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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Trabalhando em defesa do patrão... manda quem paga né! Zé!


Um leitor do jornalista Luiz Nassif relatou como foi "atendido" pela ouvidoria do Jornal Folha de São Paulo. Ele perguntou:

_____________________________________
“Prezada ombudsman [ouvidora],

O que justifica a Folha nada comentar a respeito da matéria da CartaCapital desta semana [edição que chegou às bancas em 10/09/2010], que mostra a violação do sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros (leia aqui) pela firma Decidir.com, ocorrida em 2001, sendo a empresa de propriedade de Verônica Dantas e Verônica Serra?

...

Cordialmente

Ricardo Montero”



A resposta da ouvidora da Folha, Suzana Singer:
________________
“Caro Ricardo,
agradeço sua manifestação. Abaixo transcrevo resposta de Alan Gripp, da editoria do caderno Poder.
Atenciosamente,

Suzana Singer

“Nós estamos apurando a história, mas não tivemos acesso ainda ao processo (em sigilo).”

O autor da matéria na Carta Capital, jornalista Leandro Fortes, disse que deu uma gargalhada, quando leu o post no Nassif:

"Então, a Folha não repercutiu a matéria da Carta porque está 'apurando a história'? Como assim? Essa história já foi apurada pela Folha em 2001!"


Em 2001, a Folha "apenas omitiu" quem eram os donos da decidir.com. Era uma empresa que tinha como sócios Verônica Serra (filha de José Serra) e Verônica Dantas (do grupo Opportunity, irmã de Daniel Dantas, presa anos depois na operação Satiagraha).

Em 2010, a Folha "mentiu até para si mesma", porque o "estamos apurando" deles, está nos próprios arquivos do jornal, o que pode ser comprovado nos links:
Depois dessa parcialidade explícita, a ponto de esconder uma notícia COMPROVADA que envolve um escândalo de corrupção com a filha do candidato a presidência da República José Serra, que o jornal apoia; notícia essa que tem tudo a ver com o enxame de notícias sobre a quebra de sigilo na Receita, que o jornal considerou relevante... ainda tem a cara-de-pau de quererem censurar a liberdade de expressão daqueles que criticam o sub-jornalismo e panflatagem política do jornal em favor da campanha de José Serra e Geraldo Alckmin.

Fonte do Post:
Saiba quem paga:
Leia também:

Aproveite e leia sobre algumas armações do PIG:


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Formando as cabeças dos futuros eleitores de São Paulo... isso sim que é "investir no próprio futuro com dinheiro público"...


No mundo capitalista manda quem paga. 

No Diário Oficial do governo de São Paulo na gestão Serra, foi descoberto o maior esquema de compra em órgãos de imprensa já registrado na história da república. É o fato que comprova a total cumplicidade das grandes mídias e o tucano José Serra nessas eleições: em destaque Veja, Globo, Folha e Estadão.

Esta mídia, aparentemente, tinha por missão desgastar o governo Lula para atrapalhar a sua sucessão, mas agora age como tropa de choque para desgastar a candidata petista, enquanto encobre ou dá pouco espaço a notíciais negativas que atinjam a candidatura tucana.

Veja alguns desses contratos encontrado no Diário Oficial do governo tucano:

27/maio/2010
Contrato: 15/00548/10/04
- Empresa: Editora Brasil 21 Ltda.
- Objeto: Aquisição de 5.200 Assinaturas da “Revista Isto É” – 52 Edições – destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 1.203.280,00
- Data de Assinatura: 18/05/2010

28/maio/2010
Contrato: 15/00545/10/04
- Empresa: S/A. O ESTADO DE SÃO PAULO
- Objeto: Aquisição de 5.200 assinaturas do Jornal “o Estado de São Paulo” destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo – Projeto Sala de Leitura
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 2.568.800,00
- Data de Assinatura: 18/05/2010.

29/maio/2010
Contrato: 15/00547/10/04
- Empresa: Editora Abril S/A
- Objeto: Aquisição de 5.200 assinaturas da Revista “VEJA” destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São de Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 1.202.968,00
- Data de Assinatura: 20/05/2010.

8/junho/2010
Contrato: 15/00550/10/04
- Empresa: Empresa Folha da Manhã S.A.
- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas anuais do jornal “Folha de São Paulo” para as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 2.581.280,00
- Data de Assinatura: 18-05-2010.

11/junho/2010
Contrato: 15/00546/10/04
- Empresa: Editora Globo S/A.
- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas da Revista “Época” – 43 Edições, destinados as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
- Prazo: 305 dias
- Valor: R$ 1.202.968,00

A maior beneficiada no esquema foi a editora Abril, que é proprietária do maior seminário do país, a Revista Veja. Não por acaso é o órgão de imprensa que mais ataca o governo Lula e mantém permanentemente capas destrutivas contra a candidatura petista.

- DO [Diário Oficial] de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara ’inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola’.

- DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.

- DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.

- DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.

- DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data daassinatura: 08/09/2008.

- DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.

- DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.

- DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.

- DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.

- DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009.


Negócios de R$ 34,7 milhões.

Somente a revista Veja e mais 4 “pedagógicas” foram responsáveis  por  receber mais de 34 milhões dos cofres públicos dos contribuintes paulistas. A revista Nova Escola, que está sob investigação do Ministério Público Estadual, tem 1/4 de suas vendas na conta do governo Serra, são 220 mil assinatura que engordaram em mais de R$ 3,7 milhões os caixas da editora Abril.

O esquema ardioloso não só tem como função aparelhar os meios de comunicação regados com dinheiro público, como ainda através da própria compra distribuir nas escolas essas imprensa aparelhadas. Isto é, não se trata apenas de aparelhar os maiores meios de comunicação do país, mas de usar o sistema escolar para disseminar publicações tendenciosas como propaganda política disfarçada de noticiário, sobretudo, como arma de difamação contra adversários políticos.

Enquanto as mídias atacam hipocritamente o PT e o governo Lula acusando de ameaçar a imprensa e querer controlá-la, distorcendo a proposta de controle social da mídia que é uma cláusula constitucional e estava presente no PNAD do governo FHC – vemos que na verdade estão na verdade fazendo a defesa de seu atual controle, o controle tucano – e o povo paulista está ainda tendo que pagar para sofrer lavagem cerebral. Absurdo?

Quem na grande mídia romperá o silêncio e denunciará esse crime político hediondo?

Fonte: Diário Oficial do governo de São Paulo
Publicado em: Reflexão

Fontes do Post:
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domingo, 19 de setembro de 2010

Serra para Márcia Peltier: “Apaga a televisão”


Áudio divulgado pelo Terra, gravado pela repórter Priscila Tieppo, do momento em que o candidato José Serra discutiu com a entrevistadora Márcia Peltier, no intervalo de uma gravação do Programa Jogo do Poder, da CNT:

A discussão foi travada entre o primeiro e o segundo blocos do programa, ou seja, está gravada em alguma fita da emissora mas tudo indica que a CNT não vai colocar no ar (em geral esses momentos de intervalo são considerados off the records, mas se fosse a Dilma as imagens certamente seriam recuperadas e passariam no Jornal Nacional):

Serra: Todo mundo que entra na jogada do PT e do governo ou quer apresentar méritos nesse sentido. Porque…O fato é o seguinte. Eu estou reiterando um crime… [fala da quebra do sigilo da filha dele... como sendo crime e que ele está reiterando]
Márcia: Que não era durante o período eleitoral, antes da candidatura.
[veja na fala de serra, abaixo, que ele muda de interesse quando a repórter deixa claro que o sigilo foi acessado antes do período eleitoral. Para quem não sabe, os dados foram acessados em setembro de 2009 período em que Serra estava disputando com Aécio Neves o posto de candidato do PSDB]
Serra: E daí, que antes da candidatura, Márcia? Nós estamos gastando tempo aqui, precioso, em vez de falar de programa de governo, para vocês repetirem os argumentos do PT, que vocês sabem que são fajutos, estamos perdendo tempo aqui, eu só acho isso…
Márcia: A gente tem de fazer…
Serra: Eu vim aqui numa correria tremenda. Pega a candidata do PT… ela vem aqui?
Márcia:Virá aqui.
Serra: Então, então pergunta pra ela.
Márcia: Vamos perguntar pra ela também, candidato.
Serra: Eram eles que estavam faturando.

[Aproveite e assista abaixo o que serra disse em 2009 sobre os acessos aos dados dele e de sua família. O interessante é que dados de Lula e sua família, a de Guido mantega, Gilmar Mendes também foram acessados.] 




Márcia: Vamos perguntar pra ela também. Nós vamos agora voltar e agora vamos falar sobre programa.
Serra: Não, não vou dar essa entrevista, você desculpa.
Márcia: Por que candidato?
Serra:
Porque não?
Márcia:Vamos fazer, só que agora falando do programa.
Serra: Não, faz-de-conta que eu não vim.
Márcia: Por que?
Serra: Porque não tem nada a ver com pergunta, não é um troço sério.
Márcia: Como não é um troço sério? Vamos conversar.
Serra: Então apaga.
Márcia: O que é que o sr. quer que apague?
Serra: A televisão.
Márcia: Ah, o sr. quer que apague a televisão?
Serra: Nós vamos conversar nessa base, porque isso aqui tá um programa montado.
Márcia: Montado pra quem? Não tem montação, não tem montagem. Apaga aí por favor, gente. Olha só, deixa eu te falar uma coisa. A gente aqui… a gente aqui não tá fazendo um programa…
Serra: Não é o que me disseram. O que me disseram é que eu ia falar de política e de economia.
Márcia: O primeiro bloco era só isso… Candidato, mas esse era o primeiro bloco. Vai ter… vai  ter… vão ter mais três blocos, candidato, três blocos.
Serra: Tudo pergunta óbvia, você sabe o que é pergunta óbvia? Que você sabe o que é que o candidato vai responder. Você vai falar de pesquisa, isso aquilo, etc., você acha que dá para ganhar? O que é que o candidato vai dizer?
Márcia: Mas pensa bem, candidato, pensa bem…



[Esse é o Serra que quer ter nas "mãos" a Presidência da República... já imaginaram...] 



Fonte do Post:

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domingo, 12 de setembro de 2010

O futuro da Mídia Tucana, o famoso PIG

O ocaso político de Serra institui uma boa questão: qual o rumo da grande imprensa partidária no governo Dilma? A realocação para Aécio Neves será automática? Depende. A  única certeza é que grande imprensa (liderada por Globo, Abril e Folha) continuará sendo anti-petista. Isso não vai mudar.

Não porque o governo petista apresenta-se como de esquerda. Lula nem fez um governo ao estilo esquerda tradicional: foi liberal na economia; multiplicou o mercado consumidor e permitiu que os grandes conglomerados empresariais lucrassem mais do que nunca; além disso, não interferiu nas relações trabalhistas.

A imprensa não torceu contra a inclusão massiva de trabalhadores, nem  contra  o aumento de consumo (o que indiretamente favorece sua própria receita publicitária), nem foi contrária aos programas sociais por uma maldade conservadora. O Bolsa Família, como todas as ações do governo Lula, só foi combatido pelos aquários (os staffs da imprensa), porque de alguma forma davam mais poder político a Lula.

A antipatia contra o PT tem a ver exatamente com a opção trabalhista do partido. A grande imprensa brasileira é um cartel empresarial que odeia movimentos sociais e sindicais, organização trabalhadora e, principalmente, mudança das relações de poder no Estado.

Há outro aspecto que hoje acirra os ânimos da grande imprensa em relação ao governo Lula e que se manterá no governo Dilma: a opção por pulverizar parte dos anúncios, e mais recentemente o início ainda que tímido do apoio efetivo à grande rede, único sistema de comunicação capaz de ofertar contraditório nacional em relação à própria grande imprensa.

Proximidade com movimentos trabalhistas e sociais e uma atenção maior à rede manterão o "ódio funcional" ao governo petista. Mas para que lado vai a mídia tucana?


Aposta em crises políticas

A resposta mais imediata é que ela cairá imediatamente no colo de Aécio Neves, o futuro líder da oposição. Mas isso se o desarme de Serra for pacífico. Aí é que entra o problema: a imprensa tem certeza de que Dilma, sem o carisma de Lula, não conseguirá manter os "anticorpos" necessários para deter campanhas massivas de escandalização.


Além disso, aposta também que Dilma será refém do jogo político, principalmente, das "divergências" entre PT e PMDB, e o que isso poderia acarretar de conturbação na base aliada.

É evidente que o objetivo primeiro da mídia será a perturbação da ordem desta base, com contrafactuais referentes a guerras entre partidos de apoio a Dilma e a aposta num clima de permanente crise política.

Dissolver a unidade da base para esta imprensa, mesmo que às custas da governabilidade e da paz política no país, é fundamental para seus propósitos de chegar ao governo com a oposição.

Como a economia mantém boas previsões para os próximos anos, a guerra da mídia contra DIlma se dará no campo político,  talvez com as mesmas estratégias de escandalização e futricas de Congresso.

Mas para quem trabalhará a imprensa tucana se não se sabe o que os tucanos vão fazer da vida? A mesma impressão de "fragilidade política e eleitoral" de Dilma alimentará ilusões hoje dadas como perdidas.

Serra pode estar certo de que sua última chance foi 2010.  Mas, obcecado que é pelo poder, ficar sem mandato, sem lugar político, não é bem o que se espera do atual candidato tucano. 

Daqui a dois anos, tem eleição para prefeito, mas Serra se sentiria humilhado em ter que disputar um pleito municipal. Nem que fosse para terminar o que nunca conseguiu: um mandato executivo.

Embora abalado com a derrota nas eleições de 2010, em poucos meses Serra estará fazendo planos para 2014. O Senado talvez seja o seu fim político. Ou quem sabe o sonho de voltar ao governo do Estado, o que se tornará impossível se Alckimin vencer as eleições e chegar bem avaliado ao final do mandato - até porque, se não chegar bem, o PSDB se despede do poder.

Não se surpreendam se Serra vier a interpretar os fatos de 2010 como apenas adiamento de um sonho, o que o colocará em rota grave de colisão em relação a Aécio Neves. O ex-governador mineiro contou com uma certeza: só cedeu 2010 a Serra porque sabia que o paulista não tinha qualquer chance.


Aderir a um mineiro?

Aécio não aceitaria adiar por quatro ou oito anos sua ambição presidencial,  sob o risco de chegar a 2018 na garupa de um partido desgastado de poder. Melhor que Dilma vencesse, para que ele colhesse os frutos da tal fragilidade atribuída pela imprensa.

Esse é o principal complicador do futuro da imprensa tucana: apoiar Serra numa aventura pós-Dilma, ou simplesmente aderir imediatamente a Aécio? Ou quem sabe apostar num Alckimin revigorado?

Não tenhamos dúvida que os jornais mineiros já estão com Aécio. E daqui do Rio de Janeiro, podemos dizer: as relações com as Organizações Globo são muito boas. A incógnita são os veículos de São Paulo. Mais "nacional" do que Serra, Aécio pode ainda  capitalizar seu patrimônio midiático junto aos outros estados, principalmente porque é certo que há uma demanda pelo descentramento do poder midiático.

Em 16 anos de governo paulista, instalou-se em São Paulo algo como uma República da Midia: há negócios muito interessantes [para o PIG e os tucanos servis(clique e leia)] do ponto de vista financeiro entre Governo de Estado e grupos de imprensa em SP.
Os ganhos vão se manter: de grandes anúncios a serviços de material didático, passando por distribuição massiva de jornais e revistas em escolas,  e intermediação com as teles, o PSDB soube transformar a imprensa paulista em sócia do poder. 
Por isso o livre trânsito nos corredores do Palácio Bandeirantes.  O sonho de Frias, Mesquistas e Civitas de chegar a Brasília via Tucanato S.A  é  fruto de corretagem paulista. Mas Aécio tem outras debêntures a pagar.
Além disso é evidente que o fim do paulicentrismo na política federal implica  em reconfiguração de relações de poder midiático, ainda mais em tempos de crescimento da rede.

Ora. Aécio, pelas mãos de Andrea Neves(clique e leia), é hábil negociador de imprensa. Que ele vai levar todas as fichas não tenha dúvida. Mas a imprensa paulista será o último bastião do sonho tardio de Serra e ela só franqueará seu apoio a Aécio se Serra recobrar a consciência.


Ainda que venha a aderir a Aécio, a imprensa paulista não se sentirá tão feliz ao lado do ex-governador mineiro, que precisará lidar muito bem com o sentimento de  província de veículos habituados a estar dentro de palácios de governo desde 1995: este é o marco inicial da perda de posicionamento moderado da grande imprensa.


A turma do Serra

A título de curiosidade, podemos também especular sobre o futuro dos colunistas, que junto aos editores e apresentadores de telejornal são a linha de frente da "opinião tucana" no país: Ricardo Noblat, Dora Krammer, Miriam Leitão, Ronaldo Sardemberg, Merval Pereira,  William Waak, Gilberto Dimenstein, Josias, além de spin doctors e livre-atiradores. Para onde se voltará o coração destes nomes que tão apaixonadamente se alinharam com o tucanato paulista?

Uma possibilidade é a dispersão: alguns serão amantes de primeira hora de Aécio Neves. Outros, no entanto, talvez pratiquem um anti-petismo mais independente. Determinante, no entanto, para saber o futuro deles, é conhecer o que ocorrerá na grande temporada de negociações políticas entre midia e tucanato. O que determinará até mesmo o estilo da  grande imprensa.
Se Serra (ou quem sabe Alckimin) mantiver esperanças, o tom dos ataques, a velocidade dos contra-fatos será idêntica ao que se tem hoje. Justamente porque este é o estilo  que Serra herdou de FHC e seu grupo (Àlvaro Dias, Arthur Virgílio etc).

Se Aécio assumir a liderança isolada do campo oposicionista a partir de primeiro de janeiro, talvez o tom seja diferente: justamente porque o governador mineiro já percebeu que o radicalismo mais atrapalha do que ajuda.


Fonte do Post:
Aproveite e leia sobre algumas armações do PIG:
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

A gestão tucana em São Paulo e o Crime organizado - Um modelo dos tucanos paulistas tipo exportação

Serra e Alckmin deixaram o PCC crescer.
Agora o PCC expande para a Bolívia [e o Paraguai].


O PCC foi criado e cresceu DENTRO dos presídios paulistas, debaixo do nariz dos governos demo-tucanos de Geraldo Alckmin e José Serra.

A desastrosa política de segurança pública tucana no estado de São Paulo, fez o PCC crescer e estender seus tentáculos para outros estados do Brasil inteiro. Agora aparece em países vizinhos, como no Paraguai e na Bolívia.

O jornal boliviano La Razón, noticia o que a imprensa demo-tucana daqui não tem coragem de dizer: o vice-ministro de Defesa Social da Bolívia, Felipe Cáceres, disse que o PCC, de São Paulo, o Comando Vermelho (CV), do Rio, e o cartel mexicano Zeta estão agindo em sociedade. O PCC expandiu seus "negócios" de São Paulo e invade a Bolívia. Em São Paulo levanta o dinheiro vendendo crack e cocaína, no estado e para o resto do Brasil. Com o poder econômico do dinheiro, financia o tráfico indo "produzir", e buscar a "matéria prima", corrompendo os países vizinhos pobres, como Bolívia e Paraguai.

O CV no Rio de Janeiro está sofrendo baixas, uma após a outra, com a política de UPP's (Unidades de Polícia Pacificadora). Já em São Paulo, não se tem notícia de que o PCC esteja perdendo terreno, muito pelo contrário.

http://www.youtube.com/watch?v=4lrmoxdNyww




Não dá para José Serra simplesmente culpar o governo da Bolívia como se os governos tucanos de São Paulo nada tivesse a ver com isso. A cúpula do DENARC (departamento de narcóticos), nos governos Serra e Alckmin foram um covil de corrupção, onde mega-traficantes ficaram soltos mediante propina, e continuavam traficando à vontade, como prova a reportagem no vídeo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=MuImc6epp3g





O Trabalho da Polícia Federal

Assim como foi preciso a Polícia Federal intervir para prender o traficante Abadia, que agia livre em São Paulo com a cumplicidade do DENARC, de novo é a Polícia Federal quem está tendo que consertar a lambança da expansão do PCC, devido à negligência de Serra e Alckmin, quando foram governadores.

Tendo como base as cadeias paulistas, o PCC é hoje um “partido” internacional, que expande seus negócios em direção ao Paraguai e à Bolívia. Contaminou as instituições, no Brasil e fora dele.
Há quem acredite em um nexo entre o crime organizado e as atividades do Exército Popular Paraguaio, que levou o presidente Fernando Lugo a decretar estado de emergência em regiões fronteiriças com o Brasil. Ah, sim, também há quem diga que o EPP recebe apoio das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC. 
 Luiz Calos Azenha
via Carta Capital

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Folha de São Paulo

A PF (Polícia Federal) e as polícias do Mato Grosso do Sul e do próprio Paraguai têm feito sucessivas apreensões de drogas com a inscrição das iniciais da facção na fronteira.

Prisões

Na última quinta, sete membros do PCC foram presos em Presidente Prudente (565 km a oeste de São Paulo). Um deles, Emerson Josias Menezes dos Santos, 32, o Buchecha, estava em Pedro Juan Caballero e as armas apreendidas foram trazidas do Paraguai. Em maio, ele fora preso com 30 kg de cocaína, mas fugiu da cadeia.

A polícia paraguaia tem informações de que, em abril, o PCC participou da tentativa de assalto à agência do Sudameris na cidade de Hernandarias.

A suspeita surgiu porque os ladrões usaram os mesmos métodos do furto de R$ 164,8 milhões do Banco Central, em Fortaleza, no ano passado. Aquela ação, segundo a Polícia Federal, teve participação do PCC. Em Hernandarias, assim como no Ceará, os assaltantes alugaram uma casa perto da agência e cavaram um túnel para chegar ao alvo. Em 2005, a polícia do Paraguai já tinha sido alertada sobre a presença da facção em seu território. Na ocasião, o serviço de inteligência descobriu que ao menos 15 membros estavam na região agindo em sequestros.

O PCC também já tem ramificações na Bolívia, segundo a Polícia Federal. No país, o traficante José Severino da Silva, 36, conhecido como "Cabecinha do PCC", possui uma fazenda de 1.000 hectares produtora de cocaína.

Em maio, seis supostos integrantes de sua quadrilha foram presos em Coxim (MS) com 300 kg de cocaína que seriam levados para São Paulo e Rio de Janeiro. A droga tinha valor estimado em US$ 1,5 milhão.

Há cerca de duas semanas, a polícia do Mato Grosso do Sul descobriu um plano de seqüestro do juiz criminal Eduardo Maguinelli Júnior e do diretor da Penitenciária de Segurança Máxima de Naviraí, Joaquim Hellis Alves. Os seqüestros seriam em protesto contra a transferência de líderes que comandaram rebeliões em Campo Grande e Dourados. Esses líderes devem ir para o presídio federal de Catanduvas (PR).



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quinta-feira, 1 de julho de 2010

O mito do "Estrategista político"... aquele que foi, sem nunca ter sido, estrategista econômico...

SOBRE A ESCOLHA DO VICE
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O fracasso da estratégia política de José Serra

Deve ter origem no próprio Serra a lenda que começa a ganhar corpo entre alguns articulistas, sobre a suposta aversão do candidato tucano para com o DEM.

No Valor ou na Folha, jornalistas experientes* propagam o conto e daqui a pouco vão dizer que a escolha de Álvaro Dias e a maneira como o DEM foi posto perante o fato consumado, fazia parte de uma decisão friamente calculada por Serra.

O tucano estaria realizando uma ruptura com a “direita”, aproveitando o declínio acentuado do DEM após o “mensalão” do DF. Pesquisas “qualis” devem ter registrado, sem dúvida, que os aliados DEM e PPS nada aportam, fora o espaço na TV. Talvez até tenham registrado o “peso” de certas presenças na campanha do candidato e das quais faria melhor ficar afastado.

Mas, a bem da verdade, foi a estratégia escolhida por Serra pessoalmente que naufragou com estrondo, porque ao contrário da lenda, o tucano fez do DEM a pedra angular de toda sua estratégia política desde 2004 pelo menos, até muito recentemente.

Foi em parceria com Kassab, que Serra construiu a maioria interna necessária para derrotar Alckmin e isolar Aécio. Foi com seu respaldo e apoio que o DEM conquistou a prefeitura da maior cidade do país.

A conquista do governo estadual serviu para expulsar ou marginalizar os partidários de Alckmin, e Serra almejou a ideia de fazer de Aloysio Nunes seu sucessor, com o apoio do PMDB de Quercia e do próprio Kassab.

O DEM forneceria o seu vice, cargo para o qual o mais cotado era precisamente José Roberto Arruda, o administrador moderno e probo do Distrito Federal.

O projeto político de Serra começou a ruir com os panetones estragados de Arruda. O escândalo combinou-se no tempo, com a “marolinha” surfada com maestria pelo presidente Lula – contra o prognóstico de Serra – e com a resistência interna de Aécio e Alckmin, dos quais acabou dependendo para manter sua própria empreitada de candidato à presidente.

Aécio foi içado a condição do vice “salvador” e Alckmin, a candidato incontornável para obter um bom desempenho nas urnas, no seu próprio Estado. O mineiro fechou a porta na nariz do pretendente e as pesquisas fizeram o resto.

Serra ficou assim reduzido a escolher o que for, a condição de aportar alguma coisa, por mais pequena que fosse. Optou por um vice que desbaratasse, no seu pequeno calculo, o palanque petista, e isso podia ser feito aparentemente no Paraná. E assim agiu.

Pensou que a questão não traria maior problema, subestimando porem a capacidade de Roberto Jefferson a estragar uma escolha sem grandes atrativos e ignorando o crescente malestar dos Democratas, os tratou com a costumeira arrogância e autoritarismo que o caracteriza.

O resultado esta visível aos olhos de todo o país.

E suprema ironia do destino, tive que pedir para FHC, o exilado da campanha, para tentar consertar o estrago do seu próprio fracasso.

LF

* ver artigo de Raymundo Costa, no Valor e
de Valdo Cruz, na Folha.com
(Se trata de dois jornalistas pelos
quais tenho o maior respeito)
 
 [fico imaginando se ele for eleito... e ele tem grandes chances disto, tem a seu favor a grande mídia, apelidada de PIG, os banqueiros, os ruralistas e a Elite do Empresariado, todos sediados em SP]
 
 
 
Fonte do Post:

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A BRIGA ENTRE SERRA E AÉCIO. CORREMOS O RISCO DE TERMOS UM DELES COMO PRESIDENTE

Dossiê tucano é sujeira dentro do ninho

Os cadernos de política só falam nisso:

Serra acusou Dilma de preparar um dossiê contra ele e o PT anunciou que entrará na justiça contra Serra que terá que provar sua acusação. Tudo teve início com reportagem publicada pela Veja (quem mais poderia ser? sendo do PIG já dava para saber) denunciando a existência de um dossiê contra o tucano.

A novidade agora é que o dossiê não seria armação da opositora e sim de gente do próprio partido...


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Jornalistas revelam livro originado por guerra entre Serra e Aécio

Brasília Confidencial


Os jornalistas Luiz Carlos Azedo, titular da coluna Brasília-DF do Correio Braziliense, e Luís Nassif, editor de blog, revelaram ontem a existência de um livro “sobre os bastidores das privatizações”, segundo Azedo, originário da guerra travada entre José Serra e Aécio Neves, de acordo com Nassif, quando os então governadores tucanos de São Paulo e Minas Gerais disputavam a pré-candidatura do PSDB à Presidência,.

Com o título “O caso do dossiê”, o texto publicado por Nassif em seu blog, no fim da tarde de ontem, desacredita a produção ou existência de novo dossiê contra Serra e afirma que “a história é outra”.


Segundo Nassif, a história é a seguinte:

     “Quando começou a disputa dentro do PSDDB, pela indicação do candidato à\s eleições presidenciais, correram rumores de que Serra havia preparado um dossiê sobre a vida pessoal de seu adversário (no partido) Aécio Neves.

     A banda mineira do PSDB resolveu se precaver. E recorreu ao (jornal) Estado de Minas para que juntasse munição dissuasória contra Serra. O jornal incumbiu, então, seu jornalista Amaury Ribeiro Jr. de levantar dados sobre Serra. Durante quase um ano Amaury se dedicou ao trabalho, inclusive com viagens à Europa, atrás de pistas. 

     Amaury é repórter experiente, farejador, que já passou pelos principais órgãos de imprensa do país. Passou pelo O Globo, pela IstoÉ, tem acesso ao mundo da polícia e é bem visto pelos colegas em Brasília.

   Nesse ínterim, cessou a guerra interna no PSDB e Amaury saiu do Estado de Minas e ficou com um vasto material na mão. Passou a trabalhar, então, em um livro, que já tem 14 capítulos, segundo informações que passou a amigos em Brasília.

   Quando a notícia começou a correr em Brasília, acendeu a luz amarela na campanha de Serra (…)”.
    
O presidente do PT, José Eduardo Dutra, reagiu às informações com uma mensagem no Twitter ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra.
    “Então quer dizer que foi o Aécio quem encomendou?
    E agora querem jogar no nosso colo? Que coisa feia!”


Aproveite e assista o que a Dilma tem a dizer sobre a lambança tucana e as acusações que eles fizeram contra ela:





Fontes do Post:
Aproveite e leia:




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O LIVRO QUE VAI DESNUDAR A PRIVATARIA NA "ERA FHC"

A bomba explodiu no colo do Serra - Conversa Afiada - PHA


Os porões da privataria

Amaury Ribeiro Jr.

Introdução

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do País, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três de seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, têm o que explicar ao Brasil.

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marin Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marin. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como Marin é conhecido, precisa explicar onde obteve US$3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos de 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra, e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil…

Atrás da máxima “siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.

A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República, mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista, nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$448 milhões(1) para irrisórios R$4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC. (Ricardo Sérgio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m…”, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico(2).

O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$3,2 milhões no exterior por meio da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$17 mil (3 de outubro de 2001) até US$375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a Presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$1,5 milhão.

O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, por intermédio de contas no exterior, US$20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.

O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, dentre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.

Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do País para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

Financiada pelo Banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas têm o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.

Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$7,5 milhões em ações da Superbird.com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A. Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante ao Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no País. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia pelos sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no País.

Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações – que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade”, conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” –, foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e às contas sigilosas da América Central ainda nos anos de 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertencia.

Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

(1) A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$3,2 por um dólar.
(2) As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.




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terça-feira, 1 de junho de 2010

UM MODELO PRESTES A SER EXPORTADO PARA OS DEMAIS ESTADOS DO BRASIL

Mauro Carrara: O desespero dos paulistanos

Você é um paulistano desesperado? Então, fique sabendo…

Desgoverno, caos e sofrimento humano na degradada São Paulo

Mauro Carrara*
no Arlesophia


Você também não agüenta mais viver em São Paulo? Não vê retorno nos altíssimos impostos pagos ao Governo do Estado e à Prefeitura?

Você já se cansou de passar horas e horas no trânsito? Já não suporta ver semáforos quebrados ou desregulados? Já se indigna com a indústria de multas?

Já precisa tapar o nariz para andar pelas ruas lotadas de lixo?
Já teme perder seu carro numa enchente relâmpago?

Já se apavora ao saber que a cidade praticamente não tem mais polícia, e que são suas orações que protegem seus familiares nos trajetos urbanos?

Já se questiona se o suor do trabalho não é suficiente para lhe garantir um mínimo de eficiência nos serviços públicos?

Já se pergunta por que a imprensa nunca lhe dá respostas?

Já nota que o jornal e o portal de Internet nunca lhe fornecem a explicação que você procura?

Talvez, então, você esteja no grupo dos 57% de paulistanos que deixariam a capital caso pudessem, conforme apurou o Ibope.

Talvez, esteja no time dos 87% que consideram São Paulo um lugar completamente inseguro para se viver.

Mas, afinal, como chegamos a esta situação caótica na maior cidade do Brasil?

Analisaremos questões específicas (enchentes, trânsito, segurança, entre outras) do processo de degradação da qualidade de vida em São Paulo.


Porém, comecemos pelo geral.

1) Sua angústia, paulistano, tem basicamente três motivos:

  • a) A incompetência, a negligência e a imperícia dos grupos que, há muitos e muitos anos, se apoderaram da máquina pública no Estado de S. Paulo. Aqui, o “capitão da província” é sempre da mesma tropa.
  • b) O sistema desonesto de blindagem e proteção dessas pessoas pelos veículos de comunicação, especialmente a Folha de S. Paulo, o Estadão, a Rede Globo e a Editora Abril, aquela que publica a Veja. 
  • c) A vigência de uma filosofia de gestão pública que nem de longe contempla as necessidades humanas. O objetivo da máquina de poder, hoje, em São Paulo, é privilegiar uma pequena máfia de exploradores do Estado e da cidade. O governo dos paulistas e dos paulistanos exige demais, mas oferece de menos.

2) Em pleno século 21, os velhos políticos ainda administram São Paulo como coronéis de província. São tão arrogantes quanto preguiçosos.

  • a) Não temos um plano coordenado de construção de “qualidade de vida” na metrópole, que coordene ações na área de saúde, educação, cultura, transporte e moradia. Todas as outras 9 grandes cidades do mundo têm, hoje, grupos multidisciplinares trabalhando duramente em projetos desse tipo. 
  • b) Não temos um projeto sério, de longo prazo, para reestruturação e racionalização da malha viária.
  • c) Não temos um sistema de transporte coletivo decente. Entre as 10 maiores cidades do mundo, São Paulo é aquela com o menor número de quilômetros servidos por metrô.


3) Por que a doce chuva virou sua grande inimiga?
  • a) Porque os governantes de São Paulo não pensam em você quando autorizam a construção de novos condomínios e habitações. Onde havia terra e árvores, passa a existir concreto. O solo não absorve a água, que corre desesperadamente para o Tietê.
  • b) Porque a prefeitura simplesmente abandonou os trabalhos de construção dos piscinões. Você tem medo de morrer afogado no Anhangabaú? Pois bem, os recentes dramas no túnel teriam sido evitados se José Serra e Gilberto Kassab tivessem seguido o projeto de construção dos reservatórios de contenção nas praças 14 Bis e das Bandeiras. Até o dinheirinho já estava garantido, com fundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas os dois chefões paulistas consideraram que as obras não eram necessárias. Agora, você paga por este descaso.
  • c) Lidar com água, uma das mais importantes forças da natureza, exige pesquisa e conhecimento. Em São Paulo, as obras são feitas de acordo com o humor dos governantes, muitas vezes em regime de urgência. Na pressa, o resultado quase sempre é desastroso. No Grajaú, por exemplo, os erros de engenharia na canalização de córregos acabaram por gerar entupimentos, enchentes e destruição. As famílias da região perderam móveis, eletrodomésticos, roupas e alimentos. Ou seja, obra sem planejamento gera mais prejuízo que benefício.
  • d) São Paulo tem a sua Veneza. É o Jardim Romano, que vai afundando a cada enchente. Como se trata de periferia, a prefeitura simplesmente abandonou os projetos de drenagem e captação de águas. O resultado é água imunda dentro das casas, doença e morte. Para minimizar o problema, o governo do Estado resolveu lançar um “carro anfíbio”, apresentado com pompa pelo bombeiros. Será que, não satisfeitos com o estrago, ainda querem rir da cara do cidadão?
  • e) O descaso com a cidade pode ser provado facilmente. Um levantamento técnico mostra que o número de pontos de alagamento aumenta assustadoramente de ano para ano. Em 2007, a cidade tinha 9 pontos fixos de alagamento. No ano seguinte, já eram 43. Atualmente, há 152 lugares por onde o paulistano pode perder seu carro durante uma chuva. É isso aí mesmo: 152! Sem dúvida, anda chovendo bastante. Mas não se pode negar que problemas de escoamento estão gerando o caos em áreas antes seguras. É o caso da Avenida Brasil com a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins. Quem podia imaginar que até mesmo a região nobre de São Paulo sofreria com alagamentos, lama e fedor insuportável?
  • f) O dinheiro que a Prefeitura gasta em câmeras, multadores automáticos e propaganda na imprensa poderia muito bem servir à erradicação de alguns desses problemas. No entanto, o drama da população parece não sensibilizar o prefeito nem o governador. Veja o caso dos alagamentos da Marginal Pinheiros com a Ponte Roberto Rossi Zuccolo. O problema já é grave, mas as obras nem foram contratadas, como admite a prefeitura. No caso da Zachi Narchi com Cruzeiro do Sul, na Zona Norte, a prefeitura limita-se a dizer que há um “projeto para futura implantação”. Tudo muito vago. Nenhuma pressa. No caso da Alcântara Machado (Radial Leste) com Guadalajara, a confissão oficial de incapacidade é assustadora: “as interferências não configuram possibilidades de obras para solucionar o caso de imediato”.

4) Por que São Paulo fede?
  • a) Porque a gestão Serra-Kassab simplesmente reduziu em cerca de 17% o investimento em varrição e coleta de lixo, especialmente na periferia. Aliás, limpeza urbana é algo que não se valoriza mesmo em São Paulo, vide as declarações do jornalista Boris Casoy sobre os garis.
  • b) Porque os projetos de coleta seletiva e de usinas regionais de reciclagem foram reduzidos, desmantelados ou sumariamente engavetados.
  • c) Porque a política de “higienização social” tem dificultado extremamente o trabalho dos catadores e recicladores.
  • d) Nem é preciso dizer que o lixo que se amontoa nas ruas da cidade vai parar nos bueiros. Vale notar que, nas enchentes, boa parte do lixo boiando está devidamente ensacado. Trata-se de uma prova irrefutável de que o “porco” nesta história não é o cidadão paulista, mas aquele que o governa.


5) Padarização: por que São Paulo é tão insegura?
  • a) O governo Serra praticamente sucateou o sistema de Segurança Pública. Paga mal os agentes da lei e ainda fomenta a rivalidade entre policiais civis e militares.
  • b) Em seu ímpeto privatista, o governo paulista incentiva indiretamente os empreendimentos de segurança particular.
  • c) Mal pagos, mal aparelhados e mal geridos, os policiais paulistas são o retrato da desmotivação.
  • d) Criou-se informalmente um sistema de “padarização” das patrulhas. Normalmente, os agentes da lei se mantêm na porta de uma padaria ou mercado, reduzindo drasticamente as rondas pelas áreas internas dos bairros. De certa forma, acabam se tornando uma guarda particular dos comerciantes locais. Esse fenômeno atinge não somente a periferia da Capital e de outras grandes cidades, mas também os bairros de classe média.
  • e) Essa mesma polícia invisível nas ruas, entretanto, ocupou o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) durante ato em defesa do Programa Nacional dos Direitos Humanos. Exigiam explicações sobre o encontro… Ora, que terrível bandido se esconderia ali? Ou será que voltamos à época da Operação Bandeirantes, que visava a perseguir os inimigos do regime militar?
  • f) Cabe dizer: o pouco que restou da Segurança Pública é resultado do esforço pessoal de policiais (militares e civis) honestos, dedicados, que ainda arriscam a vida para proteger o cidadão. Esses, no entanto, raramente são premiados por suas virtudes.


6) Politicalha na calçada, trânsito, impostos e desrespeito ao cidadão.
  • a) Sem qualquer fiscalização da imprensa, o governante paulista julga-se hoje acima da lei. Não precisa dar satisfações a ninguém.
  • b) É o caso da Calçada da Fama, já apelidada de Calçada da Lama, no bairro de Santa Cecília. Inspirada na homônima de Hollywood, foi condenada por todos os moradores locais. Mesmo assim, a prefeitura colocou 18 homens da Subprefeitura da Sé para trabalhar na obra (afinal, eles não têm bueiros para limpar). Cabe lembrar que os “testes” de homenagens foram realizados com a colocação de duas estrelas. Uma delas tinha o nome do ex-governador Geraldo Alckmin. A outra, do atual, José Serra, o único governador do Brasil que, entre amigos, se gaba de acordar ao meio-dia.
  • c) Para obras desse tipo, supõe-se, o prefeito Kassab busca um “aumentaço” no IPTU, tanto para imóveis comerciais quanto residenciais.
  • d) Cedendo ao cartel das empresas de ônibus, Kassab também decretou aumento nas passagens, de R$ 2,30 para R$ 2,70. A poucos metros da Câmara dos Vereadores, com bombas de efeito moral e balas de borracha, a polícia de Serra reprimiu violentamente os estudantes que tentavam se manifestar contra a majoração. Agressão desse tipo, aliás, já tinha sido vista na USP, em episódio que lembrou a invasão da PUC-SP por Erasmo Dias, em 1977.
  • e) Se o trânsito é cada vez mais caótico em São Paulo, raras são as ações destinadas a reformar a malha viária, revitalizar o transporte público e constituir um sistema inteligente e integrado de locomoção urbana. Os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego ainda planejam suas ações conforme modelos da década de 60. A obsolescência no campo do conhecimento é a marca da gestão da CET.
  • f) Se o tráfego paulistano é um horror, confuso e mal gerido, o mesmo não se pode dizer da indústria de multas. Em 2009, foram arrecadados R$ 473,3 milhões, valor maior do que o orçamento de cinco capitais brasileiras. Só 62 municípios do Brasil recebem, entre todos os tributos, aquilo que o governo paulistano obtém com esse expediente punitivo.
  • g) Com esse valor, seria possível instalar 2 mil semáforos inteligentes (raros aqueles em perfeito funcionamento na cidade) e 40 terminais de ônibus.
  • h) Curiosamente, se falta dinheiro para a reforma dos equipamentos de controle de trânsito, sobra para a compra de radares e aplicadores de multas. Foram 105 novos aparelhos em 2009. E a prefeitura projeta a instalação de pelo menos mais 300 em 2010.
  • i) Se os radares estão atentos ao motorista, dispostos a lhe arrancar até o último centavo, também é certo que não há olhos para as máfias de fiscais nas subprefeituras, especialmente na coleta diária de propinas nas áreas de ambulantes. Em 2008, membros da alta cúpula da subprefeitura da Mooca foram protagonistas de um escândalo, logo abafado pela imprensa paulistana. Hoje, os esquemas de cobrança ilícita seguem firmes e fortes. Faturam milhões, à luz do dia, na região do Brás, da Rua 25 de Março e da Lapa, entre outros, conforme denúncias dos próprios camelôs.


7) Até para fugir, o paulistano pagará caro… Dá-lhe pedágio!
  • a) Alguns governantes tornam-se conhecidos por construir estradas. Outros, por lotá-las de pedágios e fazer a festa de seus apoiadores de campanha. É o caso de José Serra. Em média, um novo pedágio é implantado em São Paulo a cada 30 dias. O ritmo de inaugurações deve crescer em 2010. Somente nas estradas do litoral, o governador quer implantar mais dez pedágios.
  • b) José Serra desistiu temporariamente de sua ideia obsessiva de implantar pedágios também nas marginais do Tietê e do Pinheiros. O desgaste político poderia inviabilizar, de uma vez por todas, seu projeto de ocupar a presidência da República.
  • c) Fora dos centros urbanos, entretanto, a farra do pedágio continua. Em Engenheiro Coelho, na região de Campinas, por exemplo, uma família já precisa pagar pedágio para se deslocar de um lado a outro de seu sítio, cortado pela rodovia General Milton Tavares de Souza (SP-332). Agora, para cuidar do gado, os sitiantes precisam pagar a José Serra e seus amigos da indústria do pedágio. Nessa e em outras cidades, o cerco dos pedágios deixam “ilhados” moradores da zona rural e de condomínios habitacionais. Nem mesmo o “direito de ir e vir” é respeitado.

Como resgatar São Paulo

Nos últimos anos, São Paulo vem sendo destruída e seus cidadãos humilhados. Está perdendo seu charme e carisma. Aumenta-se a carga de impostos, ao passo que os direitos básicos do cidadão são negados pela autoridade pública.

Mas nada comove a imprensa surda, muda e partidarizada. As enchentes, o lixo acumulado, as obras inacabadas, o apagão no trânsito, a fábrica de analfabetos do esquema de “aprovação automática”, as máfias de propinas, a falta de segurança e a fábrica de multas não sensibilizam os jornalistas.


A ordem nas redações é botar a culpa na sorte, nas gestões anteriores ou em São Pedro. Nenhuma tragédia é atribuída aos governantes locais. Jamais.

Quando a cratera do metrô engoliu trabalhadores, pais e mães de família, a imprensa silenciou sobre a culpa daqueles que deveriam fiscalizar a obra.


E o prefeito Gilberto Kassab ainda se divertiu, transformando a tragédia alheia em piada. Nem a Folha nem o Estadão escreveram editoriais indignados sobre o episódio.

A imprensa também se fez de boba quando a ponte do Rodoanel desabou sobre a pista, destruindo veículos e ferindo pessoas.

Aliás, os jornais estampam enormes manchetes quando se constata qualquer atraso em alguma obra do PAC. Mas não encontram relevância no atraso das obras do Rodoanel.

Já são doze anos de embromação, casos de superfaturamento e destruição do patrimônio natural nos canteiros de obras.

Na Capital, José Serra e Gilberto Kassab criaram fama ao inventar a lei “Cidade Limpa”, uma restrição sígnica ao estilo “talebã” que deixaria os habitantes de Nova York e Tóquio perplexos.
Eliminaram praticamente toda a publicidade local e, automaticamente, canalizaram milhões e milhões de Reais para jornais, TVs, rádios e portais de Internet. Um golpe de mestres.

Portanto, aquele que sofre diariamente em São Paulo precisa urgentemente revisar seus conceitos políticos, reeducar-se para a leitura dos produtos noticiosos e mobilizar-se para viabilizar a urgente mudança. Se São Paulo pode ser salva, será você, paulistano sofrido, o artífice dessa proeza.


* Mauro Carrara é jornalista, paulistano, nascido no Brás, em 1939.


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