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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Lula e a criação do mercado de massa

Via Blog do Luis Nassif
Enviado por luisnassif,
qua, 29/12/2010 - 10:33

A grande discussão acadêmica do momento é se o governo Lula inaugurou uma nova era – ao consolidar uma economia de massa – ou se foi uma continuidade do governo FHC.

O divisor de águas é a formação da sociedade de massas, com a inclusão econômica e política, definindo uma nova etapa no desenvolvimento brasileiro, um novo paradigma para as políticas públicas.

Na primeira metade dos anos 2000 escrevi um conjunto de artigos explorando esse tema – e que acabaram se constituindo na espinha dorsal do meu livro "Os Cabeças de Planilha".

Não é um livro de historiador. É um livro de jornalista com alguns "insights" que, creio eu, só agora estão tendo desdobramentos junto ao mundo acadêmico. Um deles, o da reavaliação do "encilhamento", ainda não foi suficientemente cinzelado pela Academia, especialmente a estratégia política em torno da remonetização (introdução de um novo padrão monetário) da economia – que seria seguida no Plano Real. Há bons livros analisando os erros, mas nenhum casando os erros com a estratégia de tomada de poder por parte de Rui Barbosa - que serviu de base para o modelo desenhado por Gustavo Franco para o Real.

O ponto que, agora, domina o debate acadêmico – graças aos estudos do André Singer – é o do impacto político e econômico da formação de uma economia de massa. Já tinha delineado no meu livro.

No "Cabeças de Planilha" trabalho o conceito de "janelas de oportunidade" na vida dos países, aqueles momentos únicos que, sendo aproveitados, lançam o país em um novo patamar; não sendo aproveitados, entram na cota do desperdício histórico.

Identifico três janelas na história do país, todas elas relacionadas com a possibilidade de ampliação dos mercados econômico e político, através da inclusão de novas massas - o mesmo conceito aprofundado por Singer para analisar o governo Lula.

A primeira, o período da Proclamação, onde se junta a Abolição e a política de atração de imigrantes. Ali se poderia ter dado o primeiro grande salto na criação de uma sociedade moderna. Morreu devido aos erros do Encilhamento, à falta de políticas públicas que ajudassem na inclusão dos libertos, e as enormes dificuldades colocados no caminho dos imigrantes. Em vez de um salto, criaram-se as bases para a vergonhoso concentração de renda que dominaria o século 20. Enfim, havia falta de elite.

A segunda grande janela se deu na segunda metade dos anos 60. O processo de industrialização ganhara fôlego, tivera início o grande movimento de urbanização, acelerado pela seca no nordeste. A falta de uma política agrária, de fixação do homem no campo, a carência de investimentos nos sistemas de educação e saúde, em vez de um salto no mercado trouxeram o inchaço das grandes metrópoles. Quando esgotou-se o modelo exportador e o salto do "milagre", não havia mercado interno para sustentar o crescimento.

A terceira janela de oportunidade desperdiçada – dizia eu no livro – foi justamente o Plano Real.
Em geral abre-se a oportunidade de grandes movimentos de mobilidade social ou em eventos políticos traumáticos (como na Proclamação) ou em grandes desastres geográficos.

Com o Real, FHC recebeu o prato pronto, de presente [de Itamar Franco, é lógico]. O fim da inflação trouxe para o mercado de consumo milhões de brasileiros, sem traumas políticos, sem tragédias ambientais. E isso em um momento de grande reorganização da estrutura das multinacionais, com o Brasil despontando como um dos países sede das unidades produtivas.

Esse movimento foi abortado porque inclusão social, criação de bases sólidas econômicas, nunca fizeram parte das prioridades de FHC. E essa história de que primeiro precisaria consolidar a estabilidade monetária não resiste aos fatos.


Têm estudos de Edmar Bacha, no primeiro semestre de 1995, admitindo que a luta contra a inflação já tinha sido completada e que, agora, seria o desenvolvimento. Impôs-se a estratégia de criação de grandes grupos financeiros à custa da apreciação do real. O contraponto tímido - de pessoas como Luiz Carlos Bresser Pereira e José Serra - se dava no campo do desenvolvimentismo tradicional, jamais na ampliação de políticas sociais como base para um novo mercado de massas.

Os poucos avanços que ocorreram em educação e saúde foram decorrência exclusiva da Constituinte, que criou transferências obrigatórias para o setor. Durante toda sua gestão, o Ministro Pedro Malan tentou acabar com a vinculação.

Digo isso para salientar que é falsa a ideia de continuidade entre FHC e Lula na criação desse mercado de massa. E de que consumou-se com Lula porque as condições sociais e políticas impuseram-se por si próprias.

FHC jamais implementaria esse modelo, em nenhuma circunstância, porque não fazia parte de suas prioridades. Aliás, quem leu a entrevista com ele, com que fecho meu livro, perceberá uma absoluta ignorância de FHC em relação a pontos essenciais desse novo modelo, que o livro percebia latente, mas que só se materializou nos últimos anos. Sua única visão de país consistia na geração de grandes grupos financeiros, internacionalizados, que avançariam levando o país consigo.

Assim, considero correta a avaliação de que a grande marca de Lula, que mudou o Brasil no plano econômico, político, regional, foi o da criação do enorme mercado de massa, político e econômico. Esse é o divisor de águas, a mudança de paradigma. Volto a falar do tema nos próximos capítulos.

Fonte: Blog Luis Nassif 

Leia também:

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dilma ganhou em 70% dos municípios brasileiros

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA

Dilma Rousseff (PT) venceu em 3.878 municípios brasileiros no segundo turno. José Serra (PSDB) venceu em 1.686. Em porcentagem: 70% a 30% para a petista. Como ela teve 56% dos votos válidos, a desproporção se explica pela maciça vitória de Dilma nas pequenas cidades (de todo o país, menos de São Paulo), e pelo equilíbrio dos dois nas cidades grandes e médias.

Em branco por desistência

Comparados aos do primeiro turno, os percentuais de votos em branco no segundo turno foram menores em todas as regiões. Seria natural que o percentual aumentasse, já que havia menos opções de candidatos para os eleitores.

É mais um indicativo de que as seis votações seguidas na urna eletrônica atrapalham o eleitor e levam não poucos a anular ou votar em branco em vez de no candidato a presidente de sua preferência.


Voto errado é diferente de voto nulo

No Nordeste, o percentual de votos nulos no segundo turno foi quase metade do que no primeiro turno (4,67% a 8,02%). A diminuição da taxa indica que pelo menos 1 milhão de eleitores nordestinos erraram o voto para presidente no primeiro turno, provavelmente por terem que votar seis vezes e numa ordem que deixa o voto presidencial por último. Congresso e Justiça eleitoral deveriam mudar a ordem esdrúxula de votação.


Bicadas fluminenses

Por que Serra não cobra Índio da Costa e o DEM como, implicitamente, fez com Aécio Neves (PSDB)? Diferença por diferença, foi praticamente igual no Rio de Janeiro e em Minas Gerais sua distância em relação a Dilma: 1,797 milhão de votos entre os mineiros contra 1,710 milhão entre os fluminenses. Proporcionalmente, a derrota no Rio foi maior.

A resposta tem a ver com o futuro e não com o passado.

Será curioso ver quem o PSDB preferirá seguir: um senador eleito de 50 anos que fez o governador do segundo maior colégio eleitoral do país, ou um candidato derrotado duas vezes a presidente, de 68 anos, que ficou sem cargo e terá que negociar espaço com uma liderança emergente (Geraldo Alckmin) em seu Estado natal.
 

1 COMENTÁRIO PARA "Dilma ganhou em 70% dos municípios brasileiros":

Comentado por paulo chacon em 03/11/2010 - 13:48h:
DILMA GANHOU EM 70% DOS MUNICÍPIOS DO BRASIL.
Isto joga por terra o preconceito paulista/paulistano de que foi graças ao nordeste que a Dilma venceu. Na verdade, ela só perdeu na maioria dos municípios de São Paulo. São Paulo é a vanguarda do atraso. Possui uma classe “mérdia” reacionária e preconceituosa. O paulista /paulistano gosta de pedágios mais caros do mundo, gosta de congestionamentos, gosta de enchentes, gosta de escolas e hospitais públicos abandonados, gosta de segurança pública comandada pelo PCC, gosta de roubalheira no metrô, dersa e rouboanel, ops, rodoanel, enfim , gosta de serra, alckimin e fhc.




Fonte do Post:

sábado, 23 de outubro de 2010

PIB em alta no Brasil - poderá ser o maior em 30 anos.

23/10/2010 - 08:27h 

O PIB é revisto para cima e uma enxurrada de investimentos dá o tom de uma fase de expansão inédita no País.



Amauri Segalla e Adriana Nicacio – ISTOÉ

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R$ 100 BILHÕES
é quanto o brasileiro vai gastar no Natal de 2010, Para atender à demanda,
shoppings como o Pátio Higienópolis antecipam decoração e promoções
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Na semana passada, saíram as novas projeções para o crescimento do Brasil em 2010. De acordo com estimativas do governo, de consultorias especializadas e de organizações como o Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode aumentar até 8% em 2010. Se o número se confirmar – e é muito provável que se confirme –, significará o maior salto econômico em três décadas. Sob qualquer ponto de vista, trata-se de um resultado extraordinário. Entre os emergentes, é a terceira melhor marca, atrás apenas de China, imbatível nesse quesito, e Índia. Na comparação com a média de desempenho do PIB mundial (alta de 4,8% em 2010), o indicador brasileiro chega a ser quase duas vezes maior. Uma escalada dessa magnitude oferece a milhões de brasileiros um inédito campo de oportunidades. O Brasil vai gerar em 2010 algo como 2,5 milhões de empregos, quase um Uruguai inteiro. Até o fim do ano, o valor que a população vai gastar na compra de bens de consumo chegará a R$ 2,2 trilhões, uma disparada de 22% ante 2009. Não à toa, o varejo espera para dezembro o melhor Natal da história. No período, o comércio deve movimentar R$ 100 bilhões, o que vai exigir um aumento de 60% na compra de insumos e produtos importados para atender à brutal alta da demanda. Dados superlativos como esses fizeram com que o Brasil deixasse de exercer um papel coadjuvante no palco econômico global. Hoje, o País é uma potência planetária, capaz de influenciar no jogo de forças entre as nações. “O Brasil passou para a liderança do crescimento mundial”, disse à ISTOÉ o ministro da Fazenda, Guido Mantega (leia entrevista).
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Qualquer que seja o resultado das eleições, o próximo presidente terá uma imensa responsabilidade sobre seus ombros. O Brasil potência, algo sonhado por gerações, enfim se tornou uma realidade. Obviamente, há um longo caminho até o País eliminar por completo seus problemas, mas as recentes conquistas não podem ser obliteradas. “O maior desafio do Brasil é a sustentação do crescimento”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior, diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no FMI. “Depois de 20 anos, o nosso maior objetivo passou a ser o desenvolvimento”, afirma Roberto Padovani, economista e estrategista sênior do banco WestLB. Investidores internacionais já demonstraram preocupação quanto a um possível rompimento da política econômica atual. Na ótica desse grupo, um cenário de continuidade assegura a manutenção do inédito ciclo de expansão verificado no País.
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R$ 100 BILHÕES
é quanto o brasileiro vai gastar no Natal de 2010, Para atender à demanda,
shoppings como o Pátio Higienópolis antecipam decoração e promoções
Nestes dias em que as discussões políticas estão exacerbadas, a questão econômica foi incorretamente deixada de lado, mas é ela que, afinal de contas, influi na vida das pessoas. É o aumento da renda, que desde 1990 cresceu 163% no País, que permite que os brasileiros comprem mais, realizem seus sonhos ou poupem para assegurar um futuro sem sobressaltos. Ao comprar mais ou guardar dinheiro no banco, os brasileiros proporcionam lucros para as empresas e instituições financeiras – que, capitalizadas, contratam mais, investem mais, geram riqueza para o País.
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“A General Motors vai investir R$ 2 bilhões no Brasil em 2011”
Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul
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Para a maioria dos analistas, existe uma diferença clara entre o desenvolvimento atual e o milagre econômico da década de 70 do século passado. Pela primeira vez, o crescimento não está associado à inflação (nos anos 1970, os preços subiam acima de dois dígitos a cada 12 meses. Em 2010, o índice inflacionário oficial deve ser de 5,2%). Com a estabilidade associada ao aumento da renda e à oferta abundante do crédito, o País deu novo fôlego ao seu mercado interno. Em poucos lugares do mundo a aviação cresce como no Brasil, em torno de 30% ao ano. Detalhe: na Europa, as maiores empresas do setor enfrentam uma crise sem precedentes e nos Estados Unidos espera-se um aumento inferior a 5% na venda de passagens em 2010. O mercado brasileiro é tão forte que a americana Boeing, em parceria com a Gol, decidiu instalar em Belo Horizonte seu centro de tecnologia e manutenção de aeronaves para todas as companhias da América Latina.
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30%
é quanto deve crescer o mercado aéreo brasileiro em 2010,
marca não repetida por nenhum outro país
Na indústria automobilística, a expansão do mercado brasileiro só pode ser comparada ao desempenho chinês. De janeiro a agosto de 2010, foram vendidos no País 2,077 milhões de carros, 8,4% a mais que no mesmo período de 2009. Como resultado, o Brasil alcançou um feito tão surpreendente quanto simbólico: ultrapassou no ranking mundial a Alemanha, país-sede de gigantes como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW, e ficou atrás apenas de China, Estados Unidos e Japão. O interessante é que o mercado nacional não se destaca apenas no volume de vendas, mas também na qualidade do que é fabricado por aqui. Montadoras como General Motors e Fiat fizeram do Brasil uma plataforma mundial de desenvolvimento de produtos, que são inteiramente concebidos em território brasileiro para depois serem levados para a Europa e os Estados Unidos. Essa nova fase da indústria exige intensos aportes financeiros. Juntas, as principais fabricantes de carros instaladas no Brasil vão desembolsar cerca de R$ 20 bilhões nos próximos cinco anos no País, dinheiro que será revertido principalmente na ampliação e manutenção das plantas industriais. “Apenas em 2011 vamos investir R$ 2 bilhões no Brasil”, diz Jaime Ardila, presidente da GM para a América do Sul.
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A pujança fez com que o Brasil passasse a ser cobiçado por investidores estrangeiros. A recente crise financeira global inverteu uma histórica equação no tabuleiro econômico mundial. Acredite: para uma corporação multinacional, tem sido mais fácil ganhar dinheiro no Brasil do que nos países de origem. Na semana passada, a Coca-Cola, a empresa mais globalizada do planeta, divulgou seu balanço. No terceiro trimestre de 2010, as vendas no Brasil cresceram 13% – mais do que em qualquer outro lugar onde a gigante de bebidas está presente. É covardia comparar a performance brasileira da companhia com o restante do mundo, que registrou alta de 5% nas vendas de refrigerantes. Empresas-símbolo em seus países faturam por aqui tanto quanto em suas próprias casas. A americana Avon igualou sua receita obtida no Brasil com o faturamento alcançado nos Estados Unidos. Nos dois casos, o número é de US$ 1,8 bilhão. Entre as 150 operações da alemã Nivea no mundo, a de melhor desempenho é a subsidiária brasileira. “Desde 1999 a economia brasileira faz as mesmas coisas em termos de combate à inflação e equilíbrio de contas públicas”, diz Robson Gonçalves, economista e professor da FGV Management. “Por isso, logo ficou claro que as regras do jogo são essas e que não vão mudar. Como resultado, as oportunidades de negócio no Brasil passaram a chamar a atenção de quem está lá fora.” Em 2003, o investimento direto estrangeiro no Brasil totalizou US$ 18,9 bilhões. Em 2010, esse número deve superar a marca dos US$ 30 bilhões.
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“O Brasil lidera o crescimento mundial”
Em entrevista exclusiva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
diz que o Brasil serve de exemplo até para os Estados Unidos

Por Octávio Costa e Adriana Nicacio
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“A economia mundial vai crescer graças aos emergentes”

ISTOÉ – O Brasil é exceção no mundo em crise?
Guido Mantega – A América Latina é destaque na economia mundial, com o Brasil irradiando o crescimento para a Argentina, o Uruguai e outros países. Nós estamos importando de nossos vizinhos e estamos estimulando essas economias. Éramos o patinho feio. Ficávamos atrás dos emergentes, porque éramos o país da promessa. No semestre, nós crescemos 8,9%, a segunda maior evolução entre os países do G-20, atrás apenas da China. A economia mundial vai crescer 4,5% graças aos países emergentes chamados dinâmicos.

ISTOÉ – O Nobel Paul Krugman insiste para que os EUA tomem medidas de estímulo ao crescimento, como o Brasil. Há espaço para isso?
Mantega
– Eu acho. Numa reunião do FMI, há duas semanas, eu falei para o Ben Bernanke, do FED, e o Timothy Geithner (secretário do Tesouro) que só a política monetária expansionista não resolve, porque a economia americana está apática. Não adianta colocar crédito. Se não há mercado, o empresário não toma o crédito. Eles baixam a taxa de juros, que está quase zero, o crédito fica empoçado e os investidores vêm para o Brasil. Lá eles ganham 0,36% por ano. Aqui, no mínimo, 10,75%. Os EUA têm que estimular a demanda como nós fizemos no Brasil.

ISTOÉ
– Qual é a receita de crescimento do Brasil?
Mantega – O papel do Estado é muito importante. Temos que baratear o custo do financiamento. Nós fizemos várias leis, como a do crédito consignado, que facilita o acesso para o trabalhador. A alienação fiduciária também é importante, pois sem ela não haveria financiamento de automóvel. Aperfeiçoamos o setor de construção e estamos mantendo a isenção do IPI para material de construção, sem falar na política de desoneração do investimento, do consumo e da cesta básica. Aumentamos o investimento em infraestrutura. Foi fundamental a expansão do mercado interno. Crescemos com geração de emprego e investimos em agricultura familiar. O País era insignificante e hoje figura entre os líderes do crescimento mundial.

ISTOÉ – Qual foi o papel do mercado interno no crescimento?
Mantega – Sem dúvida, o Brasil é um dos poucos países onde há ascensão dos mais pobres. Criamos um mercado consumidor forte, com redução das classes mais baixas e aumento das classes C, B e A. É uma política que diminui o conflito social, porque o governo não está tirando do rico e dando para o pobre. Dá melhores condições para todas as classes. Em 2003, as classes A e B eram formadas por 13 milhões de pessoas. Em 2010, o total de brasileiros nessa faixa de renda pulou para 31 milhões. Nesse mesmo período, a população da classe C subiu de 66 milhões para 104 milhões. É impressionante. Mais de 50 milhões de pessoas subiram de classe social.

ISTOÉ – Como se explica a ascensão social?
Mantega
– Colocamos o equivalente a uma França inteira em novos patamares de consumo. O que não conseguiríamos só com programas sociais nem com transferência de renda. Vocês sabem o que são 50 milhões de pessoas? A ordem é assim. Vem em primeiro lugar a criação de empregos. O Brasil já é, por exemplo, o segundo maior mercado da Nestlé. E começa a ser o segundo maior, o terceiro maior para uma série de empresas estrangeiras. A pesquisa do comércio varejista de agosto mostra um crescimento no mês de 2%. Se anualizarmos, haverá um crescimento de 24% no varejo. São números maiores do que os da China.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O artigo que resultou em demissão... isso sim é censura...

 

Maria Rita Kehl – O Estado de S.Paulo

 
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
 
 
 
Fonte do Post:
Leia mais sobre o Bolsa Família:
 
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Os mil doutores da Rede de Biotecnologia

Rede de biotecnologia formará mil doutores no NE


Por Lilian Milena


A Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio) completa seis anos neste mês de setembro com a audaciosa meta de constituir um Centro de Excelência Virtual em Biotecnologia que se torne referência mundial no futuro. Dentre as propostas do sistema, que envolve 31 instituições de ensino e pesquisa dos nove estados da região, mais o Espírito Santo, está a de promover a titulação de doutores nas quatro grandes áreas da biotecnologia: saúde, meio ambiente, indústria e agropecuária.

A primeira turma da pós-graduação da Renorbio ofereceu cem vagas, selecionadas em 2006. Hoje já são mais de 400 estudantes mantidos no curso, com duração de quatro anos. A expectativa é que sejam formados mil doutores pelo sistema nos próximos 10 anos. Segundo a secretária Executiva da Coordenação de Programa de Pós-Graduação, Paula Lenz, dez das 90 teses produzidas pela primeira turma já foram defendidas – as demais deverão ser apresentadas até dezembro – e das dez defendidas, seis já saíram com patentes.

A biotecnologia é responsável por revoluções em todas as atividades humanas que envolvem a manipulação de organismos vivos, com pesquisas em níveis que vão de molecular a nanométrico (medida que equivale a 30 mil vezes o diâmetro de um fio de cabelo). Os estudos nessa área resultaram no desenvolvimento de centenas de medicamentos e diagnósticos, além de hormônios do crescimento, insulina, plantas resistentes e, mais recentemente, organismos transgênicos, plásticos biodegradáveis, biocombustíveis e métodos de biorremediação do meio ambiente – essa última atividade utiliza microorganismos capazes de metabolizar compostos tóxicos em áreas contaminadas. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Quem é Paulo Freire?


   
Paulo Reglus Neves Freire



Paulo Reglus Neves Freire nasceu em 19 de setembro de 1921 em Recife, PE. Apesar de pertencer a uma família de classe média, Freire vivenciou a pobreza e a fome na infância durante a depressão de 1929. Uma experiência que o levou a se preocupar com os mais pobres e o inspirou a construir seu revolucionário método de ensino.

Leia mais clicando aqui.

domingo, 5 de setembro de 2010

Eleições 2010 - Qual será o escândalo de final de primeiro turno a ser gerado pelo PIG?



Qual será o golpe final da Globo? O que fazer a respeito?



por Luiz Carlos Azenha



Bala de prata. Há muito se especula sobre bala de prata. Qual será a “bala” atirada pelo consórcio Organizações Globo/Folha/Estadão/PSDB/DEM na véspera do primeiro turno, em 2 de outubro de 2010, para tentar mudar o quadro eleitoral? Em 2006 foram as fotos do dinheiro apreendido com os aloprados do PT, que teriam tentado comprar um dossiê contra o então candidato a governador José Serra.

Ninguém tratou do conteúdo do dossiê: as ambulâncias superfaturadas compradas durante a gestão de Serra no Ministério da Saúde. Aliás, a Globo passou a tratar aquele dossiê como “falso dossiê”, quando todas as informações oficiais mostram que o esquema das ambulâncias superfaturadas vicejou durante a administração Serra.

[Abaixo tem o vídeo que mostra Serra na entrega das Ambulâncias dos sanguessugas . No final do vídeo, mais precisamente no minuto 5:40s, dá-se para ver microfones da Globo e SBT entrevistando serra. Isso deixa claro que a mídia, o PIG, sabia que os sanguessugas tiveram origem com os tucanos de Mato Grosso e principalmente na "jestão" serra e que serra estava lá.]
http://www.youtube.com/watch?v=v-1_tplL_H4


Naquela ocasião, em 2006, as fotos “vazaram” justamente na antevéspera da eleição, para que pudessem ser publicadas na véspera, estrelando a edição do Jornal Nacional [a globo abriu mão de fazer, o tradicional, sensacionalismo com a queda do avião da GOL para dar o golpe do primeiro turno com as tais fotos]. Foi obra do delegado Edmilson Bruno, cuja conversa com os jornalistas na hora do vazamento se tornou um clássico da conjunção carnal entre fonte e mídia, com o delegado sugerindo o uso de photoshop, instruindo repórteres sobre como proceder com a divulgação das informações, contando que ia mentir para o superior hierárquico sobre a fonte do vazamento e se referindo a uma “foto da Globo” — tudo isso sob o silêncio complacente dos “profissionais” da mídia.

Para ouvir a conversa gravada, clique aqui.

Na opinião de Luís Nassif, a bala de prata deste ano terá relação com o envolvimento de Dilma Rousseff na resistência ao regime militar. Também acho que seja o mais provável, dado que conheço inúmeros casos de gente que decidiu não votar na candidata do PT depois de receber por e-mail “notícias” (obviamente falsas) sobre crimes atribuídos à candidata.

Veja abaixo o post de Luis Nassif:
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Qual a bala de prata, a reportagem que será apresentada no Jornal Nacional na quinta-feira que antecederá as eleições, visando virar o jogo eleitoral, sem tempo para a verdade ser restabelecida e divulgada?
Ontem, no Sarau, conversei muito com um dos nossos convivas. Para decifrar o enigma, ele seguiu o seguinte roteiro:
  • 1. Há tempos a velha mídia aboliu qualquer escrúpulo, qualquer limite. Então tem que ser o episódio mais ignóbil possível, aquele campeão, capaz de envergonhar a velha mídia por décadas mas fazê-la acreditar ser possível virar o jogo. Esse episódio terá que abordar fatos apenas tangenciados até agora, mas que tenham potencial de afetar a opinião pública.
  • 2. Nas pesquisas qualitativas junto ao eleitor médio, tem sobressaído a questão da militância de Dilma Rousseff na guerrilha. Aliás, por coincidência, conversei com a Bibi que me disse, algo escandalizada, que coleguinhas tinham falado que Dilma era "bandida" e "assassina". Aqui em BH, a Sofia, neta do meu primo Oscar, disse que em sua escola - em Curitiba - as coleguinhas repetem a mesma história.
As diversas pesquisas de Ibope e Datafolha devem ter chegado a essa conclusão, de que o grande tema de impacto poderá ser a militância de Dilma na guerrilha. A insistência da Folha com a ficha falsa de Dilma e, agora, com a ficha real, no Supremo Tribunal Militar, é demonstração clara desse seu objetivo. Assim como a insistência de Serra de atropelar qualquer lógica de marketing, para ficar martelando a suposta falta de limites da campanha de Dilma – em cima de um episódio que não convenceu sequer a Lúcia Hipólito.
Aliás, o ataque perpetrado por Serra contra Lúcia – através do seu blogueiro – é demonstração cabal da importância que ele está dando à versão da falta de limites, mesmo em cima de um episódio que qualquer avaliação comezinha indicaria como esgotado.
A quebra de sigilo é apenas uma peça do jogo, preparando a jogada final.
A partir daí, meu interlocutor passou a imaginar como seria montada a cena.
Provavelmente alguém seria apresentado como ex-companheiro de guerrilha, arrependido, que, em pleno Jornal Nacional, diria que Dilma participou da morte de fulano ou beltrano. Choraria na frente da câmera, como o José Serra chora. Aí a reportagem mostraria fotos da suposta vítima, entrevistaria seus pais e se criaria o impacto.
No dia seguinte, sem horário gratuito não haveria maneiras de explicar a armação em meios de comunicação de massa.
Será um desafio do jornalismo brasileiro saber quem serão os colunistas que endossarão essa ignomínia – se realmente vier a ocorrer -, quem serão aqueles que colocarão seu nome e reputação a serviço esse lixo.
Essa loucura - que, tenho certeza, ocorrerá - será a pá de cal nesse tipo de militância de Serra e de falta de limites da mídia. Marcará a ferro e fogo todos os personagens que se envolverem nessa história. Incendiará a blogosfera. Todos os jornalistas que participarem desse jogo serão estigmatizados para sempre.
Todas essas possibilidades são meras hipóteses que parte do pressuposto da falta de limites total da velha mídia.
Mas a hipótese fecha plenamente.
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Não é outro o motivo das correntes de e-mail que tem sido bombardeadas diuturnamente na rede contra Dilma: preparar o terreno para alguma ação de grande alcance, provavelmente no Jornal Nacional. Ou seja, quando a bala de prata for disparada funcionará como uma espécie de confirmação. Registro que muita gente recém-chegada ao mundo da rede devota profunda credibilidade à palavra escrita e, por não encontrar na rede fontes de desmentido, tende a acreditar que “onde há fumaça há fogo”. Estranho, portanto, que a campanha de Dilma não tenha preparado algum tipo de vacina preventiva contra as mentiras.

É óbvio que não sabemos exatamente o que vai acontecer, nem quando. Como tem sido assim na história das eleições brasileiras, tudo indica que acontecerá de novo.

O que me leva à pergunta seguinte: qual deve ser a consequência para a concessão pública de rádio ou de TV que embarcar na disseminação da mentira? Uma campanha para o cancelamento de assinaturas (das publicações das Organizações Globo), apoiada pelas centrais sindicais, pelos movimentos sociais e pela blogosfera? Uma campanha  de boicote aos anunciantes, patrocinada pelas centrais sindicais, pelos movimentos sociais e pela blogosfera? Ações coletiva na Justiça? Punição, dentro das regras já existentes, às concessões que praticarem crimes eleitorais?

Deixo a questão em aberto para que vocês reflitam e façam sugestões. Vou sugerir ao Altamiro Borges, do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé, que pense em articular algum movimento coletivo que deixe claro, desde já, que tentativas de fraude eletrônica antecipada das eleições de 2010 terão consequências práticas aos que forem patrocinadores dela.



Fonte do Post:
Leia mais sobre as armações do PIG:

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O cientista e Lula - Ainda sobre Miguel Ângelo Laporta Nicolelis

O texto que segue abaixo é oriundo de um E-Mail que enviei a amigos em outubro de 2008. Eu o estou postando aqui em homenagem a este cientista que muito nos tem orgulhado.
Leia! garanto que não irá se arrepender.

Definição de um gênio que ainda pode dar o primeiro Nobel ao Brasil.

Ele chefia um dos mais avançados laboratórios de neurociência do globo, o da Universidade Duke, na Carolina do Norte. Lá, dá aulas de engenharia biomédica e de neurobiologia e co-dirige o Centro de Neuroengenharia. Seu nome figura constantemente nos bastifores para um prêmio Nobel. Nicolelis pertence a uma seleta lista das 20 personalidades mais importantes para o avanço da tecnologia no mundo elaborada pela Scientif American – em sua especialidade, a neurobiologia, está em 1º lugar.

Liderou o grupo de pesquisadores que registrou a atividade simultânea de 700 neurônios e ficou famoso por fazer com que macacos controlassem com o cérebro braços robóticos, a neuroprótese. Neuroprótese é uma interface cérebro-máquina, fazendo com que primatas movam braços robóticos apenas “com a força do pensamento“. O movimento foi possível com o desenvolvimento de um chip que capta sinais cerebrais e os interpreta segundo modelos matemáticos.

Apesar de já ter iniciado testes em seres humanos, Nicolelis alerta que ainda faltam tempo e estudos para chegarmos ao “ciborgue”. “Quando anunciamos nossos primeiros resultados com macacos, muitas empresas nos procuraram, mas achamos que um acordo comercial é prematuro “

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Entrevista com Miguel Nicolelis: A ciência como agente de transformação


'...conseguimos pegar mil crianças da rede pública, de escolas que as pessoas não davam esperança alguma, colocar em um ambiente de laboratório, de liberdade, de criatividade e mostrar para elas que o céu era o limite...'

Depois de 20 anos nos Estados Unidos, onde foi pesquisar as estripulias dos neurônios, Miguel Nicolelis, um apaixonado pelo Brasil, pela ciência e pelo futebol, voltou à terrinha para disseminar aquilo que desenvolveu por lá. Entre outras coisas a proeza de fazer um robô andar no Japão, a partir da 'força do pensamento' de uma macaca em um laboratório na Carolina do Norte.

Escolheu Macaíba, na periferia de Natal, no Rio Grande do Norte, para implantar um centro de pesquisa plugado nos centros de ponta do mundo inteiro. E, melhor, tocado por jovens neurocientistas que, como ele, estavam fora do país sem conseguir acesso ao sistema acadêmico público. Mais do que isso, agregou a este centro um projeto educacional que envolve mil estudantes de escolas públicas; e de saúde integral à mulher e à criança - gravidez de alto risco, câncer da mulher e problemas de neuropediatria.

Trata-se de embrião do primeiro Instituto de Ciências no país, com o qual ele pretende iniciar uma rede para atender mais de 1 milhão de crianças em diferentes cantos do Brasil. Conta com compromisso e apoio integral do governo Lula. Boas notícias que não merecem atenção da mídia nativa convencional. Na contramão dos maiores periódicos internacionais; estes levaram o assunto para as capas das edições que retrataram a cúpula de Davos, em janeiro último, onde e quando Nicolelis mostrou seu projeto.

Reproduzimos, abaixo, extratos da entrevista que ele, forte candidato ao Prêmio Nobel em sua área, concedeu à Caros Amigos, edição de maio. Um aperitivo das sete páginas de bate-papo inteligente, construtivo, transformador e emocionante. Vale à pena comprar a revista para ler a íntegra. Lição de pertencimento. Antídoto poderoso para, como diria Nelson Rodrigues, 'nosso complexo de vira-latas'.

Pergunta: Quando surgiu a história do Instituto?

Miguel Nicolelis: Sempre tive a idéia de voltar e fazer alguma coisa no Brasil. Era preciso demonstrar que alguém podia fazer ciência fora e trazer de volta. Comecei a ir para o Nordeste. Tinha a sensação de que até o impacto era necessário para demonstrar para o Brasil quão fundamental a ciência é para o desenvolvimento não só econômico, mas principalmente educacional e social.
os exemplos da Coréia, Taiwan: o que mudou esses países foi o redirecionamento do processo educacional. Era preciso ir para um lugar onde cientista nenhum iria, e provar que o talento científico brasileiro existe em qualquer lugar, no Capão Redondo como em Macaíba. O que não existe é oportunidade para esse talento aflorar. Quer dizer, você não oferece ao potencial humano brasileiro nem o método nem as oportunidades para que o método seja aplicado. Para que as pessoas possam perseguir sua imaginação, porque ciência é isso, é ter uma idéia, achar que vai funcionar e ir atrás. Daí que você vê quem é cientista - não é diploma, não é passar na banca, não é ter título. É o cara que tem uma idéia criativa, aplica métodos rigorosos para testar e que persiste. Noventa por cento da ciência é persistência.


Pergunta: Como o pessoal de fora do Brasil enxerga sua experiência aqui no Brasil?
Nicolelis: O pessoal está atônito. Quando apresentei o projeto de Natal em Davos, na Suíça, em janeiro, foi curioso. Estava do lado de colunistas, um deles famoso aqui, ouvindo gente falar do Brasil o tempo inteiro, ia no computador na manhã seguinte, abria nos jornais de São Paulo e ninguém fala nada. Vi um economista argentino falar bem do Brasil. Chorando, emocionado, 'é um exemplo, é um país que está dando um show'. No dia seguinte, não tinha uma palavra. No meu dia, vou falar sobre um projeto educacional, mostrei: 'A ciência não é só para ser feita em universidade, ficar em prédio fechado, é para abrir para o mundo.' Tinha acabado de sair uma carta que assinei com o presidente, primeira vez que um presidente de qualquer país assinou um editorial na Scientific American (clique e leia).

Pergunta: Quem? O Lula?
Nicolelis: É. Não saiu em lugar nenhum. Estava na capa da maior revista de ciência do mundo, o presidente, o ministro da Educação, se comprometendo a levar o currículo de educação científica infanto-juvenil desenvolvido em Natal para 1 milhão de crianças brasileiras. Mostrei as crianças montando robô, usando telescópio, medindo lua de Júpiter.

Pergunta: Lá em Natal?

Nicolelis: Em Macaíba, na periferia de Natal. Foi um choque. Mas só fora daqui saiu nos jornais, saiu na Scientific American, na Science, na Nature, nas grandes revistas do mundo.

Pergunta: Qual é a parte da grande imprensa nisso?

Nicolelis: Ah, omissão. Cheguei à conclusão que, hoje, no Brasil, é difícil falar bem do Brasil. Existe uma cultura de se confundir o país com quem está no governo. E a gente não pode contar boas notícias. É uma coisa meio assustadora. Não consigo entender.

Pergunta: Porque o presidente não é doutor?
Nicolelis: Pode ser. Mas acho que o buraco é mais embaixo: não podia dar certo. O governo dele tinha de ser o pior da história do Brasil. E se você analisar os fatos, friamente e objetivamente, não é. Se você passar duas semanas no interior do Rio Grande do Norte, da Paraíba, é outro Brasil. A gente respira aquele país que, quando eu era criança, me diziam que nunca seria possível se fazer (nesse momento Nicolelis chora).

E é chocante, você só consegue falar sobre isso fora daqui. O Brasil, de certa maneira, carrega hoje a responsabilidade de ser uma das poucas boas esperanças no mundo. De preservar seu ambiente, construir um país honesto, que cresça não à custa de outro, mas à custa de seu próprio trabalho, um país que tem uma democracia explodindo, não? Eu coloquei na minha porta na Universidade de Duke: 95 milhões de votos contados em quatro horas. Qualquer semelhança é pura coincidência. Eu me tornei mais brasileiro vivendo fora daqui. E acho inconcebível que nossas crianças cresçam sem apreciar a diferença entre patriotismo barato e verdadeiro amor pelo Brasil. Têm direito ao acesso à informação legítima, honesta e limpa. Para saber que país é, quais são os problemas, mas quais são as maravilhas do Brasil... (chora novamente).

Tem duas piadas que me deixam possesso. Uma é quando alguém fala, aqui, que 'isto é coisa de primeiro mundo'. Que primeiro mundo? E a segunda é que 'Deus criou esse maravilhoso país, mas deixa ver o povinho que vou pôr lá'. É o ranço do coronelismo. É inserir no genoma nacional o complexo de inferioridade. O Santos Dumont não pensou que era do primeiro mundo quando voou, não pensou no 'povinho', ele foi e fez. E acho que o que nós não sabemos é que existem milhões de outros Brasis que estão se fazendo; está lá em Resende, em Lages, no Seridó, no sertão da Paraíba, em Soares, em lugares que a gente nem considera como parte da gente. E aqui nós não apreciamos isso.

Pergunta: Quando você mostrou o projeto ao Lula?

Nicolelis: Foi genial. Estávamos no meu escritório, na minha casa, assistindo televisão, na Carolina do Norte. Vejo o discurso de vitória de um cara que conheci, rapidamente, que veio da miséria e virou presidente do Brasil, e está anunciando que quer construir outro país. Virei pro Sidarta, cientista meu amigo: 'É agora.' Escrevemos, fizemos contato. Em 2002. Vim em março de 2003 e fui me encontrar com ele em 2004. Declarei a intenção de criar o projeto no lugar em que cientista nenhum iria, e se funcionasse em Macaíba, iria funcionar em qualquer lugar. Trouxe quarenta neurocientistas do mundo inteiro para Natal, para o simpósio que inaugurou a idéia, em fevereiro de 2004. Recebi um convite para ir ver o presidente. Foi emocionante, tinha dado carona para ele uma vez, no Sindicato dos Médicos, quer dizer, um cara que contei piada do Palmeiras e do Corinthians era presidente da República. E ele mandou todo o mundo sair da sala, me deu um abraço e disse: 'Vai em frente que eu estou aqui.' (Nicolelis chora novamente.) E nós fomos em frente.

Pergunta: Governos federal, estadual e municipal, você tem apoio?

Nicolelis: O maior apoio foi do governo federal, mas o mais relevante é que a gente não só conseguiu construir isso, como conseguimos pegar mil crianças da rede pública, de escolas que as pessoas não davam esperança alguma, colocar em um ambiente de laboratório, de liberdade, de criatividade e mostrar para elas que o céu era o limite. E quando vim falar com certas pessoas aqui em São Paulo, falaram: 'Não vai sair nada.'

Pergunta: Pessoas do governo?
Nicolelis: Não, cientistas: 'Você está louco, não tem massa crítica, não vai sair do lugar', e hoje você vê criança que antes queria ser jogador de futebol dizer que quer ser químico. Estão montando robô, outro programando chip, aos 12 anos.

Pergunta: Imagino que o Instituto é mais um mundo mágico.

Nicolelis: Uma menina, quando o presidente foi visitar, ele perguntou: 'O que você acha dessa escola?', a menina 'Que escola?'; 'Essa aqui', e a menina 'não, isso aqui não é escola não, é parque de diversões'.


Entrevista à "Caros Amigos" edição 134.



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Construindo o arquipélago do conhecimento
A globalização de um modelo de desenvolvimento



O PRESIDENTE DO BRASIL Luiz Inácio Lula da Silva assina o plano nacional de desenvolvimento da educação em 12 de dezembro de 2007, em Brasília. Sentados (da esquerda para a direita) estão Miguel Nicolelis, o Ministro da Educação Fernando Haddad e o Ministro do Planejamento Paulo Bernardo Silva.

Nota dos editores: O artigo “A ciência na construção do futuro”, de Christine Soares, publicado na edição de março de 2008 da Scientific American Brasil, descreve um projeto liderado pelo neurocientista Miguel Nicolelis para utilizar a ciência como um agente de transformação sócio-econômica no Brasil. Neste ensaio, Nicolelis explica as origens de sua idéia e como o projeto poderia ser estendido a outros países.

Conceitos-chave

No século 21, o conhecimento inovador e as criações tecnológicas, os produtos mais marcantes do cérebro humano, provavelmente se tornarão as commodities mais valiosas para o estímulo da economia global. À medida que países e empresas multinacionais diversificarem suas estratégias em resposta a uma nova onda de globalização, a competitividade será mantida por aqueles que forem capazes de utilizar de maneira mais eficiente seus ativos tecnológicos e força de trabalho especializada distribuídos geograficamente. Parece plausível, portanto, imaginar que comunidades muito diferentes no mundo todo começarão a juntar esforços para formar parcerias vitais, capazes de competir mais eficientemente pelos benefícios econômicos, políticos e sociais gerados pelo crescimento da indústria do conhecimento. Um exemplo desse paradigma é um projeto em andamento para construir um desses enclaves de conhecimento no Nordeste do Brasil. Potencialmente, é a primeira de muitas ilhas de conhecimento que irão se conectar para formar um verdadeiro arquipélago de conhecimento no mundo.

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Sentado em uma cadeira confortável no canto esquerdo de um palco na ala oeste do Palácio Presidencial, eu mal podia acreditar que aquela cerimônia estava mesmo acontecendo. Ao lado do Ministro da Educação do Brasil, Dr. Fernando Haddad, e de frente para uma platéia que havia estoicamente agüentado um atraso de duas horas, me vi próximo ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto ele anunciava calmamente uma série de importantes decretos.

Era o começo de uma tarde de primavera incrivelmente fresca e politicamente carregada em Brasília. Apesar de seu dia cheio, o presidente parecia feliz em estar ali – particularmente porque suas assinaturas eram saudadas por salvas de palmas e comemorações exuberantes por diferentes participantes, convidados de todos os cantos do país para testemunhar o evento.


Retirado do Scientific American Brasil


Leia mais:


Colhendo os frutos - O cientista e Lula

Nicolelis e o pontapé inicial da Copa

por Luiz Carlos Azenha


Além de ser um cientista brilhante, o paulista Miguel Nicolelis é uma figura rara. Palmeirense doente, aparentemente ele vai trabalhar para um pontapé inicial muito especial na Copa de 2014.

Já o entrevistei algumas vezes, nos tempos da Globo. Outro dia, ouvia a rádio CBN quando o Nicolelis foi entrevistado. A entrevistadora fez o diabo para ele falar mal das pesquisas científicas no governo Lula e ele… nada.

Mal sabia a entrevistadora que o cientista é fã de Lula e que, talvez por ter morado tantos anos nos Estados Unidos, tem um senso de patriotismo extraordinário. Na entrevista disse, sim, que a Ciência no Brasil ainda não tem a prioridade que merece, mas fez questão de ressaltar a qualidade dos cientistas e pesquisadores brasileiros, que fazem muito com pouco.

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Terça-feira, 31 de agosto de 2010 às 17:24

Jogo de abertura da Copa 2014 poderá ter pontapé inicial de tetraplégico

O pontapé inicial do jogo de abertura da Copa de 2014 poderá ser dado por um cidadão brasileiro tetraplégico. O ‘milagre’, afirma o neurocientista Miguel Nicolelis, diretor do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN) no Rio Grande do Norte, será concretizado com a chegada ao Brasil do supercomputador Blue Gene, doado pelo governo da Suíça, que permitirá o desenvolvimento de uma roupa especial pelo consórcio Andar de Novo, formado por Brasil, Suíça, Estados Unidos e Alemanha. Nicolelis esteve com o presidente Lula nesta terça-feira (31/8) em São Paulo para anunciar a novidade e aproveitou para convidá-lo para ser patrono do projeto. “É um momento histórico para a ciência brasileira”, afirmou o cientista.

Segundo Nicolelis, existem hoje cerca de 200 computadores com a capacidade de cálculo do Blue Gene. O Brasil terá, assim, o computador mais veloz do Hemisfério Sul. O equipamento, adiantou, será utilizado não apenas para pacientes potiguares, mas de todo o País.

O computador pesa duas toneladas e chegará ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, seguindo então para Recife e, depois, Natal.


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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Entendendo o porquê da mídia nativa, o PIG, ser golpista

Redistribuição da verba fez mídia paulistana cair no colo do PSDB/DEM




30/08/2010
do Émerson Luís,
no Nas Retinas
Via Blog Vi o Mundo




É fácil entender o esforço da mídia paulistana em defender a candidatura tucana com unhas e dentes no Estado de São Paulo. Me atenho aqui a SP, apesar da mídia carioca ter ido pelo mesmo rumo, porque o estado vive a “bolha de imprensa”. Qualquer opinião contrária ao estado tucano é amplamente abafada na mídia, fazendo com que a população se mantenha com viseiras de cavalo, quase que em catarse.

De 2003 até agora o governo Lula começou um processo de regionalização da verba publicitária gerenciada pela Secretaria de Comunicação, a Secom. Ou seja, o dinheiro que antes era destinado somente para os veículos de rádio, TV, jornal e revista das grandes capitais, principalmente São Paulo e Rio, começou a ser redistribuído para veículos do interior do país. É o processo de isonomia, como pediu Mino Carta. Em 2003 o governo federal anunciou em 270 emissoras de rádio. Em 2009 foram 2.809 rádios. Jornais, no mesmo período, saltaram de 179 para 1.883. Veja tabela abaixo. Os dados são da Secom e, portanto, públicos. Basta solicitar, como eu fiz. Clique para ampliar.


O gráfico mostra o aumento no investimento também para TV e revista. Observando a imagem abaixo, separando somente os números de investimento em jornais, pode-se notar realmente como o governo federal provocou a ira dos grandes veículos impressos. A retirada de verba foi significativa de 2007 até 2009. Enquanto a verba direcionada aos jornais do interior subia, diminuia a verba da capital. Em 2007 os jornalões das capitais receberam 6.844.417,8. Em 2008 a verba subiu um pouco, saltando para 7.776.730,2. Por fim, em 2009, a verba despencou para 3.939.348,0. No mesmo ano, os jornais do interior receberam 6.226.047,5. Veja o gráfico completo.


Imaginem vocês se o Mercadante chega ao governo do estado em São Paulo e promove a mesma isonomia do governo federal. A mídia paulista vai à bancarrota. E justamente por isso se agarraram nos calcanhares do PSDB e DEM, que é garantia de escoamento de anúncios e convênios de assinaturas de jornais para escolas. A leitura dos jornais despenca. Os números de assinantes são inflados constantemente com a distribuição gratuita de exemplares para quem nunca assinou ou já deixou de assinar. Admitir queda na circulação significa perder mais dinheiro. Os anunciantes privados não têm piedade e querem resultados.


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sábado, 28 de agosto de 2010

Serra e sua visão neo-conservadora e anti-democrática

Só Serra quer acabar com "Conferências Nacionais"

Com exceção de Serra, candidatos prometem continuar conferências

Dilma, Marina e Plínio pretendem manter conferências como forma de participação direta da população na vida política do país

Suzana Vier, na Rede Brasil Atual
Publicado em 27/08/2010, 09:42

São Paulo – Após as críticas de José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República, ao modelo de conferências, adotado pelo governo federal como mecanismo de participação direta da população, Dilma, Marina e Plínio afirmaram à Rede Brasil Atual que vão dar continuidade às conferências realizadas em diversas áreas.

Em discurso no 8º Congresso Brasileiro de Jornais, no Rio, Serra chamou as conferências realizadas durante o governo de Lula de “conferencismo”. O candidato também atribuiu às conferências de comunicação, de direitos humanos e  de cultura, a tentativa de cercear a liberdade de imprensa. “[...] as três se voltaram para um controle da nossa imprensa, um cerceamento da liberdade de expressão e da liberdade de informação. De que maneira? Através do controle – suposto – da sociedade civil”, criticou.

A candidata Marina Silva (PV) defende que é preciso aprofundar a participação democrática e o envolvimento da sociedade como pilares de sustentação do governo. “[Vamos] fazer do processo de participação uma oportunidade de desenvolvimento da consciência política e dos valores democráticos”, descreve a senadora.

Marina aponta que a legitimidade de um governo depende da “participação direta e sistemática da sociedade nas decisões de caráter público”.

Dilma Roussef (PT) disse que pretende manter a participação da sociedade e dos movimentos organizados em conselhos e conferências, caso seja eleita. “Elas são espaços de democracia importantes e necessários para a construção de diretrizes e políticas públicas.”

A petista admite que nem sempre é possível transformar decisões de conferências em realidades imediatas, mas é fundamental a um governo democrático saber o que a sociedade pensa. “O diálogo sempre traz respostas positivas, mesmo onde haja discordâncias”, sintetiza.

O candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, relata que seu partido tem participado de todas as conferências e defende a implementação das resoluções. O presidenciável propõe a criação de fóruns para complementar a política de conferências. “No caso de ocupar a chefia do Executivo, o PSOL não apenas daria continuidade a essa política como investiria na construção de fóruns que possibilitassem a deliberação com maior participação popular”, defende Plínio.

Nem o candidato José Serra, nem sua coordenadoria de campanha responderam às solicitações da Rede Brasil Atual para confirmar as posições contrárias à participação popular em um eventual governo seu.

Resposta federal
Ainda na semana passada, o  ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, respondeu às críticas de José Serra às conferências e classificou as opiniões do tucano de “concepção elitista de democracia, na qual a população não tem o direito de ser ouvida nas decisões de governo” (acesse a matéria completa no quadro acima).

A Secretaria-Geral da Presidência calcula que 5 milhões de pessoas participaram de processos referentes a 73 conferências realizadas nos últimos oito anos.


fonte do post:

Leia mais sobre outras posições conservadoras de Serra:
  
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sábado, 21 de agosto de 2010

Questionando o copyright


Uma nova ameça à liberdade de informação... novamente contra a Internet...

A ANJ pensando o futuro quer agora controlar a Internet o único espaço que vem desmascarando a grande mídia, hoje mais conhecida como PIG graças às ações dos blogs. Para quem não sabe a ANJ é a representação do PIG


A ANJ (Associação Nacional de Jornais) está negociando com sites agregadores de informação, como Google e Yahoo!, medidas que estimulem os internautas a buscar as notícias diretamente nas páginas on-line dos veículos que as produziram.
[para quem não entendeu a frase anterior: se caso a proposta for aceita quando se for buscar algo no Google por exemplo, este irá direcionar diretamente às "páginas on-line dos veículos que as produziram". Portanto, se você tiver um blog, quando alguém for buscar alguma notícia pelo google, por exemplo, qual seria a chance  de seu blog ser acessado? será que o google abriria mão de apontar o globo on line por exemplo, para que o seu blog fosse acessado?]
 O anúncio foi feito no último dia do 8º Congresso Brasileiro de Jornais, no Rio, pela presidente da entidade e diretora-superintendente do Grupo Folha, Judith Brito, em meio ao debate sobre como garantir o reconhecimento dos direitos autorais e a remuneração do conteúdo de empresas jornalísticas reproduzido por terceiros na web.

Segundo Brito, as negociações estão adiantadas com o Google News e devem ter resultados práticos até o fim deste ano. As medidas incluem a redução do tamanho dos textos exibidos nesses sites e o aperfeiçoamento dos critérios de indexação.

Também está sendo negociada a remuneração dos jornais por meio da colocação de anúncios nas páginas resultantes de buscas de notícias. Além disso, a ANJ estuda criar loja virtual para produtos digitais de associados.

"Nossa meta é buscar formas adequadas de remuneração de nossos conteúdos, para que o jornalismo de qualidade continue a desempenhar o papel que tem e sempre teve em sociedades democráticas", disse, ao abrir a mesa que discutiu "o futuro da mídia digital".
Os participantes da mesa deixaram claro que os jornais e essas empresas estão longe do entendimento completo.

O presidente da Associação Mundial de Jornais, Gavin O'Reilly, conclamou os jornais a não esquecer de que "conteúdo ainda é rei" no jornalismo. Ser capaz de ganhar com ele "é fundamental para sobreviver".

Por isso, disse, deve haver cobrança ativa do pagamento dos direitos autorais do material das empresas jornalísticas, como prevê a Declaração de Hamburgo, proposta por publishers europeus e assinada em 2009 pela ANJ.

Segundo O'Reilly, 1.600 jornais do mundo já adotaram o ACAP (sigla em inglês para Protocolo de Acesso Automático a Conteúdo), espécie de código de barra que pode ser lido por computadores de busca e distingue material passível ou não de ser reproduzido sem permissão. A intenção é levar os sites agregadores a negociar o uso de parte do conteúdo.

"Não significa sempre que precisam abrir o talão de cheques. Mas têm que pedir permissão. Se não o fizerem, vão encontrar cada vez mais conteúdo fechado", afirmou.

Os representantes do Yahoo! e do Google não confrontaram diretamente a legitimidade de cobrança de direitos autorais. Mas disseram que os jornais precisam fazer mais para conquistar um leitor que hoje tem mais opções.

"A busca relacionada à notícia visa facilitar o acesso das pessoas, não se apropriar do conteúdo. Qualquer um que não queira ser incluído pode nos procurar", disse André Izay, presidente do Yahoo! Brasil.

Rodrigo Velloso, diretor do Google para novos negócios na América Latina, afirmou: "Demonizar o Google está na moda, como já aconteceu com a Microsoft. Estamos abertos a discutir direitos autorais, mas vamos trabalhar juntos quando convier aos dois lados".

O'Reilly avaliou que o momento do acerto vai chegar e condenou o que descreveu como tática dos sites de escolher alguns veículos para negociar. "Se eles respeitam o direito autoral, vão ouvir o que as empresas estão dizendo, que precisa haver um diálogo e que não temos só que aceitar o que impõem."

Fonte:
 
Aproveite e leia sobre as armações do PIG, a grande mídia, que foram desmascarados pelos Blogs. Isso é só uma parte, existem muito mais: