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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Os mil doutores da Rede de Biotecnologia

Rede de biotecnologia formará mil doutores no NE


Por Lilian Milena


A Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio) completa seis anos neste mês de setembro com a audaciosa meta de constituir um Centro de Excelência Virtual em Biotecnologia que se torne referência mundial no futuro. Dentre as propostas do sistema, que envolve 31 instituições de ensino e pesquisa dos nove estados da região, mais o Espírito Santo, está a de promover a titulação de doutores nas quatro grandes áreas da biotecnologia: saúde, meio ambiente, indústria e agropecuária.

A primeira turma da pós-graduação da Renorbio ofereceu cem vagas, selecionadas em 2006. Hoje já são mais de 400 estudantes mantidos no curso, com duração de quatro anos. A expectativa é que sejam formados mil doutores pelo sistema nos próximos 10 anos. Segundo a secretária Executiva da Coordenação de Programa de Pós-Graduação, Paula Lenz, dez das 90 teses produzidas pela primeira turma já foram defendidas – as demais deverão ser apresentadas até dezembro – e das dez defendidas, seis já saíram com patentes.

A biotecnologia é responsável por revoluções em todas as atividades humanas que envolvem a manipulação de organismos vivos, com pesquisas em níveis que vão de molecular a nanométrico (medida que equivale a 30 mil vezes o diâmetro de um fio de cabelo). Os estudos nessa área resultaram no desenvolvimento de centenas de medicamentos e diagnósticos, além de hormônios do crescimento, insulina, plantas resistentes e, mais recentemente, organismos transgênicos, plásticos biodegradáveis, biocombustíveis e métodos de biorremediação do meio ambiente – essa última atividade utiliza microorganismos capazes de metabolizar compostos tóxicos em áreas contaminadas. 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A inovação como centro do desenvolvimento

Ao longo das últimas cinco décadas, tirando o grande caos econômico dos anos 80, apenas no governo Fernando Henrique Cardoso abriu-se mão de políticas industriais e de planejamento estratégico para o país.
[Esse é mais um grande motivo de não votar em Serra... ele era o ministro do Planejamento do desgoverno Neoliberal de FHC. Um dos idealizadores das armações e podridões da época. Os "jênios" neoliberais, escolarizados, se recusaram a fazer planejamento estratégico e política industrial para o Brasil. Assista o vídeo abaixo e entenda melhor o que foi a era FHC.]
http://www.youtube.com/watch?v=wZ8DTdVJ-1k



Essa visão de futuro [que FHC se recusou a participar] esteve presente desde os anos 30, quando o Estado brasileiro começou a se organizar; passou pelo pós-guerra, graças às negociações diplomáticas de Vargas; atravessou o governo JK; permaneceu no governo caótico de João Goulart; e se fez presente igualmente no período Campos-Bulhões, que criou as bases para o crescimento brasileiro dos anos 70. [foi renegada nos dois mandatos da era FHC e só voltou com a eleição de Lula, principalmente no segundo mandado de Lula com a Dilma como um dos articuladores do processo]

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Principal escola de pensamento desenvolvimentista da América Latina, a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina) consolidou o desenvolvimentismo como proteção do mercado interno contra competidores externos, processo de substituição de importações etc.

Nos últimos anos, o novo desenvolvimentismo agregou pontos importantes, especialmente na visão sobre inovação e tecnologia.

Para se desenvolver, o país terá que estimular a chamada agregação de valor nos produtos, estimular a inovação, investir em tecnologia – especialmente através do setor privado. Ou seja, instituições de pesquisa, fundações de amplo à pesquisa, universidades, devem produzir e financiar a busca do conhecimento. Mas a verdadeira inovação deve se dar no âmbito das empresas.

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Estudioso consagrado de modelos de desenvolvimento, o economista Glauco Arbix – ex-presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) – publicou trabalho recente historiando esses avanços na visão de inovação

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Segundo o estudo de Arbix, desde os anos 30, as políticas de Ciência e Tecnologia (C&T) estavam focadas prioritariamente na construção, apoio e fortalecimento da pesquisa básica gerada em institutos e universidades – já vista, então, como pré-condição para a industrialização pretendida.

Constata o trabalho que mesmo após as grandes mudanças da economia, ao longo dos anos 90, o setor produtivo continuou visto apenas como receptor do conhecimento produzido e dos recursos humanos treinados pela Universidade. Entendia-se que bastaria o mercado funcionar corretamente para que a busca de ganhos de produtividade impulsionassem a inovação e a tecnologia. [a visão dos neoliberais atrasados, desde Collor a era FHC. Aproveite e leia sobre a moral e a crise, clique aqui]

Lembro-me de uma declaração famosa do ex-Ministro Pedro Malan, de que não haveria a necessidade de investir em tecnologia: bastaria permitir às empresas acesso a equipamentos importados a preços módicos. [Uma visão de subordinação, queriam, e ainda querem, nos relegar a segundo plano na esfera mundial]
http://www.youtube.com/watch?v=r5Czi6kk84o




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Esse quadro começa a mudar no final da década de 1990 – constata o trabalho – e, particularmente, desde 2004, com a nova Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE).

A inovação passa a entrar, então, em posição de destaque no planejamento governamental, especialmente a partir da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e do Plano de CT&I (2008).

A partir daí, "as empresas começaram a ser vistas e tratadas como unidades-chave para a geração de inovações, e a economia tornou-se mais amigável às empresas inovadoras".

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É importante salientar o papel fundamental de Britto Cruz – atual diretor-científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) na consolidação desses novos princípios.


Fonte do Post:

Leia mais do jogo sujo dos Neoliberais:
 Leia um pouco sobre a gestão de Lula:


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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Software Livre para Governos nos EUA

O Brasil foi pioneiro no mundo, com o Portal do Software Publico Brasileiro.

Agora os EUA lançam o Civic Commons, um site para reunir e promover softwares livres para uso governamental.

A idéia é unir esforços, de maneira que a solução feita para um estado ou município possa ser aproveitada em outros. Indo um passo além, as soluções desenvolvidas por um país poderão ser aproveitadas por outros.
 
 
Fonte do Post:

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O cientista e Lula - Ainda sobre Miguel Ângelo Laporta Nicolelis

O texto que segue abaixo é oriundo de um E-Mail que enviei a amigos em outubro de 2008. Eu o estou postando aqui em homenagem a este cientista que muito nos tem orgulhado.
Leia! garanto que não irá se arrepender.

Definição de um gênio que ainda pode dar o primeiro Nobel ao Brasil.

Ele chefia um dos mais avançados laboratórios de neurociência do globo, o da Universidade Duke, na Carolina do Norte. Lá, dá aulas de engenharia biomédica e de neurobiologia e co-dirige o Centro de Neuroengenharia. Seu nome figura constantemente nos bastifores para um prêmio Nobel. Nicolelis pertence a uma seleta lista das 20 personalidades mais importantes para o avanço da tecnologia no mundo elaborada pela Scientif American – em sua especialidade, a neurobiologia, está em 1º lugar.

Liderou o grupo de pesquisadores que registrou a atividade simultânea de 700 neurônios e ficou famoso por fazer com que macacos controlassem com o cérebro braços robóticos, a neuroprótese. Neuroprótese é uma interface cérebro-máquina, fazendo com que primatas movam braços robóticos apenas “com a força do pensamento“. O movimento foi possível com o desenvolvimento de um chip que capta sinais cerebrais e os interpreta segundo modelos matemáticos.

Apesar de já ter iniciado testes em seres humanos, Nicolelis alerta que ainda faltam tempo e estudos para chegarmos ao “ciborgue”. “Quando anunciamos nossos primeiros resultados com macacos, muitas empresas nos procuraram, mas achamos que um acordo comercial é prematuro “

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Entrevista com Miguel Nicolelis: A ciência como agente de transformação


'...conseguimos pegar mil crianças da rede pública, de escolas que as pessoas não davam esperança alguma, colocar em um ambiente de laboratório, de liberdade, de criatividade e mostrar para elas que o céu era o limite...'

Depois de 20 anos nos Estados Unidos, onde foi pesquisar as estripulias dos neurônios, Miguel Nicolelis, um apaixonado pelo Brasil, pela ciência e pelo futebol, voltou à terrinha para disseminar aquilo que desenvolveu por lá. Entre outras coisas a proeza de fazer um robô andar no Japão, a partir da 'força do pensamento' de uma macaca em um laboratório na Carolina do Norte.

Escolheu Macaíba, na periferia de Natal, no Rio Grande do Norte, para implantar um centro de pesquisa plugado nos centros de ponta do mundo inteiro. E, melhor, tocado por jovens neurocientistas que, como ele, estavam fora do país sem conseguir acesso ao sistema acadêmico público. Mais do que isso, agregou a este centro um projeto educacional que envolve mil estudantes de escolas públicas; e de saúde integral à mulher e à criança - gravidez de alto risco, câncer da mulher e problemas de neuropediatria.

Trata-se de embrião do primeiro Instituto de Ciências no país, com o qual ele pretende iniciar uma rede para atender mais de 1 milhão de crianças em diferentes cantos do Brasil. Conta com compromisso e apoio integral do governo Lula. Boas notícias que não merecem atenção da mídia nativa convencional. Na contramão dos maiores periódicos internacionais; estes levaram o assunto para as capas das edições que retrataram a cúpula de Davos, em janeiro último, onde e quando Nicolelis mostrou seu projeto.

Reproduzimos, abaixo, extratos da entrevista que ele, forte candidato ao Prêmio Nobel em sua área, concedeu à Caros Amigos, edição de maio. Um aperitivo das sete páginas de bate-papo inteligente, construtivo, transformador e emocionante. Vale à pena comprar a revista para ler a íntegra. Lição de pertencimento. Antídoto poderoso para, como diria Nelson Rodrigues, 'nosso complexo de vira-latas'.

Pergunta: Quando surgiu a história do Instituto?

Miguel Nicolelis: Sempre tive a idéia de voltar e fazer alguma coisa no Brasil. Era preciso demonstrar que alguém podia fazer ciência fora e trazer de volta. Comecei a ir para o Nordeste. Tinha a sensação de que até o impacto era necessário para demonstrar para o Brasil quão fundamental a ciência é para o desenvolvimento não só econômico, mas principalmente educacional e social.
os exemplos da Coréia, Taiwan: o que mudou esses países foi o redirecionamento do processo educacional. Era preciso ir para um lugar onde cientista nenhum iria, e provar que o talento científico brasileiro existe em qualquer lugar, no Capão Redondo como em Macaíba. O que não existe é oportunidade para esse talento aflorar. Quer dizer, você não oferece ao potencial humano brasileiro nem o método nem as oportunidades para que o método seja aplicado. Para que as pessoas possam perseguir sua imaginação, porque ciência é isso, é ter uma idéia, achar que vai funcionar e ir atrás. Daí que você vê quem é cientista - não é diploma, não é passar na banca, não é ter título. É o cara que tem uma idéia criativa, aplica métodos rigorosos para testar e que persiste. Noventa por cento da ciência é persistência.


Pergunta: Como o pessoal de fora do Brasil enxerga sua experiência aqui no Brasil?
Nicolelis: O pessoal está atônito. Quando apresentei o projeto de Natal em Davos, na Suíça, em janeiro, foi curioso. Estava do lado de colunistas, um deles famoso aqui, ouvindo gente falar do Brasil o tempo inteiro, ia no computador na manhã seguinte, abria nos jornais de São Paulo e ninguém fala nada. Vi um economista argentino falar bem do Brasil. Chorando, emocionado, 'é um exemplo, é um país que está dando um show'. No dia seguinte, não tinha uma palavra. No meu dia, vou falar sobre um projeto educacional, mostrei: 'A ciência não é só para ser feita em universidade, ficar em prédio fechado, é para abrir para o mundo.' Tinha acabado de sair uma carta que assinei com o presidente, primeira vez que um presidente de qualquer país assinou um editorial na Scientific American (clique e leia).

Pergunta: Quem? O Lula?
Nicolelis: É. Não saiu em lugar nenhum. Estava na capa da maior revista de ciência do mundo, o presidente, o ministro da Educação, se comprometendo a levar o currículo de educação científica infanto-juvenil desenvolvido em Natal para 1 milhão de crianças brasileiras. Mostrei as crianças montando robô, usando telescópio, medindo lua de Júpiter.

Pergunta: Lá em Natal?

Nicolelis: Em Macaíba, na periferia de Natal. Foi um choque. Mas só fora daqui saiu nos jornais, saiu na Scientific American, na Science, na Nature, nas grandes revistas do mundo.

Pergunta: Qual é a parte da grande imprensa nisso?

Nicolelis: Ah, omissão. Cheguei à conclusão que, hoje, no Brasil, é difícil falar bem do Brasil. Existe uma cultura de se confundir o país com quem está no governo. E a gente não pode contar boas notícias. É uma coisa meio assustadora. Não consigo entender.

Pergunta: Porque o presidente não é doutor?
Nicolelis: Pode ser. Mas acho que o buraco é mais embaixo: não podia dar certo. O governo dele tinha de ser o pior da história do Brasil. E se você analisar os fatos, friamente e objetivamente, não é. Se você passar duas semanas no interior do Rio Grande do Norte, da Paraíba, é outro Brasil. A gente respira aquele país que, quando eu era criança, me diziam que nunca seria possível se fazer (nesse momento Nicolelis chora).

E é chocante, você só consegue falar sobre isso fora daqui. O Brasil, de certa maneira, carrega hoje a responsabilidade de ser uma das poucas boas esperanças no mundo. De preservar seu ambiente, construir um país honesto, que cresça não à custa de outro, mas à custa de seu próprio trabalho, um país que tem uma democracia explodindo, não? Eu coloquei na minha porta na Universidade de Duke: 95 milhões de votos contados em quatro horas. Qualquer semelhança é pura coincidência. Eu me tornei mais brasileiro vivendo fora daqui. E acho inconcebível que nossas crianças cresçam sem apreciar a diferença entre patriotismo barato e verdadeiro amor pelo Brasil. Têm direito ao acesso à informação legítima, honesta e limpa. Para saber que país é, quais são os problemas, mas quais são as maravilhas do Brasil... (chora novamente).

Tem duas piadas que me deixam possesso. Uma é quando alguém fala, aqui, que 'isto é coisa de primeiro mundo'. Que primeiro mundo? E a segunda é que 'Deus criou esse maravilhoso país, mas deixa ver o povinho que vou pôr lá'. É o ranço do coronelismo. É inserir no genoma nacional o complexo de inferioridade. O Santos Dumont não pensou que era do primeiro mundo quando voou, não pensou no 'povinho', ele foi e fez. E acho que o que nós não sabemos é que existem milhões de outros Brasis que estão se fazendo; está lá em Resende, em Lages, no Seridó, no sertão da Paraíba, em Soares, em lugares que a gente nem considera como parte da gente. E aqui nós não apreciamos isso.

Pergunta: Quando você mostrou o projeto ao Lula?

Nicolelis: Foi genial. Estávamos no meu escritório, na minha casa, assistindo televisão, na Carolina do Norte. Vejo o discurso de vitória de um cara que conheci, rapidamente, que veio da miséria e virou presidente do Brasil, e está anunciando que quer construir outro país. Virei pro Sidarta, cientista meu amigo: 'É agora.' Escrevemos, fizemos contato. Em 2002. Vim em março de 2003 e fui me encontrar com ele em 2004. Declarei a intenção de criar o projeto no lugar em que cientista nenhum iria, e se funcionasse em Macaíba, iria funcionar em qualquer lugar. Trouxe quarenta neurocientistas do mundo inteiro para Natal, para o simpósio que inaugurou a idéia, em fevereiro de 2004. Recebi um convite para ir ver o presidente. Foi emocionante, tinha dado carona para ele uma vez, no Sindicato dos Médicos, quer dizer, um cara que contei piada do Palmeiras e do Corinthians era presidente da República. E ele mandou todo o mundo sair da sala, me deu um abraço e disse: 'Vai em frente que eu estou aqui.' (Nicolelis chora novamente.) E nós fomos em frente.

Pergunta: Governos federal, estadual e municipal, você tem apoio?

Nicolelis: O maior apoio foi do governo federal, mas o mais relevante é que a gente não só conseguiu construir isso, como conseguimos pegar mil crianças da rede pública, de escolas que as pessoas não davam esperança alguma, colocar em um ambiente de laboratório, de liberdade, de criatividade e mostrar para elas que o céu era o limite. E quando vim falar com certas pessoas aqui em São Paulo, falaram: 'Não vai sair nada.'

Pergunta: Pessoas do governo?
Nicolelis: Não, cientistas: 'Você está louco, não tem massa crítica, não vai sair do lugar', e hoje você vê criança que antes queria ser jogador de futebol dizer que quer ser químico. Estão montando robô, outro programando chip, aos 12 anos.

Pergunta: Imagino que o Instituto é mais um mundo mágico.

Nicolelis: Uma menina, quando o presidente foi visitar, ele perguntou: 'O que você acha dessa escola?', a menina 'Que escola?'; 'Essa aqui', e a menina 'não, isso aqui não é escola não, é parque de diversões'.


Entrevista à "Caros Amigos" edição 134.



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Construindo o arquipélago do conhecimento
A globalização de um modelo de desenvolvimento



O PRESIDENTE DO BRASIL Luiz Inácio Lula da Silva assina o plano nacional de desenvolvimento da educação em 12 de dezembro de 2007, em Brasília. Sentados (da esquerda para a direita) estão Miguel Nicolelis, o Ministro da Educação Fernando Haddad e o Ministro do Planejamento Paulo Bernardo Silva.

Nota dos editores: O artigo “A ciência na construção do futuro”, de Christine Soares, publicado na edição de março de 2008 da Scientific American Brasil, descreve um projeto liderado pelo neurocientista Miguel Nicolelis para utilizar a ciência como um agente de transformação sócio-econômica no Brasil. Neste ensaio, Nicolelis explica as origens de sua idéia e como o projeto poderia ser estendido a outros países.

Conceitos-chave

No século 21, o conhecimento inovador e as criações tecnológicas, os produtos mais marcantes do cérebro humano, provavelmente se tornarão as commodities mais valiosas para o estímulo da economia global. À medida que países e empresas multinacionais diversificarem suas estratégias em resposta a uma nova onda de globalização, a competitividade será mantida por aqueles que forem capazes de utilizar de maneira mais eficiente seus ativos tecnológicos e força de trabalho especializada distribuídos geograficamente. Parece plausível, portanto, imaginar que comunidades muito diferentes no mundo todo começarão a juntar esforços para formar parcerias vitais, capazes de competir mais eficientemente pelos benefícios econômicos, políticos e sociais gerados pelo crescimento da indústria do conhecimento. Um exemplo desse paradigma é um projeto em andamento para construir um desses enclaves de conhecimento no Nordeste do Brasil. Potencialmente, é a primeira de muitas ilhas de conhecimento que irão se conectar para formar um verdadeiro arquipélago de conhecimento no mundo.

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Sentado em uma cadeira confortável no canto esquerdo de um palco na ala oeste do Palácio Presidencial, eu mal podia acreditar que aquela cerimônia estava mesmo acontecendo. Ao lado do Ministro da Educação do Brasil, Dr. Fernando Haddad, e de frente para uma platéia que havia estoicamente agüentado um atraso de duas horas, me vi próximo ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto ele anunciava calmamente uma série de importantes decretos.

Era o começo de uma tarde de primavera incrivelmente fresca e politicamente carregada em Brasília. Apesar de seu dia cheio, o presidente parecia feliz em estar ali – particularmente porque suas assinaturas eram saudadas por salvas de palmas e comemorações exuberantes por diferentes participantes, convidados de todos os cantos do país para testemunhar o evento.


Retirado do Scientific American Brasil


Leia mais:


Colhendo os frutos - O cientista e Lula

Nicolelis e o pontapé inicial da Copa

por Luiz Carlos Azenha


Além de ser um cientista brilhante, o paulista Miguel Nicolelis é uma figura rara. Palmeirense doente, aparentemente ele vai trabalhar para um pontapé inicial muito especial na Copa de 2014.

Já o entrevistei algumas vezes, nos tempos da Globo. Outro dia, ouvia a rádio CBN quando o Nicolelis foi entrevistado. A entrevistadora fez o diabo para ele falar mal das pesquisas científicas no governo Lula e ele… nada.

Mal sabia a entrevistadora que o cientista é fã de Lula e que, talvez por ter morado tantos anos nos Estados Unidos, tem um senso de patriotismo extraordinário. Na entrevista disse, sim, que a Ciência no Brasil ainda não tem a prioridade que merece, mas fez questão de ressaltar a qualidade dos cientistas e pesquisadores brasileiros, que fazem muito com pouco.

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Terça-feira, 31 de agosto de 2010 às 17:24

Jogo de abertura da Copa 2014 poderá ter pontapé inicial de tetraplégico

O pontapé inicial do jogo de abertura da Copa de 2014 poderá ser dado por um cidadão brasileiro tetraplégico. O ‘milagre’, afirma o neurocientista Miguel Nicolelis, diretor do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN) no Rio Grande do Norte, será concretizado com a chegada ao Brasil do supercomputador Blue Gene, doado pelo governo da Suíça, que permitirá o desenvolvimento de uma roupa especial pelo consórcio Andar de Novo, formado por Brasil, Suíça, Estados Unidos e Alemanha. Nicolelis esteve com o presidente Lula nesta terça-feira (31/8) em São Paulo para anunciar a novidade e aproveitou para convidá-lo para ser patrono do projeto. “É um momento histórico para a ciência brasileira”, afirmou o cientista.

Segundo Nicolelis, existem hoje cerca de 200 computadores com a capacidade de cálculo do Blue Gene. O Brasil terá, assim, o computador mais veloz do Hemisfério Sul. O equipamento, adiantou, será utilizado não apenas para pacientes potiguares, mas de todo o País.

O computador pesa duas toneladas e chegará ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, seguindo então para Recife e, depois, Natal.


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domingo, 18 de julho de 2010

O poder de criação tecnológica impulsionada pela guerra

O bombardeiro orbital nazista


As V2s caindo sobre Londres eram só o começo. Se os nazistas tivessem se agüentado, bombardeiros voando a Mach 22 devastariam os Estados Unidos do espaço. Assustador? O conceito não é totalmente insano. Esta é a história do Silbervogel de Eugen Sänger.

A Alemanha Nazista pode ter perdido a guerra, mas certamente não por falta de gênios em engenharia. O montante de armas avançadas e conceitos tecnológicos que surgiram durante os 12 anos do Reich de Mil Anos continua a impressionar até hoje. Peças de artilharia de 800 mm? Sim! O mais avançado caça a jato do mundo, míssil de cruzeiro e míssil balístico sub-orbital? Sim, sim e sim!

Por outro lado, veja o que os EUA fizeram: focaram a maior parte de seus esforços em uma única arma avançada, avançando bem além doestágio de conceito. Mas a audácia das armas conceituais alemãs ainda fascina, tal como seus imbatíveis carros de corrida da década de 1930. E a mais viável delas eventualmente se tornou um notável produto, o fogueteSaturno V do projeto Apollo.

O conceito mais impressionante foi o Silbervogel (“Pássaro Prateado”) de Eugen Sänger. Foi um estudo de desenho comissionado pelo Ministério do Ar para resolver um problema apontado por Hermann Göring: o mais poderoso futuro inimigo da Alemanha era protegido pela mãe de todos os obstáculos: o Oceano Atlântico. O Ministério lançou uma iniciativa com o nome Amerika Bomber e colocou todo o gênio criativo alemão para trabalhar.

A maioria dos conceitos apresentados ao Ministério eram de bombardeiros convencionais ampliados, mas não o pássaro de Sänger. Ele era membro de uma sociedade de projetistas de foguetes chamada Verein für Raumschiffahrt – assim como a maioria dos que mais tarde foram parar na NASA e construir os foguetes americanos – e seus olhos estavam no espaço sub-orbital, como expresso em seu livro de 1933 “Raketenflugtechnik” (“Tecnologia de Voo de Foguetes”). Ao trabalhar para o Ministério, ele expandiu o livro em 1944, com o título Raketenantrieb für Fernbomber(“Propulsão de Foguetes para Bombardeiros de Longo Alcance”).

O Silbervogel era um avião a foguete com um corpo de ascensão. E se contarmos o número de bem-sucedidos aviões a foguete e corpos de ascensão construídos nos 70 anos seguintes, você pode imaginar onde isso vai parar.

As absolutamente audaciosas missões seriam lançadas da própria Alemanha. Encaixado na cabeceira de um trilho de 3 quilômetros, o Silbervogel aceleraria até 1.900 km/h em um trenó propulsionado por um conjunto motores de foguete. Uma vez no ar, dispararia seus próprios foguetes e queimaria as 90 toneladas de combustível que preenchiam a maior parte de sua fuselagem esguia e prateada para atingir Mach 30 a uma altitude de 150 quilômetros.

O lançamento seria a parte fácil.

A parte difícil era lá em cima, em sub-órbita. Em seu caminho para Nova Iorque, a aeronave começaria a cair. Contudo, seu corpo foi desenhado para gerar sustentação. A ideia era que ao atingir-se as camadas mais densas da estratosfera, o Silbervogel quicaria de volta para o espaço, como uma pedra lançada na superfície de uma lagoa. Numa série de quicadas gradualmente mais fracas, atingiria facilmente o continente norte-americano, despejando sua carga de quatro toneladas – preferencialmente nuclear – no alvo escolhido, e então planaria para pousar numa área do Pacífico controlada pelo Japão.

Embora superficialmente viável, houve um pequeno erro de cálculo nos últimos estudos do trabalho de Sänger: o fluxo de calor gerado teria sido significativamente maior do que o estipulado em seu livro, essencialmente resultando em seu glorioso pássaro queimando até virar cinzas no primeiro salto estratosférico; um Ícaro ao contrário.

O projeto foi cancelado após a Alemanha ver-se em apuros com um inimigo bem mais próximo que a distante América: a União Soviética. E enquanto as armas soviéticas estavam longe de estar no mesmo patamar dos protótipos alemães, Stalin acreditava que a quantidade era uma qualidade em si.

O líder soviético mais tarde aprenderia sobre o Silbervogel em documentos capturados do centro espacial alemão em Peenemünde, e lançou uma fracassada campanha para recrutar Sänger para trabalhar na União Soviética. Ao invés disso, o conceito Silbervogel foi parar na Força Aérea Americana. No começo dos anos 1960, a Boeing desenvolveu o X-20 Dyna-Soar, um corpo de ascensão similar ao Silbervogel, que seria lançado ao espaço em um foguete Titan III. Em 1963, foi cancelado como seu primo alemão, sendo vítima do processo que alocou todas as atividades espaciais humanas para a NASA, que conduzia projetos bem diferentes na época. Mas quase uma década depois, o sonho de Sänger de uma aeronave aerodinâmica de reentrada se realizou na forma do Ônibus Espacial, ativo até hoje.

Quanto a Sänger, ele viveu na França por alguns anos após a guerra, e então retornou para sua nativa Alemanha para trabalhar em ramjets evelas solares até sua morte em 1964. Não era um homem para deixar uma guerra perdida acabar com sua imaginação.


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Quem tem engenheiros pode estar no século 21 mesmo estando na década de 30. É curioso ver como os EUA copiaram conceitos de engenheiros alemães e os utilizam até hoje, mais de 50 anos depois, como se pode ver no recente voo do X51A:

NASA testa nova versão de avião hipersônico

Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/05/2010

Avião hipersônico faz demonstração histórica

O X-51A Waverider fez o primeiro de uma série de quatro voos para testar um motor hipersônico. Esse novo tipo de motor é projetado para surfar em sua própria onda de choque, acelerando até seis vezes a velocidade do som.[Imagem: U.S. Air Force]





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Leia também:


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quinta-feira, 8 de julho de 2010

O império contra-ataca - O Jogo Político da Microsoft

Jogo político da Microsoft no Brasil



Esta notícia está circulando nos blogs internacionais de software livre:


"Basicamente, o Sr. Ballmer visitou todos os estados onde o governador é do PSDB, um partido de oposição ao PT de Lula (Partido dos Trabalhadores) e fizeram acordos para fazer EDGI sobre estes estados. (não acredita? clique aqui)

"Basicamente, esta é a história. Enquanto o governo federal apóia o Linux, Ballmer fez alianças nos estados controlados pelo partido rival para atrapalhar ... Linux nas escolas, uma vez que as escolas tem computadores doados pelo governo federal com o Linux. "

Tradução do Google:

Original, em inglês:

Leia também:

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Chrome - O Sistema Operacional do Google

 Google planeja lançar sistema Chrome no final do ano


02 de junho de 2010 • 11h08 • atualizado às 11h25


O Google planeja lançar seu sistema operacional Chrome "no final do ano," disseSandar Pichai, diretor do projeto Chrome, nesta quarta-feira, para reforçar a competição contra a rival Microsoft e seu Windows.

O sistema Chrome será projetado inicialmente para funcionar em laptops, disse Pinchai a jornalistas durante a feira de computação Computex. "Seremos seletivos quanto à maneira pela qual chegaremos ao mercado porque desejamos propiciar uma ótima experiência ao usuário," disse. "Estamos pensando tanto em termos de hardware quanto de software."

O Google busca desafiar o domínio do sistema operacional Windows, que é utilizado em mais de 90% dos computadores pessoais. A Microsoft se mostrou indiferente aos esforços do Google para desenvolver um sistema operacional de fonte aberta, afirmando que os criadores de software teriam de criar outras versões dos mesmos aplicativos para diferentes marcas.

Pichai contestou a alegação, afirmando que a semelhança no núcleo básico significaria que as empresas de software não precisariam desenvolver uma nova versão para o Chrome.

"O Chrome OS é um dos poucos futuros sistemas operacionais para os quais já existem milhões de aplicativos funcionais," disse Pichai. "Não é preciso mudar o projeto do Gmail para que ele funcione com o Chrome. O Facebook não precisa criar um aplicativo novo para o Chrome", disse ele.

O software de fonte aberta permite que empresas de tecnologia como a Acer desenvolvam versões próprias do sistema utilizando um esqueleto fornecido pelo Google, atendendo suas necessidades próprias.

O sistema operacional Chrome terá como peça central um navegador para web, e todo o software, incluindo aplicativos sofisticados como os usados para edição de fotos e vídeos, será armazenado em servidores externos, a chamada computação em nuvem. "Antecipamos que uma geração de aplicativos, entre eles os jogos, funcione a partir do navegador," disse Pichai.




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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Oportunidades que Paulo Renato desperdiçou

Oportunidades que Paulo Renato desperdiçou


No meu livro “Os Cabeças de Planilha” abordo essa questão da perda de oportunidades no governo FHC. Certamente o MEC de Paulo Renato foi um dos principais centros de desperdício de boas idéias.

Duas informações relevantes, colhidas antes de começar o Brasilianas.org de hoje, confirmam essa percepção.

Hoje em dia, uma das vitrines do governo Lula é o Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).

Atualmente presidente da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior), Jorge Almeida Guimarães relembra que o Reuni se baseou em uma proposta da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), apresentada em 2001 para o Ministro da Educação Paulo Renato de Souza.

Lembrou-se que minha coluna foi a única a sair em defesa intransigente da proposta, tentando sensibilizar o MEC a no mínimo estudá-la com carinho.

A proposta mudava o conceito de estímulo às universidades federais. Criava, como critério de avaliação, a integração com a economia local, o montagem de planejamento estratégico e um conjunto de indicadores novos.

Um dos meus orgulhos jornalísticos foi o email que, na época, recebi de Glacy Zancan – a saudosa presidente da SBPC -, informando que a proposta tinha se baseado em um conjunto de colunas que publiquei algum tempo antes.

Foi das primeiras tentativas que de construção do conhecimento. Pela Folha, desafiei os estudiosos a me enviarem estudos e sugestões para uma reforma da Universidade. Consolidei em uma série de colunas, nas quais se baseou a SBPC para montar a sua proposta.

Bateu em Paulo Renato e voltou. Não houve o menor interesse dele em sequer analisar a proposta. O projeto renasceu com a entrada de Fernando Haddad no MEC. Hoje, se tornou em uma das vitrines do governo federal e ajudou a projetar o nome de Haddad, entre os especialistas, como um dos maiores ministros da Educação da história.

O segundo episódio é o do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, de Miguel Nicolelis.

A primeira tentativa de Nicolelis foi em 2001, também com Paulo Renato. Apresentou a proposta, audaciosa, futurista, e foi tratado com total indiferença. Não conseguiu nada.

A proposta foi encampada por Haddad. Hoje, tornou-se referência internacional e seu criador, Nicolelis, candidato ao Prêmio Nobel.



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segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Plano de Banda Larga e os fabricantes nacionais


Telebras – Tentando desfazer um dos principais equivocos das privatizações.




Fabricantes nacionais formalizam consórcio

Danilo Fariello, de Brasília
Do Valor
10/05/2010

Um grupo de no mínimo oito fabricantes nacionais de equipamentos de tecnologia vai se associar em consórcio para concorrer aos editais que a Telebrás abrirá até o fim do ano para implantar novas redes de banda larga. O Grupo de Empresas Nacionais de Tecnologia (Gente) será oficializado assim que for divulgado o primeiro edital. Por enquanto, ele é composto por Padtec, Trópico, Icatel, AsGa, Gigacom, Datacom, Parks e Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD).

As empresas do grupo querem ganhar musculatura para concorrer com os asiáticos no mercado internacional. Os chineses são, atualmente, os principais fornecedores desse tipo de equipamento no mundo e no Brasil.

“O mundo todo tem projetos de expansão da banda larga e queremos seguir exemplos como o da Embraer para competir no exterior”, diz Raul Antônio Del Fiol, diretor-presidente da Trópico. Os participantes do consórcio têm condições de fornecer 100% dos produtos necessários para as redes, diz o executivo. “Surgimos com a primeira onda de redes feita pela Telebrás, mas, após a privatização do setor, as operadoras usaram poucos produtos nacionais. Agora, na terceira onda, as empresas que sobreviveram têm uma ótima oportunidade.”

Segundo Roque Versolato, presidente da Gigacom, os cerca de 2,5 mil funcionários que as oito empresas reúnem hoje poderá ser triplicado ao longo do Plano Nacional de Banda Larga, que tem prazo até 2014. Para Jorge Salomão, presidente da Padtec, a receita das empresas do grupo, de R$ 1,2 bilhão atualmente, pode triplicar com o projeto. O Brasil é um dos poucos países capazes de construir integralmente essas redes com tecnologia nacional, diz José Lopes, presidente da Datacom.

O grupo Gente reuniu-se com a ministra Erenice Guerra, chefe da Casa Civil, na sexta-feira, em Brasília. Um dos focos do governo, com o Plano Nacional de Banda Larga, é estabelecer uma política nacional de equipamentos tecnológicos. A ideia é usar o poder de compra governamental, via Telebrás, para fomentar a indústria nacional, com o chamado direito de preferência ao produto com tecnologia brasileira. O modelo prevê desconto de 100% do IPI incidente sobre os equipamentos nacionais. Além disso, o BNDES terá uma linha de crédito estimada em R$ 6,5 bilhões para financiar a aquisição de equipamentos com tecnologia nacional.

O governo federal oferece uma série de incentivos tributários e de crédito para as empresas do setor, estabelecidos pela Lei de Informática e pelo Processo Produtivo Básico (PPB), que prevê estímulos à produção nacional. Mesmo assim, o governo estima que, das redes construídas pelas operadoras de redes fixas após o processo de privatização, iniciado em 1998, apenas uma fatia entre 2% e 4% dos equipamentos instalados tenha sido fabricada no país.”
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sábado, 8 de maio de 2010

Fabricantes de equipamentos se animam com plano de banda larga



“Não existe nada no mundo hoje que se iguale a esse plano para incentivo da indústria local. Foi além da nossa expectativa” 
 Edgar Bortoloni, presidente da Parks


Empresas nacionais projetam que seu faturamento pode mais que triplicar com incentivos do governo

- O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA

As medidas prometidas pelo governo para incentivar a indústria brasileira de equipamentos de redes de telecomunicações devem triplicar o faturamento dos fabricantes nacionais de transmissores, cabos de fibra óptica e modems de acesso a internet. A estimativa é de representantes do setor que estiveram reunidos ontem com a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, para conhecer as diretrizes do Plano Nacional de Banda Larga. O programa prevê um gasto de R$ 6,5 bilhões com a compra de equipamentos para atualizar as redes das estatais que serão usadas no projeto.

Governo lanca Plano Nacional da Banda Larga e quer triplicar acesso
 a internet rapida ate 2014“O plano deve mais que triplicar o faturamento conjunto de todas as empresas. Em alguns casos, pode multiplicar por até seis vezes a receita e quase triplicar o número de empregados”, disse Jorge Salomão, presidente da Padtec, fabricante de sistemas de transmissão de dados, que participou do encontro com a ministra. No Brasil há oito empresas que faturam anualmente R$ 1,2 bilhão e empregam cerca de 2,5 mil pessoas.

Volume. Na avaliação dos fabricantes, o plano, lançado na quarta-feira pelo Palácio do Planalto, vai permitir que as empresas nacionais possam aumentar o volume de produção e se credenciarem inclusive para competir no mercado internacional. “As empresas nacionais vão ter oportunidade de contratar mais gente e fornecer uma boa tecnologia com preço competitivo internacionalmente”, disse Roque Versolato, presidente da Gigacom, que produz rádios transmissores.

A partir de setembro o governo deve lançar os editais de contratação de equipamentos para atualizar e unificar as redes de fibras ópticas que serão utilizadas como infraestrutura principal do projeto. Serão usadas redes da Eletrobrás, Petrobrás e Eletronet.

Segundo Versolato, o volume de compras estimado pelo governo permitirá à indústria nacional alcançar um patamar de produção que garantirá o atendimento da demanda e permitirá a venda de equipamentos com preço mais baixo. “Tendo o volume de produção que nos foi mostrado conseguiremos produzir em larga quantidade produtos com qualidade e gerando tecnologia para as empresas nacionais.”

Há a expectativa de que também haverá demanda para equipamentos na construção ou ligação das redes secundárias, que vão fazer a conexão efetiva com o usuário final. “O programa potencializa um enorme mercado. Quarenta milhões de residências é um senhor projeto”, disse Jorge Salomão, referindo-se à meta do governo.

Edgar Bortoloni, presidente da Parks – que fabrica redes fixas e sem fio – era o mais empolgado com o plano. “Não existe nada no mundo hoje que se iguale a esse plano para incentivo da indústria local. Foi além da nossa expectativa”, disse o executivo.


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quarta-feira, 5 de maio de 2010

A internet pode sofrer pane hoje, 5 de maio de 2010

Você sabia que no dia 5 de maio de 2010 sua internet, e de muitas pessoas ao redor do mundo, pode ficar fora do ar por algumas horas? Calma, não é o fim do mundo, apenas uma atualização de 13 backbones para que cada DNS agora tenha uma assinatura digital, dando maior certeza ao usuário de que o endereço retornado pelo backbone é realmente o que foi solicitado….

Em um primeiro momento essas assinaturas não passarão de mensagens bobas e serão utilizadas apenas para a realização dos primeiros testes em grande escala. A partir de 1º de julho, no entanto, as assinaturas passarão a ter validade real.

Explicando um pouco mais


No dia 5 maio, várias autoridades mundiais da internet (ICANN, governo estadounidense e a VeriSign) completarão a primeira fase do DNSSEC (Domain Name System Security Extensions) através de 13 backbones.

O DNSSEC foi desenvolvido para diminuir o número de ataques do tipo “homem no meio”, no qual hackers interceptam os requerimentos de abertura de uma página da web e respondiam essa mensagem com endereços falsos, o que levava o usuário até uma falsa localização.

E qual o problema com isso?

O problema é que o novo protocolo precisará carregar, além da mensagem, a assinatura do DNS. Com isso, o tamanho do pacote que será transportado vai aumentar de 512 Bytes para 2 KB.

Em alguns equipamentos de rede mais antigos (roteador, switch), qualquer mensagem maior do que o tamanho padrão é bloqueada pelas configurações padrão de fábrica, uma vez que um pacote maior do que 512 Bytes é considerado uma anomalia na rede.

O que fazer?

Para que esses pacotes de maior tamanho não sejam rejeitados, é preciso reconfigurar os roteadores a fim de que eles aceitem mensagens maiores. Mas calma, não é o seu roteador, mas sim os da empresas que prestam serviços de banda larga e são as responsáveis por “cuidar” das internet nos países.

O que vai causar a pane temporária, na realidade, é o delay entre o envio do novo pacote e a reconfiguração dos roteadores. Especialistas afirmam que, aqueles que utilizam banda larga de grandes empresas não têm muito com o que se preocupar, pois a maioria delas já está ciente do novo padrão e conta com uma equipe especializada para reconfigurar os roteadores o mais rápido possível.

Já os usuários que fazem uso dos serviços de internet de empresas pequenas podem ter um pouco de dor de cabeça, pois elas podem levar algum tempo até descobrir o motivo pelo qual a internet de seus usuários parou de funcionar.

O fato é que se no dia 5 de maio você ficar sem internet por algumas horas, não há muito com o que se preocupar. Agora que você já sabe o que vai acontecer, e porquê, não vai ser preciso congestionar as linhas de atendimento da empresa de banda larga.

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sábado, 1 de maio de 2010

Made In Brazil - Do IBGE para o mundo

Brasil exporta Censo e PIB

China enviou 22 técnicos ao IBGE para aprender cartografia digital, enquanto modelo de cálculo do PIB é exportado à América Latina

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro | 26/04/2010 05:41

O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes, evita dizer que o Brasil se tornou referência internacional na elaboração de pesquisas. Mas o fato é que, nos últimos tempos, um número maior de países têm solicitado apoio do órgão para construir suas estatísticas. O instituto vai exportar técnicas usadas no Censo de 2010 para o Iraque, Angola e Senegal. Na América Latina, o IBGE já é modelo no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre outras frentes de atuação, o IBGE já presta suporte formal para o censo de Cabo Verde, numa iniciativa que conta com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Em março, o instituto doou 150 minicomputadores, chamados de PDA (Assistente Pessoal Digital), ao instituto de estatística do país africano, para a realização da pesquisa que acontece neste ano, assim como no Brasil. Também treinou funcionários da instituição para o uso dos equipamentos.

Além do convênio de cooperação firmado com Cabo Verde, o IBGE realizou intercâmbios informais com Paraguai, Guiné-Bissau, Moçambique e China. Todos estes países trocaram informações com o Brasil para construir suas pesquisas de contagem da população.

“Há algumas áreas nesse campo de elaboração do censo nas quais o Brasil está muito avançado e é até uma referência”, afirma Nunes. “Mas apenas em algumas áreas, a exemplo do uso de tecnologias inovadoras, como o uso de GPS na combinação de informações.”

O apoio do IBGE aos estrangeiros, no entanto, vai além do uso da tecnologia. Institutos de pesquisa têm recorrido ao IBGE para aprender métodos de desenho de mapas, por exemplo. A China enviou 22 técnicos ao Brasil para conhecer o trabalho de base cartográfica digital do IBGE.

No ano passado, Argentina, Uruguai e Chile também enviaram técnicos a Rio Claro (SP) para aprender com a realização do censo experimental, prévia da pesquisa que o IBGE realizou para testar as novidades do Censo de 2010.

Os institutos de pesquisa que requerem apoio do Brasil para a construção de metodologias solicitam suporte diretamente do IBGE ou recorrem a organismos multilaterais, como a ONU. Outra porta de acesso ao IBGE é o Ministério das Relações Exteriores, que também serve de ponte entre o órgão e institutos de pesquisa de outros países.


PIB made in Brazil

O IBGE se prepara para ajudar países da América Latina a modernizar o cálculo do PIB. Bolívia, Peru e Equador solicitaram suporte do instituto nesta tarefa. O Brasil, por sua vez, aprendeu com a França as novas metodologias que servem de padrão internacional. Durante dez anos, técnicos do IBGE estudaram a metodologia adotada hoje na formulação do PIB.

O coordenador de Contas Nacionais, Roberto Olinto, que comanda a realização o PIB, afirma que o IBGE recebeu a visita de técnicos da Nicarágua, Honduras e Cabo Verde e Paraguai nos últimos anos. Todos em busca de técnicas mais modernas de elaboração do PIB. “O sistema de Contas Nacionais no Brasil é avançado porque aprendemos o que é referência internacional”, diz Olinto.

Um dos objetivos dos países latino-americanos é padronizar as estatísticas. Os países do Mercosul têm se reunido periodicamente para discutir formas de padronização. O número de atividades econômicas publicadas nas Contas Nacionais, por exemplo, é alvo de discussão entre os membros do bloco econômico.



A Microsoft contra-ataca nas Universidades tentando reverter a perda de novos especilistas para o Software Livre

Não faz sentido a Universidade ensinar a programar em Windows. Estudantes — especialmente de computação — precisam ter acesso a todo o código fonte. O Windows não permite e nunca permitirá a livre transferência tecnológica.

por Foo
do blog Luis Nassif

Presidente da Microsoft critica banda larga e ‘proteção’ ao Linux no Brasil



Steve Ballmer deu palestra para estudantes universitários em São Paulo. No país, executivo mostrou prévia da nova versão do Messenger.

O presidente da Microsoft, Steve Ballmer, criticou nesta quarta-feira (28) a estrutura física da internet brasileira e a posição oficial do governo do país em estimular a adoção de software livre no lugar dos programas Windows e Office, criados pela companhia americana.

Em palestra para estudantes na Universidade de São Paulo, na capital paulista, Ballmer disse que o Brasil pode ser prejudicado na transição da tecnologia para a chamada “computação na nuvem”, na qual os programas dependem de bases de dados hospedadas na internet.

Na segunda-feira, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) classificou a internet brasileira como lenta, cara e mal distribuída. “Espero que o governo entenda que a conexão de banda larga à internet é infraestrutura básica”, afirmou Ballmer, ao ser questionado pelo G1 se os problemas da rede no país atrapalhariam os planos da empresa de investir em computação na nuvem.

Sobre a preferência declarada do governo brasileiro a sistemas baseados em software livre, como o Linux, Ballmer disse que gostaria que o Estado adotasse uma posição neutra. “Respeitamos o desejo do governo brasileiro de apoiar a diversidade. Mas a política de apoio ao software livre não é exatamente a que eu gostaria. Preferiria uma posição de neutralidade”, disse.

Nas universidades, no entanto, Ballmer vê um caminho livre para estimular o uso do Windows e da plataforma Office. “Se você estuda para ser um programador, não vejo porque não aprenderia a programar para o sistema que é líder de mercado. E pelo menos 50% dos programadores do Brasil criam software para Windows”.


Novo Messenger

Ballmer aproveitou a passagem por São Paulo para apresentar a nova versão do Windows Live Messenger, serviço de mensagens instantâneas mais popular entre os internautas brasileiros. O sistema vai ganhar funções de rede social.

O novo programa terá também função de chat com vídeo em alta resolução (HD), e se integrará ao Facebook, rede da qual a Microsoft é detentora de 1,6% das ações, compradas em um acordo de US$ 240 milhões em 2007. Será possível visualizar dentro do ambiente do Messenger conteúdo de outros serviços on-line como LinkedIn, MySpace, Twitter, YouTube e Flickr.

O Brasil foi o local escolhido para o anúncio por ser o país com o maior número de usuários ativos do Messenger. De acordo com o diretor geral do grupo de serviços on-line da Microsoft Brasil, Osvaldo Barbosa de Oliveira, 46 milhões de brasileiros utilizam o Messenger. Em todo o mundo, o sistema conta com 320 milhões de usuários. “Hoje, 25% do tempo gasto pelo internauta brasileiro é com o Messenger”, diz Oliveira.

Integrado ao chamado Wave 4, conjunto de aplicativos on-line da Microsoft – que inclui também o e-mail gratuito Hotmail e as ferramentas de edição de foto e vídeo Windows Live Essentials –, o novo Messenger não tem data de lançamento definida.

Ao G1, o diretor da divisão Windows Live, Dharmesh Mehta, afirmou que o programa está em fase interna de testes, que deve ser expandida ao longo do ano. “Os usuários poderão utilizar o novo Messenger ainda em 2010”, diz.


Mudanças

Para quem usa a principal função do Messenger, isto é, trocar mensagens instantâneas, as mudanças serão apenas cosméticas. Agora, o Messenger terá uma melhor integração com o Windows 7, permitindo o acesso a seus contatos prediletos diretamente na barra de ferramentas do sistema operacional. As janelas individuais dos chats agora serão agrupadas em abas, todas numa mesma janela.

Na nova janela social, será possível ver todo o conteúdo enviado por seus contatos para sites como Facebook, Flick e Twitter, por exemplo. É possível filtrar o conteúdo, dando preferência para fotos e textos enviados por seus contatos mais próximos. Mas e o Orkut, rede social da concorrente Google e site preferido do internauta brasileiro? “Queremos trabalhar com todos os sites, se possível. Mas por enquanto (o Orkut) não está integrado”, afirma Mehta.


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