na rua em dois anos nada menos do que 200.000 pessoas. Sim, duzentos mil profissionais foram dispensados. Para dar lugar aos espanhóis ou para fazer economias que no futuro iriam cobrar um pesado preço sob a forma de péssimo serviço, e falhas no sistema.

A Telefonica terceirizou tudo que foi possível, começando pelo atendimento. Vendeu o setor de atendimento à empresa espanhola Atento, de propriedade da Telefonica Espana. Note – de propriedade da Telefonica España. Ou seja, a Telefonica Brasil compra os serviços da Atento, paga pelos serviços, a Atento lucra com eles, e remete seus lucros diretamente para Madri. Terceirizou manutenção de prédios, operação dos sistemas, manutenção, tudo. Os projetos são feitos pelos fornecedores, a engenharia idem.

Não existe na Telefonica hoje um grupo de profissionais de telecom. Ela é nada mais do que a marca. O resto é de terceiros. E mais uma vez feito de forma impositiva e leonina, pois os fornecedores que implantaram os sistemas são chamados e informados de que terão de tirar os defeitos, operar, manter, etc. O fornecedor faz seus cálculos, usando o numero adequado de homens, de veículos, equipamentos de teste, etc. Apresenta uma proposta, e a Mesa de Compras exige –mais uma vez – enormes descontos. O fornecedor tem de ceder, mas de novo reduz o numero de pessoas, de veículos, de equipamentos, reduz a qualidade a Mão de obra, faz cortes drásticos para poder cumprir o contrato e ainda ter lucro.

Neste ponto cabe uma pergunta – como pode a Telefonica imaginar que um determinado serviço que ela anteriormente fazia com mão de obra própria, ser feito por uma outra empresa, que ira obrigatoriamente colocar uma margem de lucro, e ainda assim ficar mais barato do que se a operadora o fizesse? Não há lógica.

Não se terceiriza jamais o contato com o cliente. É por isso que as empresas aéreas não terceirizam pilotos e aeromoças. Seria inimaginável. E no entanto fomos levados aceitar como “normal” que um atendimento para uma reclamação de defeito em uma rede de altíssima tecnologia seja feito por uma mocinha que não tem nenhum vinculo com a Telefonica, nenhum interesse em realmente resolver seu problemas, que não tem a mínima ideia do que é o sistema, que foi treinada como um autômato para burocraticamente anotar a reclamação e passar adianta. Cujo tempo de atendimento é rigidamente controlado e não pode superar 90 segundos. Que mesmo para ir ao toalete tem horários determinados. Tudo para que Madri tenha mais lucros.

No último trimestre o faturamento da Telefonica na Espanha caiu 4,2%, enquanto na America Latina cresceu 4,8%. Traduzindo: os cortes de pessoal no Brasil, as economias e cortes de custos que provocam panes e “apagões”, ajudam a aumentar o lucro da Telefonica no mundo. Quem sustenta a empresa somos nós, latino-americanos, e não os espanhóis. Sabe porque? Porque na Espanha ela não poderia tratar o cliente da forma que o faz aqui. O governo espanhol imediatamente trocaria toda a diretoria da empresa.

Mas então, cabe a pergunta: se a Telefonica veio para o Brasil para atender o Estado de São Paulo, não investiu recursos próprios, é campeã de reclamações no PROCON, tem um histórico de falhas, defeitos, panes, inédito em todo o mundo, o que ela está trazendo de positivo para o Brasil? Não traz dinheiro, não traz know-how, piorou os serviços.

Pare um instante, leitor, e honestamente responda: no dia de hoje, quem é melhor administrada: a Telefonica em São Paulo ou a Petrobras?

Quiséramos nós que as telecomunicações em São Paulo tivessem o mesmo nível que a extração, refino e distribuição de combustíveis.
Logo, não é verdade que “O Estado não sabe administrar”. Mesmo com alguma interferência política que sabemos existir, a Petrobras é eficiente, respeitada aqui e lá fora, e não sofre de “apagões” de combustível.

Apenas para reforçar o argumento, e o Banco do Brasil? É estatal, e luta no mercado bancário em condições de igualdade, da lucros enormes e ninguém acusa a diretoria do BB de ser inepta devido ao fato da empresa ser estatal.

Então, esta ideia de que empresa estatal é por definição lenta, obsoleta, com gente preguiçosa e ineficiente, é uma inverdade. Temos de olhar a realidade, sem idéias preconcebidas, e reconhecer que o mundo mudou, Marx está morto mas o capitalismo selvagem também, e que temos de ser criativos e repensar alguns conceitos. E algumas decisões do passado.

Nessa linha, olhando o que a Telefonica de Espana fez no Brasil nos últimos dez anos, me parece que fica claro que não fez nada melhor o nada a mais do que a própria Telebrás teria feito se tivesse a liberdade de que sempre gozou a Petrobras. Se tivéssemos mantido a Telebrás e a liberado para investir seu próprio dinheiro, hoje teríamos uma empresa poderosa, eficiente, uma, brasileira, e certamente atuando com competência no exterior, como é o caso da Petrobras.

Chegou a hora. Vamos aproveitar o momento de transformações por que passa o mundo, o novo status que o Brasil ganha, e o péssimo nível dos serviços da Telefonica, para comprá-la de volta, colocá-la em mãos brasileiras, com gente que tome decisões com base no cliente brasileiro e não com base em aumentar os lucros que manda para Madri. O Brasil todo irá aprovar.
Poucos sabem, mas a Telebrás ainda existe, não foi extinta, permanece como que “em estado de hibernação”. Tem sede em Brasília, com meia dúzia de funcionários que cuidam principalmente de comunicações governamentais.

O contrato de concessão assinado pelo Governo Brasileiro com a Telefonica, no Capitulo XXVIII trata da Extinção da Concessão. Podemos a qualquer momento informar aos espanhóis que nossa paciência se esgotou, que temos gente igual ou melhor do que eles, e que queremos as telecomunicações de São Paulo de volta. Compramos a empresa de volta. Definimos uma forma suave de pagamento. Colocamos gente nossa, do Brasil, comprometida com nossa sociedade, para administrar a empresa. E garanto que os “apagões” nunca mais se repetirão.

Se você acha que este artigo tem lógica, divulgue a idéia. Hoje pode parecer um projeto de difícil implantação, enfrentar a gigante espanhola. Mas Gandhi também tinha um projeto enorme, a liberdade de seu país, e começou com “um partido de um homem só”. Também Martin Luther King.

Se nós quisermos, nós conseguimos.


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Fabricantes de equipamentos se animam com plano de banda larga



“Não existe nada no mundo hoje que se iguale a esse plano para incentivo da indústria local. Foi além da nossa expectativa” 
 Edgar Bortoloni, presidente da Parks


Empresas nacionais projetam que seu faturamento pode mais que triplicar com incentivos do governo

- O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA

As medidas prometidas pelo governo para incentivar a indústria brasileira de equipamentos de redes de telecomunicações devem triplicar o faturamento dos fabricantes nacionais de transmissores, cabos de fibra óptica e modems de acesso a internet. A estimativa é de representantes do setor que estiveram reunidos ontem com a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, para conhecer as diretrizes do Plano Nacional de Banda Larga. O programa prevê um gasto de R$ 6,5 bilhões com a compra de equipamentos para atualizar as redes das estatais que serão usadas no projeto.

Governo lanca Plano Nacional da Banda Larga e quer triplicar acesso
 a internet rapida ate 2014“O plano deve mais que triplicar o faturamento conjunto de todas as empresas. Em alguns casos, pode multiplicar por até seis vezes a receita e quase triplicar o número de empregados”, disse Jorge Salomão, presidente da Padtec, fabricante de sistemas de transmissão de dados, que participou do encontro com a ministra. No Brasil há oito empresas que faturam anualmente R$ 1,2 bilhão e empregam cerca de 2,5 mil pessoas.

Volume. Na avaliação dos fabricantes, o plano, lançado na quarta-feira pelo Palácio do Planalto, vai permitir que as empresas nacionais possam aumentar o volume de produção e se credenciarem inclusive para competir no mercado internacional. “As empresas nacionais vão ter oportunidade de contratar mais gente e fornecer uma boa tecnologia com preço competitivo internacionalmente”, disse Roque Versolato, presidente da Gigacom, que produz rádios transmissores.

A partir de setembro o governo deve lançar os editais de contratação de equipamentos para atualizar e unificar as redes de fibras ópticas que serão utilizadas como infraestrutura principal do projeto. Serão usadas redes da Eletrobrás, Petrobrás e Eletronet.

Segundo Versolato, o volume de compras estimado pelo governo permitirá à indústria nacional alcançar um patamar de produção que garantirá o atendimento da demanda e permitirá a venda de equipamentos com preço mais baixo. “Tendo o volume de produção que nos foi mostrado conseguiremos produzir em larga quantidade produtos com qualidade e gerando tecnologia para as empresas nacionais.”

Há a expectativa de que também haverá demanda para equipamentos na construção ou ligação das redes secundárias, que vão fazer a conexão efetiva com o usuário final. “O programa potencializa um enorme mercado. Quarenta milhões de residências é um senhor projeto”, disse Jorge Salomão, referindo-se à meta do governo.

Edgar Bortoloni, presidente da Parks – que fabrica redes fixas e sem fio – era o mais empolgado com o plano. “Não existe nada no mundo hoje que se iguale a esse plano para incentivo da indústria local. Foi além da nossa expectativa”, disse o executivo.


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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Governo capitaliza Telebras e garante R$ 13 bi para Banda Larga

O Plano Nacional de Banda Larga terá, até 2014, investimentos de cerca de R$ 13 bilhões, anunciou nesta quarta-feira, 5, a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. Deste total, será feito um reforço de capital de R$ 3,22 bilhões na Telebrás, que será a gestora do programa.
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Na terça-feira, a empresa divulgou um fato relevante encaminhado à CVM no qual definiu sua participação no programa. Para capitalizar a estatal, o governo usará recursos do Tesouro Nacional. A empresa, segundo o coordenador dos projetos de inclusão digital do governo, Cezar Alvarez, passará a ter lucro a partir do terceiro ano de operação.

Também serão abertas linhas de crédito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), num total de R$ 7,5 bilhões, em condições favorecidas abaixo das taxas praticadas no mercado. O maior volume de financiamento do BNDES, de R$ 6,5 bilhões, será para aquisição de equipamentos de telecomunicações de tecnologia nacional. A outra linha, de R$ 1 bilhão, será para financiar micro, pequenas e médias empresas de telecomunicações, incluindo as lan houses.

O plano terá desonerações de cerca de R$ 800 milhões, sendo R$ 770 milhões de isenção de PIS/Cofins para modens de acesso à internet. Também haverá desoneração, de R$ 11,36 milhões, da cobrança do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para pequenas e médias prestadoras e de R$ 3,75 milhões, em isenção de IPI, para equipamentos de telecomunicações com tecnologia nacional. Estão sendo estimados ainda investimentos de R$ 1,75 bilhão para pesquisa e desenvolvimento tecnológico, que virão do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).


Reativação da Telebrás

"Efetivamente, a Telebrás está sendo reativada. É claro que dentro de uma modelagem própria, voltada e focada na questão da gestão da banda larga para fazer a gestão dessa rede física", disse a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. "O papel da Telebrás não é substituir ou limitar a iniciativa privada, de forma nenhuma. Ao contrário, o papel da Telebrás é usar a infraestrutura de que a União já dispõe para incentivar a iniciativa privada."

Segundo a ministra, a empresa terá uma estrutura "enxuta" e atuará prioritariamente no atacado, "fornecendo insumo para que tanto empresas pequenas quanto empresas grandes possam prestar o serviço ao usuário final".

40 milhões de novas residências na Internet

A ministra Erenice Guerra afirmou que a meta do Plano Nacional de Banda Larga é atingir, em 2014, 40 milhões de domicílios conectados à internet em alta velocidade. "Nossa meta é quadruplicar o número de conexões em domicílios", disse a ministra, durante entrevista para divulgar o programa. O governo estima que os serviços possam chegar ao usuário final a um preço entre R$ 15 e R$ 35.

Segundo o coordenador dos programas de inclusão digital do governo, Cezar Alvarez, no fim do ano passado havia cerca de 12 milhões de domicílios conectados. Com o preço de R$ 35, se chegaria, até 2014, a 35,2 milhões de domicílios. Esse número poderia subir para 40 milhões de conexões, com produtos mais populares, a um preço de R$ 15, que contariam com desoneração do moden de conexão móvel à internet e isenção do recolhimento para fundos setoriais, como o Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) e o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).

Para o plano de R$ 35, está sendo prevista uma velocidade de conexão de 512 quilobits por segundo (kbps) a 784 kbps. Para o plano de R$ 15, a velocidade máxima será de 512 kbps, mas com limitação para baixar arquivos (downloads)

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Teles querem barrar plano de banda larga

As empresas de telefonia ficaram "decepcionadas" com a divulgação do Plano Nacional de Banda Larga feita ontem pelo Palácio do Planalto e já cogitam recorrer à Justiça para tentar impedir a Telebrás de oferecer o serviço de internet rápida aos usuários finais.

Ontem, enquanto os ministros divulgavam os detalhes do plano, no Palácio do Planalto, os presidentes das grandes empresas de telefonia fixa e celular (Oi, Telefônica, Embratel, GVT, Vivo, TIM, Claro e CTBC) faziam uma teleconferência para discutir a decisão do governo de usar a Telebrás como gestora da banda larga pública.

Segundo executivos ouvidos ontem pela Folha, a reativação da Telebrás uniu tradicionais concorrentes, como Embratel, Oi, Telefônica e GVT, que se sentem igualmente ameaçadas pela perspectiva de terem concorrência estatal no segmento de banda larga.

Anteontem à noite, a Telebrás havia informado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e à Bovespa que integrará o Plano Nacional de Banda Larga e que caberá a ela, entre outras tarefas, implementar a rede privativa de comunicação da administração pública federal e prestar serviço de conexão à internet em banda larga para usuários finais em localidades onde não exista oferta adequada do serviço.

A primeira reação das empresas ao anúncio do plano do governo foi contratar pareceres de advogados renomados sobre a legalidade de a Telebrás oferecer o serviço.

O entendimento delas é que a lei que criou a Telebrás não daria tal cobertura, e a estatal só poderia operar a rede de banda larga com autorização do Congresso Nacional, por meio de uma nova lei.

Para as empresas, a reativação da Telebrás como prestadora de serviço seria uma quebra nos compromissos assumidos pelo governo brasileiro por ocasião da privatização da telefonia, em 1998.

Em nota, o Sinditelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal) disse, ontem, que a inclusão da Telebrás no Plano Nacional de Banda Larga tem de obedecer ao arcabouço legal e que as regras definidas na Lei Geral de Telecomunicações só podem ser alteradas pelo Legislativo.Segundo a entidade, as empresas privadas investiram R$ 180 bilhões no setor, desde a privatização.

As teles justificam o uso do recurso judicial com o argumento de que têm o dever de proteger os interesses de seus acionistas, que estariam sendo ameaçados pelo plano.Elas discordam de que a Telebrás se torne a única provedora de serviço de comunicação para a administração pública direta, que gera uma receita anual de R$ 200 milhões.

Alegam que o provedor deveria ser escolhido por licitação pública e que a Telebrás poderia concorrer, desde que tivesse o mesmo tratamento tributários dado aos demais concorrentes privados.Estado
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Paulo Renato y sus hermanos de España – Relações de um projeto pedagógico


Qual razão para incentivar que os alunos de escolas públicas paulistas estudem a língua espanhola? Para que eles possam participar do esforço pela integração latino-americana, em especial a proporcionada pelo Mercosul.

Mas se o governo do PSDB é declaradamente contrário ao Mercosul, então eles não fazem nada para que a língua dos nossos hermanos seja estudada nas escolas estaduais, certo?

Errado. Para comprovar, o governo de São Paulo está comprando jornais para os alunos estudantes de espanhol. Qual jornal? Argentino, chileno, uruguaio, venezuelano ou paraguaio…? Diários desses países poderiam ajudar na prática da língua espanhola e, também, possibilitar que os estudantes conheçam a realidade dos vizinhos do nosso continente, não é?

Não, claro que não. O PSDB é contra o Mercosul e por isso não assinaria jornais desses países. Então o que fez o governo do PSDB de São Paulo, em especial a Secretaria da Educação? No dia 28/abril/2010 lançou em Diário Oficial a seguinte compra sob o número 15/00024/10/04:


Que bacana. Ou seja, o Sr. Paulo Renato Costa Souza aproveita a boa intenção de introduzir a língua espanhola para fazer mais um bom negócio, semelhante àqueles feitos com a Folha de SP, Estadão, Nova Escola, Fundação Roberto Marinho…

Mas por que o El País e não jornais dos participantes do Mercosul? Porque o PSDB, com seu contumaz elitismo, continua de costas para a América Latina e de olho na Europa e nos EUA. Não que o El País seja um tenebroso jornal, afinal reconheceu Lula e Dilma Rousseff como “Líderes de 2009“, mas qual é o sentido de comprar só ele – e com dispensa de licitação? Será que aí tem coisa?


Amigos y negocios de siempre

Pues veyamos. Lembremos que o El País pertence à Prisa, cuja qual é dona, também, do Grupo Santillana e como já mostramos aqui e no Cloaca News, o grande pensador Paulo Renato Costa Souza, Secretário da Educação do Governo Serra, é Conselheiro Consultivo da Fundação Santillana. Seu escritório, PRS Consultores, fica (ainda? não dá para saber, o site sumiu) no mesmo edifício/14º andar (Av. São Gabriel 201) e dava assessoria à Santillana (entre várias, como a Fundação Lemann, Positivo, Moderna, Gerdau). Assim como outro escritório (de seu filho), a Prismapar, que tem como clientes a própria Santillana, bem como outra editora da Prisa, a Moderna, que por sua vez tem a Avalia Assessoria Educacional, que fica no mesmo edifício/14º andar e é cliente da PRS Consultores (repare atentamente nesta foto institucional). Fato interessante, pesquisas indicam íntima relação do Sr. Paulo Renato e a Avalia, uma instituição especializada na avaliação de escolas e sistemas educacionais das redes particular e pública. Resultado da soma da experiência de instituições de renome como o Grupo Santillana, Fundação Carlos Chagas e a Paulo Renato Souza Consultores… Será que uma coisa teria a ver com a outra?

Acompanhando o incentivo do aprendizado do espanhol da Espanha através dos CEL’s e celebrando a chegada do El País nas salas de aula paulistas, a famosa Rede do Saber – também citada aqui, no espetacular caso arquivado das antenas parabólicas – abraçou o projeto “El País nas Escolas” (registrado em nome da Editora Moderna), sob a tutoria de Elena María Barcellós Morante, cujo vídeo altamente explicativo da teleconferência do dia 20/abril pode ser visto aqui.

Pelo DO ainda não se sabe o preço ou as quantidades a serem adquiridas. Mas pelas imagens sabe-se do plano de enviar 1 exemplar para cada 10 alunos. Também fica-se sabendo que há cadernos do aluno e do professor e que a primeira entrega dos materiais foi em 27 de abril, antes, portanto, da publicação do negócio no DO. Os exemplares deverão chegar às terças-feiras, até novembro/2010. Entretanto, aos 13:48 a primeira professora a falar na teleconferência, após os responsáveis discursarem as maravilhas do projeto, já entrega que não recebeu o caderno do professor; em seguida a justificativa da SEE. De acordo com o regulamento, os alunos deverão produzir um jornal, os melhores serão premiados. Estranhamente, não há qualquer referência sobre a tal premiação no site mencionado, também não há outras informações relevantes do tipo: quem já participou, quantos alunos, os trabalhos realizados, os resultados obtidos; não há qualquer forma de avaliação das metas, não aparece nenhum produto, não há interação. Que projeto é esse, afinal? Temos de nos contentar com o PDF das apostilas do aluno e do professor se quisermos tirar conclusões ínfimas.

Ao dar umas vistas nos valores das assinaturas praticados, juntar com uma estimativa de alunos/CEL’s, analisar os astros etc., concluímos que apostar entre 700 mil e um milhão de reais pode ser quanto a SEE vai gastar na façanha de ensinar espanhol para alunos utilizando jornal + técnicas jornalísticas + exemplares do periódico (+ algumas coisas que nem podemos supor). Pouco dinheiro? Já é um começo.

Vamos aguardar as atualizações em DO.


Outras relações em teia

Em SP esses centros de ensino de idiomas chamam-se CEL’s (Centros de Estudos de Línguas). E em Brasília? Chamam-se CILs (Centros Interescolares de Línguas).

O projeto El País nas Escolas é inédito? Não. Ele já foi inclusive feito no DF, exatos moldes, sendo que em 20/fevereiro/2010 noticiaram pela Secretaria de Educação que o recente vencedor foi o CIL de Sobradinho. Desejamos aos dois alunos vitoriosos boa viagem à Espanha. Aos outros 18 participantes que ficarão, nuestros saludos.

Trata-se, pois, de projeto/concurso pedagógico veterano para vender singelos exemplares do periódico às Secretarias de Educação. Que o diga a Diretora de Relações Institucionais da Santillana/Moderna, Mônica Messemberg Jabour Costa (hoje Messemberg Guimarães), responsável pelos contatos entre governos e prefeituras: sem sombra de dúvidas, sabe tudo do projeto. Ela já foi Secretária Adjunta de Previdência Complementar de novembro de 1997 a março de 1998, no lugar de Carla Grasso (esposa de Paulo Renato, que por sua vez saiu para trabalhar com o empresário Benjamin Steinbruch, na Valepar; atualmente é Diretora-executiva na Vale do Rio Doce). Depois a Sra. Mônica foi Secretária-executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, quer dizer: braço direito de Paulo Renato enquanto ele esteve no poder em Brasília. Parece seguir no ritmo até hoje.

Em tempo¹: quer saber o que pensa o Sr. Paulo Renato Costa Souza sobre ensino de idiomas nas escolas públicas e quais seus enlevos quanto ao tema? Tenha paciência e assista mais esta película institucional cativante – é munição preciosa que não acaba mais.

Em tempo²: Se o El País está na Internet graciosamente, se as escolas possuem salas de informática montadas a preço de ouro com máquinas alugadas da CTIS (inclusive com laptops, de acordo com o edital do contrato), se há alunos monitorando as salas e tudo está em perfeita ordem…, por que fazer assinaturas do jornal? Será que os 92 CEL’s não estão equipados? Eles não funcionam dentro das escolas estaduais?
 

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