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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A entrevista de Lula à rede TV

A menos de 15 dias de deixar a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que poderá ser candidato novamente ao Palácio do Planalto. Em entrevista ao programa "É Notícia", da RedeTV!, Lula respondeu se voltaria a disputar a Presidência um dia: "Não posso dizer que não porque sou vivo. Sou presidente de honra de um partido, sou um político nato, construí uma relação política extraordinária".

Fez uma ressalva: "Vamos trabalhar para a Dilma fazer um bom governo e, quando chegar a hora certa, a gente vê o que vai acontecer".

Na entrevista, que foi ao ar na madrugada de hoje, Lula ainda fez reparos à política de Barack Obama, lembrou momentos ruins do governo, como as saídas de José Dirceu e Antonio Palocci, e defendeu a política econômica.

Volta ao Planalto

"A gente nunca pode dizer não. Eu fico até com medo, amanhã alguém vai assistir à tua entrevista, e dizer que Lula diz que pode ser candidato. Eu não posso dizer que não porque eu sou vivo, sou presidente de honra de um partido, sou um político nato, construí uma relação política extraordinária".
"O Brasil tem uma gama de líderes extraordinários. Tem a Dilma [Rousseff] que pode ser reeleita tranquilamente. Você tem [os governadores] Eduardo Campos, Jaques Wagner, Sérgio Cabral. Tem a oposição do Aécio [Neves, senador do PSDB de Minas]. Tem o [ex-governador José] Serra (PSDB-SP), que diz que ainda vai fazer oposição. O que não falta é candidato. É muito difícil dar qualquer palpite agora".

"Vamos trabalhar para a Dilma fazer um bom governo e quando chegar a hora a gente vê o que vai acontecer".

Crise do Senado


Disse que a crise do Senado, em 2009, foi tentativa de golpe da oposição e que apoiou José Sarney para manter "a institucionalidade".

"O que estava acontecendo ali era uma tentativa de golpe no Senado para que o vice, tucano [Marconi Perillo, de Goiás], assumisse. É lógico, só um ingênuo é que não percebe as coisas".

Dirceu e Palocci

"Na Casa Civil, teve uma dubiedade entre o animal político que o Zé Dirceu era e a necessidade de ser o gerente do governo. Na minha opinião, era peso demais para uma pessoa tocar".

"Devemos muito ao Palocci. Era preciso ser como o Palocci foi naquele primeiro momento. Fiquei nervoso com o Palocci quando, em 2005, a economia caiu muito. (...) Ele reconheceu que houve exagero no endurecimento".

Mantega e Meirelles

Lula disse ser "grato" ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: "Pode ter críticas de que houve erro aqui, demora ali, mas, quando você vai fazer uma síntese, percebe que a fotografia é mais positiva do que negativa".

Mensalão


Voltou a dizer que, quando deixar a Presidência, vai "estudar um pouco o que aconteceu no período". "Não acredito [que houve compra de apoio de parlamentares]".

Diz que foi "lambança eleitoral" e que petistas deveriam ter assumido isso. "Agora, passados cinco anos, de cabeça fria, vou reler a imprensa. Vou ver o que aconteceu em cada jornal, em cada revista, para que a gente possa remontar, [fazer] um juízo de valor do que aconteceu".

Papel de Marisa


O presidente contou que a primeira-dama, Marisa Letícia, "dá palpite" sobre governo. "A Marisa fala das coisas que sente e normalmente tem razão, porque ela fala coisa que o povo pensa".

"Vou dar um exemplo de coisas importante em que a Marisa me ajudou. [Na campanha de 2006] Marisa era a maior incentivadora que eu tinha que ir para os debates, que eu deveria triturar meus adversários. Eu achava que eu não deveria ir, mas ela estava certa."

Obama


Lula disse ser "fã" do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Ele só tinha que ter a ousadia que o povo americano teve votando nele. Recebeu uma herança maldita do governo Bush. O país quebrou. Como não tomou as atitudes nas horas certas, vem para as costas dele. Eu dizia para ele: 'Presidente Obama, se você não fizer as coisas na hora correta, daqui um ano essa crise está nas tuas costas'. Porque a crise era do Bush".

Vida de presidente

"O mais doloroso é a vida de um presidente. A vida de um presidente é muito solitária".
"Tem o dedo de Deus nessa coisa [ter sido eleito presidente]". "O preconceito raivoso de setores conservadores da sociedade brasileira me fez mais forte, pois eu tinha que provar todo santo dia que eu tinha que ser mais capaz do que eles".

Pós-Presidência


"Vou descansar. Tirar umas férias que não tiro há 30 anos. Uns dois meses num lugar onde eu não tenha que fazer nada, discutir política, fazer absolutamente nada".

"Normal eu nunca mais vou ser, mas um brasileiro o mais próximo da normalidade possível. Vou conseguir". "Vai ser bom para o Brasil, vai ser bom para a Dilma, vai ser bom para todo mundo se eu ensinar como um ex-presidente tem que se portar".

"Quero tirar tudo da Presidência de dentro de mim. Preciso voltar a ser o Lula. Voltar a ser um cidadão mais próximo da normalidade possível. Se deixo a Presidência dia 1º e dia 2 começo a dar palpite na política, eu vou estar tendo ingerência em coisa que eu não devo".


domingo, 14 de novembro de 2010

Lula e o Brasil pós 2003, segundo Primeiro Ministro de Portugal

JOSÉ SÓCRATES

primeiro-ministro de Portugal

Lula era o homem certo; sem complexos ou desfalecimentos, o antigo sindicalista esperou e preparou longamente o encontro com o seu povo

Raros são os políticos que dão o seu nome a um tempo. Os “anos Lula” mudaram o Brasil. É outro país: mais desenvolvido economicamente, mais avançado tecnologicamente, mais justo socialmente, mais influente globalmente.

Uma democracia mais consolidada, uma sociedade mais coesa e mais tolerante. Sabemo-lo hoje: no Brasil, o século 21 começou em 1º de janeiro de 2003, o dia inaugural da Presidência de Lula.

Quero ser claro: Lula mostrou que a esquerda brasileira sabe governar. Causas, sim, mas competência também; princípios políticos, mas também eficácia técnica; realismo inspirado por ideais que nunca se perderam.

Este presidente, oriundo do PT, deu à esquerda brasileira credibilidade, modernidade, força e maturidade. A grande oportunidade da sua eleição não foi uma promessa incumprida ou um sonho desfeito.

Ao contrário, com Lula, a esquerda ganhou crédito e consistência; o Brasil, reputação e prestígio.

Sou testemunha das reservas, se não do ceticismo, com que a “intelligentzia” recebeu a eleição de Lula da Silva. Hoje, na hora do balanço, a descrença transmutou-se em aplauso; a expectativa, em admiração. É essa a “alquimia” Lula.
Os números falam por si: crescimento econômico, equilíbrio financeiro, reputação nos mercados, milhões de pessoas arrancadas à extrema pobreza, salto inédito na educação e na formação profissional, melhoria do rendimento que alargou e consolidou a classe média brasileira.

Lula era o homem certo. A sua história pessoal e política permitiu dar à esquerda uma nova atitude e ao Brasil um novo horizonte. Sem complexos e sem desfalecimentos, o antigo sindicalista esperou e preparou longamente o encontro com o seu povo. Se falhasse, não falharia apenas ele: falharia um ideal, um sonho, um projeto, esperança do tamanho de um continente.

Foi também nesses anos vitais que o Brasil se afirmou como o grande país que é. “Potência emergente”, como é habitual dizer, assume-se -e vai se assumir cada vez mais- como um dos grandes países que marcam o mundo contemporâneo. Pela sua grandeza e pela sua energia, tem tudo o que é necessário para isso.

Portugal tem orgulho deste grande país, com quem partilha uma língua, uma fraternidade, um passado, um presente e um futuro. Tudo isso queremos valorizar e projetar: aos sentimentos que nos unem, juntamos os interesses que nos são comuns; à memória conjunta associamos visão partilhada do futuro.

Para Portugal e para todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a importância do Brasil no mundo do século 21 é um motivo de alegria e uma riqueza imensa, com potencialidades em todos os planos: econômico, cultural, linguístico, político, geoestratégico.

A vida política de Lula é uma longa corrida feita com ritmo, esforço, persistência. As palavras que ocorrem são tenacidade e temperança, clássicas virtudes da política. Tenacidade para fazer de derrotas passadas vitórias futuras. Temperança que lhe ensinou a moderação, o equilíbrio e a responsabilidade que o tornaram o presidente que foi.

Na hora da despedida, quero prestar-lhe, em meu nome pessoal e em nome do governo português, uma homenagem feita de amizade, reconhecimento e admiração. Lembro os laços que firmamos, os projetos que comungamos, os encontros que tivemos, nos quais se revelou, invariavelmente, um grande amigo de Portugal.

Lembro, em especial, o trabalho que desenvolvemos para que durante a presidência portuguesa da União Europeia fosse possível a realização da primeira cúpula UE-Brasil, um ponto de viragem nas relações entre a Europa e o Brasil.

Na passagem do testemunho à presidente eleita, Dilma Rousseff, que felicito vivamente e a quem desejo as maiores felicidades, renovo a determinação de prosseguirmos juntos e reafirmo, na língua que nos é comum, o nosso afeto e a nossa gratidão. Mais do que nunca, “o meu Brasil é com “S’”. “S” de Silva.
Lula da Silva. Saravá!



JOSÉ SÓCRATES é o primeiro-ministro de Portugal. 
Fonte do post: Blog Leituras Favre
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dilma ganhou em 70% dos municípios brasileiros

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA

Dilma Rousseff (PT) venceu em 3.878 municípios brasileiros no segundo turno. José Serra (PSDB) venceu em 1.686. Em porcentagem: 70% a 30% para a petista. Como ela teve 56% dos votos válidos, a desproporção se explica pela maciça vitória de Dilma nas pequenas cidades (de todo o país, menos de São Paulo), e pelo equilíbrio dos dois nas cidades grandes e médias.

Em branco por desistência

Comparados aos do primeiro turno, os percentuais de votos em branco no segundo turno foram menores em todas as regiões. Seria natural que o percentual aumentasse, já que havia menos opções de candidatos para os eleitores.

É mais um indicativo de que as seis votações seguidas na urna eletrônica atrapalham o eleitor e levam não poucos a anular ou votar em branco em vez de no candidato a presidente de sua preferência.


Voto errado é diferente de voto nulo

No Nordeste, o percentual de votos nulos no segundo turno foi quase metade do que no primeiro turno (4,67% a 8,02%). A diminuição da taxa indica que pelo menos 1 milhão de eleitores nordestinos erraram o voto para presidente no primeiro turno, provavelmente por terem que votar seis vezes e numa ordem que deixa o voto presidencial por último. Congresso e Justiça eleitoral deveriam mudar a ordem esdrúxula de votação.


Bicadas fluminenses

Por que Serra não cobra Índio da Costa e o DEM como, implicitamente, fez com Aécio Neves (PSDB)? Diferença por diferença, foi praticamente igual no Rio de Janeiro e em Minas Gerais sua distância em relação a Dilma: 1,797 milhão de votos entre os mineiros contra 1,710 milhão entre os fluminenses. Proporcionalmente, a derrota no Rio foi maior.

A resposta tem a ver com o futuro e não com o passado.

Será curioso ver quem o PSDB preferirá seguir: um senador eleito de 50 anos que fez o governador do segundo maior colégio eleitoral do país, ou um candidato derrotado duas vezes a presidente, de 68 anos, que ficou sem cargo e terá que negociar espaço com uma liderança emergente (Geraldo Alckmin) em seu Estado natal.
 

1 COMENTÁRIO PARA "Dilma ganhou em 70% dos municípios brasileiros":

Comentado por paulo chacon em 03/11/2010 - 13:48h:
DILMA GANHOU EM 70% DOS MUNICÍPIOS DO BRASIL.
Isto joga por terra o preconceito paulista/paulistano de que foi graças ao nordeste que a Dilma venceu. Na verdade, ela só perdeu na maioria dos municípios de São Paulo. São Paulo é a vanguarda do atraso. Possui uma classe “mérdia” reacionária e preconceituosa. O paulista /paulistano gosta de pedágios mais caros do mundo, gosta de congestionamentos, gosta de enchentes, gosta de escolas e hospitais públicos abandonados, gosta de segurança pública comandada pelo PCC, gosta de roubalheira no metrô, dersa e rouboanel, ops, rodoanel, enfim , gosta de serra, alckimin e fhc.




Fonte do Post:

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lula e FHC - Quando um operário supera um "letrado"

Fecha-se o ciclo em que o vencedor foi Lula

Enviado por luisnassif,
seg, 01/11/2010 - 13:40

É das mais instigantes a entrevista de André Singer ao Valor, sobre o novo momento político. Ele identifica uma mudança estrutural, com o realinhamento das bases sociais, a classe média indo maciçamente para o PSDB e as bases populares para o PT, movimento que deverá perdurar por décadas, segundo Singer.

Não sei até que ponto a classe média um dia chegou a ser PT. Talvez Singer tenha se influenciado pelo ambiente em que freqüenta, de classe média mais intelectualizada. Havia, de fato, em São Paulo uma classe média e classe alta intelectualizada com pendores de esquerda. Mas nunca chegou a ser numericamente expressiva.

Mesmo assim, esses setores migraram para um anti-petismo radical. No mapa das eleições, via-se Serra com 70% dos votos de bairros tão díspares como Vila Maria e Higienópolis.

Não se pode dizer que a classe média tenha sido beneficiada por sucessivos governos, desde FHC. Foi penalizada com tributação excessiva, deterioração dos serviços públicos, estagnação do mercado de trabalho até alguns anos atrás.

Mas a explicação mais satisfatória para essa radicalização [feita pela classe média] é a resistência à ascensão das novas classes sociais, como bem pontua Singer e como bem colocou Lula em sua coletiva de ontem.

É como se todos os preconceitos e intolerâncias saíssem do armário no qual foram guardados das diretas para cá. Perdeu-se o pudor em relação ao preconceito contra nordestinos, negros e pobres e às minorias em geral, esse "povinho que está invadindo as lojas, com as transferências sociais, as universidades, com o Prouni e as cotas.

Esse sentimento foi alimentado nos últimos anos por comentaristas de televisão, pela velha mídia, como que querendo parar o rumo das águas com uma peneira. E se constituiu na última boia para políticos que perderam a batalha da sua geração, especialmente Fernando Henrique Cardoso e José Serra.


Diferença de modelo

O ciclo que se encerra agora começou com a resistência democrática dos anos 70, acentuou-se nos anos 80 com as diretas e com o movimento de reerguimento da sociedade civil.

Singer lembra outro dado para mostrar a relevância dos anos 80: o intenso movimento social, a eclosão de greves e outros sinais de vitalidade da sociedade civil, que permitiram a aprovação de uma constituição moderna e inclusiva.

No rastro dessa movimentação, nascem o PSDB e o PT com projetos até certo ponto semelhantes, com bandeiras sociais, propostas modernizantes, um de centro-esquerda, outro de esquerda.

Com o governo FHC as diferenças começam a aparecer. Internamente, no PSDB, assumem o comando os mercadistas, em detrimento do grupo mais desenvovimentista.

FHC demonstra total incapacidade ou sensibilidade para entender processos de construção nacional. Mas não apenas ele. Mesmo entre desenvolvimentistas havia ampla insensibilidade em relação aos processos de construção social, a criação de redes sociais e econômicas entre setores da sociedade, pequenas empresas, cadeias produtivas, movimentos sociais.


É aí que se dá a diferença fundamental de modelo.

No século 19, os Estados Unidos lograram criar uma sociedade de consumo de massas – no mesmo processo ensaiado agora no Brasil. Mas, ao aumento da massa consumidora correspondeu também uma febre de criação de organizações sociais, de voluntariado, de participação ativa dos cidadãos na vida dos seus municípios e das suas comunidades, independentemente da disputa partidária.

O PSDB ignorou solenemente esse fenômeno. Em meu livro "Os Cabeças de Planilha" publico longa entrevista com FHC, apontando esses diversos fatores que estavam no cerne das mudanças que o país experimentaria nos anos seguintes, como as políticas sociais, o papel das micro empresas.

Suas respostas às questões foram desoladoras. O único modelo de país que entendia era o de grandes empresas, sob orientação de novos empreendedores (os banqueiros de investimentos) modernizando a economia e trazendo atrás de si, automaticamente, os novos agentes econômicos, a nova organização social.

Era um míope escondendo a falta de visão atrás de citações supostamente eruditas.

Lula compreendeu perfeitamente os novos tempos. Entendeu que não se construiria um grande país sem povo. Enquanto Palocci, Dirceu e Meirelles tratavam de acalmar mercado e grandes empresas, Rossetto, Patrus e as secretarias sociais colocam em marcha políticas sociais que mudariam a face do país.

E aí se entra em um campo dos mais relevantes: a tecnologia social, a compreensão sobre o universo de dificuldades da agricultura familiar, dos miseráveis.

É nesse momento que ficaram claras as diferenças entre o projeto do PSDB e do PT. Nem que desfraldasse bandeiras de promoção social o PSDB conseguiria implementá-las pela falta de base social.

Nesses anos todos, esse know-how era apenas dos movimentos de base da Igreja Católica, do MST e outras organizações que trabalhavam o mundo rural, da ampla gama de movimentos sociais que se abrigaram debaixo do guarda-chuva do PT.

Essa tecnologia social é um dos ativos mais preciosos do país e de qualquer sociedade em desenvolvimento. É ela que permite modelos que avançam além do mero assistencialismo. De nada adiantariam os financiamentos para o programa do biodiesel, os apoios fiscais e creditícios, se na ponta não houvesse especialistas para organizar os pequenos agricultores.

De nada adiantariam as verbas orçamentárias se o Bolsa Família não trouxesse modelos de coordenação e implementação. Aliás, com uma falta de dogmatismo tal que incorporou um elemento caro aos liberais: o direito do pobre escolher no que gastar o dinheiro.


Os derrotados

Os anos 80 e 90 foram riquíssimos para o aparecimento de novos conceitos, novas ideias. As sementes plantadas no período foram se transformando em plantas, crescendo, criando possibilidades para os novos transformadores trabalharem em cima de possibilidades nunca antes imaginadas.

FHC foi incapaz de entender o momento, Lula entendeu. Essa a diferença.

Muito se fala sobre o papel do estadista, o que leva pessoas a identificar os caminhos acertados e criar as condições políticas adequadas.

Nos últimos três anos tivemos possibilidade de acompanhar ao vivo e em cores esse processo. Não se pende que o Lula que assumiu o governo em 2002 tivesse o mesmo grau de conhecimento do Lula que deixa o governo consagrado.

O estadista é fundamentalmente um intuitivo. Trabalha em cima das circunstâncias. Mas não basta saber se equilibrar. Tem que possuir a intuição sobre os processos básicos, os princípios que constroem civilizações.
Provavelmente Lula não tinha idéia dos desdobramentos econômicos dos seus programas sociais. O que o movia era a solidariedade com seu povo, algo inimaginável para o internacionalismo frio e distante de FHC.

Tinha claro, sim, a maneira como o potencial das pessoas é desperdiçado quando não lhes são oferecidas condições básicas para evoluir. Ele é o exemplo máximo. Seu complexo permanente com a falta de oportunidades de se instruir formalmente se transformou no principal aríete de sua conduta. A cada dia precisava provar a si e a terceiros que conseguiria recuperar o tempo perdido quando teve que trocar a possibilidade de aprimoramento no estudo pela luta incessante pela sobrevivência.

Foi essa confiança no homem, no seu potencial, foi por se ver em cada miserável do país, que Lula avançou nas políticas sociais. E à medida que avançava ia se dando conta de que o verdadeiro desenvolvimento só seria possível com a inclusão e a promoção social.
FHC e Lula começaram juntos a caminhada, cada qual ao seu estilo Chega-se agora ao final do ciclo com Lula se consagrando como um dos grandes estadistas da história. E FHC explorando o lado obscuro das transformações: os conflitos, os preconceitos inerentes a essas grandes mudanças
Agora, o grande desafio não é a mais quem conquistará o poder. Nesse ciclo, a vitória é do modelo Lula. O desafio será quem conduzirá a oposição.

De um lado, tem-se um jovem senador que conseguiu definir um modelo de gestão para seu Estado, propor a discussão em torno de pontos programáticos e de formas de governar o país. Do outro, o eixo FHC-Serra promovendo o preconceito, o discurso negativo, o racha [e que ainda continuam com a mídia nativa, o PIG, sob seus controles e fazendo o jogo sujo para eles...].

Não serão nem FHC nem Serra os protagonistas dos novos tempos. Será a nova geração, de Aécio Neves, Eduardo Campos, Cabral.

Fonte:

domingo, 31 de outubro de 2010

Será a mulher mais poderosa do Mundo

31 de outubro de 2010 às 19:49

Brasil elege Dilma

 

“a mulher mais poderosa do mundo”

The Independent

 


A foto acima não ilustrou a reportagem do jornal britânico Independent, que reproduzo abaixo, publicado antes do primeiro turno e traduzido pela Katarina Peixoto para a Carta Maior:
Luiz Carlos Azenha
Blog Vi o Mundo


Hugh O’Shaughnessy – The Independent

26/09/2010


A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.

Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff seria mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.

Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa já tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.

A senhora Rousseff, filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. 

As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.

Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.

Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. 

As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.

Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.

Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamavam “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.

A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.

Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.

Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.

Ela fez mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.

Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. 

Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.

A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.


Tradução: Katarina Peixoto





Fonte do Post:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PAC2 lançado em março de 2010 prevê obras para Goiás a partir de 2011

Antes que tentem plagiar os projetos, segue abaixo parte do que está previsto vir para Goiás por meio do PAC2, criado no Governo Lula pela Ministra Casa Civil Dilma Roussef e divulgado no dia 29 de março, portanto sete meses antes das eleições. Desse modo, independentemente de quem seja eleito em Goiás para Governador em 2010, estas obras acontecerão, pois é planejamento do Governo Federal, para obras a partir de 2011, isso, se caso Dilma vença.


PAC 2 beneficiará Goiás com ferrovias, rodovias, alcoolduto e irrigação
SEPLAN-GO
30/10/2010

A fase dois do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), lançada na segunda-feira (29/3) pelo governo federal e que contou com a presença do governador Alcides Rodrigues Filho, assegura benefícios para Goiás em diversas áreas, especialmente nos segmentos de logística, com:
  • continuidade das Ferrovias Norte-Sul e Integração Centro-Oeste;
  • a duplicação de rodovias federais;
  • geração de energia elétrica;
  • construção do alcoolduto que ligará Goiás a São Paulo;
  • a continuidade dos projetos públicos de irrigação.
Além disso, Goiás deverá ter relevante soma de recursos para investimentos em habitação popular, saneamento básico e saúde.

Embora sem detalhamento de valores para cada um dos Estados, o PAC 2 prevê investimentos vultosos em todo o País. No quadriênio 2011-2014, está prevista a aplicação de R$ 958,9 bilhões. Outros R$ 631,1 bilhões serão investidos a partir de 2015, totalizando recursos de R$ 1,59 trilhão. 
As obras incluídas no PAC 1 não fazem parte do novo pacote de investimentos, devendo ficarem prontas até o fim de 2010 e ao longo de 2011, com recursos já assegurados fase um do programa.[veja transição slides abaixo]

Se preferir baixe o PDF clicando aqui.
Se preferir baixar o arquivo em flash clique aqui

Para o secretário do Planejamento e Desenvolvimento, Oton Nascimento Júnior, o Estado de Goiás tem a garantia de que continuará recebendo investimentos públicos e privadas nos próximos quatro anos, consolidando sua logística, tornando-se um dos mais competitivos Estados do País. “A conclusão da Ferrovia Norte-Sul passando pelo Sudoeste de Goiás e chegando a São Paulo, a construção da Ferrovia de Integração Uruaçu (GO)/Lucas do Rio Verde (MT), a duplicação de trechos rodoviários e a construção do alcoolduto vão fazer de Goiás um grande entroncamento logístico, com imensas vantagens competitivas tanto no mercado interno quanto no exterior”, ressalta Oton.


Principais obras

No documento divulgado pelo governo Federal, Goiás está contemplado com obras importantes, principalmente no campo da infra-estrutura econômica, mas também nas áreas sociais como habitação e saneamento. O PAC 2 incluiu:
  • a pavimentação da Rodovia BR- 080, que liga Uruaçu a Luís Alves do Araguaia (cerca de 20 quilômetros no trecho São Miguel-Luís Alves já estão pavimentados);
  • a duplicação da BR-153 no contorno da cidade de Anápolis;
  • a duplicação da BR-060, de Goiânia a Jataí.


Ainda no setor da logística, o PAC 2 prevê:
  • a conclusão das obras da Ferrovia Norte-Sul, em especial do Ramal Sudoeste, ligando Ouro Verde de Goiás a São Simão, beneficiando todo o Sudoeste do Estado e seguindo para Minas Gerais e São Paulo.
  • a construção da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste, saindo da Ferrovia Norte-Sul em Uruaçu e chegando até Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. 

No segmento de combustíveis renováveis, foi incluída:
  • a ampliação do alcoolduto São Sebastião (SP)-Senador Canedo (GO), passando por Paulínia em São Paulo, Triângulo Mineiro e Sul de Goiás até Senador Canedo.

No setor energético, foram listadas a construção:
  • da Usina Hidrelétrica Porteiras (na divisa de Goiás com Minas),
  • a Usina Termelétrica Codora, a partir da queima do bagaço da cana-de-açúcar
  • a construção de linhas de transmissão de energia elétrica interligando as regiões Norte e Sudeste de Goiás a outras linhas-tronco de distribuição.

No campo da irrigação, o PAC 2 contempla:
  • os projetos de irrigação Luís Alves do Araguaia (fase C),
  • Flores de Goiás (construção de barragens)
  • Campo Alegre (construção da barragem do Ribeirão Imburuçu), cujo projeto já está pronto aguardando apenas os recursos para início da obra.

Saneamento básico e habitação popular também são áreas que terão investimentos maciços no âmbito do PAC 2.
  • O governo do Estado já trabalha com a perspectiva de obter ao menos R$ 7 bilhões para moradia, de um total superior a R$ 278 bilhões a serem investidos no País no triênio 2011-2014, conforme anúncio do governo federal. 
  • Quanto ao saneamento básico, o PAC 2 prevê recursos para a construção da adutora do sistema João Leite, além de ampliação e melhoria de sistemas de abastecimento de água e esgoto sanitário em várias localidades de Goiás. 

Para Oton Nascimento, todos esses investimentos manterão Goiás como um imenso canteiro de obras, gerando mais emprego e renda, culminando com a melhoria da qualidade de vida da população.


Fonte:
Caso não encontre a notícia no site da SEPLAN clique aqui e baixe um PDF da notícia postada.

PAC1 tem obras que vão até 2011 em Goiás

Independentemente de quem seja eleito para Governar Goiás em 2010, estas obras acontecerão, pois é planejamento do Governo Federal, isso, se caso Dilma vença.

Lançado no início de 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) veio de forma duvidosa para alguns setores da sociedade. Muitos não acreditavam que ele sairia do papel e que era apenas uma estratégia de marketing por parte do presidente Lula.

Com o passar dos meses, o PAC começou a ser encarado como uma realidade que revela uma ação governamental planejada com vistas à retomada da capacidade orientadora do Estado na questão do crescimento econômico do país, com investimentos na área da saúde, saneamento básico, habitação, pavimentação e reforma de rodovias e outras áreas de extrema importância para o desenvolvimento do país.

Apesar da extinção da CPMF, o presidente Lula garantiu que o que foi estabelecido dentro do PAC será cumprindo rigorosamente. O clima de harmonia político-administrativa entre o presidente da República e o governador Alcides Rodrigues tende a render bons frutos para o estado de Goiás em todas as áreas, não somente nas que foram firmadas na semana passada, como a questão do saneamento e a construção de duas mil casas, em quatro municípios goianos. Outros convênios virão no decorrer dos últimos três anos do governo Lula e Alcides e que irão beneficiar a população goiana.

No que tange o setor de saneamento no Brasil, ele vive um momento ímpar em sua história já que entrou em vigor o novo marco regulatório do setor, mais moderno e com avanços expressivos, permitindo maior segurança para a realização de investimentos na área. Aliado a isto, veio o Programa de Aceleração do Crescimento prevendo investimentos de extrema importância e bem superiores à média histórica do saneamento no país.

Na área de saneamento o Programa de Aceleração do Crescimento prevê investimentos da ordem de R$ 10 bilhões para os próximos quatro anos no Brasil. Este valor é quase sete vezes maior que no período de 2003/2006 onde foram investidos pelo Governo Federal valores numa média de R$ 1,5 bilhões por ano em saneamento para todo o país.

A idéia do PAC  tem por objetivo investimentos em infra-estrutura como um dos pontos centrais para estimular um crescimento mais consistente da economia brasileira. Além do crescimento econômico, as ações previstas no Programa de Aceleração do Crescimento, particularmente em saneamento básico, habitação popular e infra-estrutura urbana, irão contribuir para a elevação da qualidade de vida da população de  baixa renda da sociedade brasileira. O Estado de Goiás, sem dúvida alguma, não será mero coadjuvante nesse processo de desenvolvimento no País. Na semana passada, foram divulgados os números do PIB de 2005 e Goiânia tem o 12º melhor PIB entre as capitais brasileiras e é a 21º posição entre os 100 maiores do país. Além disso, o nosso Produto Interno Bruto cresce continuamente acima da média nacional.

A sociedade brasileira, em especial a goiana, precisa aproveitar essas oportunidades que estão disponíveis. É necessário abraçar este momento histórico para que tenhamos um salto de qualidade em todos os setores. Os goianos não podem abrir mão de ser um dos protagonistas desse novo momento do país, em todas as suas ações, independente da cor partidária. É nesse sentido que o governador Alcides Rodrigues, em seu discurso na solenidade de assinatura de contratos para a área do saneamento e habitação, na semana passada, citou Geraldo Vandré com a frase "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".


Investimentos em Goiás

Até 2010, Goiás poderá receber R$ 9,3 bilhões em obras do PAC.Maior soma de recursos será para obras como ferrovia, alcoolduto e rodovias, mas saneamento e habitação também são prioridades.O maior volume de recursos do PAC para Goiás deverá ter como destino o setor de infra-estrutura econômica como transportes e energia elétrica.



Em Goiás, somente de Anápolis a Uruaçu, são 280 quilômetros, trecho arrematado em leilão de sub-concessão pela Companhia Vale do Rio Doce, que deverá investir R$ 900 milhões para sua construção, obra que deverá ser concluída no fim de 2009.



O setor rodoviário também contará com grande soma de recursos a serem liberados pelo PAC. Entre eles está a conclusão da duplicação da BR-153 entre Goiânia e Itumbiara, a duplicação de alguns trechos da BR-060 (Goiânia-Santa Rita do Araguaia) e pavimentação de trechos de rodovias federais que cortam Goiás, como a BR-414, a BR-070, a BR-080 e parte da BR-020 que será dupli cada até Formosa. Embora esse trecho esteja quase que integralmente em território do Distrito Federal, vai beneficiar principalmente o município de Formosa e as demais cidades do Nordeste goiano.



Somente para obras de duplicação de rodovias, Goiás deverá receber até2010 cerca de R$ 1 bilhão, conforme previsão do secretário de Infra-Estrutura, Renê Pompeo de Pina.


em Clique na imagem abaixo para transição dos slides




Se preferir baixe o PDF clicando aqui.
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Trabalho Republicano sem discriminizar partidos

Dentre as prefeituras goianas que se beneficiarão com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na reta final das eleições, as que são administradas por tucanos são as que mais se destacam. Dos 45 municípios contemplados, 14 (31,11%) são conduzidos por prefeitos do PSDB, partido de oposição ao presidente Lula (PT). Prefeitos filiados a siglas da base de apoio ao Planalto, como PMDB, PR, PP, PTB, PSB, PSC e PSDC dividirão o restante do bolo. O DM não conseguiu ter acesso ao valor das obras.



Os tucanos que se beneficiarão com as obras tocadas nos três meses que antecedem as eleições administram Cidade Ocidental, Formosa, Novo Gama, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto, Luziânia, Trindade, Uirapuru, Nazário, São Domingos, Estrela do Norte, Trindade, Paraúna e Porangatu.

Depois do PSDB, o partido que mais vai gozar dos efeitos eleitorais do PAC em Goiás é o PR, que está à frente de Cristalina, Aparecida de Goiânia, Cezarina, Taquaral de Goiás, Senador Canedo, Flores, Itapuranga e Crixás. O PP, partido do governador Alcides Rodrigues, administrará recursos federais em quatro cidades: Hidrolândia, Inhumas, Itaberaí e São Simão. O número é o mesmo do PT: Bela Vista, Itapaci, Buriti Alegre e Montividiu. Peemedebistas serão contemplados em Campinaçu, Vila Propício e Goiânia. Democratas estão à frente de Águas Lindas, Nova Iguaçu e Goianésia. Demais partidos da base comandam apenas uma cidade cada: Valparaíso (PTB), Anápolis (PSB), Caldas Novas (PSC) e Rubiataba (PSDC).

O total de obras a serem inauguradas em Goiás com verbas do programa é de 88, e representam 4,96% dos 1.771 projetos que o governo federal decidiu financiar em todo o Brasil até o final do ano. As cidades goianas respondem por 28,48% do total de municípios brasileiros beneficiados pelo PAC. Cidades do Entorno do Distrito Federal, como Águas Lindas, Novo Gama, Valparaíso, Luziânia, Santo Antônio do Descoberto, Formosa, Cristalina, Planaltina e Cidade Ocidental lideram os repasses, com 29 obras aprovadas para construção.



Fontes do Post:




terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma revolução no nordeste

Suape é uma revolução em Pernambuco.
O pernambucano quer voltar


    “Aqui só não tem emprego quem não sai de casa.”

    É a frase do Carlos, garçom do restaurante Beijupirá, de Porto de Galinhas, perto de Recife.

    A meia hora dali fica Suape.

    Suape é um porto e um distrito industrial de 14 mil hectares (o maior porto da Europa, Roterdã, tem 5 mil ha).

    Tem 96 empresas.

    20 plantas em construção.

    Vista do porto / Foto: Geórgia Pinheiro

    A General Motors do Brasil também vai para lá.

    São investimentos de US$ 20 bilhões, o que é igual a 28 anos de investimentos privados em Pernambuco.

    Hoje, Suape emprega, diretamente, 30 mil pessoas.

    Quase todos recrutados na região metropolitana de Recife – muitos, filhos de cortadores de cana e pescadores.

    Suape será o destino de um ramal da Trans-Nordestina, o que se concretizará ano que vem.

    (O outro será Pecém, no Ceará.)

    No PAC2, Suape vai construir um terminal açucareiro, um novo terminal de containeres e um terminal de granéis sólidos.

    A maior obra de Suape é a Refinaria Abreu e Lima, da Petrobrás, em parceria com a PDVSA, da Venezuela.

    360 campos de futebol / Foto: Geórgia Pinheiro

    (Abreu e Lima foi um militar pernambucano que lutou ao lado de Simon Bolívar.)

    A refinaria é a primeira que a Petrobrás constrói em 30 anos.

    Ocupará 630 hectares, ou seja, o equivalente a 630 campos de futebol.

    Vai produzir, em 2012, 22 mil barris de petróleo por dia.

    Em 2010, a refinaria emprega 9 mil trabalhadores.

    Custará US$ 13 bilhões.

    Em torno da Abreu e Lima serão instaladas unidades para produzir matéria prima para um pólo de indústrias têxteis.

    Em torno de Abreu e Lima vão trabalhar seis estaleiros.

    E o Brasil voltará a ser um dos fortes produtores mundiais de navios: “a retomada da indústria naval acontece em Pernambuco”, diz Inaldo Campelo, diretor de gestão de Suape.


    Dia 3 de maio, o presidente Lula lançou ao mar o primeiro deles.

    O estaleiro Atlântico Sul, da Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e da Samsung tem 22 embarcações contratadas, mais o casco da plataforma P-55.

    Atlântico Sul tem o maior guindaste do mundo / Foto: Geórgia Pinheiro

    92% dos funcionários do Atlântico Sul são pernambucanos.

    A Bunge tem em Suape o maior moinho da América do Sul.
    Suape tem a ambição de ser um centro produtor de plataformas e sondas
    para atender à demanda do Pré-Sal.

    Suape permitirá que um navio chegue em 7 dias ao porto de Nova York, e, em 9 dias, a Roterdã.

    Num raio de 800 km, Suape atinge 7 capitais do Nordeste, que representam 90% do PIB nordestino.

    O governador Eduardo Campos criou doze escolas técnicas em doze micro-regiões de Pernambuco.

    Uma delas fica em Suape, que já qualificou 3.800 jovens.

    Tem um SENAI dentro de Suape.

    O Hospital D. Helder Câmara está em construção.

    O sistema de transportes integrará ao sistema de metrô e de transporte de toda a região de Recife.

    O Governo de Pernambuco não quer reproduzir Camaçari, na Bahia, onde, ao lado de um complexo petroquímico, houve favelização.

    Eduardo Campos criou 5 universidades e um Centro de Pesquisa Nuclear.

    Eduardo Campos criou também um Centro Fármaco-Químico.

    Uma Cidade Digital já existe nas instalações do antigo porto de Recife, com mais de cem empresas.

    Suape vai recuperar a casa grande do engenho Massangana, onde viveu Joaquim Nabuco.

    Que pena que Nabuco não esteve em Suape / Foto: Geórgia Pinheiro

    Em 2009, o PIB de Pernambuco cresceu 3,8%, enquanto o do Brasil caiu 0,2%.

    Pernambuco, sob Eduardo Campos, cresceu muito acima da média brasileira.

    É uma China dentro do Brasil.

    É a nova locomotiva do Brasil.
    “Enquanto pernambucano, devemos tirar o chapéu para o Lula. Ele ajuda não só Pernambuco, mas o Brasil. Muitos pernambucanos já estão voltando, ”

    Inaldo Campelo.
    diretor de gestão
    do porto de Suape



    Eduardo Campos tem 43 anos.

    Ele dá de 10 a 0 no José Serra, o “economista competente” que não é um nem outro.

    Segundo o pernambucano Fernando Lyra, Eduardo Campos será presidente do Brasil.

    quarta-feira, 29 de setembro de 2010

    Oscar Niemeyer declara apoio a Dilma Rousseff

    O arquiteto Oscar Niemeyer acaba de declarar apoio a Dilma Rousseff.

    Notícia do blog de Ailton Medeiros. O arquiteto declarou seu apoio a candidata de Lula durante encontro com amigos em seu apartamento, em Ipanema. Confiram foto

    Pesquisa IBOPE mostra a preferência do eleitor por partidos

    Olha só... deu no IBOPE... coisa rara... Mostra que o PT com 27%, é o partido mais preferido pelo eleitor. O segundo lugar é ocupado pelo PMDB com apenas 5%...

    Mesmo diante de tanta mentira e ataques rasteiros que o partido sofre por parte da mídia nativa, mais conhecida no mundo dos blogs por PIG, o PT está bem a frente dos demais partidos.




    ___________________________________________________



    Agora aproveite e dê uma olhadinha abaixo no ranking dos partidos sobre corrupção.


    Os dados da figura abaixo, "Ranking dos partidos", são de uma pesquisa  feita pela MMCE - Movimento de combate à Corrupção eleitoral que revela; entre as eleições do ano 2000 - quando começou a vigorar a Lei n. 9.840, de iniciativa popular - e ano de 2007, a Justiça Eleitoral (JE) promoveu a cassação de 623 de mandatos através de processos nos quais se apuravam alegações de corrupção eleitoral.

    Estão relacionados casos de prática de:
    • captação ilícita de sufrágio;
    • condutas vedadas aos agentes públicos e abuso de poder apurados através de representações;
    • investigações judiciais eleitorais;
    • recursos contra a diplomação e ações de impugnação de mandato eletivo.
    Todas as hipóteses se referem a utilização de bens ou vantagens de origem pública ou privada para alterar a vontade dos eleitores ou fortalecer campanhas de forma ilícita.







    Quanto mais alto na lista mais corruptos existem no partido. O DEM lidera e o PSDB está em terceiro.

    Fonte do Post:
    Leia também:

    quinta-feira, 23 de setembro de 2010

    Governo cria Conselho de Relações do Trabalho (CRT) que reunirá as centrais e as entidades patronais

    Regras estabelecidas pelo novo órgão terão de ser seguidas pelos dois lados.
    João Villaverde – VALOR

    Depois da medida provisória que concede reajustes reais anuais ao salário mínimo e da repartição do imposto sindical à seis maiores centrais sindicais do país, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criará, até o início de novembro, a última das três grandes demandas que os dirigentes sindicais encaminharam a Lula desde o início de seu governo: o Conselho de Relações do Trabalho (CRT).


    O “Diário Oficial da União” publicou, no início do mês, a portaria 2.092 do Ministério do Trabalho, que dá prazo máximo de 60 dias para que o CRT seja institucionalizado. Segundo apurou o Valor, a medida agrada não só sindicalistas, mas também empresários, que terão participação ativa no órgão.

    Segundo a portaria, o conselho será composto de um representante de cada uma das seis confederações patronais com registro em Brasília e um de cada uma das seis centrais reconhecidas pelo governo. A lista de nomes, de ambos os lados, deve ser entregue ao ministério até o dia 3 de outubro, cerca de 30 dias antes da instalação formal do CRT.

    Enquanto que do lado patronal as indicações ficam a cargo de cada confederação, do lado sindical devem ser seguidos os critérios de representatividade elaborados desde 2008 pelo governo. Assim, as maiores centrais terão mais assentos. Como, no entanto, o número de vagas é fixo – seis cadeiras – essa prerrogativa já gera debates mais quentes.

    O interesse em participar do conselho é grande, uma vez que o CRT institucionaliza o antigo Fórum Nacional do Trabalho, criado no início do governo Lula, em julho de 2003, com o objetivo de realizar as “reformas sindicais e trabalhistas”. O fórum, coordenado por Ricardo Berzoini e Osvaldo Bargas, respectivamente, ministro do Trabalho e secretário de Relações do Trabalho do ministério no primeiro governo Lula, gerou dissenso no movimento – uma das discussões provocou um racha na Força Sindical, o que gerou a criação da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST).

    “Trata-se de uma luta antiga das centrais, que querem espaço de diálogo contínuo com o Estado e com os empresários”, diz João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, a segunda maior central, de acordo com as estimativas do governo.

    O CRT será um espaço para dois tipos de reuniões:
    • uma entre integrantes do governo – indicados pelo Ministério do Trabalho – e sindicalistas;
    • e outra entre governo e representantes empresariais.
    Essas reuniões terão caráter decisório, isto é, poderão definir regras a serem seguidas pelos dois lados.

    terça-feira, 14 de setembro de 2010

    A inovação como centro do desenvolvimento

    Ao longo das últimas cinco décadas, tirando o grande caos econômico dos anos 80, apenas no governo Fernando Henrique Cardoso abriu-se mão de políticas industriais e de planejamento estratégico para o país.
    [Esse é mais um grande motivo de não votar em Serra... ele era o ministro do Planejamento do desgoverno Neoliberal de FHC. Um dos idealizadores das armações e podridões da época. Os "jênios" neoliberais, escolarizados, se recusaram a fazer planejamento estratégico e política industrial para o Brasil. Assista o vídeo abaixo e entenda melhor o que foi a era FHC.]
    http://www.youtube.com/watch?v=wZ8DTdVJ-1k



    Essa visão de futuro [que FHC se recusou a participar] esteve presente desde os anos 30, quando o Estado brasileiro começou a se organizar; passou pelo pós-guerra, graças às negociações diplomáticas de Vargas; atravessou o governo JK; permaneceu no governo caótico de João Goulart; e se fez presente igualmente no período Campos-Bulhões, que criou as bases para o crescimento brasileiro dos anos 70. [foi renegada nos dois mandatos da era FHC e só voltou com a eleição de Lula, principalmente no segundo mandado de Lula com a Dilma como um dos articuladores do processo]

    ***
    Principal escola de pensamento desenvolvimentista da América Latina, a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina) consolidou o desenvolvimentismo como proteção do mercado interno contra competidores externos, processo de substituição de importações etc.

    Nos últimos anos, o novo desenvolvimentismo agregou pontos importantes, especialmente na visão sobre inovação e tecnologia.

    Para se desenvolver, o país terá que estimular a chamada agregação de valor nos produtos, estimular a inovação, investir em tecnologia – especialmente através do setor privado. Ou seja, instituições de pesquisa, fundações de amplo à pesquisa, universidades, devem produzir e financiar a busca do conhecimento. Mas a verdadeira inovação deve se dar no âmbito das empresas.

    ***
    Estudioso consagrado de modelos de desenvolvimento, o economista Glauco Arbix – ex-presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) – publicou trabalho recente historiando esses avanços na visão de inovação

    ***
    Segundo o estudo de Arbix, desde os anos 30, as políticas de Ciência e Tecnologia (C&T) estavam focadas prioritariamente na construção, apoio e fortalecimento da pesquisa básica gerada em institutos e universidades – já vista, então, como pré-condição para a industrialização pretendida.

    Constata o trabalho que mesmo após as grandes mudanças da economia, ao longo dos anos 90, o setor produtivo continuou visto apenas como receptor do conhecimento produzido e dos recursos humanos treinados pela Universidade. Entendia-se que bastaria o mercado funcionar corretamente para que a busca de ganhos de produtividade impulsionassem a inovação e a tecnologia. [a visão dos neoliberais atrasados, desde Collor a era FHC. Aproveite e leia sobre a moral e a crise, clique aqui]

    Lembro-me de uma declaração famosa do ex-Ministro Pedro Malan, de que não haveria a necessidade de investir em tecnologia: bastaria permitir às empresas acesso a equipamentos importados a preços módicos. [Uma visão de subordinação, queriam, e ainda querem, nos relegar a segundo plano na esfera mundial]
    http://www.youtube.com/watch?v=r5Czi6kk84o




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    Esse quadro começa a mudar no final da década de 1990 – constata o trabalho – e, particularmente, desde 2004, com a nova Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE).

    A inovação passa a entrar, então, em posição de destaque no planejamento governamental, especialmente a partir da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e do Plano de CT&I (2008).

    A partir daí, "as empresas começaram a ser vistas e tratadas como unidades-chave para a geração de inovações, e a economia tornou-se mais amigável às empresas inovadoras".

    ***
    É importante salientar o papel fundamental de Britto Cruz – atual diretor-científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) na consolidação desses novos princípios.


    Fonte do Post:

    Leia mais do jogo sujo dos Neoliberais:
     Leia um pouco sobre a gestão de Lula:


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    Do total de analfabetos no mundo, dois terços são mulheres, diz Unesco

    Das 796 milhões de pessoas apontadas como analfabetas no mundo, dois terços (cerca de 530 milhões) são mulheres. Os dados são da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Na tentativa de buscar alternativas para melhorar esses números e redefinir metas, especialistas se reúnem entre esta quinta-feira (9) até o próximo sábado (11), em Atenas, no fórum Igualdade e Gênero: Um Elo perdido?.

    Pelos estudos, os analfabetos também são os mais atingidos por problemas causados pela fome e por crises econômicas. O fórum discutirá o assunto em quatro mesas de debate. Em uma delas, o tema é O Papel Estratégico da Igualdade de Gênero para o Desenvolvimento, na outra discussão, o assunto será Mulheres: Vítimas de Violência, ou Arquitetas da Paz?. 
     

    Brasil é o país que mais combate a fome

     

    O Brasil ocupa pelo segundo ano consecutivo a primeira posição no ranking de países que mais combatem a fome, de acordo com levantamento da ONG ActionAid, que avalia as medidas de combate à pobreza em países em desenvolvimento.

    A segunda e a terceira posição na lista, divulgada nesta terça-feira (14), são ocupadas respectivamente por China e Vietnã. Na última posição entre 28 países avaliados está a República Democrática do Congo, país africano que está entre os mais pobres do mundo.

    O estudo da ActionAid destaca que o Brasil conseguiu diminuir mais do que pela metade o número de casos de crianças abaixo do peso nos últimos dez anos.

    A ONG também voltou a elogiar, como fez em 2009, as políticas do governo para diminuir a pobreza no país, em especial os programas Fome Zero e Bolsa Família.
     

    Fontes do post:


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    segunda-feira, 13 de setembro de 2010

    Quando a ascensão social causa medo e perplexidade

    por Luiz Carlos Azenha

    Há, por toda parte, da direita à esquerda, uma certa perplexidade. Intelectuais à esquerda e à direita se debruçam sobre a campanha eleitoral com uma ponta de saudosismo em relação ao passado e desprezo pela aparente despolitização do eleitorado. O domínio do marketing, a presença do Tiririca e a influência de Lula são apontados como sinais de que a democracia brasileira está às vésperas de um naufrágio.

    Em um caderno especial, “Desafios do Novo Presidente”, o Estadão exibe sua saudade de um tempo em que ainda era possível controlar o protagonismo das multidões para negociar, por cima,  uma “solução política”. Foi assim no movimento das Diretas Já! , em que o vozerio das ruas foi instrumentalizado para buscar uma democracia “de bastidores”. “Democracia à brasileira”, anuncia o Estadão, obviamente sem notar a ironia da foto que escolheu. Se tivesse escolhido uma imagem da greve dos metalúrgicos do ABC, em 1980, não seria, naturalmente, o Estadão, embora a greve tenha sido o golpe que de fato chacoalhou o regime militar.

    Na Folha, um colunista identificou no Tiririca o símbolo de tudo o que há de errado com a política brasileira. Ele se esqueceu que a despolitização é herança da cidadania negada e está explícita não só nos candidatos bizarros, mas também em partidos que não resistem a prévias internas para a escolha do candidato a presidente. O dedaço, como se sabe, é um mal apenas quando praticado pelo atual presidente da República, nunca quando se dá em um apartamento de Higienópolis. Politização exige engajamento. A  amnésia do colunista se estende à campanha movida contra as tênues tentativas do governo Lula de promover a cidadania política, através das conferências nacionais e do Plano Nacional de Direitos Humanos, campanha da qual fez parte…  a Folha.

    O Globo de domingo gastou uma página inteira de papel e tinta para falar em Vazio de ideias, por que a apatia e a ausência de reflexão tomaram conta da campanha eleitoral. Na página, o poeta Claufe Rodrigues prega “mudar radicalmente o sistema de representação”. Será que ele sonha com o voto censitário? O jornalista Eugenio Bucci trata como “discurso autoritário”  a propaganda eleitoral de Dilma Rousseff que dá ênfase à ascensão social (‘”pusemos” não sei quantos brasileiros na classe média’). O sociólogo Bernardo Sorj fala em “massa apática”, sustentada pela “classe média pagadora, que se preocupa com problemas como liberdade de expressão, transparência do Estado e corrupção”.

    Curiosamente, as pílulas de O Globo revelam mais sobre os entrevistados do que sobre a população brasileira, os eleitores brasileiros e a conjuntura política e econômica do Brasil. Revelam desconhecimento, preguiça intelectual e a falta de reflexão que eles, os entrevistados, preferem atribuir — como sempre — “aos outros”.

    Infelizmente, pouca gente tem se dedicado até agora a estudar a erupção política de milhões de brasileiros como resultado da ascensão social que eles viveram nos últimos anos. O fenômeno, em números, foi retratado mais recentemente no estudo A Nova Classe Média: o Lado Brilhante dos Pobres, da Fundação Getúlio Vargas. Do ponto de vista da ciência política, foi estudado por André Singer, em Raízes sociais e ideológicas do Lulismo.

    Além da ignorância, no entanto, torcer o nariz para a atual campanha eleitoral também serve a um objetivo político: desqualificar antecipadamente os eleitos. Para além do golpismo, no entanto, está a perplexidade de classe — e aqui localizamos a esquina onde se encontram direitistas e esquerdistas (alguns, pelo menos). O Brasil é um país de extrema concentração de poder, de riqueza e de saber. E o fenômeno que vai influenciar as eleições brasileiras a longo prazo representa uma ameaça a essa sociedade, em que as “ideias” políticas, de comportamento e de consumo “vertem” dos ungidos em direção às massas.

    Assistimos, em câmera lenta, a uma revolução nos papéis sociais, que vai se acelerar quando a ascensão econômica se combinar com a interiorização do conhecimento, o acesso à universidade e as tecnologias de informação.

    Perplexos, os que se acreditam mantenedores de nossa ordem hierarquizada confundem sua irrelevância com a decadência definitiva da democracia brasileira. É um jeito elegante de dizer que eles sentem desprezo pelos pobres.


    Fonte do Post:
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